15.5.12
Santa Obama de Chicago
16.4.12
Coraçã de estudanta
13.9.11
Chega de igualdade!
O grande mal da era moderna é com certeza o igualitarismo. Liberdade e fraternidade, tudo bem. Agora, igualdade é uma quimera. Salvo a igualdade perante a lei, essa sim imprescindível, e uma relativa igualdade de oportunidades, o resto é impossível de obter. Não somos todos iguais, nem tudo é igual a tudo. E por que deveria ser?
Se todas as religiões são iguais, por que alguns fanáticos religiosos se explodem frequentemente e outros não? Se todas as etnias/povos são iguais, por que se notam tantas diferenças práticas entre os grupos humanos? Se todas as culturas são iguais, para que precisamos de "multiculturalismo"? Se todas as formas de relacionamento sexual são iguais, por que alguns conseguem se reproduzir biologicamente e outros não?
Mas nem importa que as pessoas sejam diferentes se forem tratadas de forma igual, mas não é isso o que acontece. O que se quer é alavancar uns e bloquear outros de modo a que o resultado entre eles seja igual. A "igualdade" de que falo aqui é a que quer impor cotas raciais ou estabelecer territórios para grupos étnicos específicos; é a que julga que criminosos devem ter mais direitos do que vítimas de crimes; a que quer que todos ganhem o mesmo independentemente do seu esforço ou talento; e assim por diante.
Leia o texto completo aqui.
8.9.11
Ausências que preenchem lacunas

Refiro-me àqueles movimentos ditos sociais, às organizações estudantis e aos grupos que costumavam aparecer em tudo que era tipo de protesto anticorrupção até 2002. Só que, desta vez, eles estavam ocupados - como estão desde 2003, ressalte-se. Depois de gritar durante 18 anos (cinco de Sarney, cinco de Collor-Itamar e oito de FHC), esses grupos se beneficiam das benesses dadas pelo governo Lula (2003-2011) e não querem largar o osso durante o mandato de Dilma - haja vista a quantidade de ministros demitidos por envolvimentos escusos durante esses nove primeiros meses de governo.
Ou seja: a corrupção grassa da mesma forma do que em todos os governos anteriores ao de Lula (talvez até mais!) e os tais movimentos, nem aí. É como se fosse um universo paralelo o que separa os governistas dos que apenas querem uma vida mais digna. UNE, CUT, MST e quejandos não deram as caras nos protestos de ontem pelo simples fato destes não despertarem neles o mínimo interesse. Afinal, não receberiam quaisquer benefício$ em troca. Ou seja: segundo a ótica deles, corrupção só se for a cometida pelos outros. Pra eles, seria uma espécie de "pagamento de dívidas históricas".
Mas a esperança de tempos melhores está nas mãos daqueles cidadãos comuns, bem esclarecidos, que estão cansados de presenciar atos desonestos a olhos vistos e resolveram arregaçar as mangas e trabalhar por conta própria, sem depender de líderes ou políticos aproveitadores. Está com esses abnegados o futuro do Brasil.
18.7.11
O preço injusto pago pela incompetência alheia

Na semana passada, um episódio passado no interior de Goiás, perto do Distrito Federal, mostra como o Brasil é o país em que as coisas se invertem e poucos acham absurdo. Cansado de ter sua casa constantemente invadida pelo mesmo bandido enquanto estava viajando, um cidadão decidiu construir uma armadilha, à base de pólvora, utilizando canos e uma ratoeira. O artefato funcionou quando o assaltante novamente invadiu a residência, matando-o em seguida. Eis, contudo, que o dono da casa pode ser condenado por homicídio doloso, correndo o risco de pegar até 30 anos de cadeia. Leia mais aqui.
O caso mostra como é absurda a inversão de valores que querem impor a nossa sociedade, assim como o preço que os cidadãos de bem acabam pagando por causa da incompetência daqueles que deveriam nos proteger - isso quando estes não resolvem defender os bandidos, como acontece constantemente aqui no Brasil, e está ocorrendo nesta ocasião. Invasão de domicílio é crime, e o remédio para aqueles que se sentem desamparados pelo poder público é a autodefesa. Senão, a bandidagem acaba fazendo a festa.
O mais absurdo disso tudo (como se isso tudo já não fosse absurdo o suficiente) é o fato de o dono da casa ser acusado de porte ilegal de arma. Como, se foi ele próprio que construiu a arma? Seria um caso inédito no mundo: o de porte ilegal de algo construído pelo próprio acusado. Algo completamente sem sentido. Porém, mais comum do que se imagina neste país chamado Brasil...
30.6.11
Sim, respeito às diferenças é essencial. Mas cadê a contrapartida?

