15.5.12
Santa Obama de Chicago
22.3.12
De massacres e relativizações

O ataque a uma escola judaica na cidade francesa de Toulouse, em que morreram quatro pessoas (três delas crianças), na segunda-feira passada, mostra o quanto insanos estão nossos tempos - e o quanto as pessoas andam relativizando as coisas, se não as escondendo ou mesmo apoiando (ainda que na miúda) atos terroristas como este.
Antes de morrer no cerco policial, o franco-argelino Mohammed Merah afirmou ter "vingado a morte de crianças palestinas" (como se israelenses atirassem indiscriminadamente em civis com o intuito de matá-los, como afirmam certos "progressistas" por aí) e protestado contra a presença de tropas francesas no Afeganistão (alguns dias antes, ele teria matado três militares do país, dois deles muçulmanos como ele). Era o ato final de um sociopata que certamente achava que matar por sua fé seria a solução de todos os seus problemas.
Mas esses lamentáveis fatos infelizmente serão esquecidos a médio prazo, sem a menor sombra de dúvida. Afinal, o Islã radical, mesmo escancaradamente antiocidental e disposto a usar a violência para fazer valer seus "ideais", não está entre as prioridades de segurança do Ocidente, cada vez mais calcado na correção política e na aceitação do multiculturalismo, que mostra não funcionar em grande parte dos países. Ainda por cima, há os relativistas de sempre, que sempre afirmam que enquanto Israel não ceder à chantagem de grande parte de seus vizinhos hostis, ataques como esses irão acontecer - ignorando que esse estado de coisas vem desde antes mesmo de o Estado de Israel ser criado, o que este texto de Reinaldo Azevedo explica com perfeição.
24.8.11
"Mas que diabo há com os jornalistas, que se mostram incapazes de dizer a verdade sobre a Líbia?"
O fato de Kadafi ser um vagabundo desprezível não nos deve impedir de ver os fatos e de reconhecer que se está promovendo o baguncismo na ONU. E seu grande promotor, no momento, chama-se Barack Obama — sem querer deixar chocado o Arnaldo Jabor, claro! —, que, de resto, empreendeu uma guerra contra o então governo reconhecido da Líbia sem autorização do Congresso. George W. Bush, a besta de plantão dos politicamente corretos, não teria chegado tão longe.
E este é o outro elemento de fundo a ser considerado nessa história toda: tirem Obama do comando de uma guerra — que será usada na eleição do ano que vem — e coloquem lá um republicano qualquer, e a grita estaria organizada em escala mundial: “Unilateralista! Autoritário! Imperialista!”. Como é Obama, então não se protesta. O princípio é o seguinte: certas ações são aceitáveis ou inaceitáveis a depender de quem as pratique; alguns teriam licença para violar resoluções da ONU; outros não!
Não, senhores! A minha opinião não é a mesma dos celerados que têm tomado conta do Itamaraty nos últimos anos. Eu não acho que, em nome da autodeterminação dos povos, deve-se permitir que facínoras tiranizem o povo, sem qualquer protesto ou reação. O que acho é que uma resolução das Nações Unidas tem de ser cumprida pelas potências. Afinal, Kadafi está indo para a lata de lixo porque incapaz de viver num mundo civilizado.
Leia o texto completo aqui.
10.8.11
Santiago, Londres
Chile e Grã-Bretanha são democracias representativas sólidas. As instituições funcionam. O sistema oferece os canais para a intervenção da população nos destinos do país. Ocorre que há certa esfera de especulação contra a ordem democrática mundo afora - e a imprensa ocidental, o que é patético, tem tratado com indiscreta simpatia esses "movimentos" porque vê neles um suposto frescor juvenil, oposto às instituições que estariam carcomidas pelo velho jogo de interesses da política tradicional.
Ocorre que é justamente a "velha ordem democrática" que guarda os fundamentos dos direitos individuais, da liberdade de expressão, do respeito ao outro, das garantias contra o arbítrio do Estado. Autoritários de diversos matizes - fascistas de esquerda ou de direita - sabem que esse regime é seu pior inimigo. Ora, se são obrigados a se organizar, a dizer com clareza o que pretendem, a ter o aval de milhares ou de milhões de pessoas para que possam ver aprovada a sua agenda, o mais provável é que sejam derrotados pela maioria. Então tentam se impor pela violência. E tratam governos eleitos democraticamente como se fossem uma ditadura de Mubarak ou de Bashar al-Assad.
