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| Foto: Reuters |
5.11.12
O furacão eleitoral norte-americano
15.5.12
Santa Obama de Chicago
22.3.12
De massacres e relativizações

O ataque a uma escola judaica na cidade francesa de Toulouse, em que morreram quatro pessoas (três delas crianças), na segunda-feira passada, mostra o quanto insanos estão nossos tempos - e o quanto as pessoas andam relativizando as coisas, se não as escondendo ou mesmo apoiando (ainda que na miúda) atos terroristas como este.
Antes de morrer no cerco policial, o franco-argelino Mohammed Merah afirmou ter "vingado a morte de crianças palestinas" (como se israelenses atirassem indiscriminadamente em civis com o intuito de matá-los, como afirmam certos "progressistas" por aí) e protestado contra a presença de tropas francesas no Afeganistão (alguns dias antes, ele teria matado três militares do país, dois deles muçulmanos como ele). Era o ato final de um sociopata que certamente achava que matar por sua fé seria a solução de todos os seus problemas.
Mas esses lamentáveis fatos infelizmente serão esquecidos a médio prazo, sem a menor sombra de dúvida. Afinal, o Islã radical, mesmo escancaradamente antiocidental e disposto a usar a violência para fazer valer seus "ideais", não está entre as prioridades de segurança do Ocidente, cada vez mais calcado na correção política e na aceitação do multiculturalismo, que mostra não funcionar em grande parte dos países. Ainda por cima, há os relativistas de sempre, que sempre afirmam que enquanto Israel não ceder à chantagem de grande parte de seus vizinhos hostis, ataques como esses irão acontecer - ignorando que esse estado de coisas vem desde antes mesmo de o Estado de Israel ser criado, o que este texto de Reinaldo Azevedo explica com perfeição.
3.2.12
Teria a chamada Primavera Árabe valido a pena?

Isso tudo nos faz pensar se a mobilização popular em torno de uma pretensa democratização do país valeu a pena. A chamada Primavera Árabe, nome dado à onda de protestos contra as diversas ditaduras da região, parece não acontecer da forma que poderia, por sinal. Apenas a Tunísia parece progredir um pouco, até por ter sido o país que começou essa onda. Na Líbia, Kadafi foi deposto e assassinado pelos rebeldes apoiados pela OTAN, mas o que vem depois se assemelha à Al-Qaeda de Bin Laden na época da ocupação soviética no Afeganistão. Já não se fala mais no Barein e no Iêmen, que andam esquecidos. Na Síria, Bashar al-Assad não dá sinais de trégua no massacre de dissidentes. Mas o Egito parece ser o fracasso mais épico: Mubarak renunciou, mas os militares continuaram no poder e não parecem dispostos a ceder - uma amostra disso o mundo inteiro viu na quarta-feira passada.
19.1.12
O pró-terrorismo "humanista" não é novidade alguma
Sim, essa é uma notícia velha. Mas não deixa de ser bem significativa de que, para muitos "progressistas" brasileiros, os fins sempre justificam os meios. Esta reportagem foi tirada da edição da revista Veja, de 26 de dezembro de 1984. Falava sobre a viagem de três vereadores cariocas (dois do PDT de Brizola e a petista e futura deputada federal, senadora e governadora Benedita da Silva) a Buenos Aires, para conceder o título de cidadão honorário do Rio ao ex-líder terrorista argentino Mario Firmenich, preso àquela ocasião (clique na imagem para vê-la melhor).
Detalhe: isso tudo contra a opinião dos próprios argentinos, que o viam como um criminoso comum. Firmenich comandava o grupo terrorista de extrema-esquerda Montoneros, que, como tantos grupos da época, queria estabelecer um Estado comunista em seu país. A grande parte dos ataques (incluindo o sequestro e a execução do ex-ditador Pedro Aramburu, que governou o país nos anos 1950) foi feita num período imediatamente anterior à ditadura militar argentina (1976-1983), que desbarataria o grupo. A democracia argentina, restabelecida no ano anterior à viagem dos vereadores, acertadamente não perdoou o guerrilheiro. Mas todos sabemos, desde aquela época, que PT e PDT são PT e PDT...
