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20.10.10

Nada se cria, tudo se copia



Em evidência nestas eleições, a imprensa carece de um pouco de imaginação quando se trata de fazer críticas. Vejam o exemplo ao lado: a revista Veja, simpática a José Serra, recentemente fez uma capa expondo uma contradição de Dilma Rousseff. Uma semana depois, a concorrente Istoé, mais simpática a Dilma, fez sua capa no mesmo estilo, expondo uma contradição de Serra. Não bastasse o fato expor uma rixa - que parece bem clara - entre as imprensas governista e oposicionista, evidencia que a segunda capa foi paródia da primeira, sendo que esta plagiou a primeira página do Extra de 24 de setembro passado.

Nas eleições, como na vida, nada se cria, tudo se copia.

16.7.10

UM GIGANTE QUE AGONIZA



Nesta semana, foi divulgado que o Jornal do Brasil, um dos mais tradicionais diários brasileiros e que está às vésperas de completar 120 anos de existência (começou a circular em 1891), não será mais vendido nas bancas no início de setembro, restringindo-se à versão digital. Desta forma, o JB (símbolo de um jornalismo combativo e independente durante décadas, mas que se perdeu bastante nos últimos anos) se junta a diários menos tradicionais como Gazeta Esportiva e Tribuna da Imprensa, que também sucumbiram a suas respectivas crises financeiras, reduzindo-se à Internet.

Por mais que o jornalismo tradicional, o impresso, esteja em crise no mundo inteiro, é inaceitável que um diário do porte do JB esteja em um declínio tão acentuado. Talvez isso se deva à cada vez mais crescente dívida acumulada através dos anos, que nem mesmo o próprio nome salvou. Através de grande parte de seus 119 anos de existência, o Jornal do Brasil teve grandes momentos, dois deles durante o regime militar e em suas primeiras páginas: em 14 de dezembro de 1968, dia seguinte à promulgação do Ato Institucional nº 5 (marco inicial dos chamados anos de chumbo), a previsão do tempo, no canto superior esquerdo, anunciava assim: "Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos." No canto superior direito, uma manchete que dizia tudo: "Ontem foi o Dia dos Cegos."

O outro (foto acima) foi em 12 de setembro de 1973, dia seguinte ao golpe militar que derrubou o presidente do Chile, Salvador Allende. Para driblar a censura, o jornal colocou um texto sem manchete nem fotografias, entremeadas por anúncios classificados (algo comum na época, como modo de mostrar aos leitores que determinadas notícias estavam sendo censuradas). Um expediente tão simples quanto genial, que marcou o jornalismo brasileiro.

Nos últimos anos, porém, o Jornal do Brasil vivia apenas do nome construído durante esse período. O surgimento e crescimento de concorrentes populares e bem mais baratos, que privilegiam a notícia dita de forma mais resumida ao invés de um texto mais elaborado, fizeram as vendas do tradicional diário despencarem. Uma tentativa de se adaptar aos novos tempos se deu em 2005, quando o tamanho das páginas diminuiu do standard (modelo tradicional) ao berlinense (cujo tamanho é um pouco maior que o do formato tabloide). Pelo visto, de nada adiantou: os exemplares sumiam gradativamente das bancas, até o anúncio de que o JB irá deixar de circular em papel.

Apesar de uma ou outra derrapada recente (como as manchetes claramente bajulatórias à política internacional do governo Lula, por exemplo), é sempre lamentável que um diário feche suas portas, não importa onde ou como. A imprensa, mal ou bem, é um canal de comunicação da nossa sociedade. Sem imprensa, não há democracia. Ela tem que estar ao alcance de nossas mãos, de qualquer forma.

6.12.09

PERDEU, "PLAYBOY"

Na seção de cartas dos leitores, na edição de agosto passado da revista Playboy. Percebe-se que a revista é, no mínimo, uma péssima adivinha. Se bem que nem precisaria entender muito de futebol.