Leia o texto completo aqui.
28.7.11
É isso a direita?
A direita europeia tem crescido de maneira exponencial. Seu mantra é a crítica à fraqueza do mundo político ante os imigrantes, à venalidade do Parlamento e à inação em relação à crise econômica. Embora seu discurso não poupe virulência contra muçulmanos, imigrantes e esquerdistas, a maioria dos direitistas da Europa não prega a eliminação física dos seus desafetos nem sai explodindo bombas por aí. Mas isso é irrelevante: para comentaristas de esquerda, Breivik representa o "clima pesado" que a direita "semeou" na Europa. Houve até quem classificasse Breivik como "a cara do terror cristão".
Leia mais aqui.
11.7.11
Você odeia o Chico Buarque?
As pessoas não odeiam Chico. Nem eu. Pelo contrário, gosto de sua obra. Mas para mim, não existem vacas sagradas. Só que por aqui achamos que celebridades devem ser idolatradas sem restrição. E elas se assustam quando encontram alguém que não concorde com elas.
Talvez, se não houvesse essa divisão entre "eles" e "nós" o povo não mostrasse "seu ódio". Estamos apenas fartos de tanta lambeção de saco. Não só no Chico. Mas em todos os ídolos intocáveis que são aplaudidos até quando arrotam.
Leia o texto completo aqui.
16.6.11
A natureza da "solidariedade" aos palestinos
Do Blog de Marcos Guterman:
Como explicar tamanha insensibilidade de gente que se posiciona à “esquerda” e que, portanto, deveria ter como valor primordial a solidariedade aos oprimidos – qualquer oprimido?
Essa “esquerda” tornou-se cinicamente seletiva a partir de Stálin e nunca mais se recuperou. Como se sabe, o antissemitismo travestido de “antissionismo” é invenção stalinista, depois que ficou claro que o Estado de Israel não se alinharia a Moscou, mas aos EUA, apesar dos sionistas socialistas. Stálin, que sempre foi antipático aos judeus e queria aproveitar para fazer mais um de seus expurgos, deflagrou campanha contra o “cosmopolitismo” judaico, inimigo do Estado, o que resultou em prisões em massa e falsos julgamentos. Graças à subserviência de intelectuais esquerdistas de vários países europeus e latino-americanos a tudo o que vinha da URSS, resultou também na disseminação da ideia de que o Estado de Israel era parte de um plano global de dominação capitalista no Oriente Médio. A propaganda soviética afirmava ainda que o sionismo e o nazismo se equivaliam, que os sionistas detinham o poder econômico e midiático internacional e, enfim, que conspiravam secretamente para destruir a liberdade dos povos. Como se vê, todos os elementos do antissemitismo clássico dos séculos 19 e 20 estão presentes no “antissionismo” soviético, alegremente adotado como discurso pela militância esquerdista do século 21.
Texto completo aqui.
13.6.11
Brasil, refúgio da escória do mundo
Ademais, basta usar a lógica para refutar a tese de crime político, como já feito pelo próprio STF: o assassino de Martin Luther King Jr. cometeu um crime político? Ele deveria ter recebido refúgio em algum outro país? Ora, claro que não! E o fazendeiro Bida, que ordenou a morte de Dorothy Stang? Não terá sido aquele um crime político? Se foi, então ele deve ser protegido pelo STF e colocado na rua, não é mesmo? Afinal, é impossível negar que entre as vítimas e seus algozes havia enormes diferenças político-ideológicas, não é mesmo? Seria isso bastante para caracterizar os crimes como tendo sido políticos?
Ora, claro que não! Luther King Jr. e Stang foram vítimas de criminosos comuns, que devem ser tratados como aquilo que são: assassinos vagabundos! Por que com Battisti deveria ser diferente? Notem que pretendo ser bem objetivo, para que não haja dúvida: dependesse de mim, todos os assassinos dessa espécie iriam pra cadeia! É no mundo do progressismo brasileiro que um assassino merece a liberdade, só porque beijou a cruz do esquerdismo.