Nunca tinha ouvido falar nesse caso até ontem à noite, quando navegava pela rede. Assim que soube, fiz questão de mostrar que a tolerância e a tendência à imputação de heroísmo a criminosos estão entranhadas em muitos esquerdistas brasileiros desde sempre. O detalhe é que naquela época, eles eram oposição. Agora que são governo, a situação se tornou previsivelmente pior. Estão aí o caso Battisti e a recusa em impor uma lei antiterrorismo ao Brasil que não me deixam mentir.
10.1.12
A alegria dos "alternativos"

Enquanto isso, nos Estados Unidos, mesmo fazendo o pior governo desde Jimmy Carter (1977-1981), Barack Obama segue com a expectativa de se reeleger presidente do país - isso tudo graças única e exclusivamente à incompetência da oposição republicana, pau a pau com a brasileira neste aspecto. De todos os pré-candidatos do Partido Republicano nas eleições de novembro próximo, apenas Mitt Romney parece digno de nota. Mesmo assim, cercado de desconfianças. Ou seja, é iminente haver mais quatro anos do pouco tino obamista na condução dos destinos do Ocidente. O que faz os "alternativos", os que creem num outro mundo possível, se ouriçarem por mais um quadriênio por cima da carne seca.
19.12.11
Coreia do Norte, comunismo de opereta

O anúncio da morte do ditador norte-coreano Kim Jong-Il neste domingo, um dia depois de seu acontecimento, é mais um capítulo na história de um dos países mais, digamos, exóticos do planeta. A Coreia do Norte, duas décadas depois da derrocada do comunismo, ainda sobrevive como o último grande bastião da Guerra Fria, sendo mais realista que o rei em inúmeros momentos (visto que até a China, sua aliada histórica, adota um mercado capitalista mesmo sem abrir mão do regime de partido único).
A República Democrática (sic) e Popular da Coreia surgiu da própria Guerra Fria, como resultado da divisão da Península da Coreia no ano de 1948, pouco tempo depois da Segunda Guerra Mundial e da desocupação do Japão, em que a parte norte ficou sob influência da União Soviética, e a parte sul (República da Coreia, ou simplesmente Coreia do Sul), dos Estados Unidos. Os dois países se enfrentaram na Guerra da Coreia (1950-1953), sem assinar nenhum tratado de paz depois disso. Com o passar dos anos, as diferenças entre os países e suas respectivas filosofias se acentuaram: enquanto a Coreia do Sul avançava e progredia, sendo um dos países mais desenvolvidos do mundo atual (muito em parte devido aos maciços investimentos em tecnologia e educação de qualidade), a Coreia do Norte concentrava seus esforços meramente em autodefesa, tendo um dos maiores exércitos do mundo e uma enorme quantidade de ogivas nucleares, além de ter uma das maiores concentrações de riqueza e um dos mais altos índices de miséria de que se tem notícia.
Não bastasse isso tudo, o regime norte-coreano levanta ao restante do mundo sérias dúvidas acerca da sanidade mental de seus comandantes. Desde a criação do país, a mesma família comanda o governo (o que lembra uma monarquia absolutista), calcado no culto à personalidade, expediente tipicamente comunista levado às últimas consequências. Kim Jong-Il chegou ao poder em 1994, substituindo o seu pai Kim Il-Sung (líder durante 46 anos), falecido naquele mesmo ano. Tudo indica que será sucedido por seu filho caçula Kim Jong-Un, já que os demais não parecem demonstrar interesse em assumir o poder.