10.4.09

O MORRO JÁ TEVE VEZES DEMAIS


Aos poucos, volta a ser discutido um assunto que vinha sendo demonizado por muita gente: a remoção de favelas no Rio de Janeiro. Este texto de Ali Kamel, publicado na edição de terça-feira passada do jornal O Globo, é um bom exemplo do que pode ser dito sobre o assunto.

Realmente nossos políticos, de olho nos votos futuros que os habitantes de favelas acarretam, atuam ineficazmente nessas comunidades. Muita maquiagem, muita obra de fachada, Favela-Bairro, Cimento Social, PAC e nada de resultados efetivos. Ao mesmo tempo, um batalhão de obras superfaturadas e, na maioria das vezes, inúteis gasta o dinheiro que deveria ser utilizado em coisas mais urgentes.

O primeiro governo Brizola (1983-1987) pode ser considerado o marco inicial desse estado de coisas. A favelização da cidade já existia antes disso, óbvio, mas foi com o chamado "socialismo moreno" que ele se consolidou para nunca mais se encerrar. Os governos seguintes embarcaram na onda, assim como as prefeituras da capital fluminense desde então. O resultado é exatamente o que os cariocas veem nos dias de hoje: favelas tomando a mata nativa e o consequente aumento da sensação de insegurança.

Mas algo começa a surgir, depois de décadas: a discussão sobre a remoção de favelas (algo satanizado por movimentos sociais) e a possibilidade de construção de casas populares de baixo custo, como feito na época em que Carlos Lacerda governava o antigo estado da Guanabara - com a diferença de que, desta vez, o programa de habitação possa funcionar com força. Mas os populistas tempos atuais impedem que isso seja discutido sem mexer com as sensibilidades ditas "progressistas".

Essa mania de correção política tem que ser superada. O morro já teve vezes demais. É impossível urbanizar favelas situadas em lugares suspensos. Ou nossas autoridades abrem os olhos sobre esse assunto, ou será questão de tempo para a cidade do Rio de Janeiro acabar de vez.

9.4.09

SUPEROBAMA CONTRA... O QUÊ, MESMO?



Já se imaginava que o messianismo em torno do nome do presidente norte-americano Barack Obama chegaria a níveis inacreditáveis. Só não se sabia que iria a tanto, chegando a beirar o ridículo. Foi divulgado o lançamento de uma série de histórias em quadrinhos em que o presidente será uma espécie de herói bárbaro, enfrentando inimigos claramente inspirados no governo anterior.

Leia mais aqui, para ter uma simples ideia do que está por vir. Só quero saber se os quadrinistas farão seus heróis enfrentarem adversários mais factíveis como a crise mundial, os terroristas, os ditadores atômicos... Não o governo anterior, que se encerrou há mais de três meses. Eu sei que a Era Bush deixou traumas no mundo inteiro. Mas, a essa altura do campeonato, chutar cachorro morto é fácil.

7.1.09

O MUNDO NADA ENCANTADO DE PALLYWOOD



A ofensiva das Forças Armadas de Israel, em curso desde o dia 27 de dezembro, vitimou cerca de 700 pessoas - 25% delas, civis. Ou seja, esse número de civis mortos (alto em números absolutos, mas proporcionalmente baixo para uma guerra) já é mais que suficiente para desqualificar qualquer acusação de genocídio israelense contra os palestinos, ao contrário do que as esquerdas de todo o planeta querem fazer crer. Até agora, mesmo com as baixas civis, os alvos ligados ao Hamas vêm sendo cirurgicamente atingidos. Não é como nos ataques - mirados em alvos errados - da OTAN contra a então Iugoslávia em 1999, por exemplo, que queriam deter o então ditador Slobodan Milosevic, que exterminava a população muçulmana de Kosovo (aliás, por que será que ninguém chorou por ela naquela ocasião?).