Texto completo aqui.
10.6.11
"Eu quero ser de esquerda!"
Eu queria acreditar que um outro mundo é possível! Que a burguesia é malvada e os pobres são puros de coração. Só que não acredito, não adianta. A infância passou.
Ser de esquerda é ser eternamente criança, viver em um mundo de fantasia. Curiosamente, a esquerda nos EUA costuma se autointitular "the reality-based community", um título bem bizarro para quem costuma acreditar em unicórnios e paz mundial. A esquerda é incapaz de reconhecer os problemas mais óbvios que a sociedade enfrenta. Por exemplo, como explicar os problemas financeiros da Califórnia sem mencionar as massas de imigração ilegal mexicana? Como não relacionar o consumo de drogas com o crime? A esquerda consegue.
Fui levado à direita pela via do realismo, como aqueles que foram "assaltados pela realidade", por assim dizer. Mas acho que ainda preferia não ter sido assaltado...
Leia o texto completo aqui.
2.6.11
O dom de "reescrever" a História

Todos estamos vendo os esforços do governo federal em colocar nas nossas cabeças que o Brasil nasceu em 2003, assim que Lula colocou a faixa presidencial no peito, não 503 anos antes, com a chegada de Cabral a Porto Seguro. Isso passa pelo veto do ex-presidente da República (1985-1990) e atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), às referências ao impeachment do também ex-presidente (1990-1992) e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) em uma exposição permanente nos corredores do Senado. Quando indagado sobre o fato, Sarney disse que a saída de Collor naquela ocasião, após grande clamor popular que tomou as ruas durante meses e resultante de graves (além de devidamente comprovadas e documentadas) denúncias de corrupção, foi "um acidente" e que "não deveria ter acontecido". A referência ao impeachment seria recolocada na tal exposição, mas o estrago perante a opinião pública mais esclarecida já estava feito.
Ao menos o presidente da casa deixou às claras, sem esconder de ninguém, a nada convincente aliança entre ele, Collor e Lula, provando que os interesses políticos (algo que vem de décadas, senão séculos, em nosso país) estão acima de qualquer coerência - e que a população não se importa em nada com isso, a não ser que comece a faltar dinheiro no bolso e comida na mesa, como acontecia há 19 anos. Assim, fica fácil reescrever a História do país a seu bel prazer, ignorando - quando não negando, mesmo - fatos históricos (ainda que bem recentes e ocorridos em plena era da Internet, como o mensalão).
Dessa forma, Lula começa a pavimentar seu caminho para se candidatar novamente à Presidência já em 2014 - principalmente se a inflação voltar a bater em nossas portas e o desgaste do governo Dilma Rousseff se intensificar, sobretudo com o PMDB, como ocorreu no caso entre o ministro Antônio Palocci e o vice-presidente Michel Temer. Mas que Lula tome muito cuidado: o efeito do Plano Real, depois de 20 anos, já pode ter passado - e sua aura de santidade pode se esvair de vez.
18.3.11
Pelo fim do preconceito contra a direita
por Yashá Gallazzi, no blog Perspectiva Política:
O partido Democratas, numa convenção interna que mais parecia um velório, elegeu o senador José Agripino Maia como seu novo presidente. Agripino veio para ocupar o lugar que foi de Rodrigo Maia.
Em seu primeiro pronunciamento como presidente do DEM, Agripino rejeitou enfaticamente a “pecha de direita”. Coitada da direita… Nada sofre mais preconceito no Brasil do que ela. Negros, índios, mulheres, homossexuais, corintianos e anões canhotos: todos possuem uma ONG para chamar de sua. Todos contam com alguém interessado em lhes representar os interesses. Já a direita, tadinha, está abandonada.
A fala de Agripino vem confirmar algo que sempre falei: não existe uma direita politicamente organizada e eleitoralmente viável no Brasil. Isso acaba por revelar uma das maiores mentiras da história política nacional: PSDB e DEM (ou PFL, como queiram) nunca foram neoliberais. Aliás, nunca foram sequer liberais, quanto mais “neo”… Isso nunca passou de retórica torta, criada pelas esquerdas para aproveitar o – voilá! – preconceito que existe contra a direita no país.