Visto sob a ótica dos dias de hoje, o comunismo já não é considerado algo sério. Mas o que ocorre na Coreia do Norte chega a ser surreal. É um comunismo de opereta, uma reles caricatura do que acontecia na antiga União Soviética - principalmente na época de Stálin, falecido no mesmo ano em que a Guerra da Coreia (o mais próximo do que seria um conflito bélico entre norte-americanos e soviéticos, o que só se repetiria em vários conflitos no Oriente Médio nas duas décadas seguintes) se encerrou. O país pertencente aos Kim parece viver nos anos 1950 ou 1960, em pleno início do século XXI. Comparado ao rico vizinho do sul ou a algumas regiões da China, então, chega a dar vergonha.
21.11.11
Um mês se passou, e nada mudou

Um exemplo? Simples. A chamada Primavera Árabe, que desde o começo não dava a mim muita confiança de que desse certo, ainda que fosse louvável a tentativa de democratização de sociedades acostumadas a séculos de ditaduras e tiranias de toda espécie. Apenas na Tunísia, a meu ver, é que as coisas parecem estar caminhando - com restrições, que fique bem claro. Na Líbia, desde o assassinato do ex-ditador Muammar Kadafi, não há expectativas de que ocorra uma maior laicidade no processo transitório, o que dá a impressão de que a OTAN, que se esforçou tanto (ou mais) para derrubar o antigo regime líbio quanto para conter o genocídio de kosovares causado pelo iugoslavo Slobodan Milosevic em 1999, comprou gato por lebre desta vez - a morte de Kadafi foi uma boa mostra do que o novo regime líbio promete ser. Na Síria, o regime de Bashar al-Assad não se cansa de tocar o terror em sua própria população. No Barein e no Iêmen, o clima segue tenso, apesar de não terem mais tocado no assunto ultimamente. E no Egito, o "novo" regime - que sucede provisoriamente (pelo menos é o que dizem) o do ex-ditador Hosni Mubarak - parece lembrar bastante o anterior, até mesmo na paranoia e na perseguição a minorias, inclusive cristãos coptas. Se bem que os egípcios desconhecem a democracia desde a época dos faraós...
Enfim, é isso. Até o próximo texto, que pode ser tanto amanhã quanto só no mês que vem. A única coisa certa é que nada vai mudar, só pra variar.
21.10.11
Sobre ministros, partidos políticos e incongruências da democracia

Na Europa, muitos sofreram com o comunismo e, por isso, as agremiações ultraesquerdistas são geralmente malvistas. Porém, muitos latino-americanos parecem parados nos anos 1960 e ainda nutrem admiração por Cuba - alguns deles, por sinal, estão no governo brasileiro. Tanto no mundo real quanto no virtual, vejo muitos cidadãos chocados com o fato de um partido com a trajetória do PCdoB estar envolvido em casos como esse. Na minha visão, o "Outro Partidão" (o original é o PCB, felizmente apenas uma sigla irrelevante) está apenas mostrando sua verdadeira cara - a de um partido como outro qualquer, só que com a máscara arrancada de forma vexatória, diante da opinião pública.
22.9.11
Sigam tentando, palestinos

Está em curso mais uma Assembleia da ONU, em Nova Iorque, e a grande questão é a criação ou não de um Estado palestino independente. Escora-se em parte na chamada Primavera Árabe, que derrubou ditaduras na Tunísia e no Egito e quer fazer o mesmo na Líbia, na Síria e no Iêmen, mas ainda não mostrou a que veio no que se refere a convivência com países e povos não muçulmanos. O Egito é uma prova disso, com o esfriamento de suas relações com Israel e a crescente perseguição a cristãos em seu território, fatos intensificados depois da renúncia do ditador Hosni Mubarak.
Já foi mostrado aqui, inúmeras vezes, que os palestinos têm que se preparar para conseguir sua independência com muitas negociações com os vizinhos israelenses - que também têm que fazer sua parte, na questão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Da forma unilateral que os palestinos querem sua autonomia plena, levando à votação na ONU, certamente não irá funcionar, já que isso terá que ser levado ao Conselho de Segurança, que não pode ter nenhum veto - e a tendência é que os Estados Unidos, aliados históricos de Israel, acabem vetando a independência palestina.
