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27.10.12

Campanha paulistana, a avant-premiére do fim do mundo

Foto: Marcos Alves/Agência O Globo
Como era de se esperar, o segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo é uma verdadeira batalha entre as duas maiores forças políticas do país. Os candidatos finalistas são José Serra (PSDB), ex-prefeito paulistano (2005-2006) e ex-governador paulista (2007-2010), além de ex-ministro da Saúde durante o mandato de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), e Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Educação durante o mandato de Lula (2003-2011) e parte do atual mandato de Dilma Rousseff (foi substituído por Aloizio Mercadante no começo deste ano).
 
Nada mais natural que houvesse escaramuças entre os candidatos nesta reta final de campanha, mesmo porque o momento político é agitado, em grande parte graças ao julgamento do mensalão. Mas eles estão exagerando na agressividade e nos ataques pessoais, fazendo com que a baixaria prevaleça num cenário em que deveria apenas haver debates de ideias para a maior cidade do país nestes próximos quatro anos.
 
O ex-presidente Lula, que bancou o nome de seu ex-ministro da Educação em detrimento de um nome fortíssimo como o da ex-prefeita (2001-2005) e atual senadora Marta Suplicy, aparentemente colherá os frutos de sua aposta, já que Haddad lidera as pesquisas de intenção de voto - aproveitando o desgaste de Serra, que em 2006 deixou o cargo de prefeito da capital paulista para se candidatar a governador (contrariando um compromisso da eleição de 2004) e, em 2010, deixou o cargo de governador de São Paulo para se candidatar à Presidência da República (e ser derrotado por Dilma). Além disso, o candidato tucano, anteriormente conhecido pela austeridade e até por uma certa discrição, anda meio estranho: disposto a acabar com a pecha de elitista e passar a ser visto como "parte do povo", andou passando pequenos vexames em passeatas durante a campanha, produzindo as já clássicas cenas do sapato voando depois de chutar uma bola em uma favela, ou do seu hercúleo esforço em erguer uma carroça de caixas de laranja.
 
Não bastasse isso tudo, uma velha discussão da eleição presidencial de dois anos atrás voltou à tona: a questão religiosa, com o auxílio de padres e pastores ajudando a tumultuar ainda mais um ambiente já conturbado. Some-se a isso a introdução do famoso Kit Gay, tentativa de Haddad de introduzir a tolerância aos homossexuais, item já discutido e criticado aqui, além da posse de vítima do candidato petista e está construído o cenário para o PT voltar a governar os paulistanos depois de oito anos. Pelo visto, o governo federal conseguirá introduzir nos eleitores da cidade de São Paulo a questão do "novo", relacionando esta palavra a Fernando Haddad - mesmo com ele conhecido por sua pouca eficiência como ministro da Educação, e logo num momento em que seu partido está na berlinda em nível nacional.
 
Para quem acompanhou a campanha eleitoral para prefeito de São Paulo neste ano, nem foi preciso esperar até dezembro para testemunhar o fim do mundo: a escolha entre um político desgastado e uma tendência a ser mera marionete. Pobres eleitores paulistanos.

8.10.12

Os desafios de Paes

 
Foto: Bruno Gonzalez/Agência O Globo
Reeleito no primeiro turno com 64,60% dos votos válidos (contando com a confiança de pouco mais de dois milhões de eleitores), o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), assumirá seu segundo mandato em 1º de janeiro de 2013 com muitos desafios a cumprir. O maior deles, com certeza, é fazer um mandato que supere a popularidade do atual, já que a votação recorde obtida neste primeiro turno não deixa de ser um respaldo dado pelo eleitorado carioca.
 
Mas há vários outros. Como, por exemplo, preparar a cidade para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 sem esquecer as necessidades básicas da cidade, como saúde e educação. Melhorar o sistema de transportes, que ainda deixa a desejar. Seguir as obras pela revitalização da Zona Portuária (um dos grandes acertos desta prefeitura, por sinal). Pelo visto, o prefeito parece concentrado nesse objetivo. É necessário, pois os quatro próximos anos serão intensos.
 
O grande desafio de Eduardo Paes, porém, será em 2016. Não, não é a realização da Olimpíada. É a própria sucessão. O vice-prefeito recém-eleito, Adílson Pires, é do PT, partido que nunca elegeu um prefeito na cidade nem um governador fluminense em eleição direta. Sei que é cedo para afirmar algo que ocorrerá daqui a quatro anos, mas a lógica diz que o vice concorre para suceder o chefe do Executivo - o vice-governador fluminense Luiz Fernando Pezão (PMDB) está cotado para concorrer ao governo do estado em 2014, já que o atual governador Sérgio Cabral Filho está em seu segundo mandato. Na próxima eleição municipal, Paes terá que encontrar um político que possa sucedê-lo seguindo seu estilo ou assumir os riscos de, talvez, ter que usar a máquina federal - principalmente se Dilma for reeleita presidente em 2014 e os métodos petistas de apoio a aliados permanecerem a todo vapor, como certamente haverá no segundo turno paulistano, onde Fernando Haddad enfrentará o tucano José Serra. Mas isso é assunto para outro texto.

7.10.12

Depois de um longo e tenebroso inverno...