Mas os anti-israelenses e antissemitas de boteco não querem nem saber de conversa. Pra eles, a ofensiva é "genocídio", "holocausto" e outras bobagens do tipo. Colabora para isso a tendência palestina de, propositalmente, não mover uma palha para proteger seus cidadãos, ao contrário do que ocorre com os civis israelenses. Com isso, evidentemente, o número de civis palestinos mortos numa guerra é bem maior. Isso é um prato cheio para a indústria propagandística palestina, chamada por muitos de Pallywood - um mundo nada encantado, que visa a divulgar o horror que os próprios palestinos constroem. Consequentemente, angariam mais simpatizantes para a sua "causa".

O pior é que o governo israelense proibiu a incursão de jornalistas estrangeiros em Gaza, o que só colabora para que o Hamas tenha a "publicidade" do conflito nas mãos - as fotos e os relatos das batalhas são todos feitos por jornalistas de origem palestina. Ou seja, um tiro no pé. E a mídia brasileira, pautada pelo que vem de Gaza (ou seja, apenas a visão dos palestinos), embarca nessa onda. Embarcando pelas primeiras páginas dos jornais daqui, tome de fotografia de civis mortos ou feridos. Nem uma linha sobre o terrorismo do Hamas.

São poucos os que têm coragem de remar contra a maré. Um deles é o colunista Sérgio Malbergier, do jornal Folha de S. Paulo, que apresentou um brilhante contraponto a uma grande bobagem escrita por seu colega Clóvis Rossi, alguns dias antes. Mas, infelizmente, são poucos os que têm coragem de peitar a esquerdopatia reinante na atual imprensa brasileira.

4.10.08

TPE: TENSÃO PRÉ-ELEITORAL



As eleições municipais de 2008 terão o seu primeiro turno amanhã e o número de indecisos, pelo menos aqui na cidade do Rio de Janeiro, ainda é considerável. As pesquisas de opinião, embora não sejam exatamente surpreendentes, dão ainda mais emoção ao pleito.

O candidato Eduardo Paes (PMDB) já está no segundo turno. A segunda vaga está entre Marcelo Crivella (PRB), Fernando Gabeira (PV) e, em menor grau, Jandira Feghali (PCdoB). Está uma disputa feroz e equilibrada entre o senador, que liderava nas primeiras pesquisas, e o deputado federal, que cresceu muito nas semanas anteriores à eleição. Nada mal, já que há alguns meses muitos temiam um segundo turno entre Crivella e Jandira. Agora, poderemos até ter um segundo turno entre Paes e Gabeira, muito melhor no quesito alto nível de campanha. No início da campanha, em 1º de julho, escrevi aqui minhas impressões iniciais sobre os candidatos à prefeitura do Rio.

Já em São Paulo, é praticamente certo o segundo turno entre a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e o atual detentor do cargo, Gilberto Kassab (DEM). Ou seja, esta eleição pode marcar a falência política do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que mandou para o espaço a antiga aliança entre os tucanos e o ex-PFL ao bater o pé pra se candidatar ao cargo de prefeito da maior cidade do país, contrariando até mesmo o governador José Serra.

Amanhã à tarde, revelarei em quem confiei meu voto - já escolhi meus candidatos a prefeito e vereador. A figura acima, apesar de ter pouca relação com minha escolha, é uma pequena curiosidade pinçada nos jornais de hoje. A edição deste sábado de O Globo dedicou uma página inteira para informar os nomes de todos os candidatos a vereador na cidade do Rio de Janeiro. Entre os candidatos do PTC (Partido Trabalhista Cristão), está ninguém menos que... Papai Noel! Podem procurar, ele está lá. Será que, se o Bom Velhinho conseguir uma vaga na Câmara dos Vereadores, ele dará presentinhos aos seus eleitores? Bem, como o Noel não será um dos que receberão o meu voto, não sou eu que saberei.

1.8.08

QUAL A NOVIDADE?