O que é perfeitamente compreensível, já que ainda há muito a ser negociado. Por exemplo: o status de Jerusalém, cuja parte oriental os palestinos querem como a capital de seu futuro Estado, mas que os israelenses consideram eternamente indivisível desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967 (antes dela, a parte oriental da cidade era controlada pela Jordânia, e os judeus eram proibidos de chegar ao Muro das Lamentações, local sagrado); os refugiados palestinos; os próprios assentamentos judaicos na Cisjordânia; os foguetes enviados de Gaza pelo grupo terrorista Hamas, que não aceita negociação de forma alguma. Ou seja: mesmo depois de tanto tempo, ainda é cedo para os palestinos reivindicarem independência. Depois de 63 anos, seguem colhendo o que plantaram, já que recusaram a partilha feita pela ONU e levada em prática em 1948, tentando impedir a independência de Israel, sem sucesso. Mas ainda há a esperança de que, um dia, eles tomem jeito. De uma maneira ou outra, eles aprendem.
13.9.11
Chega de igualdade!
O grande mal da era moderna é com certeza o igualitarismo. Liberdade e fraternidade, tudo bem. Agora, igualdade é uma quimera. Salvo a igualdade perante a lei, essa sim imprescindível, e uma relativa igualdade de oportunidades, o resto é impossível de obter. Não somos todos iguais, nem tudo é igual a tudo. E por que deveria ser?
Se todas as religiões são iguais, por que alguns fanáticos religiosos se explodem frequentemente e outros não? Se todas as etnias/povos são iguais, por que se notam tantas diferenças práticas entre os grupos humanos? Se todas as culturas são iguais, para que precisamos de "multiculturalismo"? Se todas as formas de relacionamento sexual são iguais, por que alguns conseguem se reproduzir biologicamente e outros não?
Mas nem importa que as pessoas sejam diferentes se forem tratadas de forma igual, mas não é isso o que acontece. O que se quer é alavancar uns e bloquear outros de modo a que o resultado entre eles seja igual. A "igualdade" de que falo aqui é a que quer impor cotas raciais ou estabelecer territórios para grupos étnicos específicos; é a que julga que criminosos devem ter mais direitos do que vítimas de crimes; a que quer que todos ganhem o mesmo independentemente do seu esforço ou talento; e assim por diante.
Leia o texto completo aqui.
2.9.11
Se a Turquia não sabe brincar, que não desça pro play
Relatório da ONU sobre o ataque da Marinha de Israel ao barco turco Mavi Marmara, divulgado nesta semana, relatou que a ação israelense foi excessiva para tentar conter a embarcação que, supostamente, levava ajuda humanitária da Turquia à Faixa de Gaza. Apesar disso, o relatório não apontou quaisquer falhas no que se referia à defesa israelense em águas territoriais, e que o bloqueio a Gaza está dentro das normas internacionais.
Entretanto, apesar das restrições do relatório da ONU à ação israelense, a Turquia não está satisfeita. Em protesto contra o que considera uma pena branda demais (o documento exorta Israel a declarar seu pesar pela ação e a pagar indenizações às famílias dos mortos), o governo turco decidiu expulsar de Ancara os diplomatas israelenses acima do nível de segundo secretário. Algo que muitos poderiam classificar de protesto diplomático, mas prefiro qualificar como pura e simples pirraça, mesmo.
