26.9.06

MOMENTOS DE DECISÃO


Como bem disse Raphael Perret em seu Butuca Ligada (www.butuca.blogspot.com), os eleitores estão inexplicavelmente apáticos em relação à política, sem discutir sobre o assunto do jeito que deveriam. Isso provavelmente se devem à decepção dos escândalos que abalam a política desde o ano passado. Em 1992, quando houve uma crise parecida, manifestantes saíram às ruas para pedir o impeachment do então presidente Fernando Collor. O pretexto era de que o "Caçador de Marajás" simbolizava a direita, a última herança do regime militar que dominou o Brasil durante mais de duas décadas. Mas agora, catorze anos depois...

O fato de tais casos de corrupção se derem no governo Lula (alguém em quem grande da população sempre acreditou) foi um verdadeiro baque. Devem estar pensando o seguinte: se até Lula é corrupto, quem não seria? Mas o fato é que ninguém está livre do risco de ser pego com a boca na botija. Muitas denúncias surgem todos os dias, fazendo-nos reparar que o PT não é essa ilha de ética que se apregoou tanto. Aliás, a imprensa brasileira está de parabéns. Não é por acaso que o governo vem batendo tanto nela.

O pior é que ainda há quem acredite que Lula não sabia de nada - o que ele diz há mais de um ano, desde que a crise estourou. Desse jeito, fica difícil mudar alguma coisa.

21.9.06

A PARANÓIA ISLÂMICA


A mais recente polêmica envolvendo o Islã e o Ocidente se deve à má interpretação de uma declaração do Papa Bento XVI, que citou uma frase de um imperador bizantino, que criticava o profeta Maomé acusando-o de impor sua fé através da violência. Pronto: apesar de ser apenas uma citação, a grita islâmica foi geral, numa reação que lembrou (em grau pouco menor) àquela às charges de Maomé publicadas num jornal dinamarquês no ano passado (o detalhe é que as tais reações se dariam meses depois).

Isso tudo mostra como está o mundo pós-11 de Setembro: dividido ao meio. De um lado, muçulmanos (auxiliados por governantes de esquerda - dizendo ser "solidários com os mais pobres e oprimidos pelo imperialismo", imagine! - ou partidários islâmicos que patrocinam o terror) irados com o que consideram uma perseguição imposta pelo Ocidente, uma "conspiração judaico-cristã mundial para destruir o Islã"; do outro, governantes poderosos ávidos por poder com o pretexto de "espalhar a democracia". No meio disso, vítimas inocentes dos radicais dos dois lados. Todo o diálogo do mundo não parece ser suficiente para aplacar a fúria. E essa situação toda só tende a piorar.

Sem o auxílio da diplomacia, todos os esforços para evitar um iminente conflito de civilizações serão um estrondoso fiasco. E o pior é que há quem quer que isso ocorra.

20.9.06

ESSA, NEM FREUD EXPLICA


Mais um escândalo atinge o governo Lula e a população parece não estar nem aí. Contentando-se com as migalhas que o governo dá à população (o que lembra as ascensões de Brizola e Garotinho, entre outros menos votados), os eleitores reelegeriam o presidente em primeiro turno. Seria falta de opção? Medo de perder os benefícios? Medo da volta da "direita" ao poder? Ou alienação, mesmo?

Os assessores do PT que tentaram vender uma matéria para atacar candidatos tucanos certamente têm algo mais a dizer, pelo fato de não terem conseguido convencer a todos. Se isso vai se confirmar, só o futuro dirá. Enquanto isso, vamo-nos preparando para mais quatro anos de polêmicas e escândalos.

14.9.06

COISAS QUE VOCÊ SÓ VÊ NO HORÁRIO POLÍTICO

  • Você reparou que há uma infinidade de candidatos berrando "Você me conhece!" no horário eleitoral, mas você não conhece quase nenhum deles?
  • A cláusula de barreira para os partidos continuarem tendo direito ao Fundo Partidário parece não amedrontar os partidos médios e pequenos. Até agora, só vi o PV falar disso, pedindo 5 milhões de votos.
  • O tempo passa, as eleições continuam e os candidatos que fazem de tudo pra aparecer também. Principalmente nos partidos nanicos, aqueles que correm mais risco de extinção. É só procurar no YouTube...
  • Algumas legendas continuam com erros grosseiros de português (outro dia vi um "lembrece" - ao invés de "lembre-se" - que doeu na alma). E outras são minúsculas, quase invisíveis.

11.9.06

HÁ CINCO ANOS, O DIA QUE NÃO ACABOU

Hoje, faz cinco anos que foi cometido o maior atentado terrorista da História, com o choque de dois aviões nas torres do World Trade Center, em Nova Iorque, e de mais um no Pentágono. Nos dias de hoje, uma conclusão pode ser tirada: o mundo piorou. Nenhuma surpresa. Mas ninguém esperava que o planeta fosse ficar tão inseguro, com o aprimoramento da estratégia de terror psicológico perpetrado pelos malfeitores.

Dentre outras bizarrices ocorridas neste cinco anos (além da motivação religiosa, que passou a ser motivação principal - ou mero pretexto, dá no mesmo - da grande maioria dos atentados, independentemente de seu tamanho ou de seu impacto), houve o (tímido, mas providencial) apoio de setores de esquerda aos terroristas, políticos apoiadores do terror ascendendo ao poder (como no Irã e nos territórios palestinos), tresloucadas respostas a atos terroristas (como na insana invasão ao Iraque, realizada com a desculpa de tentar encontrar armas de destruição em massa)...

