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9.3.11

Campeã justa, porém esquisita



Que ninguém diga, assim como em 2007 e 2008, que o título conquistado pela Beija-Flor (o 12º da história da escola) não foi justo. Mas que ficou estranha a diferença de pontos para a vice-campeã Unidos da Tijuca (1,4 ponto), ficou. Ainda mais quando a agremiação de Nilópolis ganhava notas 10 a torto e a direito, mesmo em quesitos em que ela não mereceu tanto, como a comissão de frente.

De todo modo, valeu pelo espetáculo e pelo tributo a Roberto Carlos, que fará 70 anos de idade em 2011. A lamentar somente o fato de União da Ilha e Grande Rio não terem concorrido. E o fato de o atrapalhado desfile do Salgueiro ter impedido de haver uma maior emoção na apuração (tanto que, mesmo com um ponto a menos, a alvirrubra tijucana acabou em quinto lugar - não fosse a punição, poderia ter terminado em terceiro, podendo brigar até mesmo pelo título por causa das notas de evolução).

8.3.11

Um Carnaval japonês



Depois do incêndio que atingiu barracões de três escolas de samba, há pouco mais de um mês, na Cidade do Samba, esperava-se que as escolas se esmerassem mais nos esforços em fazer desfiles bons e surpreendentes. Mas o que se viu na Marquês de Sapucaí, no domingo e na segunda-feira, foi uma sucessão de apresentações previsíveis no Grupo Especial. Ou seja: não há uma favorita destacada entre as nove escolas que disputam o título deste ano. Entre as três que não serão julgadas por terem sido atingidas pelo incêndio, porém, apenas a Portela destoou ao evidenciar a crise que a escola atravessa. União da Ilha e Grande Rio fizeram apresentações emocionantes e mostraram que deveriam, sim, concorrer ao título.

Mesmo a Unidos da Tijuca, atual campeã, pareceu uma mera repetição do desfile da Viradouro em 2008, também conduzido por Paulo Barros. O medo no cinema, que em tese deveria ser explorado, teoricamente pouco apareceu. Mesmo assim, está entre as favoritas por falta de concorrentes. Talvez a Mangueira se inclua nelas por causa da emoção imposta por sua apresentação em homenagem a Nelson Cavaquinho. Ou a Vila Isabel, de uma renovada Rosa Magalhães, no seu desfile sobre o cabelo.

No segundo dia, Ilha e Grande Rio à parte, o panorama pouco mudou. O Salgueiro vinha fazendo a melhor apresentação do Grupo Especial quando sucumbiu ao gigantismo das alegorias sobre o Rio no cinema, atrasando o fim do desfile em dez minutos. A Beija-Flor, quase sem falhas, homenageou Roberto Carlos e promete brigar pelo imprevisível título.

28.2.11

E eis que adentra a avenida o Bloco dos Politicamente Corretos



Em bem humorada ironia a uma recomendação da prefeitura do Rio em retirar o palavrão do seu nome (substituindo-o por um "M*"), o bloco carnavalesco carioca Que Merda É Essa? decidiu levar para o Carnaval deste ano um protesto contra o insuportavelmente crescente pensamento politicamente correto. Para isso, elegeu como pano de fundo a desnecessária polêmica acerca do quase veto do Ministério da Educação ao livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, acusado de racismo (assunto sobre o qual escrevi aqui). A camiseta, desenhada por Ziraldo, mostra o maior autor brasileiro de livros infantis abraçado a uma mulata, e acompanhado de um cravo, uma rosa e um gato com um pedaço de pau em uma das patas - em comum, o fato de todas as figuras serem vítimas de um pensamento revisionista que, convenhamos, nem deveria ser levado em consideração. Mas eles teimam em querer ser os únicos certos na conversa toda.

Um longo texto na Internet condena Ziraldo pelo simples fato de ter desenhado a tal camiseta (sua autora deve ter ficado calada quando o desenhista começou a se beneficiar da famigerada Bolsa-Ditadura, mas isso não vem ao caso) e desanca Monteiro Lobato, acusando-o de racista e eugenista. Além disso, membros de uma organização em defesa da população negra protestaram contra a apresentação do bloco no Carnaval, durante seu ensaio. Que ninguém duvide, pelo andar da carruagem, que resolvam querer proibir até o próprio Carnaval no futuro.

Todos sabemos que o Carnaval é uma festa politicamente incorreta por sua própria natureza. Só que muitas pessoas desprovidas de qualquer senso de humor acham desrespeito em tudo. Alguém imaginou se, em Carnavais de décadas passadas, os árabes e muçulmanos decidissem reclamar daquelas marchinhas reclamando do calor e clamando "Alá, meu bom Alá"?

(Isso sem falar dos mais radicais - basta vermos o caso daquelas charges dinamarquesas, de cinco anos atrás...)

De lá pra cá, porém, seu maior símbolo - o desfile das escolas de samba - anda abandonando os desfiles irreverentes, grande marca dos anos 80, por exemplo, substituindo-os por enredos de exaltação, geralmente a cidades (quando não simplesmente chapa-branca), e ecologicamente corretos. Salvo raras exceções, os desfiles se tornaram monótonos, mecânicos e obedientes a uma fórmula desgastada, ainda que relativamente nova. Portanto, o último bastião de irreverência no Carnaval está nos blocos. Mas parece que até nisso estão dispostos a mexer. Quem perde com isso são a alegria e a espontaneidade, tão características desta época do ano.