É até compreensível que a Turquia (oficialmente laica) se sinta atingida em seus sentimentos - primeiramente com o caso da flotilha "humanitária", e agora com esse relatório com ares de derrota judicial. Mas ninguém mandou radicalizar o discurso, praticamente abandonando sua histórica laicidade política e adotando um discurso religioso. O atual primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, é de um partido islamista e tem fama de ser mais linha-dura que qualquer um que tenha passado pelo cargo nas últimas décadas. Mas parece que os altos índices de popularidade o fizeram imaginar que poderia alcançar qualquer coisa que estivesse ou não em suas mãos. Comportamento, por sinal, muito parecido com o de um certo ex-presidente de um país da América do Sul...
O governo turco exige um pedido formal de desculpas por parte de Israel. Os governantes israelenses, obviamente, sequer cogitam essa hipótese. Além do mais, antes de exigirem que outro país peça perdão, os turcos deveriam primeiramente olhar para o próprio rabo. Nem falo sobre o genocídio armênio do começo do século passado, pois pra eles isso nem existiu - guardadas todas as devidas proporções, seria o mesmo que a Alemanha negar o Holocausto nazista. Mas houve algo bem recente e posterior a qualquer problema que Israel tenha tido com os palestinos: o bombardeio da Turquia a curdos no norte do Iraque. Algo que não está sendo divulgado como deveria, diga-se de passagem. Mas se fosse uma ação israelense contra habitantes de Gaza, da Cisjordânia ou mesmo do sul do Líbano, certamente seria bem diferente.
24.8.11
"Mas que diabo há com os jornalistas, que se mostram incapazes de dizer a verdade sobre a Líbia?"
O fato de Kadafi ser um vagabundo desprezível não nos deve impedir de ver os fatos e de reconhecer que se está promovendo o baguncismo na ONU. E seu grande promotor, no momento, chama-se Barack Obama — sem querer deixar chocado o Arnaldo Jabor, claro! —, que, de resto, empreendeu uma guerra contra o então governo reconhecido da Líbia sem autorização do Congresso. George W. Bush, a besta de plantão dos politicamente corretos, não teria chegado tão longe.
E este é o outro elemento de fundo a ser considerado nessa história toda: tirem Obama do comando de uma guerra — que será usada na eleição do ano que vem — e coloquem lá um republicano qualquer, e a grita estaria organizada em escala mundial: “Unilateralista! Autoritário! Imperialista!”. Como é Obama, então não se protesta. O princípio é o seguinte: certas ações são aceitáveis ou inaceitáveis a depender de quem as pratique; alguns teriam licença para violar resoluções da ONU; outros não!
Não, senhores! A minha opinião não é a mesma dos celerados que têm tomado conta do Itamaraty nos últimos anos. Eu não acho que, em nome da autodeterminação dos povos, deve-se permitir que facínoras tiranizem o povo, sem qualquer protesto ou reação. O que acho é que uma resolução das Nações Unidas tem de ser cumprida pelas potências. Afinal, Kadafi está indo para a lata de lixo porque incapaz de viver num mundo civilizado.
Leia o texto completo aqui.
22.8.11
Mudarão apenas as moscas?
Parece cada vez mais iminente a queda do ditador líbio Muammar Kadafi, após os rebeldes que lutam há meses contra o regime se aproximar da capital Trípoli, com a ajuda das tropas da OTAN. Com isso, 42 anos de uma das mais sanguinárias ditaduras do norte africano estão próximos do fim. Mas uma pergunta se faz necessária: o que será da Líbia depois de Kadafi?
Afinal, muita gente está escaldada com os inúmeros acontecimentos que costuma haver em momentos como este, tanto entre os árabes quanto entre os próprios africanos. O temor é que haja apenas a troca de uma ditadura antiocidental por outra, pró-Ocidente (como ocorreu várias vezes ao contrário, como em Cuba e no Irã, que não pertencem a nenhum dos dois mundos citados). Os fatos recentes no próprio mundo árabe, quando as ditaduras do Egito e da Tunísia caíram sem que ainda houvesse planejamento de transição para um regime democrático, apenas corroboram esse medo geral; em diversos outros países árabes, como Barein, Iêmen e Síria, que vêm sofrendo convulsões populares e até mesmo massacres de civis, também existe o medo de que as revoltas populares não deem em nada, no final das contas.