Uma revista colombiana, a Cambio, publicou reportagem que afirma que as FARC têm, sim, envolvimento com membros graúdos do governo brasileiro e do próprio PT. Tanto isso é verdade que, entre muitas outras demonstrações de camaradagem, a esposa de um dos terroristas foi contratada em cargo de confiança pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, vinculada à própria Presidência da República. Tem muita coisa ainda pra ser revelada. Leia mais aqui (em espanhol).

Diante disso tudo, pergunto: por que não estou surpreso? Afinal, todos sabem (muitos deles só souberam bem depois) que o PT e as FARC, organizações subordinadas ao Foro de São Paulo, têm relações estreitíssimas. A ascensão dos petistas ao governo apenas consolidou tais relações. O pior disso tudo é que, como dito aqui anteriormente, algo muito parecido em sentido ideológico com a guerrilha colombiana cresce por aqui, embaixo de nossos narizes. Refiro-me ao MST, outro grupo que dispensa comentários.

Claro que o pessoal que vive no mundo da fantasia vai afirmar que a "imprensa golpista e reacionária que querer derrubar o governo que nunca antes neste país etc." estendeu seus tentáculos para além do território nacional. Mas o fato é que os inimigos da ordem vão sendo desmascarados, e cabe a quem quer seguir no regime democrático colaborar com esse trabalho.

1.6.08

O VERDADEIRO PODER É O PARALELO



A sensação de insegurança no Rio é gritante há tempos. Recentemente, o ex-secretário da Polícia Civil e atualmente deputado federal Álvaro Lins foi preso sob a acusação de formar quadrilha armada em pleno exercício do poder (mas seus pares da Assembléia se encarregaram de assar um gigantesca pizza). Há quase seis anos (vai fazer amanhã), o jornalista Tim Lopes foi torturado e assassinado ao tentar fazer uma reportagem na Vila Cruzeiro, uma das favelas mais violentas da cidade. Agora, por pouco a tragédia não se repete: foi divulgado neste final de semana que três funcionários (uma jornalista, um fotógrafo e um motorista) do jornal O Dia sofreram nas mãos de milícias (grupos de policiais dissidentes que cobram por proteção), numa favela de Realengo.

Trata-se de um buraco em que o Rio se afundou e parece não ter fim. Décadas de incompetência e, não raro, cumplicidade governamental levaram o estado a isso. Talvez várias outras décadas tenham que ser necessárias para que a situação não piore ainda mais. Quem sofre é o cidadão que paga seus impostos. Quem sofre é aquele que trabalha para melhorar sua vida e a de sua cidade. Quem sofre é aquele que quer levar a informação à sociedade, num ambiente apenas comparável ao de uma guerra.

Em 2002, época da morte de Tim Lopes, falou-se muito no chamado poder paralelo, que aproveitava-se da total ausência do poder oficial para impor suas vontades à sociedade. Tenho hoje a impressão de que o tal poder paralelo, infelizmente, ao contrário do oficial, pelo menos funciona...

15.5.08

O ENCONTRO

Hoje ocorreu o almoço de confraternização entre os leitores do Blog Futebol, Coisa & Tal, do jornal Extra. O jornalista-blogueiro Gilmar Ferreira recebeu cinco leitores - inclusive este que vos escreve - na redação do jornal, no Centro do Rio. Durante o almoço, no refeitório do prédio anexo da Infoglobo (onde estão as redações dos jornais Extra e Expresso), falamos sobre a dureza de se organizar futebol no Brasil. Foi um papo altamente proveitoso sobre os rumos do esporte no país. O texto publicado no blog descreve bem esse encontro.

23.2.08

VEJAM QUE IRONIA CAPITAL...



...duas revistas de circulação nacional, que se tratam diametralmente opostas (CartaCapital e Veja) decidiram tratar do mesmo assunto em suas capas. Até aí, nada demais - era realmente o assunto da semana: a renúncia do ditador cubano Fidel Castro. O curioso é que as duas revistas parecem ter escolhido a mesma foto para colocar na capa.

