13.7.07

NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DO PAN...



...um chefe de Estado foi tão vaiado a ponto de ter sido impedido de declarar aberta a competição. Foi quebrado o protocolo (o atraso dele e de sua comitiva, combinado à demora dos espectadores em entrar no estádio, devido às normas de segurança - aliás, quando será que o brasileiro vai parar de deixar tudo pra última hora? - adiou o início da cerimônia em trinta minutos), mas foi melhor assim.

As vaias não foram só contra o presidente. Foram contra o estado de coisas que a nossa política impôs à sociedade. O conchavo, a corrupção, a impunidade, a malandragem do mal, o iminente cerceamento das liberdades... tudo isso deixa a população brasileira cansada de seus políticos. E o público elegeu Lula - não sem razão - um símbolo disso tudo. Só por isso, a noite desta sexta já valeu a pena.

No mais, foi uma bela festa de abertura, embora um tanto irregular. Se bem que houve sempre cerimônias de abertura de grandes competições esportivas que caíam, às vezes, na monotonia (as das Olimpíadas de 1992 e 1996 não me deixam mentir). Um belo cartão de boas-vindas do Rio às Américas. Que seja assim até o final.

RIO, QUE FASE GRANDIOSA!

Demonstrações de reação contra o crime, o Cristo entre as Sete Novas Maravilhas, os Jogos Pan-Americanos que começam hoje e agora, mais uma boa notícia para os cariocas: o casal de crianças que desgovernou o Rio durante oito anos está inelegível por três anos.

E é pouco. Que tenha sido apenas o começo.

Vamos aproveitar o momento. Não é toda hora que isso acontece.

7.7.07

JOGANDO POR MÚSICA. OU NÃO


Faltando menos de uma semana para o início dos Jogos Pan-Americanos, uma das grandes polêmicas é em relação à canção oficial do evento.

O produtor Liminha e o compositor Arnaldo Antunes (um dos Tribalistas, ou seja, passou perto de ser uma desgraça completa: já pensaram se fosse o Carlinhos Brown? O inesquecível "blim-blom náilon" faz parte da trilha sonora de meus pesadelos até hoje...) criaram Viva Essa Energia!, interpretada por Ana Costa (com participação especial do próprio Antunes, com um rap não lá muito convincente). É uma espécie de samba-enredo que não está fazendo lá muito sucesso no mundo do samba. Segundo muitos sambistas, a música não traduz o espírito do ritmo por não ter sido criada por especialistas.

Então, eles resolveram responder, digamos, à altura. Compuseram outra canção, que conseguiu a proeza de ser ainda pior que a original, que já não é lá essas coisas (se quiser ouvir as duas canções e compará-las, elegendo a menos pior, clique aqui). Eu digo o seguinte: nem parece que um dos compositores é o Noca da Portela. O samba parece uma esquálida imitação do original, com o mesmo esquema do refrãozinho pegajoso repetitivo no final. E ainda tem o agravante de ser ainda mais longo, o que nos faz perder ainda mais tempo.

5.7.07

NOTAS DESENTALADORAS DE GARGANTA

  • A CIA, 43 anos depois, admite que colaborou para derrubar o governo Goulart no golpe militar de 1964. Mais um motivo para eu admirar o poder de visão dos governantes norte-americanos. Afinal de contas, era a época da Guerra Fria, bipolarizando o planeta em capitalismo e comunismo. Não fosse a vizinhança mais ao norte, estaríamos quem sabe até hoje amargando uma ditadura de esquerda com milhares, quiçá milhões de mortos. Como está em Cuba há quase 50 anos. Como vem se desenhando na Venezuela. Ou seja, não havia outra saída naquela época. Não era a melhor, mas era a única.
  • Falando nisso, está em curso a "Guerra Fria do Novo Milênio": o Ocidente laico ou judaico-cristão contra o Oriente islamista. Adivinhem qual o lado certo? Pois é.
  • O presidente argentino Néstor Kirchner nomeou a própria mulher como candidata de seu partido nas eleições presidenciais deste ano. Ele se sentiu pressionado pela derrota de seu candidato na eleição para a prefeitura de Buenos Aires. Cariocas e fluminenses já viram esse filme há cinco anos. E não gostaram nada do final.
  • Hugo Chavez pensa em desistir de filiar a Venezuela ao Mercosul? Essa, se confirmada, será uma ausência que preencherá lacunas.