Bem, como os poucos leitores que tenho devem ter notado, já faz algum tempo que não passo por aqui. Não é culpa minha, juro. É pura falta de tempo, mesmo. Além disso, faltavam-me assunto e inspiração suficientes para atualizar este blog do jeito que gostaria. Todavia, fatos recentes me fizeram voltar a este espaço.
Como todos sabemos, realizou-se em São Paulo a Parada do Orgulho Gay (que, disposta a agradar a todas as correntes do chamado sexo alternativo, quer ser agora chamado de LGBTTT, que é pra ninguém se sentir excluído, ainda que seja por uma sigla que ninguém consiga falar direito). Todos sabemos que é de bom grado respeitar todas as diferenças, nunca discriminando indivíduos por suas escolhas - incluídas aí as de caráter sexual. Pena que, pelo que se vê, a recíproca não seja verdadeira.
Vários cartazes adornavam a marcha realizada na Avenida Paulista, que hoje abriga aquela que é considerada a maior Parada Gay do planeta. Entre eles, alguns de campanha pelo uso da camisinha. Até aí, nada demais. Só que eles eram protagonizados por musculosos modelos em poses homoeróticas, reproduzindo imagens de... santos. O pretexto era de que "nem santo o protegia" o suficiente para fazer sexo sem proteção.
Olha, eu não sou exatamente um cara religioso, apenas acredito na existência de Deus. Mas mesmo assim senti-me ofendido com tamanha audácia. Na hora em que vi, pensei o seguinte: qual será o limite disso tudo? Será que, um dia, isso irá extrapolar os limites da crítica ao cristianismo? Será que um dia os gays irão, sei lá, reproduzir um Maomé musculoso pra tentar mexer com os muçulmanos? Se isso acontecer, não é por nada não, mas será questão de tempo para o mundo acabar...
Sei que respeito às diferenças é necessário, mas é preciso haver uma contrapartida de quem é respeitado. Essa onda gayzista que varre o país parece disposta a testar todos os limites de nossa paciência. Do jeito que a coisa anda, os homossexuais no Brasil só faltarão ser considerados inimputáveis perante a lei, como o são os indígenas (outra coisa que, por sinal, também considero absurda).
16.5.11
A conçagrassão da burriçe nassionau

Não sei se sabem a respeito de um livro de Português, liberado pelo Ministério da Educação, que faz a defesa de um uso popular da língua portuguesa, ainda que tenha erros de grafia e concordância. Segundo o livro, distribuído a alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, recomenda a tolerância àqueles que cometem esses tipos de incorreção, para que não haja qualquer "preconceito linguístico".
Agora é oficial: o pensamento politicamente correto tomou conta do Brasil.
Todos sabemos que existem regionalismos, costumes, hábitos, condições de aprendizagem. Assim como há os que têm estas últimas - sejam elas cognitivas ou financeiras, entre vários outros fatores - mais do que outros. Mas com essa atitude de liberar uma obra que apologiza o "falar do povo" em detrimento de uma melhor qualificação do ensino do que é certo, o Ministério da Educação oficializa o baixo nível técnico daquilo de que deveria cuidar, assumindo de vez sua completa incompetência em tomar conta do que realmente importa.
Sabemos que o governo quer que mais pessoas subam na escala social e vençam na vida. Iniciativa, por si só, extremamente louvável. Mas que, acima de tudo, ele incentive a população a se preparar melhor para encarar os desafios que essa nova vida certamente irá impor a ela. E não é com esses tipos de ajuda que o governo federal vai conseguir fazer o povo brasileiro evoluir com dignidade. Pelo contrário: ele será, cada vez mais, uma presa fácil de quaisquer adversidades.
4.5.10
E ALGUÉM ACHAVA QUE SERIA DIFERENTE?!