22.2.08

OS APROVEITADORES

Vocês certamente ouviram falar daquele bombardeio que a Igreja Universal do Reino de Deus e seus fiéis estão fazendo com vários setores da imprensa, principalmente os jornais Folha de S. Paulo (e a sua jornalista Elvira Lobato) e Extra - processos parecidos, mas por motivos completamente diferentes: o jornal paulistano está sendo processado (supostamente por fiéis, quando todos sabemos que não é nada disso) por causa de uma reportagem sobre o império midiático construído pela seita em 30 anos de história, o que teria feito com que fiéis sofressem hostilidades; o diário carioca, por causa de uma reportagem sobre a destruição de uma histórica imagem católica por um pastor da igreja, o que, segundo os que entraram com ações, poderia despertar a ira dos católicos.

Todos sabem - e, pelo que parece, a Igreja Universal não faz questão nenhuma de esconder - que isso tudo é apenas uma estratégia de intimidação da seita (palavra que ela própria não aceita que usem para defini-la, apesar de não ser ofensiva) para afirmar o quanto ela anda próxima do poder nos dias de hoje - tanto que o presidente Lula declarou ser "legítimas" tais intimidações. Não é por acaso. Afinal, o PRB (Partido Republicano Brasileiro, que pertence à Igreja Universal, surgido de uma dissidência do extinto PL) é o partido político do vice-presidente José Alencar. Outro braço da seita, a TV Record, fez uma reportagem - escandalosamente tendenciosa, diga-se - sobre os tais processos, endossando-os e atacando a imprensa que a critica, principalmente patrulhando a jornalista da Folha.

Como se fosse possível ignorar três décadas de curandeirismo e estelionato, fazendo com que Edir "Ou dá, ou desce" Macedo chegasse a ser preso (por pouco tempo) na década passada, a Igreja Universal desafia a lei - agora, amparada pelo governo. Não surpreende quando verifica-se que um dos principais jornalistas da Record é Paulo Henrique Amorim, que sempre favorece aquele que lhe dá mais - desde a época em que era pró-FHC (fazendo com que Lula, na época, pensasse em processá-lo) e, agora, é pró-Lula.

De todo modo, a Igreja Universal parece aquela criancinha mimada que chama a mãe só porque o vizinho de porta o chamou de feio, bobo e chato. E ainda tem a hipocrisia de clamar por tolerância, quando ela própria discrimina católicos, homossexuais e seguidores de crenças afro-brasileiras. Assim, fica difícil dialogar.

3.2.08

SE É TÃO POPULAR, POR QUE O TEMOR?

Versão virtual da coluna Radar, de Lauro Jardim, da Veja:

LULA NO SAMBÓDROMO?...

É praticamente certo: Lula não pisará no Sambódromo. Nem no domingo, nem na segunda-feira. Foi convidado para o camarote de Sérgio Cabral, disse ao governador que queria ir com Marisa Letícia, mas as vozes da cautela venceram - ou "o medo venceu a esperança", para usar um antigo mote petista. O risco de uma vaia ritmada com pandeiro e tamborim falou mais alto.

É a velha questão: as pesquisas dizem que Lula tem altos índices de popularidade. Mesmo assim, levou uma das maiores vaias da história do Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Temendo um repeteco, dispensou sua ida à Marquês de Sapucaí neste Carnaval. Isto posto, cabe a pergunta: o que está errado, as pesquisas pró-Lula ou a classe média "vaiadora"? Se o presidente se julga tão popular, por que ele tem tanto medo de dar a cara a tapa?

Segue o baile:

...OU NO TRIO ELÉTRICO DE SALVADOR?

Agora, é Jaques Wagner quem insiste com Lula para que vá pelo menos um dia a um camarote do Carnaval baiano ver os trios elétricos passarem. Lula não deve ir. Está evitando qualquer compromisso que possa chamuscar sua popularidade. Do lado de Wagner, o argumento em favor de sua ida é o seguinte: o barulho ensurdecedor dos trios abafaria qualquer possibilidade de vaia. O mais certo, porém, é que Lula se recolha numa praia qualquer.