3.7.07

LEVANDO A IDEOLOGIA ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQÜÊNCIAS...

Nada como um pouco de ironia e bom humor de vez em quando.

30.6.07

TOMANDO UMA PRA RELAXAR

Notícia da coluna Panorama Esportivo, no jornal O Globo de hoje:

CHAVEZ-FEIRA

O governo Hugo Chavez não permite a veiculação de propaganda explícita de bebidas alcoólicas em estádios da Copa América. Numa tentativa de driblar a proibição dos venezuelanos, a AmBev criou placas com o seguinte slogan: "Z, todo mundo ama", numa alusão à campanha publicitária da "Zeca-Feira", estrelada no Brasil pelo sambista Zeca Pagodinho.

No entanto, a solução quase criou um problema diplomático. O governo venezuelano achou que a mensagem exibida poderia significar algo cifrado contra o governo Hugo Chavez, feito por algum opositor.

Os marqueteiros ligados à cervejaria tiveram que se explicar direitinho para evitar a proibição. Só depois, a mensagem foi liberada.

Dá para perceber o clima que envolve a mídia no país de Chavez...

Só pra constar.

29.6.07

COMO NÃO FOI QUE ESCREVI UM TEXTO COMO ESSE? :-)

No link ao lado, o texto de Reinaldo Azevedo sobre o comportamento dos que temem os avanços da política de segurança do estado do Rio de Janeiro. Endosso-o, sem tirar nem pôr.

Resta saber se essa política é pra valer (o que seria um avanço no estado, nos últimos 30 anos) ou se é apenas jogo de cena. Que prossiga como está.

28.6.07

QUEM SABE, AGORA...



A mega-operação da polícia no Complexo do Alemão é, a meu ver, uma acertada tentativa de impor a ordem nesse velho pedaço de encrenca existente na Zona Norte carioca. Há cerca de dois meses, os policiais ocupam esse que é um dos setores mais violentos do Rio, onde a bandidagem domina. E a polícia diz que não há previsão de saída. No que está certa.

Há tempos, vários habitantes de favelas (nada de eufemismos como "comunidades carentes" ou que tais), em sua maioria gente honesta e trabalhadora, têm nos bandidos o seu caminho mais curto para a sua sobrevivência, através do assistencialismo que estes implementaram. Isso decorre da falência do poder público, sem competência para assistir a todos - se bem que muitos habitantes esperam o peixe ser servido, ao invés de aprenderem a pescar. Juntamente com a imagem do "bandido-herói", vem a aversão aos policiais - tanto que alguns protestos dos moradores do Complexo do Alemão foram realizados, exigindo o fim das operações. E isso é um problema.

Em quase seis meses de governo de Sérgio Cabral Filho, houve um acréscimo da violência em relação aos últimos meses do governo Rosinha - no que interpreto como uma conseqüência do governo anterior (esse tempo todo da família dos pequenos meninos no poder não se corrige de uma hora pra outra) e de alguns erros da atual política de segurança. Por isso, a operação desta quarta-feira pode ser vista como um grande acerto e uma vitória (estima-se que 19 bandidos tenham sido mortos e uma quantidade considerável de armamento pesado foi apreendida), por ser um sinal de que, depois de oito anos de desgoverno do clã Garotinho, a lei ainda está viva no estado do Rio de Janeiro - apesar de ainda respirar por aparelhos. Aguardemos as conseqüências.

27.6.07

O REI DO FORNECIMENTO DE DANONINHO


Pior que o crime em si ou a sensação de impunidade que suas conseqüências possam acarretar, é constatar que ainda há pessoas que incentivem a impunidade. Um exemplo disso é o pai de um dos jovens de famílias ricas (um deles, estudante de Direito) que surraram uma empregada doméstica na Barra da Tijuca, na madrugada de sábado para domingo, supostamente tendo-a confundido com uma prostituta (como se justificasse alguma coisa).