Faltando exatos 1.501 dias para o início da Copa do Mundo de 2014 (levando-se em consideração que o Mundial ocorrerá de 13 de junho a 13 de julho), está aceso o sinal de alerta nas relações entre a FIFA e o Comitê Organizador chefiado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O secretário-geral da instância máxima do futebol mundial, Jérôme Valcke, demonstrou estar começando a perder a paciência com a demora no início das obras de infraestrutura para o megaevento, que atrasaram duas vezes e não têm previsão de início. Apenas metade das 12 cidades-sede escolhidas pela FIFA começou tais obras, e mesmo assim em ritmo lento e discreto. Teme-se que tais atrasos acabem influenciando no futuro.
Penso da seguinte forma: alguém duvidava que seria diferente? Afinal de contas, estamos no Brasil, onde tudo parece permitido. Pelo visto, nós não aprendemos com a experiência dos Jogos Pan-Americanos de 2007, quando os locais de prova foram concluídos na correria e com acusações de superfaturamento. Na mesma época, o Brasil foi escolhido sede do Mundial e nada de relevante foi feito até hoje, apesar de todos os avisos emitidos pela imprensa desde então. É só pegarmos tudo o que passamos há três anos, multiplicar por doze e teremos uma vaga ideia do que nos espera em 2014.
Isso, claro, se a FIFA tiver mais paciência do que já está tendo e não tirar do Brasil o direito de sediar o Mundial, como ocorreu com a Colômbia, que perdeu para o México a sede de 1986 por problemas financeiros e de segurança. Quem sabe, assim, não tomamos jeito, por mais difícil que isso venha a acontecer...
(Publicado originalmente no Golblog Futebol Clube)
10.4.10
O "SOCIALISMO MORENO", ENFIM, MOSTRA A SUA CARA

A tragédia que se abateu sobre a cidade de Niterói, governada pelo mesmo grupo político (chefiado pelo atual prefeito, Jorge Roberto Silveira, que está em seu quarto mandato) desde 1989, escancarou algo que atinge há décadas a cidade vizinha, o Rio de Janeiro, e mostra a cara agora na antiga capital fluminense: o famigerado populismo que é aceito passivamente por grande parte do eleitorado do estado do Rio.
Desde a época de Chagas Freitas (1979-1983), segundo governador fluminense após a fusão (tinha sido governador da Guanabara entre 1971 e 1975), há fortes tendências populistas passando pelo Palácio Guanabara - mas foi com o nada saudoso Leonel Brizola (1983-1987 e 1991-1994) que isso ficou ainda mais evidente. Durante os governos do líder pedetista, a favelização (que já era um problema no Rio) se espalhou ainda mais pela Região Metropolitana. Aliás, os políticos encontraram um filão inestimável através das favelas, com a grande possibilidade de angariar mais votos. E isso veio através do "socialismo moreno" tão propalado por Brizola e seu vice no primeiro mandato, Darcy Ribeiro.
Vários políticos da região beberam na fonte do brizolismo para se dar bem na política fluminense - entre eles, os ex-governadores (e ex-prefeito da capital entre 1989 e 1993) Marcello Alencar (PSDB, 1995-1999), Anthony Garotinho (PDT/PSB, 1999-2002) e Rosinha Matheus (PSB/PMDB, 2003-2007), e o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (PMDB/PFL, 1993-1997 e PTB/PFL-DEM, 2001-2009). Coincidência ou não, o problema da favelização ficou ainda pior com os filhotes do brizolismo no poder. É isso que acontece em Niterói, com o grupo de Jorge Roberto Silveira (1989-1993, 1997-2002 e desde 2009), com a ajuda do também pedetista João Sampaio (1993-1997) e, mesmo tendo se desentendido no meio do mandato, o petista Godofredo Pinto (2002-2009). Durante esses mandatos todos, foram feitas melhorias (saberia-se depois, de fachada) no Morro do Bumba, onde até 30 anos atrás estava um imenso depósito de lixo... Deu no que deu, como pudemos perceber, da pior maneira possível, nesta semana.
Que a tragédia (mais uma!) fique na memória dos eleitores fluminenses para a eleição de outubro. Se bem que, considerando-se o retrospecto do eleitorado do estado do Rio, acho muito difícil isso acontecer.
30.3.10
E AGORA?