Para falar a verdade, poucos ocidentais acreditam que saia algum regime democrático e que respeite as individualidades e as liberdades civis na Líbia, assim que a queda de Kadafi for consumada. Ninguém por lá conhece algo que se aproxime de uma democracia, e décadas serão necessárias até que os cidadãos líbios comecem a se acostumar. No Iraque, quando Saddam Hussein caiu, a balbúrdia tomou conta das ruas do país e até hoje existe certa apreensão, apesar da relativa calma. Porém, do jeito que inexiste uma cultura libertária em território líbio, o mais provável é que as moscas apenas mudem, mas por lá ficará tudo a mesma coisa.
19.8.11
Se os palestinos querem terra, que deem a paz primeiro
Os ataques perpetrados por terroristas palestinos de Gaza ao sul de Israel, nesta quinta-feira, mostram que ainda há muito a fazer se eles quiserem ser reconhecidos a pleno como independentes no mês que vem, na Assembleia Geral da ONU. Basicamente é assim: se querem a soberania, que se responsabilizem por qualquer ato de seus cidadãos. Não haverá - e isso Israel deixa bem claro - qualquer negociação enquanto atentados contra civis estiverem em curso.
Mas como querer que os palestinos se entendam com os israelenses se não conseguem se entender nem entre eles próprios? O ditador sírio Bashar al-Assad, por exemplo, segue massacrando indiscriminadamente a parcela da população que protesta contra seu governo, segundo relatos. Entre as vítimas, vários de origem palestina, massacrados em Latakia. Enquanto o moderado Fatah, que controla a Cisjordânia, condena o regime sírio qualificando os ataques de crime contra a Humanidade, o radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza e cujo líder mora em Damasco, diz desconhecer o fato.
10.8.11
Santiago, Londres
Chile e Grã-Bretanha são democracias representativas sólidas. As instituições funcionam. O sistema oferece os canais para a intervenção da população nos destinos do país. Ocorre que há certa esfera de especulação contra a ordem democrática mundo afora - e a imprensa ocidental, o que é patético, tem tratado com indiscreta simpatia esses "movimentos" porque vê neles um suposto frescor juvenil, oposto às instituições que estariam carcomidas pelo velho jogo de interesses da política tradicional.
Ocorre que é justamente a "velha ordem democrática" que guarda os fundamentos dos direitos individuais, da liberdade de expressão, do respeito ao outro, das garantias contra o arbítrio do Estado. Autoritários de diversos matizes - fascistas de esquerda ou de direita - sabem que esse regime é seu pior inimigo. Ora, se são obrigados a se organizar, a dizer com clareza o que pretendem, a ter o aval de milhares ou de milhões de pessoas para que possam ver aprovada a sua agenda, o mais provável é que sejam derrotados pela maioria. Então tentam se impor pela violência. E tratam governos eleitos democraticamente como se fossem uma ditadura de Mubarak ou de Bashar al-Assad.
Leia o texto completo aqui.
9.8.11
Cada época tem os "rebeldes" que merece
Os atos de vandalismo que tomam as ruas de Londres há quase uma semana fazem pensar numa coisa: os jovens de hoje andam meio mimadinhos ultimamente, ou será que estou errado?
Afinal de contas, parece-me mais um mero pretexto para fazer vandalismo e saquear lojas e depósitos de fábricas, roubando o que veem pela frente e que tenham o maior valor possível, do que um simples protesto. Muito diferente de protestos contra violência policial em tempos idos, como os ocorridos na própria capital britânica três décadas atrás. O que é altamente representativo dos tempos atuais, em que a ostentação e o complexo de novo-rico andam prevalecendo.