17.2.10

SEGREDOS DE UMA CAMPEÃ


Depois de vários chutes na trave (o que incluiu dois vice-campeonatos, em 2004 e 2005), enfim, a Unidos da Tijuca solta o grito de campeã. Depois de 74 anos (só tinha ganho o título mais importante do Carnaval em 1936; durante esse longo intervalo, ganhou o Acesso três vezes, em 1980, 1987 e 1999), a escola do Borel coroa sua excelente fase, marcada pela passagem do carnavalesco Paulo Barros. A conquista incontestável premia, com justiça, um dos mais inventivos personagens do Carnaval carioca.

Ao mesmo tempo, é de se lamentar a péssima fase da Unidos do Viradouro, rebaixada ao Grupo de Acesso após desfilar 20 vezes seguidas no Especial (a alvirrubra niteroiense estreou em 1991, sendo campeã em 1997). Por outro lado, louve-se a permanência da União da Ilha na elite do samba, mesmo em penúltimo lugar - a agremiação da Cacuia merecia uma colocação melhor.

Agora, começa um intervalo chatinho de 13 meses entre um Carnaval e outro - em 2011, só em março. Ainda bem que tem Copa do Mundo e eleições no meio...

16.2.10

A SORTE ESTÁ LANÇADA



O segundo dia do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio, embora não tão brilhante quanto o primeiro, teve vários bons momentos na Avenida.

A Mocidade Independente de Padre Miguel entrou disposta a esquecer o sofrível desfile do ano passado, e parece que conseguiu. O enredo sobre os vários tipos de paraíso almejados pelo homem foi muito bem defendido pelos componentes.

A Unidos do Porto da Pedra teve um enredo cheio de possibilidades nas mãos, o mundo da moda. Mas, apesar da fácil leitura das alegorias, o desfile foi um tanto arrastado.

A Portela talvez tenha sido a grande decepção deste ano. A começar pelo enredo, sem relação alguma com as tradições da escola: o mundo da tecnologia, explorado com um chapa-branquismo que chegou a ser constrangedor.

A Acadêmicos do Grande Rio foi uma surpresa positiva, apesar do jabá descarado de seu enredo. A escola pegou um limão e fez uma boa limonada, falando sobre os 25 anos do Sambódromo - tendo como "pano de fundo", na verdade, os 20 anos do camarote da cervejaria que patrocinou o desfile.

A Unidos de Vila Isabel defendeu com alguma dignidade (o belo samba-enredo de Martinho da Vila ajudou bastante) o enredo sobre o centenário de Noel Rosa, o genial compositor do mesmo bairro da escola. Mas não vi um bom acabamento nas alegorias, ao contrário de grande parte das escolas do Especial.

A Estação Primeira de Mangueira fez uma boa homenagem à música brasileira, embora com um grande jeito de fim de festa, como convém à escola que fecha os desfiles. Sinto que faltou alguma coisa para que o desfile tivesse chance de ir mais longe.

A sorte está lançada. A grande campeã será conhecida amanhã na Praça da Apoteose. Pode ser que o Salgueiro conquiste o bicampeonato ou a Beija-Flor siga em sua trajetória vitoriosa, mas seria mais justo que, enfim, desse Unidos da Tijuca. Quem cai? Viradouro e Portela fizeram desfiles fracos, mas sempre há o temor de que a União da Ilha seja vitimada pelo olhar dos jurados que sempre tunga as escolas que subiram... A São Clemente (campeã do Grupo de Acesso de 2010) que se cuide.

15.2.10

UM PRIMEIRO DIA EQUILIBRADO



O primeiro dia do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro deu uma certeza: o baixo nível técnico do ano passado chacoalhou os carnavalescos, que fizeram desfiles bem mais caprichados desta vez.

A União da Ilha do Governador abriu os trabalhos, voltando à elite do samba depois de nove anos, desta vez com a campeoníssima Rosa Magalhães no comando. Pelo visto, o desfile funcionou bem, com muita animação para contar a história de Dom Quixote de La Mancha.

A Imperatriz Leopoldinense, ex-escola de Rosa e hoje comandado por Max Lopes (campeão pela agremiação de Ramos em 1989), fez um desfile ancorado por seu belo samba-enredo, que falava sobre a fé dos brasileiros - mas um problema com o carro abre-alas (cujos tripés frontais insistiam em ir para os lados) fez com que a escola fizesse um desfile arrastado e tivesse que correr nos minutos finais.

A Unidos da Tijuca, com a volta de Paulo Barros, fez certamente o melhor desfile da primeira noite. Cheio de elementos surpreendentes (como a comissão de frente, que usou ilusionismo para arrebatar a plateia), a escola do Borel falou dos maiores segredos da Humanidade, dando conta do recado.

A Unidos do Viradouro falou sobre o México e, pelo visto, não agradou muito: as alegorias não tinham bom acabamento e o samba-enredo também não ajudou. Certamente ficará de fora do Desfile das Campeãs.

A Acadêmicos do Salgueiro entrou na disputa pelo bicampeonato homenageando a literatura. Foi um desfile bonito, porém pouco empolgante, não correspondendo às expectativas que havia acerca da escola.