Pelo menos 39 pessoas morreram em atentados ocorridos ontem no metrô de Moscou, um dos mais movimentados do planeta. Supõe-se que os atos terroristas tenham sido perpetrados por chechenos, que lutam pela independência de sua região, de maioria muçulmana, no sul do país - a Chechênia foi anexada ao então Império Russo há mais de 150 anos. Os entreveros entre russos e chechenos existem, em maior ou menor grau, desde então, mas se intensificaram depois do fim da União Soviética, no início dos anos 1990.
O presidente russo Dmitri Medvedev pediu leis melhores para punir os terroristas e o ex-presidente e atual primeiro-ministro Vladimir Putin prometeu retaliar os atentados, dizendo ser questão de honra achar os mentores. Não será nada fácil, pois os russos levantaram suspeitas de que os terroristas chechenos tenham ligações com a Al-Qaeda, de Osama bin Laden, embora isso seja contestado por muitos.
Como percebemos, terroristas oriundos de uma região predominantemente muçulmana matam dezenas em um meio de transporte público, as vítimas prometem represálias e, no Ocidente, fala-se nada ou lamenta-se a sorte russa. O mesmo ocorre quando a China reage a protestos de muçulmanos uigures, como ocorreu no ano passado. Fico imaginando o que aconteceria se fosse um alvo norte-americano, britânico ou israelense o atingido: o que haveria de gente condenando as vítimas e as reações que viriam não seria brincadeira. É algo com o qual não deveríamos estar acostumados, como parecemos todos estar.
27.3.10
AGORA, SIM, A MENINA ISABELLA VAI DESCANSAR EM PAZ

Enfim, acabou o circo que se formou em torno do caso do assassinato da menina Isabella Nardoni, há dois anos, com a condenação do pai e da madrasta à prisão. Dessa forma, toda a espetacularização da imprensa sobre o caso tende a diminuir, ainda que não cesse de todo.
Que a menina assassinada, enfim, possa descansar em paz.
19.3.10
LULA JÁ FEZ SUA ESCOLHA

