13.2.07

A EMBALAR A AVENIDA


Faltando uma semana para a Terça-Feira Gorda, comento os sambas de enredo para o Carnaval de 2007. Os CDs dos hinos das escolas de samba têm alguns altos e baixos, como costuma acontecer - e dá pra tirar muitas coisas boas.

O CD do Grupo Especial, obviamente, tem a melhor produção. É ordenado tradicionalmente de acordo com a colocação de cada escola no ano anterior. Nas primeiras audições, costuma-se gostar de alguns sambas e torcer o nariz para outros, mas as opiniões vão mudando com o passar dos meses e a proximidade da festa. Alguns destaques: os sambas da Porto da Pedra e do Salgueiro, pra mim os melhores do ano; Império Serrano, Grande Rio e a oportuna reedição da Estácio vêm em seguida. Vila Isabel e Beija-Flor também têm belos sambas, mas não se sabe se funcionarão na Avenida. Mangueira, Portela e Mocidade ficam num patamar intermediário. A Unidos da Tijuca não repetiu o bom nível dos anos anteriores. Viradouro e Imperatriz fizeram os mais fracos - mas na Sapucaí a história pode ser outra.

O CD duplo dos Grupos de Acesso A e B tem vários bons momentos, como ocorre há vários anos. No A, organizado aleatoriamente, os destaques são Rocinha, Arranco e Império da Tijuca. No B, organizado de acordo com a ordem do desfile, os melhores foram Unidos de Padre Miguel, Vizinha Faladeira, Independente da Praça da Bandeira e União do Parque Curicica.

No CD do Grupo C, também ordenado de acordo com a ordem do desfile (contando com a participação de duas escolas do Grupo D), destaca-se, mais do que qualquer samba-enredo, a produção caótica e modestíssima, que faz com que as faixas não sejam ouvidas direito por causa da sensação de "picotação" das músicas. Mas vale pelo registro... e pelo esforço.

A VOLTA DOS QUE JÁ TINHAM IDO

Esse é o retorno dos mortos-vivos no mundo da música. Primeiro foi o Queen, depois os Doors. Pra nossa felicidade, esses revivals com jeitão de baile da saudade não duraram muito tempo. Por aqui, o RPM (que também não durou quase nada) e, mais recentemente, os Mutantes. Agora, é a vez do Police, que anunciou seu retorno e apresentações, pela primeira vez, na América do Sul.

Pra esculhambar de vez, só faltam ressuscitar o Lennon e o Harrison e promoverem a volta dos Beatles...

11.2.07

INCLUA A NAÇÃO FORA DESSA!!!

Em seu blog, Ancelmo Gois disse que o assessor do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, falou que ele e a torcida do Flamengo querem a anistia do ex-deputado e ex-ministro José Dirceu.

Sou torcedor do Flamengo e, não, não quero a anistia do Zé Dirceu. Aliás, eu quero é mais que ele se dane. Ele, o Roberto Jefferson e todos os 40 ladrões.

9.2.07

O HORROR, O HORROR



O brutal assassinato por bandidos do menino João Hélio Vieites, de seis anos, na noite de quarta, na Zona Norte do Rio, escancara um assunto obrigatório nos dias de hoje: a "socialização" da bandidagem no nosso cotidiano.

Desde o fim da ditadura militar brasileira, em 1985, os que sofreram nas mãos dos militares durante duas décadas fizeram de tudo para afrouxar as penas criminais no Brasil. A Constituição de 1988, se por um lado trouxe iniciativas louváveis, por outro contribuiu indiretamente para a escalada do crime, como a supressão da prisão perpétua e proibição de criminalização para menores de idade - o Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1991, só piorou essa situação.