Esse "gênio" chamado Ludovico (pelo que se percebe, de genialidade inversamente proporcional à do personagem dos quadrinhos Disney) diz que essas "crianças", coitadinhas, têm que estudar e não podem ficar no mesmo ambiente de bandidos. E isso depois de dizer que, por ser mulher, ficou roxa com apenas uma encostada.

O que seria isso? Reinaldo Azevedo, ao se referir à invasão da USP por estudantes sem nada melhor pra fazer, disse que deveriam ser fornecidos sucrilhos e Toddynho aos invasores baby-face. Em relação à agressão de domingo, eu digo que é causada por excesso de Danoninho. Anos de mimo e liberdade exagerada aos pimpolhos, com direito a mesada de centenas de reais, TV por assinatura, Internet banda-larga e segurança particular quando sai do condomínio, costumam dar nisso. Agora, agüentem os mimadinhos. O pai reclamão e certo da impunidade parece ser um típico fornecedor do iogurte petit-suisse.

Continuo afirmando que isso é resultado da nossa legislação frouxa e arcaica. É urgente fazer mudanças, antes que algo ainda pior aconteça (e o pior é que já aconteceu, mas enfim...). A Humanidade regride nitidamente. E isso dá cada vez mais razão ao dito atribuído a Einstein, quando disse não fazer a menor idéia das armas que seriam usadas na Terceira Guerra Mundial. Só tinha a certeza de que a Quarta Guerra Mundial teria como armas paus e pedras.

Pra encerrar, deixo este texto de Aydano André Motta, que expressa com perfeição o que gostaríamos de dizer ao "fornecedor".

25.6.07

HORA DE APROVEITAR

Brasileiro é assim mesmo: é só aprontar alguma coisa que logo aproveita pra faturar. Tanto pro bem quanto (principalmente) pro mal. É uma forma honesta, neste último caso, de dar a volta por cima... ou de aproveitar a glamurização da vilania ou do jeitinho - ou o que vier primeiro. Quem assistiu ao filme Chicago sabe que não é uma exclusividade nossa. Mas, vamos lá.

Ana Paula de Oliveira é uma auxiliar de arbitragem no futebol. Reconhecida, com justiça, como uma dos (assim mesmo, no masculino) melhores auxiliares do futebol brasileiro, ultimamente vem se notorizando por erros crassos em partidas decisivas. Algumas "vítimas" de seus erros passaram dos limites ao protestar, não raro beirando a misoginia. Querendo dar exemplo, a Federação Paulista de Futebol a "rebaixou" para a Quarta Divisão Paulista. Não se sabe se ela queria sair de baixo dos holofotes, mas Ana Paula aproveitou a polêmica para faturar: assinou contrato para posar nua para uma revista masculina. Será a capa do mês que vem. Serei um dos primeiros a comprar.

Mônica Veloso é uma jornalista, que alguns anos atrás teve um caso com o atual presidente do Senado, Renan Calheiros. Ela já estava esquecida, mas foi relembrada devido ao escândalo político-sexual. Aproveitando a deixa, ela não descarta voltar à TV e nega ter recebido convites para também posar nua. Não duvido nada que venha a aceitá-los algum dia. Se isso acontecer, prometo analisar com carinho a possibilidade - não de posar nu, claro, mas de comprar uma hipotética revista com esse tipo de ensaio.

E assim se passam os dias. Daniella Cicarelli perdeu a causa que movia contra o YouTube, tentando proibir a execução de um vídeo em que fazia sexo com o namorado dentro d'água numa praia espanhola. Luana Piovani berra aos quatro ventos dizendo que Caetano Veloso fez uma música para ela. E temos vários outros exemplos. Basta ter um pouco de fama, como as pessoas referidas acima, pra aparecer só mais um pouco. Pra quem ainda não for famoso, é suficiente fazer alguma coisa.

É hora de aproveitar mais do que quinze minutos de fama. E nem precisa tentar entrar no Big Brother Brasil pra isso. Basta a oportunidade chegar.