Nesta semana, Lula fez sua visita ao único país do Oriente Médio próximo ao Mediterrâneo que ainda não tinha visitado em sete anos - e mostrou bem a que veio, no mau sentido. A visita do presidente brasileiro a Israel foi simplesmente desastrosa: recusou-se a cumprir o protocolo ao não visitar o túmulo do criador do movimento sionista, o jornalista austro-húngaro Theodor Herzl; mais uma vez, ofereceu-se como intermediário numa negociação de paz entre israelenses e palestinos, mesmo sem nem conseguir fazê-lo entre vizinhos sul-americanos; e, pra completar o circo de horrores, disse estar esperançoso de que recentes desentendimentos diplomáticos entre Israel e os Estados Unidos ajudem nas negociações (!!!). Poderia dizer mais, mas o texto que se segue abaixo, escrito por Jayme Copstein e publicado na versão virtual do jornal Alef, direcionado à comunidade judaica brasileira, fala por si. Boa leitura.
A escolha de Lula
Não há ninguém que não deseje a paz para o conflito do Oriente Médio, até mesmo por algum milagre. O cansaço do mundo está à espera de uma solução para dar fim às tragédias que ali se confrontam há mais de 50 anos. Não há, pois, nenhuma restrição às tentativas do presidente do Brasil de promover o entendimento entre dois povos que, tivessem conseguido conviver em paz, já teriam transformado a região em uma das mais prósperas do planeta. O que não falta ali são cérebros, mão de obra abundante e também – como dádiva da natureza inóspita – tenacidade, espírito de luta e perseverança. Até este momento, o que se ouviu não passou de retórica, a mesma retórica que o presidente usa em seus pronunciamentos internos no Brasil.
Não há nada de novo na sua proposta de dois Estados – Israel e Palestina – lado a lado, cada qual se comprometendo com a segurança do outro. É a partilha aprovada na memorável sessão da ONU, presidida por Osvaldo Aranha, em 1948. Os judeus proclamaram seu Estado, os países islâmicos discordaram da partilha e foram à guerra para impedi-la. Até hoje, com exceção de Egito e Jordânia, nenhum deles reconhece Israel e mantêm declaradamente sua intenção de "varrer do mapa a entidade sionista". Sequer o nome do país eles se permitem dizer. Dentro deste quadro é improvável qualquer acordo, apenas fazendo conversar israelenses e palestinos. Por mais bem-vindos que sejam os "vírus da paz", que o presidente Lula diz possuir no DNA, não é aderindo ao belicismo nuclear do Irã, inclusive lhe fornecendo urânio, que ele há de provar a sinceridade de sua oferta de mediação.
Mais: cheira até a hipocrisia no momento em que a delegação brasileira recusa publicamente a inclusão de visita ao túmulo de Theodor Herzl, cujo sesquicentenário de nascimento comemora-se este ano. Herzl nasceu no Império Austro-Húngaro e engajou-se no nacionalismo alemão até cobrir o Caso Dreyfus, em Paris. Pouco integrado à vida judaica, chocou-se com a brutalidade do antissemitismo que havia levado o oficial francês, judeu "assimilado" como ele, à degradação, falsamente acusado de traição à Pátria. Concluiu que a solução do chamado "problema judaico" era a reconstrução do Lar Nacional em Israel – o retorno a Sion, daí o nome sionismo ao movimento que já existia há muitos séculos, com o apoio inclusive de líderes cristãos.
Ao escrever um livro, O Estado Judeu, e convocar um congresso em Basileia, Suíça, em 1897, Herzl conseguiu dar corpo ao movimento e traçar um programa de ação. Como Moisés, porém, não estava destinado a realizar o sonho. Fracassaram suas tentativas de entendimentos com o Império Otomano, a cuja soberania o Oriente Médio, então, estava submetido. Morreu em 1904. Só mais de quatro décadas e 6 milhões de mortos depois, tocado pela barbárie do Holocausto promovido pelos nazistas, é que o mundo civilizado concordou com a sua tese. Sionismo é apenas isso, não a fantasia sadomasoquista de terrorismo que a esquerda demente, no permanente exercício de seu ódio visceral, tem se esforçado por incutir nas pessoas desavisadas. Herzl jamais explodiu ou ordenou que alguém explodisse uma bomba para matar pessoas inocentes e indefesas. Lula não quer visitar seu túmulo, mas depositou flores no túmulo de Yasser Arafat e, daqui a alguns meses, vai apertar de novo a mão de Mahmoud Ahmadinejad. É a escolha de Lula.
30.12.09
O PROBLEMA É NÃO QUERER DAR NOME AOS BOIS

Bom questionamento o do colega blogueiro Mr. X, em texto escrito esta semana. A recusa da sociedade em aceitar que a grande maioria dos atentados terroristas em todo o mundo é cometida por muçulmanos, em nome de um famigerado pensamento politicamente correto, era o que faltava para a insegurança mundial se firmar de vez.
O pior é vermos que tem gente que teima em afirmar que atentados ocorrem por causa de "injustiças sociais". O terrorista que tinha uma bomba na cueca (pelo visto, conseguiram arranjar uma outra utilidade pras roupas de baixo masculinas) e não conseguiu explodir um avião que fazia o voo Amsterdã-Detroit, um raro caso de "ex-homem-bomba", é filho de um banqueiro nigeriano, um dos mais ricos de seu país, e morava num bairro chique de Londres. Portanto, não são exatamente a miséria e o desespero que movem os terroristas.
Claro, não podemos generalizar. Lógico que há muçulmanos moderados que condenam a violência e querem conviver pacificamente com seus semelhantes. Mas é em momentos como esse que eles parecem simplesmente desaparecer. Isso só aumenta a sensação de que haverá um gigantesco choque de civilizações, mais cedo ou mais tarde.
23.12.09
MELHOR ASSIM