...eis que estou de volta. Sim, este Amenidades & Bobajadas, depois de quase quatro meses de inatividade, está voltando a suas atividades, ainda que pontuais. Muita coisa aconteceu desde então, mas passei longe deste espaço durante esse tempo - tanto por falta de tempo quanto por falta de disposição, mesmo. Caso alguém esteja na espera por um texto inédito - o que acho difícil -, peço desculpas pelo inconveniente. Mas meus outros blogs estiveram ativos nesse meio-tempo (vejam na coluna "Também estou aqui", ali à direita.
 
Mas vamos falar do que interessa neste momento: a eleição municipal. Aqui no Rio, como ficou bem claro, ela está definida há tempos. O prefeito Eduardo Paes (PMDB), apoiado por uma coligação gigantesca (19 partidos, incluindo o PT do vice Adílson Pires, PDT, PPS e PSB), deverá se reeleger com folga. Ele está sendo bem-avaliado pela população, muito por causa das alianças com os governos estadual e federal. Isso poderia ser bom, mas há algo que não me agrada: o balaio de gatos que apoia o prefeito, em que só faltariam PSOL e PSTU, que ao menos lançaram candidatos próprios. Falando em PSOL, a candidatura do deputado estadual Marcelo Freixo, conhecido por sua luta pela ética, revelou-se um erro estratégico. Nascido e com domicílio eleitoral em Niterói, poderia se aproveitar da insatisfação geral com o mandato do prefeito Jorge Roberto Silveira, desgastado com os inúmeros problemas que a cidade anda vivendo - tanto que nem se candidatou à reeleição. Ao invés disso, preferiu transferir seu título eleitoral à capital fluminense para candidatar-se à prefeitura carioca, tentando repetir o fenômeno Gabeira de 2008. Um jogo arriscado e que deverá se revelar um fracasso.
 
Pra mim, não houve um candidato que agradasse. Tenho muitas restrições a Paes e Freixo, e o deputado federal Rodrigo Maia (DEM) mostrou pouca personalidade e, ainda por cima, fisiologismo puro ao se aliar ao PR do ex-governador Anthony Garotinho (1999-2002), que indicou sua filha, a deputada estadual Clarissa Garotinho, como vice do filho do ex-prefeito Cesar Maia (1993-1997 e 2001-2009). A também deputada estadual Aspásia Camargo (PV) demonstrou que seu partido vive à sombra do ex-deputado federal Fernando Gabeira, que quase foi eleito prefeito há quatro anos, depois de uma reação fantástica no primeiro turno.
 
Por isso, o meu voto para prefeito do Rio foi para outro deputado federal: Otávio Leite (PSDB). Votei nele em 2010 e vejo que executa bem o cargo, defendendo com vigor os interesses do estado na Câmara. Por isso, o escolhi por eliminação, mesmo porque as opções de fato não me agradavam. Para vereador, por coincidência votei em um candidato do mesmo partido, mesmo sabendo que teria pouquíssimas chances de ser eleito: Miguel Fernandez y Fernandez, defensor das liberdades individuais, algo tão importante para nós no dia de hoje - e é por isso que digo que um candidato com essas propostas dificilmente será eleito hoje, principalmente no Rio de hoje, em que o eleitorado só se revolta quando falta dinheiro no bolso e comida na mesa, como acontece em todo o Brasil, por sinal.

19.6.12

Dias ruins que se avizinham

Foto: Eliária Andrade/Agência O Globo
A imagem mais representativa da política nacional nesta semana é certamente a expressa na foto ao lado: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) se cumprimentando, com direito ao apoio do ex-governador paulista à candidatura do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), à prefeitura de São Paulo, nas eleições municipais de outubro.

Durante o seu mandato presidencial (2003-2011), Lula se notabilizou por alianças, no mínimo, questionáveis - muitas delas com antigos inimigos políticos, como Collor e Sarney. Agora, quase um ano e meio depois de deixar o cargo de presidente da República, ele não parece disposto a deixar a política, diferentemente de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Tal atitude, ao contrário de vários tantos em oito anos de governo, desta vez causou certa indignação em alguns aliados: a ex-prefeita (2001-2005) e senadora Marta Suplicy (PT-SP), que estava cotada para ser a candidata petista, tem faltado a atos de apoio a Haddad. Outra ex-prefeita (1989-1993), Luiza Erundina (PSB), nomeada vice na chapa de Haddad, ameaça deixar a candidatura se Maluf, seu sucessor na prefeitura e notório inimigo político, seguir apoiando o candidato do PT à prefeitura paulistana.

E isso tudo num cenário altamente desanimador para os eleitores da maior cidade do país: candidatos desgastados como José Serra (PSDB) e Paulo Pereira da Silva (PDT), inexpressivos como Celso Russomanno (PRB), Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS) ou "polêmicos" (eufemismo para "inaceitáveis em qualquer eleição") como Netinho de Paula (PCdoB) pulularão pelas ruas paulistanas até o começo de outubro. Ainda por cima, com Lula querendo bancar seu Dilmo por aí. Promessa de dias sombrios para uma metrópole que já viu dias melhores.

16.4.12

Coraçã de estudanta

Quando Dilma Rousseff assumiu o cargo de presidente da República, o consenso geral era de que as mulheres, enfim, tinham sua vez de mandar nos mais importantes segmentos do país. Nada mais natural, portanto, que houvesse um momento de afirmação feminina. Mas o tempo passou e esse momento de afirmação, convenhamos, começa a gerar momentos que beiram o ridículo.