Alguns setores da sociedade insistem em colocar na desigualdade social a culpa pela escalada da violência - não só no Rio, mas no Brasil inteiro. Ora, a culpa é da nossa legislação, do Código Penal caduco, da imobilidade de nossas autoridades, da nossa passividade! Sim, nós também temos uma parcela de culpa nesse estado de sítio em que vivemos. Se fôssemos um pouco mais ágeis e votássemos direito, e fiscalizássemos as autoridades (políticas e policiais), a situação não estaria tão feia. Se não esperássemos migalhas (isso ocorre no Rio há duas décadas e meia), se pescássemos ao invés de esperarmos o peixe vir a nossas mãos, seria bem diferente.

O que ocorre no Brasil há 22 anos, desde que o regime militar acabou, é uma versão mais lenta do que aconteceu em 2003 no Iraque, quando o ditador Saddam Hussein foi derrubado pelas forças anglo-americanas - a baderna dos que eram oprimidos, atingindo toda a sociedade. A "brizolização" da política, que colocava o pobre e favelado como herói da sociedade, mostra-se ineficiente e inexplicavelmente usada até os dias de hoje.

Com o que ocorre há tempos, não será suficiente uma nova política de segurança: o brasileiro terá que se reinventar. Discutir a prisão perpétua, a redução da maioridade penal, se possível até a pena de morte (apesar desta não ser do meu agrado). As prisões federais de segurança máxima, novinhas em folha, são boas, porém insuficientes para o combate ao crime. Crimes hediondos exigem isolamento total, o que definitivamente não ocorre nas nossas prisões.

Não basta gritar "Basta!". É hora de agir. Levará tempo, mas valerá a pena.

8.2.07

OSCAR 2007: "O ÚLTIMO REI DA ESCÓCIA"



Continuando a série sobre o Oscar 2007, o texto de hoje é sobre o filme O Último Rei da Escócia, de Kevin Macdonald.

Misturando ficção e fatos reais, a produção conta a história de um jovem médico escocês recém-formado que vai parar em Uganda, e entra por acaso no círculo íntimo do recém-empossado ditador Idi Amin Dada. Durante muito tempo, o médico é o homem de confiança do ditador, até que começa a testemunhar as mais nefastas atitudes do regime, fazendo-o se arrepender amargamente de não ter ido para o Canadá, sua primeira opção.

O tal médico jamais existiu na vida real - serve como apresentador de uma das mais cruéis ditaduras que o Século XX testemunhou. Para se ter uma idéia, uma das mais famosas atrocidades de Amin aparece no filme, e o personagem fictício tem uma participação indireta. Os pontos altos da produção são o seu roteiro bem escrito, visando aproximar ao máximo a ficção do que aconteceu realmente - basta ver o final do longa, quando do seqüestro de um avião que vai parar num aeroporto do país -, a sua fotografia e, principalmente, as suas atuações, que beiram o visceral.

Indicação: Melhor ator (Forest Whitaker)

7.2.07

FUNDO PARTIDÁRIO: AGORA, LIBEROU GERAL!

No fim do ano passado, o STF tinha rompido a cláusula de barreira, que impediria a longo prazo o funcionamento de partidos nanicos, bloqueando-lhes o dinheiro do Fundo Partidário. Ontem, o Tribunal Superior Eleitoral liberou geral: mudou o critério de distribuição do próprio Fundo Partidário, permitindo que partidos nanicos e de aluguel, que elegeram poucos ou nenhum parlamentar, como os PSTUs e PCOs da vida, recebam mais dinheiro para se manterem. Enquanto isso, os maiores partidos receberão menos.

O protecionismo aos minúsculos beira o absurdo! Isso é uma afronta à democracia, pois possibilita que mais partidos ditos "alternativos" e de aluguel, sem uma ideologia ou uma plataforma definida ou que seja de fachada, sejam criados. O ideal seria que houvesse, no máximo, oito partidos num país como o nosso. Na eleição passada, uma quantidade absurda de 29 partidos concorreu a cargos eletivos.

Ao destruir a cláusula de barreira, o STF abriu a porteira para a venda de espaços na política brasileira. Agora, é agüentar as conseqüências - que, podem esperar, serão as mais nefastas possíveis para a democracia.