A Beija-Flor de Nilópolis, que fez um desfile sobre o cinquentenário de Brasília, fez um desfile, digamos, tipicamente Beija-Flor: bonito, eficiente, que briga pelas primeiras posições, capaz de encher os olhos... mas sem emocionar muito.

Amanhã, o texto sobre o segundo dia.

26.2.09

UM TÍTULO MAIS QUE MERECIDO



Acabando com um jejum que já durava 16 anos (o último título tinha sido com o inesquecível Peguei um Ita no Norte, de 1993), o Salgueiro sagrou-se pela nona vez campeão do Carnaval carioca. O enredo Tambor, apesar do seu samba-enredo, contagiou a Avenida e criou o título mais incontestável desde o conquistado pela Mangueira em 1998, pelo menos.

Festa também na União da Ilha, que ganhou o Grupo de Acesso e, em 2010, voltará a desfilar no Especial depois de nove anos. Sua alegria e irreverência estavam mesmo fazendo falta ao principal grupo do Carnaval do Rio. Ela substitui o Império Serrano, rebaixado injustamente segundo vários. Realmente, a Mocidade - penúltima colocada - não fez um bom desfile, e teve que lutar décimo a décimo com a escola da Serrinha pra ficar entre as grandes. Que a escola de Padre Miguel faça uma reformulação, ou a coisa vai ficar feia.

24.2.09

POUCOS DESTAQUES NUM ANO FRACO



A segunda noite do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio confirmou o que se suspeitava: a crise pegou o samba de jeito, contando ainda com a colaboração das crises internas entre as escolas. Foram poucos destaques entre as agremiações, que pouco ou nada empolgaram quem estava na Marquês de Sapucaí. De todo modo, aqui estão as avaliações.

  • Unidos do Porto da Pedra: O enredo sobre a curiosidade humana, de Max Lopes, prometia - mas, infelizmente, não cumpriu. O desfile foi cheio de problemas técnicos e ainda pode ser prejudicado por causa da complicação que atingiu o carro abre-alas.
  • Acadêmicos do Salgueiro: Apesar do samba-enredo um tanto sofrível, a alvirrubra da Tijuca fez uma das melhores apresentações do Grupo Especial - uma das poucas apresentações que possam ser consideradas boas, diga-se. Certamente, o melhor visual entre as 12 principais escolas. Houve alguns buracos por causa de problema de entrada de carros, mas nada que comprometesse tanto.
  • Imperatriz Leopoldinense: A escola de Ramos, que comemorou seu cinquentenário contando a história de seu bairro, fez um desfile aquém do esperado. A agremiação alternou carros luxuosos com simplórios demais, e seus integrantes foram um desânimo só, apesar do esforço.
  • Portela: A escola de Madureira contou o amor, contando com sua boa fase atual. Fez um desfile até certo ponto digno, mas não deve lutar pra acabar com o jejum de 25 anos sem títulos.
  • Estação Primeira de Mangueira: A escola nem parecia estar em crise, tamanha a garra demonstrada por seus integrantes. Se havia alguma pobreza nas alegorias, o material humano certamente compensou.
  • Unidos do Viradouro: A escola de Niterói não fez uma grande apresentação, encerrando o desfile. O enredo, apesar de ser de Milton Cunha, não foi lá muito bem desenvolvido. O fraco samba-enredo também não ajudou muito.

Bem, as cartas estão lançadas. Pra mim, o título ficará entre Vila Isabel, Beija-Flor (de novo) e Salgueiro. Império Serrano, Mocidade e Porto da Pedra lutarão pra não cair ao Grupo de Acesso.

23.2.09

O PRIMEIRO DIA ENTRE OS ESPECIAIS DA FOLIA

Depois de um Grupo de Acesso bem equilibrado, em que pelo menos quatro escolas têm condição de conquistar o título (embora a Estácio de Sá tenha feito, na minha opinião, o melhor desfile do sábado), as principais agremiações do Rio começaram seus desfiles. O primeiro dia do Grupo Especial foi um tanto atribulado, com apresentações irregulares e poucos destaques considerados positivos.

  • Império Serrano: A campeã do Grupo de Acesso do ano passado reeditou o samba-enredo de 1976 com uma apresentação animada, porém com a responsabilidade de abrir o desfile, o que não é nada fácil (considerando-se que as duas últimas escolas a fazê-lo foram rebaixadas). O início foi bom, mas o desfile foi desanimando com o tempo.
  • Acadêmicos do Grande Rio: A escola de Duque de Caxias falou sobre a França, com um desfile luxuoso - porém com alguns problemas. De todo modo, será difícil ela não perder seu lugar cativo no Sábado das Campeãs...
  • Unidos de Vila Isabel: Surpreendeu quem não esperava um bom trabalho entre dois carnavalescos de estilos bem diferentes: Alex de Souza e Paulo Barros fizeram um excelente trabalho e um desfile muito bom. Forte candidata ao título.
  • Mocidade Independente de Padre Miguel: A verde-e-branca fez um desfile fraco. O que era de certa forma esperado, levando-se em consideração os meses tumultuados pré-Carnaval. É impressionante como quase tudo deu errado, do início ao fim do desfile. Forte candidata ao rebaixamento. De positivo, só o canto dos integrantes do desfile.
  • Beija-Flor de Nilópolis: A escola, que tenta o tricampeonato, contou com a força de Neguinho da Beija-Flor para tentar o feito. Mesmo com um enredo trivial - a história do banho - a agremiação fez um desfile bem, digamos, Beija-Flor: compacta, certinha, parecida com os dos anos anteriores. Está na briga.
  • Unidos da Tijuca: Outra decepção. Mesmo com enredo desafiador (o espaço sideral) e um dos melhores sambas-enredo do ano, a escola do Borel fez um desfile extremamente irregular. Um dos carros demorou muito para entrar e criou um buraco enorme na Avenida, e a porta-bandeira Lucinha Nobre (uma das melhores do Carnaval) se atrapalhou durante a apresentação. Não luta por título, não.