O presidente anda "cauteloso" demais, hein? Será que ele teme os carlistas baianos que assistem à festa soteropolitana? Só falta temer as vaias dos banhistas da tal "praia qualquer"...

1.12.07

TV BRASIL: UMA EMISSORA QUE NÃO PODEMOS DEIXAR DE DESSINTONIZAR



Oito horas e meia antes do início oficial das transmissões em sinal digital da televisão no Brasil, entrará no ar neste domingo, às doze horas, a pretensa TV pública brasileira. Algo que, segundo o governo Lula, será nos moldes da britânica BBC. Em algumas cidades, como o Rio de Janeiro, a emissora (Empresa Brasileira de Comunicações, ou simplesmente TV Brasil) substituirá a TV Educativa, no canal 2. A emissora carioca foi fundida com a estatal Radiobrás. No seu início, sua programação terá praticamente apenas programas da TVE e da TV Nacional de Brasília, além de alguns programas da TV Cultura de São Paulo.

Como já se desconfiava por causa de tanta onda pra criar uma emissora de TV - cujos índices de audiência certamente não passarão do traço, como ocorre há tempos com as emissoras já citadas - gastando milhões de reais de cofres públicos, a confusão reina na TV Educativa (emissora com quase 40 anos de história e que, mal ou bem, tinha uma programação ao menos digna, com atrações premiadas no país e no exterior) poucos dias antes da sua extinção. Há acusações de censura velada a opiniões que possam contrariar o governo. Além disso, altos executivos da emissora pediram demissão, criticando a forma com que estão tratando a criação da TV Brasil, com direito a um conselho em que só há um especialista no assunto (o consagrado José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que certamente embarcou numa canoa furada) - este conselho é altamente, como dizer?, eclético, com figuras como o rapper MV Bill e a carnavalesca Rosa Magalhães, entre outros.

Já tinha percebido que coisa boa não sairia quando contrataram para chefiar a emissora a jornalista Tereza Cruvinel (autora de artigos notoriamente pró-governistas), além de Helena Chagas (aquela do caseiro) e do ex-governador paulista Cláudio Lembo (crítico da "elite branca" quando estava no poder). Antes disso tudo, já havia sido nomeado ministro da Comunicação Social o também jornalista Franklin Martins. Mas vejo que a tendência é piorar daí pra frente. Mesmo porque, como já tinha dito, serão jogados milhões e milhões de reais de dinheiro público pelo ralo, para fundar e manter no ar uma emissora de TV pública (e estatal, o que é totalmente incompatível) que pouquíssimas pessoas irão assistir.

16.10.07

NO BRASIL, SER RICO VIROU CRIME


Estou meio atrasado em relação a escrever sobre esse assunto, mas vou falar dele assim mesmo.

O artigo escrito pelo apresentador Luciano Huck sobre a violência urbana, depois de ter um relógio de pulso, da marca Rolex, roubado num sinal de trânsito em São Paulo (em que ele se queixava da insegurança nos nossos grandes centros e chegava a pedir pela presença de alguém como o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite), foi interpretado por muitos como um grito "dazelite cansada" - ou seja, segundo a ótica dos críticos, ele teria que estar satisfeito por ter sobrevivido e aceitar sua sorte sem reclamar.

Assim como o direito de viver dignamente, todo brasileiro honesto, não importa se rico ou pobre, deve ter o direito de viver em segurança - e o poder público tem o dever de propiciar segurança à população, pois foi eleito para isso. Ao contrário do que muitos interpretaram, Huck não reclamava do roubo de um Rolex - afinal de contas, poderia perfeitamente comprar outro -, mas reclamava como cidadão pagador de impostos, assim como o fazia por aqueles que não tinham condições de se defender. E a sua menção ao filme Tropa de Elite - o mais novo alvo do esquerdismo à Robin Hood - apenas colaborou para aumentar o massacre ao missivista.