Inteiramente justo o desfecho do caso em que o norte-americano David Goldman conseguir reaver a posse do filho Sean, fruto de seu casamento com a brasileira Bruna Bianchi, terminado depois que ela voltou dos Estados Unidos com o filho pequeno, à revelia do então marido. O presidente do STF, Gilmar Mendes, de certa forma compensou a derrapada do caso Battisti ao fazer a decisão correta, desta vez.
Dizem que a família da mãe do menino não tentará recorrer. Melhor assim, visto que, na falta da mãe (falecida após o parto da segunda filha, com o segundo marido, que lutava pela permanência do enteado), o pai deve estar presente. Assim, tem-se uma esperança de que o Brasil possa respeitar as leis internacionais, o que não vinha ocorrendo com frequência ultimamente.
4.12.09
AS PIADAS NUNCA SUPERAM A REALIDADE

Causou celeuma quando foi exibida aqui no Brasil, pelo canal pago GNT, a entrevista dada pelo ator Robin Williams (nascido em Chicago) a David Letterman, quando ele disse que "Chicago levou a Copenhague Hillary Clinton e Oprah Winfrey, mas o Rio levou strippers e pó para conquistar os delegados do COI e ganhar o direito de sediar as Olimpíadas de 2016. Assim ficou difícil". Piada de gosto duvidoso (quase uma redundância), mas polêmica desnecessária.
Desnecessária por vários motivos. Os humorísticos são os primeiros: por que esperar que um estrangeiro famoso conte uma piada que nos seja favorável? Além do mais, nós brasileiros costumamos também contar anedotas pesadas e nunca nenhum gringo reclamou do nosso senso de humor.
Mas o maior desses motivos é que nenhuma piada é mais forte que a própria realidade que nos cerca. Ou será que os seguidos apagões, a fama de sexistas, os dólares de propinas nas cuecas e meias, a crise política e muitas outras coisas não fazem o Brasil ser o país da piada pronta? Nosso país, como sabemos, é uma farta matéria-prima para comediantes - não só os daqui, é bom que se diga.
8.10.09
O TERCEIRO E O QUARTO GRANDES PROBLEMAS