19.2.08

O PRIMEIRO SAMBA-ENREDO DO CARNAVAL DE 2009

Há no mundo virtual uma excelente página intitulada Galeria do Samba, que, por sinal, recomendo àqueles que curtem o mundo do Carnaval e dos desfiles das escolas de samba. E há nessa página uma seção chamada Espaço Aberto, onde internautas discutem a respeito da festa durante o ano todo. Os assuntos de discussão são divididos em tópicos, e em um deles, dei a idéia de comporem um samba-enredo em homenagem a uma pequena cidade galesa de nome quilométrico, que está escrito abaixo:

Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogoch

Era, no mínimo, um enorme desafio para os compositores. E deu certo! Em menos de 40 minutos, o samba-enredo já estava composto. Eu e mais cinco compomos o primeiro samba-enredo do Carnaval de 2009, mesmo faltando mais de um ano (a Terça-Feira Gorda será em 24 de fevereiro do ano que vem). O título do enredo foi feito pelo compositor Bruno Sodré.

Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch Mostra Sua Cara em Therum, Rherum, Naturalium... Quero Ver se um Saco Vazio ou Cheio de Cana-Caiana Não Pára em Pé! Em Nome do Pai, do Filho e Seja o que Deus Quiser... Fui ao Lácio e Não Tinha Ninguém... Ah, por Falar Nisso, e Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch Continua Sendo...

Autores: André Silva, Bruno do Tamborim, Bruno Sodré, Daniel F. Silva e Glorioso

Vou navegar (Eu vou, eu vou)

Mares e monstros enfrentar

Em Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch desembarcar

Oh, divina luz que nos conduz

Vem de lá (ô, de lá...)

Toda a nossa inspiração

Que faz pulsar o coração

E nesse dia de folia

A sua emoção e alegria, irradia

Em suas ruas passear

Num lindo entardecer

Viajar pelos ares como Ícaro

Para o show começar

É só dizer "Parangaritotirimirruaro"

Ó, belíssima cidade! Cultura, requinte e projeção

Assim é Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogoch

Paraíso dessa nação

Sentindo no paladar o tempero de sua culinária

Que emoção... O vento sopra a paz

Divina, tu és demais

Glórias ao nosso clube altaneiro

Clwb Pêldroed Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch, tu és o primeiro

É o nosso time, meu pavilhão

Salve o clube mais que campeão

Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch

Terrinha boa que me faz feliz!

Ideal pra escrever num pin ou broche

Pra ficar perto do coração e da raiz!

Apenas este refrão é de minha autoria. Quem cantaria o samba? Pelo menos pra dizer o nome da cidade galesa, sugiro o nome de Gruff Rhys, vocalista dos Super Furry Animals.

6.2.08

SERÁ QUE ALGUÉM VAI PARAR A BEIJA-FLOR?



Não se sabe se, algum dia, as suspeitas de manipulação do Carnaval no ano passado serão comprovadas. Não se sabe o grau de lisura dos jurados no desfile deste ano, nem se isso iria fazer alguma diferença. Mas o fato é que a Beija-Flor de Nilópolis se sagrou, mais uma vez de forma incontestável, campeã do Grupo Especial.

O bicampeonato veio com 1,3 ponto de diferença em relação ao vice-campeão Salgueiro - apenas um décimo a menos do que a diferença sobre a Grande Rio no ano passado. Mais um título tranqüilo, ainda que tenha havido algumas surpresas.

A mais agradável delas foi a Portela, que precisava mesmo dar uma incrementada na sua auto-estima, terminar em quarto lugar, fazendo com que a maior campeã do Carnaval voltasse ao Desfile das Campeãs depois de dez anos. Realmente, a agremiação de Madureira fez um belo desfile, ainda que com um tema meio óbvio para os dias de hoje.

Mas os jurados, mais uma vez, foram as "estrelas" da apuração. A Grande Rio, que parece ter um lugar previamente cativo no sábado seguinte ao desfile oficial, acabou na terceira posição, mesmo com um desfile irregular e cheio de erros. A Viradouro, com o sétimo lugar, e a Mocidade (apontada como uma das favoritas para ocupar uma das seis primeiras posições), em oitavo, ficaram de fora. O décimo lugar da Mangueira confirmou um Carnaval para ser esquecido pela verde-e-rosa. A briga contra o rebaixamento foi a mais acirrada dos últimos quatro anos, e a São Clemente de novo pagou o pato (ficou apenas sete décimos atrás da Porto da Pedra).

Merecidamente, o Império Serrano conquistou o título do Acesso, voltando ao Especial e querendo acabar com o estigma de que toda escola recém-promovida é séria candidata ao descenso.

Amanhã, a programação voltará ao normal. Mas em 2009 tem mais.