Desde o governo Lula, tramitava no Congresso um projeto de lei que obrigava a flexionar gêneros sexuais nos diplomas. O projeto foi aprovado e sancionado pela presidente Dilma na semana passada. Ou seja, não bastasse chamarem Dilma de "presidenta" (o que existe na língua portuguesa, apesar de ser influência da língua espanhola, mas trata-se de uma violência aos nossos ouvidos), estão liberadas formas como "bacharela", como podem ler aqui.

Falo não só como cidadão, mas também como formado em Português: tal medida é uma perda de tempo, que não resolve nada e ainda atrapalha, como grande parte das leis aprovadas no Brasil. E o pior é que isso não é novidade nenhuma, no que se refere a violentar o idioma nacional: o governo, nos últimos anos, demonstra tolerância com erros de ortografia e pronúncia, como podemos relembrar neste texto. Basta recuar mais um pouco no tempo para que lembremos da quase censura a livros de Monteiro Lobato. Não demorará muito e queimaremos livros em praça pública. Posso estar exagerando, mas as circunstâncias me levam a isso.

12.4.12

Pela instalação da UPPP

Apesar de ser um sopro de segurança para os cidadãos cariocas depois de décadas de convivência com um constante estado de guerra civil, as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) não são um exemplo de perfeição, como andamos vendo nesses últimos dias. Problemas em Rocinha, Mangueira e Cidade de Deus, além da previsível (menos para os governantes fluminenses) migração da bandidagem fugida das favelas pacificadas para outras cidades do estado como Niterói e São Gonçalo, lançam uma sombra de dúvidas acerca da eficiência do método implantado pelo governador Sérgio Cabral Filho e pelo secretário de Segurança José Mariano Beltrame.

Culpa, em grande parte, da leniência das autoridades do estado em tratar de bandidos procurados, dando a eles uma "segunda chance", como se não tivessem desperdiçado todas as chances possíveis que tiveram. Os cidadãos de bem já tinham sérias restrições quanto aos avisos dos responsáveis pela segurança pública de que determinada favela iria receber a próxima UPP, dando a assaltantes, traficantes e seus chefões a oportunidade de escapar para um lugar onde pudessem praticar suas atrocidades sem serem incomodados. Isso sem falar de o poder público concentrar seus esforços apenas na capital, ignorando solenemente as cidades vizinhas. Resultado: Niterói vive sua maior onda de violência em muito tempo.

A Secretaria de Segurança anunciou medidas para conter esse estado de coisas na região. Mas é fácil agir quando o desastre acontece. Além disso, de nada adianta tomar atitudes paliativas se os bandidos seguem soltos por aí. Dessa forma, assemelha-se ao "banditismo cidadão" encravado em governos anteriores, de tão triste memória para a população fluminense. Mesmo que todo o estado seja upepetizado, os malfeitores fugirão para outros estados se continuarem à solta. Por isso, é mais que urgente que seja implementada a UPPP: Unidade de Polícia Pacificadora... e Prendedora.

13.3.12

Entra governo, sai governo e os trens da alegria seguem a todo vapor




Desde que o mundo é mundo, vemos governos de diferentes tendências agradando os aliados a seu bel prazer, distribuindo ministérios a torto e a direito. No governo da presidente Dilma Rousseff, não poderia ser diferente. Logo nos primeiros meses, ao longo do ano passado, a sucessora de Lula se viu forçada a demitir vários ministros herdados do antecessor e grande padrinho político, a grande parte deles sob acusações de corrupção. Não bastasse isso, o governo Dilma repete os mesmos vícios dos anteriores, ao relegar o infinito número de ministérios a meros feudos dos partidos da situação. Dois casos recentes mostram isso.


Ninguém de fora do governo sequer desconfia de qual seja a utilidade do Ministério da Pesca. De todo modo, ele deve servir para alguma coisa. Até bem pouco tempo atrás, a pasta era ocupada pelo petista Luiz Sérgio (que deixara o Ministério das Relações Institucionais alguns meses antes), que foi destituído do cargo, por motivos até hoje misteriosos, pela presidente da República - que parecia fazê-lo a contragosto, por sinal. Pouco depois, o cargo passou a ser ocupado pelo senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), um dos mais ardorosos aliados do governo desde Lula. Há inúmeras especulações sobre quais seriam os motivos para tal troca: uns dizem que seria para adular um dos partidos que fazem parte da base do governo; outros dizem que seria tática para ajudar a pré-candidatura do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), à prefeitura de São Paulo - ainda mais depois da hipótese do ex-prefeito e ex-governador José Serra (PSDB) se candidatar ao cargo. Mas nada é mais significativo desse estado de coisas do que uma declaração do próprio ministro Crivella no momento de sua posse, quando disse não saber sequer colocar uma minhoca num anzol de pescaria.