Mas o buraco é muito mais embaixo. O que há no Brasil da Era Lula é a satanização das elites, do enriquecimento através do esforço honesto. É a glorificação do pobrismo, ou seja, do orgulho de ser pobre, que é muito diferente de não sentir vergonha de sua pobreza. Criou-se a idéia de que todo rico é corrupto e todo pobre é uma vítima do "injusto sistema capitalista". Ou seja, ser rico parece ter virado um crime inafiançável no Brasil. Aconteceu com o movimento Cansei, capitaneado pelo empresário Dória Jr., que clama por um país mais honesto e ético, mas é interpretado como golpista pelos movimentos de esquerda pró-governistas. E está acontecendo agora com Luciano Huck.

5.10.07

O PAPAI NOEL DE SIERRA MAESTRA


Sempre vi com certo ceticismo o endeusamento de Ernesto "Che" Guevara pelas esquerdas de todo o mundo. Todo aquele que é visto como intocável, em minha opinião, deve ser visto com ressalvas - afinal de contas, ninguém na História atingiu a perfeição absoluta. E Guevara era visto como aquele que queria alcançar o impossível, que desafiou todas as dificuldades, que personifica o sonho que deve ser realizado, aquelas bobagens todas.

Na próxima semana, fará 40 anos de sua morte - o movimento MR-8, aquele do Hora do Povo, tem esse nome exatamente para homenageá-lo (Movimento Revolucionário 8 de Outubro, referência à suposta data da morte do guerrilheiro argentino). Nesta semana, a revista Veja publicou matéria de capa desconstruindo o mito guevariano. Despindo-se de quaisquer barreiras ideológicas (o que, nos movimentos de esquerda, é difícil de acontecer), o leitor poderá comprovar que o homem não é tão santo assim. Muito pelo contrário. A leitura valerá a pena. Logo no início da matéria, uma frase que teria sido dita por Guevara, momentos antes de sua morte, é bem significativa de sua visão de heroísmo: "Não atirem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto".

Ao ler sobre a matéria, muita gente que venera o companheiro do hoje decrépito Fidel Castro (como bem diz o final da reportagem, a grande sorte de Guevara foi ter morrido ainda jovem, pois não teve tempo de assistir à derrocada do comunismo) poderia perfeita e definitivamente vê-lo com outros olhos. Infelizmente, isso não acontecerá. Seus eternos seguidores preferirão continuar acreditando no Papai Noel de Sierra Maestra.

9.4.07

SERÁ QUE NÃO APAGA?



Atualmente, o Big Brother Brasil é o programa televisivo mais procurado por candidatos a famosos que não têm nada a dizer e só procuram a fama pela fama (com o perdão da repetição de palavras). E a imensa divulgação diária faz com que mesmo que os não queiram nem saber do reality show (o que é o caso deste que vos escreve) acabem por ouvir falar dos seus participantes, por variados motivos, por causa de suas características incomuns. Caso da fluminense de Nova Iguaçu Fani, ex-promotora de eventos e atual ex-BBB (profissão tão em evidência nos dias de hoje).

Conhecida no programa por sua fixação por sexo, ela fisgou um famoso ator e, ainda por cima, fez o ensaio principal da edição deste mês da revista Playboy. Contam que, durante a sessão de fotos, tomou várias latinhas de bebida energética para não perder o pique. O ensaio promete ser um dos mais ousados da história da publicação no Brasil. Pelo que dizem que mostrou no programa (o que poucos teriam coragem de mostrar em rede nacional), não duvido nada.

Eu sei, falta de assunto é uma tristeza. Mas falar de política interna e externa o tempo todo é um pé no saco, com o perdão da expressão. A gente tem que variar um pouquinho, não é mesmo? ;-)