5.2.08

QUEM VAI GANHAR? NÃO FAÇO IDÉIA



Diferentemente do chatinho primeiro dia, o segundo dia do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio foi cheio de grandes momentos - mesmo porque, entre outros aspectos, São Pedro deu uma boa colaborada.

A primeira grande surpresa foi com a Mocidade, que tenta se recuperar de uma queda-livre (vem perdendo posições desde 2003). No ano passado, a verde-e-branco de Padre Miguel quase foi rebaixada - talvez por isso, seus componentes tenham vindo com tanta disposição de virar o jogo. Deu certo: com garra e beleza, a escola fez seu melhor desfile (o samba-enredo sobre as lendas que envolviam o rei Sebastião, de Portugal, ajudou) em muito tempo.

A Unidos da Tijuca confirmou a sua boa fase ao levar à Avenida seu enredo sobre coleções. Ainda com muitas influências da Era Paulo Barros, a escola do Borel fez uma apresentação animada que lhe dá esperanças de, enfim, abiscoitar o título.

A Imperatriz, pelo contrário, não conseguiu aproveitar o seu ótimo samba-enredo (o melhor do ano) sobre a relação de Dom João VI com todas as Marias de sua vida. Mais um desfile técnico de Rosa Magalhães a não conseguir empolgar nem seus componentes, apesar do luxo das alegorias. Um destaque positivo foi a volta da eterna rainha Luiza Brunet à frente da bateria.

A Vila Isabel vinha fazendo um desfile bonito e luxuoso (apesar do samba-enredo fraco) sobre os trabalhadores do Brasil, até que o último carro, com dificuldades de entrar na Avenida (abriu um buraco enorme que deverá prejudicar as notas de Evolução), pôs tudo a perder.

A Grande Rio, com seu enredo sobre a reserva de gás da cidade amazonense de Coari, não repetiu as boas atuações dos últimos anos. As alegorias e fantasias eram confusas e de difícil assimilação, e o enredo também não ajudava muito. Além disso, teve um problema semelhante ao da Vila Isabel, com dificuldades na entrada de um carro que abriu um buraco na Avenida.

Mas uma coisa é certa: mais uma vez, quem quiser ser campeã terá que, primeiramente, bater a Beija-Flor (foto). A escola de Nilópolis novamente fez um desfile tecnicamente perfeito, homenageando a cidade de Macapá. Alegorias e fantasias luxuosas e a animação da comunidade nilopolitana deram o tom da apresentação.

Mas não faço a menor idéia de quem será a campeã. As suspeitas que pairaram sobre o resultado do Carnaval no ano passado, em que a Beija foi campeã, podem influenciar na decisão dos jurados. O desfile de segunda-feira foi muito superior ao de domingo, mas este também teve bons momentos. Aposto na Beija-Flor, no Salgueiro ou na Viradouro, com Unidos da Tijuca, Vila Isabel e Mocidade correndo por fora.

4.2.08

UM PRIMEIRO DIA MODORRENTO



É impressão minha ou os carros alegóricos do Grupo Especial deste ano estão bem menores do que no ano passado? Tive essa impressão ao assistir ao primeiro dia do desfile das escolas de samba da elite do Carnaval carioca, nesta madrugada. Além disso, as seis agremiações pareciam estar num desânimo só, com poucas justificativas para lutar pelo título, apesar de alguns bons momentos.

A São Clemente abriu o desfile contando, com seu tradicional bom humor, a história da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, há 200 anos. A escola de Botafogo defendeu com garra o seu enredo, e tem esperanças de permanecer entre as grandes.

A Porto da Pedra, de São Gonçalo, homenageou o centenário da imigração japonesa no Brasil com um desfile que não chegou a empolgar, mas que também contou com o humor em suas alegorias. Como o esperado, o desfile contou com muitos integrantes da comunidade nipônica.

O Salgueiro protagonizou o primeiro desfile mais animado da noite. Cantando o espírito carioca em seu enredo, a vermelho-e-branco da Tijuca contou com alegorias ensolaradas e uma bateria competente. Mesmo com um tema recorrente no Carnaval, a escola deu bem o seu recado.

Mesmo com um enredo politicamente correto demais - o aquecimento global e os cuidados que o Homem tem que tomar com a Natureza -, a Portela fez um desfile muito bonito e animado, cheio de garra e beleza, de forma multicolorida, sem deixar o azul e branco de lado. Na minha opinião, o melhor desfile do domingo.

O mesmo não se pode dizer da Mangueira, que começou bem, mas foi se arrastando aos poucos, no desfile em que (com um ano de atraso) homenageou o centenário do frevo. Talvez a comunidade mangueirense tenha sentido um pouco - apesar dos esforços para reverter a situação - a sucessão de escândalos de que sua escola foi alvo, nos meses que antecederam o Carnaval, inclusive com um dos maiores chefes do tráfico do morro sendo um dos compositores do samba-enredo deste ano.

A Viradouro novamente contou com a criatividade de Paulo Barros para levar à Avenida um enredo sobre o arrepio, para o Bem e para o Mal. E o fez de forma a surpreender quem assistia ao desfile, inclusive com direito a foliões "degolados", baratas gigantes e um protesto contra a proibição ao carro que fazia alusão ao Holocausto (foto). De certa forma, um desfile original. Só resta saber o que os jurados vão achar.

Amanhã, escreverei sobre o segundo dia.