O Ministério do Trabalho é outro caso, digamos, emblemático. Como sabemos, ele era chefiado por Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT - partido que, definitivamente, já viveu dias melhores, para dizer o mínimo. Este é um caso que a presidente mostrou um certo poder de persuasão: primeiramente, pediu de forma encarecida ao governador fluminense Sérgio Cabral Filho que nomeasse o deputado federal Sérgio Zveiter (eleito pelo PDT em 2010) para alguma secretaria, fazendo-o trocar de lugar com o então secretário estadual de Trabalho e Renda e suplente de deputado Brizola Neto, que não havia conseguido se reeleger para a Câmara. Empossado a pedido do poder federal, o neto do falecido ex-governador e fundador do partido Leonel Brizola notabilizou-se por votar a favor do governo e contra os interesses do próprio estado na questão da divisão dos royalties do petróleo. Agora, é altamente provável que Brizola Neto, literalmente amigo de infância da presidente, meses depois de reassumir a cadeira de deputado federal, ocupe agora o Ministério do Trabalho...


A vida nos ensina desde sempre e o governo brasileiro apenas se encarrega de confirmar: nada como ter amigos influentes.

19.1.12

O pró-terrorismo "humanista" não é novidade alguma

Sim, essa é uma notícia velha. Mas não deixa de ser bem significativa de que, para muitos "progressistas" brasileiros, os fins sempre justificam os meios. Esta reportagem foi tirada da edição da revista Veja, de 26 de dezembro de 1984. Falava sobre a viagem de três vereadores cariocas (dois do PDT de Brizola e a petista e futura deputada federal, senadora e governadora Benedita da Silva) a Buenos Aires, para conceder o título de cidadão honorário do Rio ao ex-líder terrorista argentino Mario Firmenich, preso àquela ocasião (clique na imagem para vê-la melhor).


Detalhe: isso tudo contra a opinião dos próprios argentinos, que o viam como um criminoso comum. Firmenich comandava o grupo terrorista de extrema-esquerda Montoneros, que, como tantos grupos da época, queria estabelecer um Estado comunista em seu país. A grande parte dos ataques (incluindo o sequestro e a execução do ex-ditador Pedro Aramburu, que governou o país nos anos 1950) foi feita num período imediatamente anterior à ditadura militar argentina (1976-1983), que desbarataria o grupo. A democracia argentina, restabelecida no ano anterior à viagem dos vereadores, acertadamente não perdoou o guerrilheiro. Mas todos sabemos, desde aquela época, que PT e PDT são PT e PDT...


Nunca tinha ouvido falar nesse caso até ontem à noite, quando navegava pela rede. Assim que soube, fiz questão de mostrar que a tolerância e a tendência à imputação de heroísmo a criminosos estão entranhadas em muitos esquerdistas brasileiros desde sempre. O detalhe é que naquela época, eles eram oposição. Agora que são governo, a situação se tornou previsivelmente pior. Estão aí o caso Battisti e a recusa em impor uma lei antiterrorismo ao Brasil que não me deixam mentir.

14.12.11

Qual seria a utilidade de uma divisão estadual?




Neste final de semana, a grande parte da população do estado do Pará votou pela não divisão do território paraense em três (o Pará seria reduzido ao seu nordeste, que concentra a maior parte da população e foi decisivo para o fracasso da proposta de divisão; o sul e o sudeste seriam o estado de Carajás, e todo o oeste seria o estado de Tapajós). O curioso é que, nas regiões citadas, suas populações votaram maciçamente pela divisão, o que denota a necessidade da presença nelas do poder que emana de Belém e mostra a insatisfação do eleitorado com o que consideram seu abandono.


Pelo menos o impedimento da divisão pelo voto popular impediu que o país gastasse ainda mais dinheiro, já que teríamos que bancar os gastos com os salários de mais seis senadores e, pelo menos, dezesseis deputados federais (oito para cada estado que nasceria). Mas ainda há uma infinidade de propostas de divisão de outros estados, como no Maranhão (em que seria criado o Maranhão do Sul, que conta com o previsível apoio da elite política local) e no Piauí (cujo sul seria o estado de Gurgueia). Ou seja, mais uma oportunidade de levar umas bocadas para os afilhados políticos dando a eles novos estados (vários deles nascidos à beira da falência) de presente. E o povo, como sempre, pagando a conta.


Se a intenção de criar um novo estado fosse nobre e tivesse o desejo de desenvolver uma região carente, isso poderia ser bem acolhido pela opinião pública. Mas conhecemos muito bem nossa classe política e sabemos como isso termina. Para que novos estados fossem criados, duas coisas teriam que acontecer aqui no Brasil: os políticos tomarem vergonha na cara e o número de senadores e deputados por estado diminuir. Mas certamente não acontecerá nem uma coisa, nem outra.

5.12.11

A necessidade de deslulização do governo Dilma




Neste domingo, o ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, pediu demissão do cargo após ser denunciado por corrupção e declarar que só sairia abatido a bala. Com isso, já são seis os ministros oriundos do governo Lula que tiveram que sair de seus cargos por motivos nada nobres (ainda teve um sétimo, o ministro da Defesa Nelson Jobim, que se retirou após declarações polêmicas à imprensa). Mais uma prova de fogo para a presidente Dilma Rousseff, que conviveu durante esses primeiros onze meses de governo com um ministério quase todo do governo anterior, o de Lula (2003-2011).


É a grande oportunidade que Dilma tem para mostrar que pode decidir os rumos do país por conta própria. Porém, a relutância da própria presidente em demitir Lupi, depois que isto foi recomendado pela Comissão de Ética (não se sabe se por pura convicção ou por medo de possíveis consequências), nos faz pensar se isso será possível. Isso tudo passa a impressão de que o atual governo depende de denúncias graves veiculadas pela imprensa para decidir se pune ou não os acusados de impor "malfeitos" à sociedade.