Enquanto a questão não for tratada com o devido equilíbrio, não haverá como sairmos desse atoleiro sem sofremos conseqüências.

30.8.06

TIRANDO O PRÓPRIO DA RETA

Vejam como no mundo da política se faz de tudo para se livrar da responsabilidade. O candidato do PDT ao governo do estado do Rio, Carlos Lupi (que também é o presidente nacional do partido), disse em seu programa eleitoral que não deseja que o povo dê "mais quatro anos para o PMDB de Sérgio Cabral" depois de "oito anos de PMDB, quatro de Garotinho, quatro de Rosinha". Ora, primeiramente, Benedita da Silva, do PT, governou durante oito meses em 2002, quando Garotinho renunciou para concorrer à Presidência naquele ano. E, principalmente, Rosinha foi eleita em 2002 pelo PSB. E Garotinho foi eleito em 1998 pelo... PDT.

29.8.06

ARRANJAR EMPREGO CERTAMENTE NÃO HÁ DE SER NADA FÁCIL (A Semana em Quatro Tempos)

  • Muito bem: curso completado, formatura feita, diploma a caminho, mas eu só gostaria de saber uma coisa. E o emprego que deveria vir, em tese, com o canudo em mãos? Claro, todos teremos que correr atrás do trabalho (ora através de currículos, ora através de concursos públicos), mas os empresários não deveriam fazer algo pra aumentar o número de empregos? E as eleições vêm aí...
  • Plutão não é mais planeta. A que ponto nós chegamos: decidir o que é ou não bom pra Humanidade e pro Universo com uma canetada.
  • E o Lula cresce ainda mais nas pesquisas. O povo brasileiro anda adorando dar uma de mulher de malandro.
  • Ainda que essa afirmação não se estenda aos parlamentares... A tendência é que a grande maioria dos envolvidos em corrupção não seja reeleita. Menos mal.

17.8.06

FIGURAÇAS DO HORÁRIO ELEITORAL

Começou o Horário Eleitoral Gratuito, o programa de TV que todo brasileiro deveria assistir. Não estou brincando, não! Além de ajudar a escolher seu candidato, é uma excelente oportunidade de dar boas risadas. Principalmente ao ler as legendas...

A quantidade de erros de português nestas legendas ("perceguido", "pesso seu voto", "fraldulentamente", "falças pesquisas", entre outras pérolas) chega a ser assustadora. As letrinhas miúdas de algumas delas também não ajudam na tentativa de inclusão social. Mas o pior é ter que aturar candidato à Presidência tropeçando no português (a "hetacombe" do Bivar é a campeã).

Isto posto, vamos declarar: quem cometer erros crassos de português durante o horário político, não merecerá o nosso voto! Palavra de professor formando...

P.S.: Que a Rede Gospel e a TV Aparecida exibam aqui no Rio o horário eleitoral de São Paulo, até dá pra entender. Mas por que diabos a TV Canção Nova exibe aqui o horário eleitoral de Sergipe??? :-P

11.8.06

SE NÃO CAIR AGORA...

O Brasil vive um caos institucional poucas vezes visto em sua História. Denúncias de corrupção infestam o noticiário, dia após dia. O populismo do atual governo é evidente. E, mesmo assim, seus índices de aprovação vêm subindo.

Pode-se culpar a larga tendência de baixo nível da campanha eleitoral pela consolidação iminente de Lula para sua reeleição. Pode-se culpar a falta de melhores opções dos eleitores na campanha presidencial. Mas não se justifica o crescimento do nome do candidato à reeleição nas pesquisas de opinião para as eleições de outubro. Era para ser bem mais equilibrado.

E o estado de espírito de Lula não ajuda. Na entrevista de ontem na TV, o presidente cometeu diversas gafes, que poderiam derrubá-lo já, não tivesse o povo brasileiro memória curta e larga "identificação" com o presidente. Há o risco de se repetir aqui o que ocorre nos Estados Unidos (e ocorreu no Brasil, de 1999 a 2003): um desgaste inevitável que um governante reeleito tem sobre o país, o que propicia crise política e financeira. Aguardemos os próximos capítulos. Mas ainda há tempo de mudar.

8.8.06

A SOMA DE TODOS OS NOSSOS MEDOS


Depois de novos ataques do grupo criminoso PCC pelo estado de São Paulo e do recrudescimento da guerra no Oriente Médio (agora em três frentes, ameaçando abrir uma quarta em instantes), resta-nos uma conclusão: o mundo enlouqueceu.

O que mais tememos? A radicalização dos conflitos. No Oriente Médio, a justa defesa israelense de ataques do Hezbollah tropeçou na falta de um melhor planejamento de ataques, o que resulta na morte de civis. Um cessar-fogo oportuno esbarra num impasse: os libaneses exigem a retirada das tropas israelenses, enquanto estes querem o desarmamento do Hezbollah. Com os dois lados se recusando a dar o braço a torcer, a paz fica ainda mais distante.

No lado de cá, fica cada vez mais evidente o poder de fogo dos bandidos, assim como a falência da segurança pública nacional. O crime organizado atacando a esmo, aleatoriamente, aterroriza a população paulista e põe nuvens negras sobre todo o país, por abrir precedentes. O pior de tudo, porém, é viver a perspectiva de uso eleitoreiro desse clima todo, com candidatos prometendo melhorar a segurança e querendo apontar culpados para a crise. Esse estado de coisas nos impõe a necessidade de ter um maior senso crítico, para que possamos escolher os candidatos certos nas eleições de outubro.

Em tempo: a foto acima é de um ataque em São Paulo. Mas se fosse no Oriente Médio, não faria a menor diferença.