3.2.08

EM BUSCA DA ÚNICA VAGA NA ELITE...



...do Carnaval carioca em 2009, dez escolas entraram na Sapucaí para o desfile do Grupo de Acesso. Uma coisa é certa: as escolas impuseram um nível técnico bem superior ao do chocho desfile do ano passado, quando apenas a campeã São Clemente foi apontada como candidata digna ao acesso para o Grupo Especial. Tanto que, desta vez, três escolas surgem como favoritas ao título, com outras duas correndo por fora.

A grande favorita é, sem dúvidas, o Império Serrano (foto), que fez uma nova homenagem a Carmen Miranda, numa ótica diferente daquela campeã de 1972. Ainda que o samba-enredo não tenha agradado no disco, a canção cresceu enormemente no desfile, realizado debaixo de uma chuva torrencial. A falta de dinheiro foi compensada com muita criatividade pelos carnavalescos Márcia Lávia e Renato Lage, que também farão expediente pelo Salgueiro. A bateria imperiana (considerada por muitos a melhor do Rio) cumpriu o seu papel com brilhantismo, não deixando a peteca cair em momento algum.

Também fizeram ótimos desfiles, apesar de alguns percalços, Estácio de Sá e União da Ilha, dando-lhes esperanças de superar o favoritismo imperiano. A escola da Ilha do Governador, cuja irreverência faz muita falta para o Grupo Especial (foi rebaixada em 2001 e não subiu mais, sendo vice-campeã do Grupo de Acesso em duas oportunidades), fez um desfile empolgante reeditando o samba-enredo É Hoje, de 1982, e está nas cabeças. A Estácio fez um enredo bem original (a relação entre o homem e as previsões para o futuro) e também tem chances.

Correm por fora Caprichosos (que surpreendeu com sua garra, mesmo com um enredo claramente caça-níqueis, a cidade de Itaboraí) e Santa Cruz (outra escola que não foi ajudada pelo enredo - um paralelo entre a chegada da Família Real e a cidade de Itaguaí - e ainda teve problema em um de seus carros, em que o suporte da fantasia do destaque caiu do alto; fora isso, fez um desfile correto).

Destaques negativos do Acesso: pelo segundo ano seguido, a Rocinha levou um número de baianas inferior ao estipulado pelo regulamento; e os problemas nos desfiles de Cubango e Lins Imperial, que tiveram graves defeitos em alguns de seus carros. Estas duas últimas (cujos sambas-enredo, ironicamente, são vistos por mim como os melhores inéditos do Grupo de Acesso deste ano) são vistas como as mais fortes candidatas ao rebaixamento para o Grupo B.

Amanhã, opino sobre o primeiro dia do Grupo Especial.

SE É TÃO POPULAR, POR QUE O TEMOR?

Versão virtual da coluna Radar, de Lauro Jardim, da Veja:

LULA NO SAMBÓDROMO?...

É praticamente certo: Lula não pisará no Sambódromo. Nem no domingo, nem na segunda-feira. Foi convidado para o camarote de Sérgio Cabral, disse ao governador que queria ir com Marisa Letícia, mas as vozes da cautela venceram - ou "o medo venceu a esperança", para usar um antigo mote petista. O risco de uma vaia ritmada com pandeiro e tamborim falou mais alto.

É a velha questão: as pesquisas dizem que Lula tem altos índices de popularidade. Mesmo assim, levou uma das maiores vaias da história do Maracanã, na abertura dos Jogos Pan-Americanos. Temendo um repeteco, dispensou sua ida à Marquês de Sapucaí neste Carnaval. Isto posto, cabe a pergunta: o que está errado, as pesquisas pró-Lula ou a classe média "vaiadora"? Se o presidente se julga tão popular, por que ele tem tanto medo de dar a cara a tapa?

Segue o baile:

...OU NO TRIO ELÉTRICO DE SALVADOR?

Agora, é Jaques Wagner quem insiste com Lula para que vá pelo menos um dia a um camarote do Carnaval baiano ver os trios elétricos passarem. Lula não deve ir. Está evitando qualquer compromisso que possa chamuscar sua popularidade. Do lado de Wagner, o argumento em favor de sua ida é o seguinte: o barulho ensurdecedor dos trios abafaria qualquer possibilidade de vaia. O mais certo, porém, é que Lula se recolha numa praia qualquer.

O presidente anda "cauteloso" demais, hein? Será que ele teme os carlistas baianos que assistem à festa soteropolitana? Só falta temer as vaias dos banhistas da tal "praia qualquer"...

31.1.08

A TÊNUE FRONTEIRA ENTRE A FESTA E AS DORES DA HISTÓRIA



A apenas três dias do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio, a Unidos do Viradouro recebeu ordem judicial para desmontar um carro alegórico que representava o Holocausto nazista na Segunda Guerra Mundial. Era uma cena forte: o carro tinha esculturas de cadáveres empilhados, exatamente como havia nos massacres de judeus, ciganos e demais minorias étnicas, causados pela insana política de "pureza racial" de Hitler.

O próprio ditador nazista, aliás, acabou sendo o grande fiel da balança, no meio dessa polêmica toda. Pensava-se que não haveria qualquer destaque no carro alegórico, até que a ficha técnica do desfile veio à tona - e nela estava previsto que o carro teria um único destaque, representando o líder alemão. A escola havia determinado que o destaque teria que estar sério e quase que imóvel durante o desfile, mas de nada adiantou.