Essa situação mostra a necessidade de maior autonomia de Dilma em relação ao ex-presidente, que tem fatos mais urgentes com o que se preocupar. A atual presidente mostra mais fibra do que Lula em momentos distintos, sendo uma grata surpresa em vários aspectos. Mas o grande temor é que isso ainda não seja suficiente para governar o país, tanto que o fisiologismo político permanece, distribuindo cargos de acordo com os interesses partidários, não através da competência que cada ministério exige (o caso do Ministério do Esporte, em que Orlando Silva foi substituído por seu correligionário Aldo Rebelo, é um exemplo claro).


É preciso ter jogo de cintura para conduzir um mandato, e Dilma passa a impressão de ainda estar aprendendo a fazer isso, como se fosse um piloto inexperiente que ganhou um brevê do piloto anterior, mantém a mesma tripulação de qualidade duvidosa e vive trocando de copiloto em pleno voo. Espera-se, ao menos, que o copiloto da vez seja competente e suplante a inexperiência do piloto, ou teremos que depender do piloto automático até o fim.

21.10.11

Sobre ministros, partidos políticos e incongruências da democracia


E eis que, depois de quase um mês, estou de volta. Estou em férias do meu trabalho, que se encerram no começo do mês que vem, e busco aproveitar ao máximo o que a vida está a me oferecer no momento (ou seja, descansando ao máximo, já que a rotina foi bem puxada, é preciso admitir). Durante esse tempo, evidentemente, vários fatos dignos de nota por aqui ocorreram, e é preciso ordenar as coisas para ficar com elas em dia.

Entre esses fatos, as cabeludas acusações de corrupção contra o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., e ONGs ligadas ao ministério e também ao partido do ministro, o PCdoB. Não bastassem os problemas ligados ao governo federal em relação à tão criticada organização da Copa do Mundo de 2014, agora vêm essas acusações a piorar as coisas. Mas a questão nem é essa. Há muito tempo eu pergunto (e me espanto que isso raramente seja questionado) por que a democracia latino-americana em geral, e a brasileira em particular, aceita a existência de um partido comunista, mesmo que seja apenas de nome. Afinal, ele faz referência a uma ideologia oriunda de movimentos de esquerda, responsável por alguns dos maiores genocídios do século passado. O nazismo também foi assim e é merecidamente execrado até hoje. Porém, não vejo o comunismo ter o mesmo destino, inexplicavelmente.

Na Europa, muitos sofreram com o comunismo e, por isso, as agremiações ultraesquerdistas são geralmente malvistas. Porém, muitos latino-americanos parecem parados nos anos 1960 e ainda nutrem admiração por Cuba - alguns deles, por sinal, estão no governo brasileiro. Tanto no mundo real quanto no virtual, vejo muitos cidadãos chocados com o fato de um partido com a trajetória do PCdoB estar envolvido em casos como esse. Na minha visão, o "Outro Partidão" (o original é o PCB, felizmente apenas uma sigla irrelevante) está apenas mostrando sua verdadeira cara - a de um partido como outro qualquer, só que com a máscara arrancada de forma vexatória, diante da opinião pública.

Voltando ao assunto: mesmo que tais acusações não sejam provadas - as tais provas ainda não surgiram - é inquestionável que o ministro deverá sair desgastado do episódio (isso se não for demitido ainda nesta sexta-feira). Ao contrário do seu partido, que a presidente Dilma Rousseff (sua parceira desde a época do regime militar, quando queria implantar ditadura à cubana com o pretexto de combater os ditadores de então) quer ver continuar no governo, ao assegurar que continuará com a pasta. Espera-se, portanto, que o próximo ministro do Esporte seja menos incompetente que o atual. E que, principalmente, roube bem menos.

8.9.11

Ausências que preenchem lacunas





Ontem, feriado da Independência, vários protestos contra uma praga endêmica, que devasta o Brasil há séculos, tiveram lugar em várias cidades do país. Diversos cidadãos brasileiros se encarregaram de dar seu basta à corrupção, que toma conta de nossas instituições e macula a democracia. Só que algumas ausências foram marcantes, apesar de, a essa altura do campeonato, terem sido até esperadas.

Refiro-me àqueles movimentos ditos sociais, às organizações estudantis e aos grupos que costumavam aparecer em tudo que era tipo de protesto anticorrupção até 2002. Só que, desta vez, eles estavam ocupados - como estão desde 2003, ressalte-se. Depois de gritar durante 18 anos (cinco de Sarney, cinco de Collor-Itamar e oito de FHC), esses grupos se beneficiam das benesses dadas pelo governo Lula (2003-2011) e não querem largar o osso durante o mandato de Dilma - haja vista a quantidade de ministros demitidos por envolvimentos escusos durante esses nove primeiros meses de governo.