Com as cenas de vandalismo ocorridas ontem nos trilhos da estação de trens da cidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense, evidencia-se que o transporte deficiente e a falta de segurança são apenas dois dos problemas que os políticos e a sociedade terão que solucionar até as Olimpíadas de 2016, que serão realizadas no Rio de Janeiro. Além desses dois grandes problemas, há pelo menos outros dois tão graves quanto: a falta de educação e civilidade da população, e a passividade daqueles que esperam que as coisas irão funcionar naturalmente, sem que nada seja feito.
Onze pessoas ficaram feridas e dois vagões foram incendiados pelos vândalos, que protestavam contra a paralisação de um dos trens, devido a problemas operacionais, e o não-reembolso do preço da passagem. Mesmo com os inúmeros defeitos da administração da SuperVia, nada justifica o vandalismo dos passageiros, destruindo bens públicos. O pior é que isso é o de menos: em todo o país, salvo raras exceções, a regra é burlar as leis e desobedecer a regras mais simples de convivência, em alguns momentos beirando a pura e simples selvageria. Isso passa por pichações, destruição de monumentos, agressões físicas, desacato e outras transgressões que muitos parecem fazer questão de cometer.
Muitos dizem que é por falha das autoridades, que não fazem sua parte. Isso passa pelo nosso outro grande problema: a acomodação e passividade da população, que espera que o peixe venha a suas mãos ao invés de aprender a pescar. A falta de fiscalização dos cidadãos faz com que os que ora têm o poder sintam-se à vontade para cometer toda sorte de delitos. O superfaturamento da construção das instalações esportivas do Pan de 2007 é um bom exemplo disso. Espero que este fato tenha sido uma lição a ser seguida pela sociedade, para que ela fiscalize detalhadamente os gastos da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Muitos começam a fazer sua parte, prometendo ficar de olho durante os próximos sete anos. Que isso seja a regra, daqui em diante, muito além desse período de tempo.
29.9.09
O PAÍS QUE NÃO TEM PARTIDOS PARA A MAIORIA
Uma mensagem no Twitter me chamou a atenção: "O brasileiro, felizmente, é conservador". O texto que estava anexo confirma essa tendência ao conservadorismo que está na média da população brasileira: contra o aborto, contra a liberalização das drogas, contra o casamento entre homossexuais, a favor da redução da maioridade penal... Esse texto se baseou em outro que lamentava essa tendência seguida por grande parte da população brasileira. Esse tipo de debate informal me fez lembrar de algo que anda oculto, mas mostra bem o nível da política brasileira pós-redemocratização: o "antidireitismo" do movimento partidário brasileiro.
Desde o fim da ditadura militar (1964-1985), há uma certa "satanização" do conservadorismo no Brasil. Isso se reflete nas eleições presidenciais diretas desde então, em que apenas a primeira (a de 1989) contou com a participação de candidatos de direita com chance de vencer. Recentemente, o presidente Lula causou polêmica ao declarar que o pleito de 2010 seria o primeiro sem o que ele chama "trogloditas de direita" (sic), ignorando que a variedade de correntes ideológicas é apenas benéfica para a democracia.
Há dois anos, inspirado por este texto do Serjão (que, por sinal, anda meio sumido), escrevi o que considero uma espécie de "monopólio esquerdista da moral", em que todo e qualquer ato que não seja perpetrado por movimentos "progressistas" é visto como reacionário, enquanto ditaduras comunistas são endeusadas até hoje, e onde prevalecem as máximas dos fins que justificam os meios e dos inimigos dos inimigos que, automaticamente, se tornam amigos e aliados. Curiosamente, o Brasil parece ser o único país da civilização ocidental* em que não estar à esquerda parece ser um crime digno de ser perseguido por toda a vida - o que nos faz voltar à questão do movimento partidário.
Os poucos partidos vistos como direitistas, hoje, ora são insignificantes a ponto de sumirem, ora são arremedos do que chegaram um dia a ser (o PFL, por exemplo, mudou seu nome para DEM em 2006 e, desde então, só faz diminuir de tamanho; já o PP faz parte da base de apoio ao governo Lula). A falta de opções conservadoras no Brasil é tão gritante que o PSDB (partido de centro-esquerda baseado nos movimentos social-democratas europeus) é tratado por esquerdistas como um partido de... direita! Mais recentemente, isso ocorreu com o PPS e o PV, principalmente depois da aliança com os tucanos e, no caso específico dos verdes, da entrada da senadora Marina Silva (AC), saída do PT.
Isto posto, o que falta na política brasileira? Um partido que atenda às necessidades da maioria dos eleitores. Um partido que proponha uma maior valorização da nossa democracia. Que não se dobre a quaisquer imposições de quem quer que seja, venha de quem vier. Que dê o seguinte recado para aqueles que querem bagunçar o que já não está arrumado em nosso país: há limites que têm que ser respeitados, e leis que precisam ser cumpridas. Enfim: um partido conservador de verdade.
* Bolívia, Cuba e Venezuela não contam, evidentemente.
24.9.09
ESSA CORREÇÃO POLÍTICA AINDA VAI ACABAR COMIGO

Vocês devem ter visto o comercial das sandálias Havaianas, em que uma vovó animadinha sugere à neta se envolver sem compromisso com um artista de TV, sem precisar se casar com isso. Um comercial engraçado e divertido, na minha opinião. Mostra que os idosos têm o direito de curtir a vida da melhor forma possível. Mas teve gente que não gostou, reclamou, esperneou, ameaçou tirar o comercial do ar. Os publicitários o fizeram, mantendo-o na Internet e ainda fazendo piada com isso.
Assim, desenvolveu-se mais um capítulo da praga do politicamente correto na mídia brasileira. Algo que vinha se espalhando pelo mundo desde a década passada, mas vem se acentuando ainda mais. Isso passa, por exemplo, pela famigerada classificação indicativa por idade, um verdadeiro atraso para quem sabe distinguir o certo do errado. Tem gente que pensa que espectador brasileiro não tem senso crítico nem pensa por si próprio, acreditando em qualquer coisa que passa na televisão, no cinema ou numa peça teatral. Alguns não sabem, mas basta que esse senso crítico que lhes falta seja desenvolvido através da educação e da experiência de vida.
Ultimamente não se pode fazer piada com nada, que tem gente que se sente ofendida com isso. O caso do comercial de sandálias é bem emblemático. Mas outros comerciais e programas de TV brincam com determinadas minorias e pessoal acha que é preconceito. Assim, o mundo vai se tornando chato e cheio de não-me-toques. Essa correção política toda ainda vai acabar mal.
10.9.09
E AGORA, HEIN?