O carnavalesco Paulo Barros afirmou que a abordagem de protesto contra a intolerância e o racismo que pretendia fazer usando a alegoria seria mais aceita se fosse feita por outra manifestação cultural que não um desfile de escola de samba - o que é verdade. O Carnaval carioca, há anos, é palco de denúncia contra diferentes formas de preconceito e humilhações de ordem étnica, como a escravidão, por exemplo. Porém, também é visto por muitos como algo que não se possa levar a sério, o que é totalmente errado. Pra mim, o Carnaval em suas diferentes vertentes, desde que conduzido com responsabilidade, é uma manifestação cultural que está há tempos na vida dos brasileiros.

Por outro lado, é muito difícil que algo que tenha ocorrido há menos de um século (algo ainda recente, se comparado com a época da escravidão) seja visto no Carnaval sem polêmicas. Pelo visto, a sociedade ainda não está de todo preparada para ver um assunto como o Holocausto nazista ser representado na Avenida.

24.4.07

AS CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS DA OPERAÇÃO FURACÃO...


A Operação Furacão, divulgada há quase duas semanas, revelou ligações entre magistrados da Justiça, bicheiros e donos de caça-níqueis. No domingo seguinte, em entrevista à TV, o delegado responsável pela operação afirmou que havia "fortes indícios" de que teria existido manipulação nos resultados do desfile das escolas de samba deste ano. Mas o fato é que, até agora, não há provas contundentes e convincentes que o título do Carnaval 2007 ganho pela Beija-Flor tenha sido manipulado, apesar da enorme diferença de pontuação entre a campeã e a vice. A minha opinião é a seguinte: se houve alguma mutreta, ela foi absolutamente desnecessária, pelo fato de a Beija-Flor ter sido campeã com absoluta justiça (leiam o que achei do desfile aqui).

Mas se for comprovada armação, o título fica irremediavelmente manchado. Embora ache essa história completamente sem sentido, pois no ano passado a azul e branca de Nilópolis foi quinta colocada, depois de um tricampeonato (2003/2004/2005) e de um tetravice (1999/2000/2001/2002). Alguns desconfiam de que o tri da Beija-Flor tenha sido a origem da riqueza da escola, através das estreitas ligações entre seu presidente de honra, Aniz Abraão David, e o presidente da LIESA, Aílton Guimarães Jorge, ambos presos durante a operação. Mas se tal crítica proceder, metade dos campeonatos das escolas de samba através dos tempos teria que ser investigada...

Mas que tais investigações sejam bem-sucedidas, para que não haja mais desconfianças em relação à lisura das notas dos jurados, das justificativas, das promoções, dos rebaixamentos... Afinal de contas, como disse alguém, a única coisa que é séria e dá certo no Brasil é o Carnaval. E que a LIESA desista de uma vez por todas de botar só 12 escolas no Grupo Especial (não tem nada a ver com uma suposta manipulação, mas não resisti - digo isso porque uma hipotética decisão sobre esse caso deve passar, primeiramente, pela troca de comando da Liga).

22.2.07

UMA VITÓRIA JUSTA



A Beija-Flor conquistou nesta quarta seu décimo título no Grupo Especial - e, desta vez, de forma incontestável, com mais de um ponto à frente da vice-campeã Grande Rio (pela segunda vez seguida, uma surpresa). O título coroou a bem-sucedida figura da comissão de carnaval, criada em Nilópolis: desde 1998, cinco títulos e quatro vices em dez Carnavais.

A injustiça, porém, foi ver o Salgueiro, com um desfile tão bom, ficar de fora do Desfile das Campeãs no sábado. Talvez isso sirva - com um pouco de ironia - para que entre para a história como um desfile "único" (como o da Mangueira em 1999, o do próprio Salgueiro em 2000 e 2003 e da Porto da Pedra em 2005).

Aliás, essa apuração foi uma das mais equilibradas de todos os tempos. Fossem quem fossem as duas rebaixadas, o certo é que elas não haviam feito desfiles para tal. Império Serrano e Estácio de Sá estão de volta ao Grupo de Acesso - que, diga-se, promete ser emocionante no próximo ano. Espera-se que com melhor nível técnico, pois o deste ano foi de amargar.

Falando em Acesso, foi previsível e justo o título da São Clemente, que fez disparadamente o melhor desfile da noite de sábado. Assim como foi justa a queda da Tradição, que foi uma lástima, para o Grupo B de 2008. Surpresa foi o vice da Caprichosos, que não era cotada.

O Carnaval de 2007 acabou. Mais, só no ano que vem. Agora, o ano começa pra valer.

20.2.07

GRUPO ESPECIAL: SEGUNDO DIA



A segunda noite do desfile das escolas do Grupo Especial teve um nível técnico melhor que o do primeiro, e o resultado que será divulgado amanhã será imprevisível. As escolas se mostraram luxuosas e cheias de animação, no primeiro Carnaval totalmente feito na Cidade do Samba.

A noite começou com o desfile da Porto da Pedra. A vermelha-e-branca de São Gonçalo não fez uma apresentação à altura de seu bom samba-enredo. Se bem que o tema, difícil, não ajudava muito. Apesar do esforço, a escola não ganhou o público.