Ou seja: a corrupção grassa da mesma forma do que em todos os governos anteriores ao de Lula (talvez até mais!) e os tais movimentos, nem aí. É como se fosse um universo paralelo o que separa os governistas dos que apenas querem uma vida mais digna. UNE, CUT, MST e quejandos não deram as caras nos protestos de ontem pelo simples fato destes não despertarem neles o mínimo interesse. Afinal, não receberiam quaisquer benefício$ em troca. Ou seja: segundo a ótica deles, corrupção só se for a cometida pelos outros. Pra eles, seria uma espécie de "pagamento de dívidas históricas".

Mas a esperança de tempos melhores está nas mãos daqueles cidadãos comuns, bem esclarecidos, que estão cansados de presenciar atos desonestos a olhos vistos e resolveram arregaçar as mangas e trabalhar por conta própria, sem depender de líderes ou políticos aproveitadores. Está com esses abnegados o futuro do Brasil.

18.7.11

O preço injusto pago pela incompetência alheia



Na semana passada, um episódio passado no interior de Goiás, perto do Distrito Federal, mostra como o Brasil é o país em que as coisas se invertem e poucos acham absurdo. Cansado de ter sua casa constantemente invadida pelo mesmo bandido enquanto estava viajando, um cidadão decidiu construir uma armadilha, à base de pólvora, utilizando canos e uma ratoeira. O artefato funcionou quando o assaltante novamente invadiu a residência, matando-o em seguida. Eis, contudo, que o dono da casa pode ser condenado por homicídio doloso, correndo o risco de pegar até 30 anos de cadeia. Leia mais aqui.


O caso mostra como é absurda a inversão de valores que querem impor a nossa sociedade, assim como o preço que os cidadãos de bem acabam pagando por causa da incompetência daqueles que deveriam nos proteger - isso quando estes não resolvem defender os bandidos, como acontece constantemente aqui no Brasil, e está ocorrendo nesta ocasião. Invasão de domicílio é crime, e o remédio para aqueles que se sentem desamparados pelo poder público é a autodefesa. Senão, a bandidagem acaba fazendo a festa.


O mais absurdo disso tudo (como se isso tudo já não fosse absurdo o suficiente) é o fato de o dono da casa ser acusado de porte ilegal de arma. Como, se foi ele próprio que construiu a arma? Seria um caso inédito no mundo: o de porte ilegal de algo construído pelo próprio acusado. Algo completamente sem sentido. Porém, mais comum do que se imagina neste país chamado Brasil...

8.7.11

Vai sonhando, Marina!



A ex-senadora e candidata à presidência da República no ano passado, Marina Silva, anunciou ontem sua saída do PV, sob a argumentação de que encontrou no referido partido o mesmo pensamento fisiológico que havia encontrado no PT, de onde saíra em 2009. No seu ato de desfiliação, Marina afirmou que não é hora de ser pragmático em relação à política, mas "sonhático" - referindo-se a um pensamento seu sobre o futuro, ou seja, a possibilidade de se candidatar novamente à Presidência, em 2014.


Ora, bolas: fisiologismo existe em todo lugar e em todo partido político, não tem jeito. Como todo cidadão, eu também gostaria de ter à minha escolha partidos que fossem coerentes o tempo todo. Mas isso não existe. Se Marina se filiar, por exemplo, ao PSOL, certamente encontrará lá o mesmo fisiologismo que viu no PT e no PV. Se ela conseguir fundar um novo partido, será questão de tempo para que a agremiação sofra disso também. Isso não é bom por dar brecha a interesses escusos, mas acabou sendo comum na política brasileira.


Grande parte disso é culpa de própria lei eleitoral brasileira, que obriga os candidatos a serem filiados a partidos políticos pelo menos um ano antes da eleição. A liberação de candidaturas independentes, sem interferência ou influência direta dos partidos, seria o ideal. Assim, o eleitor teria mais e, quem sabe, melhores opções para fazer suas escolhas. Mas, enquanto isso não acontece, ficamos dependentes da cultura partidária. A políticos como Marina Silva, que buscam um mundo perfeito e sem males enquanto se consagram basicamente entre votos de protesto e que buscam um terceira via (como foi o meu caso), então, só restará... sonhar.

5.7.11

A morte de Itamar Franco e a questão da suplência




Sábado passado, morreu de complicações causadas por uma pneumonia (no meio de um tratamento de leucemia) o senador (PPS-MG) e ex-presidente da República (1992-1995) Itamar Franco, chefe máximo da nação quando da implantação do Plano Real, em 1994. Itamar, também ex-governador de Minas Gerais (1999-2003), estava no seu terceiro mandato no Senado (1975-1983 e 1983-1989 - saiu para concorrer à vice-presidência da República, na chapa de Fernando Collor, do PRN). É reconhecido que, durante seu curto mandato, o país tenha vivido um grande período de prosperidade e defesa da ética na política.


O terceiro mandato de senador de Itamar Franco durou apenas cinco meses, o que traz à tona uma questão sobre algo existente apenas em território brasileiro: o cargo de suplente de senador. Pouco antes da campanha eleitoral, constatava-se que a coligação de apoio à reeleição do governador mineiro Antônio Anastasia (PSDB) era ampla, com muitos partidos. Os candidatos ao Senado, que acabariam eleitos, eram Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS). Cada candidato a senador tem que inscrever dois suplentes (o que às vezes serve para contemplar o maior número possível de partidos em uma coligação), evidente absurdo para o eleitorado, visto que dá margem a aventureiros no Senado Federal, já que as únicas exigências para ocupação do cargo são o fato de o candidato ter pelo menos 35 anos de idade e ser filiado a um partido político no mínimo um ano antes do pleito. Resultado: quando um senador morre (caso de Itamar) ou se afasta para ocupar outro cargo (como a atual ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann [PT-PR], substituída por Sérgio Souza, do PMDB), é o suplente que ocupa seu lugar. Em suma: um senador sem voto.