Texto completo aqui.
28.2.11
E eis que adentra a avenida o Bloco dos Politicamente Corretos

Em bem humorada ironia a uma recomendação da prefeitura do Rio em retirar o palavrão do seu nome (substituindo-o por um "M*"), o bloco carnavalesco carioca Que Merda É Essa? decidiu levar para o Carnaval deste ano um protesto contra o insuportavelmente crescente pensamento politicamente correto. Para isso, elegeu como pano de fundo a desnecessária polêmica acerca do quase veto do Ministério da Educação ao livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, acusado de racismo (assunto sobre o qual escrevi aqui). A camiseta, desenhada por Ziraldo, mostra o maior autor brasileiro de livros infantis abraçado a uma mulata, e acompanhado de um cravo, uma rosa e um gato com um pedaço de pau em uma das patas - em comum, o fato de todas as figuras serem vítimas de um pensamento revisionista que, convenhamos, nem deveria ser levado em consideração. Mas eles teimam em querer ser os únicos certos na conversa toda.
Um longo texto na Internet condena Ziraldo pelo simples fato de ter desenhado a tal camiseta (sua autora deve ter ficado calada quando o desenhista começou a se beneficiar da famigerada Bolsa-Ditadura, mas isso não vem ao caso) e desanca Monteiro Lobato, acusando-o de racista e eugenista. Além disso, membros de uma organização em defesa da população negra protestaram contra a apresentação do bloco no Carnaval, durante seu ensaio. Que ninguém duvide, pelo andar da carruagem, que resolvam querer proibir até o próprio Carnaval no futuro.
Todos sabemos que o Carnaval é uma festa politicamente incorreta por sua própria natureza. Só que muitas pessoas desprovidas de qualquer senso de humor acham desrespeito em tudo. Alguém imaginou se, em Carnavais de décadas passadas, os árabes e muçulmanos decidissem reclamar daquelas marchinhas reclamando do calor e clamando "Alá, meu bom Alá"?
(Isso sem falar dos mais radicais - basta vermos o caso daquelas charges dinamarquesas, de cinco anos atrás...)
De lá pra cá, porém, seu maior símbolo - o desfile das escolas de samba - anda abandonando os desfiles irreverentes, grande marca dos anos 80, por exemplo, substituindo-os por enredos de exaltação, geralmente a cidades (quando não simplesmente chapa-branca), e ecologicamente corretos. Salvo raras exceções, os desfiles se tornaram monótonos, mecânicos e obedientes a uma fórmula desgastada, ainda que relativamente nova. Portanto, o último bastião de irreverência no Carnaval está nos blocos. Mas parece que até nisso estão dispostos a mexer. Quem perde com isso são a alegria e a espontaneidade, tão características desta época do ano.
24.2.11
O silêncio dos "progressistas"

Mais uma vez, um ditador está a perigo - no caso, o líbio Muammar Kadafi, que está no poder desde 1969, sendo o líder de um país há mais tempo no cargo (apesar de sua ditadura não ser a mais longa do mundo no momento - esta marca pertence à ditadura cubana dos Castro, no poder há 52 anos). Há relatos de que, na ânsia de continuar no poder, Kadafi tenha mandado bombardear quem protestasse contra seus desmandos. Algo que muitos ditadores pró-americanos fizeram com seus povos em tempos idos - mas que não vem tendo a mesma repercussão por parte dos "progressistas" que pululam por aí. Não é difícil saber o porquê.
Todos sabemos que, salvo raríssimas exceções, esquerdistas têm como mote "Aos amigos, tudo; aos inimigos, a força da Lei". Não importa que Mao Tsé-Tung tenha matado milhões de chineses em nome da Revolução Cultural, ou que Josef Stalin tenha praticado genocídio via fome na Ucrânia, ou que os Castro mandem cubanos pro paredão. Se é aliado dos americanos, que se dane sempre. Vide o caso do ex-ditador Hosni Mubarak no Egito. Quando ele renunciou graças à mobilização popular que ocupou durante dias a Praça Tahrir, no Cairo, o pessoal só faltou ter orgasmos. Isso é compreensível, para quem gosta da democracia plena. O que, definitivamente, não é o caso deles, que silenciam frente às atitudes de Kadafi para permanecer no poder.