A Unidos da Tijuca fez o segundo desfile, e mostrou que aprendeu muito com a passagem de Paulo Barros, que lhe deu dois vice-campeonatos. Alguns carros eram claramente inspirados nos desfiles anteriores. O desfile foi bem inspirado, altamente coerente com o enredo sobre a fotografia, com alegorias e fantasias criativas.

O Salgueiro, disposto a apagar a colocação ruim do ano passado, fez um desfile arrasador, um dos melhores do ano. O tema afro resgatou grandes enredos da história da escola. O ótimo samba-enredo emoldurou o brilhante desfile salgueirense, com traços clássicos e de bom gosto, nas fantasias e alegorias. Um desfile perfeito e excelente.

A Portela entrou na Sapucaí com animação, disposta a acabar com o jejum de 23 anos sem títulos - e, pelo que mostrou, tem o direito de sonhar pelo menos com uma vaguinha no Sábado das Campeãs. O tema sobre os Jogos Pan-Americanos foi muito bem-explorado pela escola, que contou com grandes figuras do esporte brasileiro e com alegorias alegres e multicoloridas.

A Imperatriz fez o desfile típico de Rosa Magalhães: técnico. Mas pelo menos foi melhor do que o do ano passado, apesar do péssimo samba-enredo, o pior do Grupo Especial deste ano, na minha opinião. Alegorias de cores vivas e condizentes com o enredo, sobre o mercado de pesca do bacalhau, pontuaram o desfile com brilhantismo.

Logo depois, entrou a Grande Rio, querendo o título que lhe escapou por pouco no ano passado. O enredo foi a sua terra natal, a cidade de Duque de Caxias. O desfile foi bom, porém mais morno que o esperado, pois a escola conta muito com a força da comunidade. De ruim, o fato de o carro abre-alas ter pego fogo depois de deixar o desfile, nos arredores da Passarela do Samba.

Encerrando o desfile, a Beija-Flor mostrou por que é a líder do ranking da LIESA, combinando técnica com emoção, além do enredo bem-explorado pela Comissão, que o conduziu com competência. Mais uma vez, a força da comunidade nilopolitana deu o tom da escola. A agremiação terminou o desfile com o dia já amanhecendo, raiando o "Sol da liberdade" do ótimo samba.

Desfiles consumados, cabe a pergunta: quem leva? Pra mim, o título fica entre Salgueiro e Beija-Flor, com Viradouro e Vila Isabel correndo por fora. E quem cai? Não faço idéia, pois os desfiles foram ótimos. Duas escolas sofrerão a degola, e não arrisco em apostar.

19.2.07

GRUPO ESPECIAL: PRIMEIRO DIA


O desfile das escolas de samba do Grupo Especial não teve grandes novidades em seu primeiro dia. À exceção de uma surpresa aqui ou ali, não houve grandes impactos. Mas os que existiram foram marcantes.

Depois de dez anos fora do Grupo Especial, a Estácio de Sá fez um desfile altamente luxuoso para reeditar o enredo O Tititi do Sapoti, de 1987. Até certo ponto, surpreendente, levando-se em consideração o longo tempo de ausência na elite.

A Império Serrano usou sua história de 60 anos e as inovações que fez como pano de fundo para homenagear aqueles que fizeram a diferença, apesar das dificuldades impostas pela natureza. A sua bateria, como sempre, fez uma apresentação impecável. Mas o desfile, apesar do esforço da comunidade da Serrinha, não teve o impacto esperado - até por causa do samba-enredo, bem inferior ao do ano passado.

A Mangueira fez uma boa apresentação, e a comissão de frente combinada com o pede-passagem causaram boa impressão inicial. Mas a escola fez um desfile um tanto arrastado, depois disso. Como nota negativa, a falha de comunicação que tirou Beth Carvalho do desfile.

A Viradouro fez uma apresentação dentro do esperado, por causa do seu carnavalesco Paulo Barros - como grande destaque, o carro em que a bateria se apresentou até o recuo, quando foi substituída por falsos ritmistas. Mas algumas alegorias foram muito parecidas com as da Unidos da Tijuca em anos anteriores, quando o carnavalesco era o mesmo Barros - por exemplo, o carro que retratava o jogo "Onde Está Wally?". A ala das baianas foi muito parecida com a da Mocidade no ano passado. E o carro do Pinball se parecia com qualquer coisa, menos com mesa de fliperama. De todo modo, a escola de Niterói fez uma apresentação agradável.

Também estreando carnavalesco novo, a Mocidade fez um desfile digno, apesar do tema óbvio e da frieza das arquibancadas, mesmo porque entrou depois da Viradouro. A despeito de a escola ter ficado quase dez minutos parada na Avenida - um dos integrantes do carro abre-alas passou mal e teve que ser retirado pelos bombeiros no meio do desfile - não houve grandes problemas. Apesar de corriqueiro, o enredo foi bem explorado, com destaque para a aparição, no último carro, dos funcionários do próprio barracão, em homenagem aos trabalhadores do Carnaval.

A atual campeã, Vila Isabel, encerrou o primeiro dia com um desfile que lhe dá condições de brigar pelo bicampeonato. O tema foi muito bem explorado (melhor, por exemplo, que na Viradouro) e a animação dos integrantes e o luxo das fantasias deram o tom do desfile. O enredo é uma síntese da própria escola, que falou sobre a metamorfose que ela própria sofreu, depois de um longo período de vacas magras.