Há alguns dias, o terror vem dominando a cidade de Salvador, com ataques de grupos criminosos - em represália à transferência de um dos chefões do crime soteropolitano para um presídio no Mato Grosso do Sul. De todo modo, não deixa de ser significativo para um estado como a Bahia, que vê seus índices de violência aumentarem a cada mês, que de nada adiantou se alinhar com o governo federal no tocante à segurança de seus habitantes.
Isso tudo três anos depois de ataques criminosos pelo estado de São Paulo - época da transição do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), que renunciava para concorrer à presidência da República, para o vice Cláudio Lembo (PFL, hoje DEM). Na época, muitos atribuíam à "política tucana para a segurança" a onda de violência; outros, a uma "coligação PT-PCC" para que a campanha tucana fosse prejudicada. Nenhuma das duas ilações adiantou muito: o tucano José Serra foi eleito governador no primeiro turno e Lula foi reeleito presidente. Enfim, houve em São Paulo, naquele 2006, uma balbúrdia que foi maléfica à população paulista e evidenciou nossa impotência frente à bandidagem.
Só quero ver o que vão dizer agora. Pode ser que seja resultado de má política de segurança do governador baiano (o petista Jaques Wagner) ou apenas "uma fase ruim". Mas o fato é que Wagner - também eleito governador no primeiro turno - tem um pepinaço nas mãos. E isso poucos meses depois de enfrentar a maior epidemia de dengue do país no ano. O pior, para os baianos, é constatarem que estão entre o petismo e o carlismo, herança política do falecido coronel político Antônio Carlos Magalhães. Assim, fica difícil achar uma saída.
27.8.09
AH, SE OUTRO ESTIVESSE NO PODER!

Como todos sabemos, o Brasil acaba de assumir a liderança no número absoluto de mortes pela gripe suína (557 até ontem, ultrapassando os Estados Unidos, com 522). Ainda que o número seja proporcionalmente menor que em países como a Argentina, por exemplo, não deixa de ser alarmante a consequência da falta de informação sobre o assunto. Como sempre ocorre em fatos como esse, o Ministério da Saúde parece perdido em informar a população sobre os riscos desse tipo de epidemia; algo semelhante ocorreu em 2002, com a dengue.
Falando nisso, fico imaginando como seria a gritaria do "progressismo" se o presidente da República fosse, por exemplo, Geraldo Alckmin. Em 2002, na época da epidemia nacional de dengue, o presidente era Fernando Henrique Cardoso e seu ministro da Saúde, José Serra (que seria o candidato do governo à Presidência naquele mesmo ano). A então oposição meteu o pau no governo, acusando-o de omissão (algo parecido aconteceria seis anos depois, como podem ler aqui). Lula foi eleito e reeleito, e não se tocou mais no assunto - tanto que a gripe suína chegou com força neste 2009 e o governo não está sendo tão atingido como poderia. Talvez seja por causa da passividade da oposição atual...
De todo modo, imaginemos o seguinte: se Geraldo Alckmin tivesse sido eleito em 2006 e a H1N1 chegasse durante seu mandato, teríamos um chororô nunca antes visto neste país. "Viram só? A direita (sic) não sabe cuidar do povo!" "Bem feito! Se o Lula tivesse sido reeleito, nada disso teria acontecido!" Daí, Alckmin seria chamado de presigripe pra baixo (assim como Serra foi chamado de presidengue em 2002) e teríamos protestos "Fora Alckmin" pipocando Brasil afora.
Mas como Lula é o presidente e o ministro da Saúde se chama José Gomes Temporão, nada acontece. Marasmo total. Repararam a diferença de tratamento entre os que estão dentro e os que estão fora, assim como ocorre quando o contrário acontece? Pois é.