É essa a diferença entre os que prezam a democracia e os que dizem ser mais justos: estes têm ditadores de estimação, aqueles não. Pinochet, Videla, Stroessner, Médici combateram comunistas e nem por isso têm a admiração dos democratas de verdade. O que não é seguido por muitos esquerdistas, que costumam idolatrar Castro, Mao, Stalin, Khomeini, entre outros também nunca votados ("menos votados" seria uma piada pronta, convenhamos). Não é exagero nenhum dizer que há uma superioridade moral daqueles nesse assunto. O que deveria, inclusive, ser mais comentado por aí.
7.12.10
Cada um tem os heróis que merece

O caso recente do site WikiLeaks, que vazou informações sigilosas sobre diversos governos e empresas ao redor do planeta, é bem significativo quando percebemos que há gente que, sabe-se lá o porquê, precisa porque precisa de heróis. Afinal, além de muita gente ignorar o teor de muito do conteúdo desses vazamentos (só filtrando o que lhe interessa), já se sabia (ou ao menos desconfiava) da grande parte das informações ali contidas, principalmente em relação ao governo dos Estados Unidos. Também não é novidade o quase apelo de governos árabes por uma intervenção norte-americana ao Irã, tampouco as preocupações com as relações iranianas com países latino-americanos.
A prisão do criador do WikiLeaks, Julian Assange, foi anunciada hoje em Londres. O ex-hacker australiano é acusado de crimes sexuais por promotores suecos. Tais acusações me parecem oportunistas e um tanto infundadas, mas serão julgadas pelas autoridades competentes. O problema é o quase messianismo que se formou em torno do seu nome nessas últimas semanas. Se tais acusações forem comprovadas, não se sabe o que irá acontecer.
2.6.10
DOIS TEXTOS ALTAMENTE EXPLICATIVOS

Na blogosfera, dois textos que merecem a sua atenção e explicam muito a situação do Oriente Médio - e que ainda há muita coisa escondida a respeito da "frota humanitária" que ia a Gaza. Aqui, do Blog do Mr. X, a constatação de que o ódio anti-israelense irá continuar, por mais concessões que o Estado judeu faça - e que, por isso, Israel terá que continuar se defendendo. E aqui, um texto de Reinaldo Azevedo - meio longo, mas que vale a pena ser lido.
18.1.10
O MAIS CIVILIZADO DOS PAÍSES LATINO-AMERICANOS

Não é novidade pra ninguém que o Chile é o país que mais cresce na América Latina - tanto economicamente quanto politicamente. Vinte anos depois do fim da ditadura de Augusto Pinochet, uma das mais longas e sangrentas da região, o país banhado pelo Oceano Pacífico vem mantendo índices significativos de desenvolvimento, o que influi na qualidade de vida da população. Na política, os chilenos mostram que não embarcaram na onda populista que anda varrendo o território latino-americano nos últimos anos. Neste domingo, o empresário Sebastián Piñera, opositor da presidente Michelle Bachelet, foi eleito presidente no segundo turno, derrotando o candidato da situação, o ex-presidente Eduardo Frei (1994-2000), penúltimo antes da posse de Bachelet - não há reeleição no Chile.
Piñera é o primeiro político de origem conservadora a ser eleito presidente do Chile desde o fim da Era Pinochet (1973-1990) - Frei e Bachelet, além dos ex-presidentes Patricio Aylwin (1990-1994) e Ricardo Lagos (2000-2006), tinham tendência de esquerda. O presidente eleito tinha perdido para a própria Bachelet nas eleições de 2006. Os quatro presidentes do país nos últimos 20 anos seguiram à risca a política econômica aplicada nos últimos anos da ditadura, fazendo com que o país tenha crescimento vigoroso - algo parecido com o que ocorre aqui no Brasil, em relação às políticas econômicas dos governos FHC e Lula. Ao contrário do que poderá ocorrer por aqui, porém, a sucessão acabou sendo até de certa forma tranquila e civilizada.