Os próprios mineiros têm exemplos recentes, como Wellington Salgado de Oliveira (PMDB), que - mesmo sem ter recebido um voto sequer - ocupou durante anos o cargo de senador (ele era suplente de Hélio Costa, que saiu para ser ministro das Telecomunicações), ou Clésio Andrade (PR), suplente de Eliseu Resende (DEM), também falecido este ano - o que faz de Aécio Neves o único senador mineiro a estar lá pelo voto. Aqui no Rio de Janeiro, tivemos o caso de um segundo suplente que assumiu o cargo - Paulo Duque (PMDB), já que Sérgio Cabral Filho (eleito senador em 2002) elegeu-se governador em 2006 e nomeou o primeiro suplente, Régis Fichtner, como seu secretário da Casa Civil.


O primeiro suplente de Itamar Franco é o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella (PDT), sobre quem pairam suspeitas de atos ilícitos na função de dirigente. Com a imunidade parlamentar normalmente dada a um senador da República, Perrella certamente terá poderes inimagináveis, como o de fazer o Mineirão sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014 - mesmo sem a cidade de Belo Horizonte ter rede hoteleira suficiente. De todo modo, sete anos e sete meses são muito tempo para um senador que está lá apenas por ter sido eleito suplente e por ser alguém de muita sorte - ainda que não precisasse sequer ser um político...


Está em discussão a reforma política. A questão dos suplentes de senadores precisa ser discutida. Não importa que o cargo vago tenha que ser ocupado pelo candidato colocado logo abaixo ou uma nova eleição tenha que ser realizada - mas o fato é que, do jeito que está, não pode continuar. Outra saída seria a diminuição do número de senadores, de 81 para 54 (dois para cada Unidade da Federação), o que daria um senhor alívio a nossas finanças. Mas isso parece que não será discutido por nossos representantes, por motivos mais do que óbvios.

30.6.11

Sim, respeito às diferenças é essencial. Mas cadê a contrapartida?




Bem, como os poucos leitores que tenho devem ter notado, já faz algum tempo que não passo por aqui. Não é culpa minha, juro. É pura falta de tempo, mesmo. Além disso, faltavam-me assunto e inspiração suficientes para atualizar este blog do jeito que gostaria. Todavia, fatos recentes me fizeram voltar a este espaço.


Como todos sabemos, realizou-se em São Paulo a Parada do Orgulho Gay (que, disposta a agradar a todas as correntes do chamado sexo alternativo, quer ser agora chamado de LGBTTT, que é pra ninguém se sentir excluído, ainda que seja por uma sigla que ninguém consiga falar direito). Todos sabemos que é de bom grado respeitar todas as diferenças, nunca discriminando indivíduos por suas escolhas - incluídas aí as de caráter sexual. Pena que, pelo que se vê, a recíproca não seja verdadeira.


Vários cartazes adornavam a marcha realizada na Avenida Paulista, que hoje abriga aquela que é considerada a maior Parada Gay do planeta. Entre eles, alguns de campanha pelo uso da camisinha. Até aí, nada demais. Só que eles eram protagonizados por musculosos modelos em poses homoeróticas, reproduzindo imagens de... santos. O pretexto era de que "nem santo o protegia" o suficiente para fazer sexo sem proteção.


Olha, eu não sou exatamente um cara religioso, apenas acredito na existência de Deus. Mas mesmo assim senti-me ofendido com tamanha audácia. Na hora em que vi, pensei o seguinte: qual será o limite disso tudo? Será que, um dia, isso irá extrapolar os limites da crítica ao cristianismo? Será que um dia os gays irão, sei lá, reproduzir um Maomé musculoso pra tentar mexer com os muçulmanos? Se isso acontecer, não é por nada não, mas será questão de tempo para o mundo acabar...


Sei que respeito às diferenças é necessário, mas é preciso haver uma contrapartida de quem é respeitado. Essa onda gayzista que varre o país parece disposta a testar todos os limites de nossa paciência. Do jeito que a coisa anda, os homossexuais no Brasil só faltarão ser considerados inimputáveis perante a lei, como o são os indígenas (outra coisa que, por sinal, também considero absurda).

17.6.11

Oficializaram o superfaturamento!

Claro, não era nenhuma surpresa – mesmo assim, é inaceitável que a Câmara dos Deputados aprove a lei que facilite o superfaturamento nas obras de construção de arenas esportivas e manutenção e aprimoramento de infraestrutura na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016. A tal lei aprovada flexibiliza licitações e dificulta a fiscalização do processo de construção.

O pior é que tudo leva a crer que tenha sido proposital a demora de várias obras, porque muita gente sabia que, mais cedo ou mais tarde, isso iria acontecer. Nossos governantes não são conhecidos exatamente pela lisura, convenhamos. Já tivemos uma mostra disso que poderá acontecer daqui a três anos há quatro, nos Jogos Pan-Americanos do Rio, quando os gastos extrapolaram os limites do aceitável por causa da demora em fazer tais obras. Agora com a chancela dos deputados federais, tudo indica que o filme se repetirá, com final nada feliz para os contribuintes.