6.2.07

O MISTÉRIO DOS 27

Por Humberto Baraldi, em www.msn.com.br:

Jovens, músicos, famosos, ricos e com um detalhe comum em suas vidas: todos morreram aos 27 anos. Mera coincidência ou idade da loucura? O que afinal levou à morte de artistas como Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jim Morrison? A ciência não tem resposta, mas para a numerologia, o número "27" significa a transição de mais um estágio. "Ele marca uma passagem em nossas vidas, o amadurecimento da alma. Nesta época é comum o casamento, as mudanças profissionais e para alguns até a morte física", considera a numeróloga Aparecida Liberato. A especialista revela ainda que a cada nove anos, os indivíduos começam um novo ciclo. "Ter 27 quer dizer que a pessoa está entrando em um terceiro período e o número "3" está relacionado com o divino, ou seja, o encontro com Deus", alerta.

E tenho que conviver com isso até 19 de outubro. Brrrr...

3.2.07

BLOG NOVO NO AR

Blog novo na parada. Em "Contos Íntimos", falarei sobre o erotismo em forma de contos que jamais ousaria contar.

Confira em www.contosintimos.blogspot.com

2.2.07

OSCAR 2007: "PEQUENA MISS SUNSHINE"



Continuando a série sobre o Oscar 2007, escrevo hoje sobre Pequena Miss Sunshine, de Jonathan Dayton e Valerie Faris.

Numa cidadezinha perdida no meio dos Estados Unidos, uma família composta dos tipos mais bizarros que se possa imaginar (o pai palestrante que divide o mundo entre vencedores e fracassados, o avô viciado em heroína, o irmão fã de Nietszche que fez um voto de silêncio, o tio homossexual que tentou se suicidar por causa de uma paixão não-correspondida) circunda a vida de uma menina que sonha em ganhar o tradicional concurso de Pequena Miss Sunshine e se classifica para a fase final deste concurso. Durante sua ida à cidade em que tal decisão será realizada, ocorre uma série de percalços.

Se trata de um dos mais surpreendentes filmes da temporada passada, por se tratar de uma história incomum ocorrida com pessoas comuns - o que pode acontecer com você ou comigo, a qualquer hora do dia. Isso é ajudado pelo roteiro enxuto e, de certa forma, pela Kombi velha e caindo aos pedaços, coadjuvante involuntária da película. Ao contrariar a obsessão paterna pela perfeição a qualquer preço, a história do filme se encarrega de mandar essa tal obsessão às favas.

Pequena Miss Sunshine pode muito bem (por que não?) ser o Crash: No Limite de 2007, o filme independente que surpreende na reta final e ganha o prêmio mais importante do cinema mundial. O que atrapalha é a baixa quantidade de indicações.

Indicações: Melhor filme, ator coadjuvante (Alan Arkin), atriz coadjuvante (Abigail Breslin) e roteiro original

1.2.07

ESPEREMOS QUE SEJA MELHOR. PIOR SERÁ IMPOSSÍVEL...

Começou hoje em Brasília a nova legislatura do Congresso Nacional, com a posse dos deputados e dos senadores. Vamos conferir e fiscalizar as atuações daqueles que colocamos lá, fazendo de tudo para que esse período de quatro anos seja ao menos produtivo para o eleitorado.

E a bagunça veio antes de começar: as seguidas trocas de partido, atendendo aos interesses pessoais dos políticos e de suas novas legendas, são uma mancha no processo eleitoral brasileiro e uma injustiça com os partidos pelos quais esses deputados e senadores foram eleitos. Uma ampla reforma política poderia acabar com isso. Quando eleitos, os políticos deveriam ficar, no mínimo, um ano de seus mandatos nos partidos pelos quais se elegeram. Se saísse do partido, cada político não se ingressaria em legenda alguma até completar um ano de mandato. Se trocasse de legenda antes do tempo estipulado, seria automaticamente cassado.

De todo modo, que esse período seja bom. Já sofremos demais ultimamente.