Michelle Bachelet não se intrometeu na sucessão presidencial. Sabe que fez um bom governo e que a população lhe será grata, tanto que tem índices altíssimos de aprovação. Mesmo assim, o eleitorado chileno não considerou sua administração perfeita (nenhuma é, dizendo a verdade) e elegeu um opositor como seu sucessor. Como diz Orlando Tambosi, venceu a democracia. Isso serve de exemplo para o eleitorado brasileiro, que irá às urnas em outubro e precisa agir de acordo com a sua consciência. O grande temor, porém, é que o governo atual acabe influindo na eleição, não querendo largar o osso de jeito nenhum. Basta lermos o texto abaixo para que se tenha uma ligeira ideia do que digo.
30.12.09
O PROBLEMA É NÃO QUERER DAR NOME AOS BOIS

Bom questionamento o do colega blogueiro Mr. X, em texto escrito esta semana. A recusa da sociedade em aceitar que a grande maioria dos atentados terroristas em todo o mundo é cometida por muçulmanos, em nome de um famigerado pensamento politicamente correto, era o que faltava para a insegurança mundial se firmar de vez.
O pior é vermos que tem gente que teima em afirmar que atentados ocorrem por causa de "injustiças sociais". O terrorista que tinha uma bomba na cueca (pelo visto, conseguiram arranjar uma outra utilidade pras roupas de baixo masculinas) e não conseguiu explodir um avião que fazia o voo Amsterdã-Detroit, um raro caso de "ex-homem-bomba", é filho de um banqueiro nigeriano, um dos mais ricos de seu país, e morava num bairro chique de Londres. Portanto, não são exatamente a miséria e o desespero que movem os terroristas.
Claro, não podemos generalizar. Lógico que há muçulmanos moderados que condenam a violência e querem conviver pacificamente com seus semelhantes. Mas é em momentos como esse que eles parecem simplesmente desaparecer. Isso só aumenta a sensação de que haverá um gigantesco choque de civilizações, mais cedo ou mais tarde.
29.9.09
O PAÍS QUE NÃO TEM PARTIDOS PARA A MAIORIA
Uma mensagem no Twitter me chamou a atenção: "O brasileiro, felizmente, é conservador". O texto que estava anexo confirma essa tendência ao conservadorismo que está na média da população brasileira: contra o aborto, contra a liberalização das drogas, contra o casamento entre homossexuais, a favor da redução da maioridade penal... Esse texto se baseou em outro que lamentava essa tendência seguida por grande parte da população brasileira. Esse tipo de debate informal me fez lembrar de algo que anda oculto, mas mostra bem o nível da política brasileira pós-redemocratização: o "antidireitismo" do movimento partidário brasileiro.
Desde o fim da ditadura militar (1964-1985), há uma certa "satanização" do conservadorismo no Brasil. Isso se reflete nas eleições presidenciais diretas desde então, em que apenas a primeira (a de 1989) contou com a participação de candidatos de direita com chance de vencer. Recentemente, o presidente Lula causou polêmica ao declarar que o pleito de 2010 seria o primeiro sem o que ele chama "trogloditas de direita" (sic), ignorando que a variedade de correntes ideológicas é apenas benéfica para a democracia.
Há dois anos, inspirado por este texto do Serjão (que, por sinal, anda meio sumido), escrevi o que considero uma espécie de "monopólio esquerdista da moral", em que todo e qualquer ato que não seja perpetrado por movimentos "progressistas" é visto como reacionário, enquanto ditaduras comunistas são endeusadas até hoje, e onde prevalecem as máximas dos fins que justificam os meios e dos inimigos dos inimigos que, automaticamente, se tornam amigos e aliados. Curiosamente, o Brasil parece ser o único país da civilização ocidental* em que não estar à esquerda parece ser um crime digno de ser perseguido por toda a vida - o que nos faz voltar à questão do movimento partidário.
Os poucos partidos vistos como direitistas, hoje, ora são insignificantes a ponto de sumirem, ora são arremedos do que chegaram um dia a ser (o PFL, por exemplo, mudou seu nome para DEM em 2006 e, desde então, só faz diminuir de tamanho; já o PP faz parte da base de apoio ao governo Lula). A falta de opções conservadoras no Brasil é tão gritante que o PSDB (partido de centro-esquerda baseado nos movimentos social-democratas europeus) é tratado por esquerdistas como um partido de... direita! Mais recentemente, isso ocorreu com o PPS e o PV, principalmente depois da aliança com os tucanos e, no caso específico dos verdes, da entrada da senadora Marina Silva (AC), saída do PT.