Essa medida provisória ainda poderá ser barrada pelo Senado, mas terá que haver muito clamor popular e muita pressão da sociedade e da imprensa para que isso ocorra. Enquanto isso, preparemos nossos bolsos, porque as consequências desses fatos nos deverão ser os mais nefastos possíveis.

13.6.11

Brasil, refúgio da escória do mundo



Ademais, basta usar a lógica para refutar a tese de crime político, como já feito pelo próprio STF: o assassino de Martin Luther King Jr. cometeu um crime político? Ele deveria ter recebido refúgio em algum outro país? Ora, claro que não! E o fazendeiro Bida, que ordenou a morte de Dorothy Stang? Não terá sido aquele um crime político? Se foi, então ele deve ser protegido pelo STF e colocado na rua, não é mesmo? Afinal, é impossível negar que entre as vítimas e seus algozes havia enormes diferenças político-ideológicas, não é mesmo? Seria isso bastante para caracterizar os crimes como tendo sido políticos?

Ora, claro que não! Luther King Jr. e Stang foram vítimas de criminosos comuns, que devem ser tratados como aquilo que são: assassinos vagabundos! Por que com Battisti deveria ser diferente? Notem que pretendo ser bem objetivo, para que não haja dúvida: dependesse de mim, todos os assassinos dessa espécie iriam pra cadeia! É no mundo do progressismo brasileiro que um assassino merece a liberdade, só porque beijou a cruz do esquerdismo.


Texto completo aqui.

9.6.11

O Brasil é o paraíso... do terror




Sim, era esperado que isso acontecesse. Mas não deixa de ser revoltante a libertação do terrorista italiano Cesare Battisti, confirmada pelo STF na noite de ontem. Isso constata que o Brasil é o país em que bandidos de todo o planeta buscam guarida após cometerem seus crimes. Não sei se os que leem essas linhas pensam o mesmo, mas acho que isso acontece porque no Brasil não há lei específica para crimes de terrorismo. Se houvesse, ninguém estaria discutindo essas coisas e Battisti estaria sendo levado de volta à Itália.


Aliás, já passou da hora de a nossa opinião pública, sempre tão chegada a futilidades, começar a discutir sobre isso: não seria questão de tempo, depois de tamanho comodismo com a ilusão de que o Brasil é o país onde todos se dão bem e não há preconceitos ou intolerância (quando todos sabemos que a coisa não é bem assim), que também o Brasil começasse a sofrer ataques terroristas, como vários países vizinhos nossos sofreram? Afinal, o perigo está a nossa espreita, e não é de hoje.


Oportunidades não faltarão para pessoas de má índole (para dizer o mínimo) cometerem atos criminosos. A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, por exemplo. A segurança certamente será reforçada para estes dois eventos, mas as atitudes não podem ficar só nisso. Teremos que discutir amplamente essa situação nos próximos meses, para não ficarmos ainda mais para trás em matéria de segurança. Isso também deveria ser feito pelas esferas de poder. Mas, por motivos óbvios, elas nem querem entrar em discussão a respeito disso. Por mais óbvio que pareça dizer o que direi agora, isso não vai acabar nada bem.

2.6.11

O dom de "reescrever" a História



Todos estamos vendo os esforços do governo federal em colocar nas nossas cabeças que o Brasil nasceu em 2003, assim que Lula colocou a faixa presidencial no peito, não 503 anos antes, com a chegada de Cabral a Porto Seguro. Isso passa pelo veto do ex-presidente da República (1985-1990) e atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), às referências ao impeachment do também ex-presidente (1990-1992) e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) em uma exposição permanente nos corredores do Senado. Quando indagado sobre o fato, Sarney disse que a saída de Collor naquela ocasião, após grande clamor popular que tomou as ruas durante meses e resultante de graves (além de devidamente comprovadas e documentadas) denúncias de corrupção, foi "um acidente" e que "não deveria ter acontecido". A referência ao impeachment seria recolocada na tal exposição, mas o estrago perante a opinião pública mais esclarecida já estava feito.


Ao menos o presidente da casa deixou às claras, sem esconder de ninguém, a nada convincente aliança entre ele, Collor e Lula, provando que os interesses políticos (algo que vem de décadas, senão séculos, em nosso país) estão acima de qualquer coerência - e que a população não se importa em nada com isso, a não ser que comece a faltar dinheiro no bolso e comida na mesa, como acontecia há 19 anos. Assim, fica fácil reescrever a História do país a seu bel prazer, ignorando - quando não negando, mesmo - fatos históricos (ainda que bem recentes e ocorridos em plena era da Internet, como o mensalão).


Dessa forma, Lula começa a pavimentar seu caminho para se candidatar novamente à Presidência já em 2014 - principalmente se a inflação voltar a bater em nossas portas e o desgaste do governo Dilma Rousseff se intensificar, sobretudo com o PMDB, como ocorreu no caso entre o ministro Antônio Palocci e o vice-presidente Michel Temer. Mas que Lula tome muito cuidado: o efeito do Plano Real, depois de 20 anos, já pode ter passado - e sua aura de santidade pode se esvair de vez.