Os atos de selvageria (certamente feitos por descendentes de imigrantes africanos e de países de maioria muçulmana que se beneficiaram dos tempos politicamente corretos do governo britânico) são fonte de preocupação, já que Londres receberá os Jogos Olímpicos daqui a menos de um ano. Certamente os londrinos tomarão providências quanto à segurança para receber o mundo inteiro em julho de 2012. Mas já pensou se fosse no Rio em 2015? Certamente questionariam nossa capacidade, ao contrário do que fazem agora em relação aos ingleses.
28.7.11
É isso a direita?
A direita europeia tem crescido de maneira exponencial. Seu mantra é a crítica à fraqueza do mundo político ante os imigrantes, à venalidade do Parlamento e à inação em relação à crise econômica. Embora seu discurso não poupe virulência contra muçulmanos, imigrantes e esquerdistas, a maioria dos direitistas da Europa não prega a eliminação física dos seus desafetos nem sai explodindo bombas por aí. Mas isso é irrelevante: para comentaristas de esquerda, Breivik representa o "clima pesado" que a direita "semeou" na Europa. Houve até quem classificasse Breivik como "a cara do terror cristão".
Leia mais aqui.
27.7.11
O terrorismo é um mal, não importa de onde venha

Responda: o que leva um sujeito bem nascido e criado em um dos países mais pacíficos e desenvolvidos do planeta a cometer um ato insano de tal forma que traumatize esse país? Não consigo pensar em outra coisa senão pura e simples sociopatia, ou o terrorismo cometido pelo norueguês Anders Behring Breivik na região de Oslo, semana passada, não teria qualquer outra explicação convincente.
O maior atentado cometido na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial fere toda a calmaria que existe no país escandinavo - para se ter uma ideia, praticamente não existem leis mais severas contra crimes comuns, e a pena máxima para delitos graves costuma ser de 21 anos de prisão, nove anos a menos que a do Brasil, que já tem uma legislação considerada branda demais.
Manifestos escritos pelo ultradireitista Breivik revelam o combate a políticas de imigração e ao crescimento do islamismo na região, considerando-se que estes eram incentivados pelo atual governo, de centro-esquerda. Tudo leva a crer que Breivik planejou e agiu sozinho, visto que ainda não há provas de seu envolvimento com movimentos de extrema-direita. De todo modo, não deixa de ser terrível que todo um país acabe sacudido por um demente que resolve destruir vidas inocentes, aparentemente sem motivo algum, ameaçadoramente ferindo a sólida democracia norueguesa.
16.6.11
A natureza da "solidariedade" aos palestinos
Do Blog de Marcos Guterman:
Como explicar tamanha insensibilidade de gente que se posiciona à “esquerda” e que, portanto, deveria ter como valor primordial a solidariedade aos oprimidos – qualquer oprimido?
Essa “esquerda” tornou-se cinicamente seletiva a partir de Stálin e nunca mais se recuperou. Como se sabe, o antissemitismo travestido de “antissionismo” é invenção stalinista, depois que ficou claro que o Estado de Israel não se alinharia a Moscou, mas aos EUA, apesar dos sionistas socialistas. Stálin, que sempre foi antipático aos judeus e queria aproveitar para fazer mais um de seus expurgos, deflagrou campanha contra o “cosmopolitismo” judaico, inimigo do Estado, o que resultou em prisões em massa e falsos julgamentos. Graças à subserviência de intelectuais esquerdistas de vários países europeus e latino-americanos a tudo o que vinha da URSS, resultou também na disseminação da ideia de que o Estado de Israel era parte de um plano global de dominação capitalista no Oriente Médio. A propaganda soviética afirmava ainda que o sionismo e o nazismo se equivaliam, que os sionistas detinham o poder econômico e midiático internacional e, enfim, que conspiravam secretamente para destruir a liberdade dos povos. Como se vê, todos os elementos do antissemitismo clássico dos séculos 19 e 20 estão presentes no “antissionismo” soviético, alegremente adotado como discurso pela militância esquerdista do século 21.
Texto completo aqui.