Isto posto, o que falta na política brasileira? Um partido que atenda às necessidades da maioria dos eleitores. Um partido que proponha uma maior valorização da nossa democracia. Que não se dobre a quaisquer imposições de quem quer que seja, venha de quem vier. Que dê o seguinte recado para aqueles que querem bagunçar o que já não está arrumado em nosso país: há limites que têm que ser respeitados, e leis que precisam ser cumpridas. Enfim: um partido conservador de verdade.
* Bolívia, Cuba e Venezuela não contam, evidentemente.
22.9.09
MAIS UM CAPÍTULO DA SÉRIE "OS MICOS DO ITAMARATY"

No meio do ano, o então presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi deposto do poder por querer mudar a Constituição do país, para que pudesse concorrer a um novo mandato presidencial, contrariando as leis locais. Na época, escrevi que mesmo medidas antipáticas poderiam ser necessárias para garantir a democracia, desde que ela fosse respeitada, para que não se repetisse o que ocorreu no Brasil em 1964, por exemplo.
Pois bem: o ex-presidente hondurenho é um notório aliado do bloco liderado pelo venezuelano Hugo Chavez, e que conta com o apoio de Lula. E este, através do governo brasileiro, anda abusando do direito de se intrometer em assuntos internos de outro país. Nesta semana, Zelaya se refugiou (o governo do Brasil não usa a palavra "refugiar", por considerar que Zelaya ainda é o presidente de Honduras) na embaixada brasileira em Tegucigalpa. O atual governo, pressionando os brasileiros, cortou água e luz da embaixada, cercando-a para que Zelaya seja entregue.
Independentemente de os lados da questão estarem certos ou errados, o fato é que o caso é mais um desastre na política interna brasileira desde que Lula assumiu a Presidência da República. Nem é preciso enumerar o número de derrapadas diplomáticas de origem ideológica que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, cometeu, fracassando redondamente em todas elas (a mais recente foi na eleição para a secretaria-geral da Unesco, em que, de olho nas relações com o mundo árabe, apoiou o polêmico egípcio Farouk Hosni, de tendências antissemitas, em detrimento de dois brasileiros que eram fortes candidatos ao cargo - a vencedora foi a búlgara Irina Bokova), assim como é desnecessário ressaltar o quanto o Brasil, embarcado num pretenso antiamericanismo, colocou-se na rabeira da ordem mundial, apoiando ditaduras (quase todas de esquerda, antiamericanas ou antissemitas) e condenando democracias.
Quase um quarto de século depois da volta de um regime democrático ao Brasil (fará 25 anos em 15 de março de 2010, com o fim do regime militar), esse mesmo regime está seriamente ameaçado. Pior: por muitas das vítimas da própria ditadura. Existe o sério risco de não haver a menor possibilidade de escapar desse trágico destino.
6.9.09
ALFREEEEEEEEEDOOOOO!!!!!!!

Como estamos todos carecas de saber, há cinquenta anos Cuba vive uma ditadura. Como ocorre em toda e qualquer ditadura, há cerceamento das liberdades, partido e pensamento únicos, brigas externas e falta de suprimentos. Entre eles, está o papel higiênico, cuja ausência anda crônica na ilha caribenha.
Ah, sim: um único jornal circula em Cuba, o Granma - órgão oficial do Partido Comunista Cubano. Ninguém mais anda lendo o que o ex-ditador Fidel Castro anda dizendo por esses dias, mesmo porque há pouquíssimos interessados nisso hoje. Mas, estranhamente, as vendas de edições atuais, recentes e antigas do Granma andam aumentando entre os cubanos. Leitores vorazes de última hora? Colecionadores excêntricos? Nada disso! É só voltar ao assunto que fechou o primeiro parágrafo.
Além do Granma, anda fazendo sucesso entre os cubanos o mais novo lançamento literário do ex-ditador - afinal, suas folhas são macias e não provocam muita dor durante o seu uso. Enfim, acharam uma utilidade plausível para tão doces palavras escritas em prol de "um novo mundo possível" - seja lá o que isso for.
