...dar mais uma voltinha nesse mundo louco.
Tudo bem, vida que segue.

Quando alguma incursão policial numa favela obtém resultados consideráveis, é batata: é questão de tempo para os defensores dos direituzumanos do tipo Viva Rio, OAB-RJ e ONGs à moda daquela do filme Tropa de Elite meterem o pau.
Foi o que aconteceu depois da operação na Favela da Coréia, em Senador Camará, Zona Oeste do Rio. Nela, morreram doze bandidos, além de um policial e de uma criança de quatro anos, assassinada por um traficante. Uma cena da operação, exibida na TV, impressionou: dois bandidos foram perseguidos e mortos pela polícia, despencando ladeira abaixo, depois de terem atacado um helicóptero.
O presidente da OAB-RJ, o notório lulista Wadih Damous (aquele mesmo que detonou o movimento Cansei muito antes dos demais), declarou-se horrorizado com as cenas, repetindo as mesmas lorotas que os ongueiros pró-bandidagem costumam dizer. Além disso, um abaixo-assinado de ONGs, mais uma vez, defendeu os pobres bandidinhos dos policiais malvados que só estavam ali para aterrorizar a vida do povo...
Ou seja, novidade nenhuma. Pra quem achar que é, bem-vindo ao Brasil.

Estou meio atrasado em relação a escrever sobre esse assunto, mas vou falar dele assim mesmo.
O artigo escrito pelo apresentador Luciano Huck sobre a violência urbana, depois de ter um relógio de pulso, da marca Rolex, roubado num sinal de trânsito em São Paulo (em que ele se queixava da insegurança nos nossos grandes centros e chegava a pedir pela presença de alguém como o Capitão Nascimento do filme Tropa de Elite), foi interpretado por muitos como um grito "dazelite cansada" - ou seja, segundo a ótica dos críticos, ele teria que estar satisfeito por ter sobrevivido e aceitar sua sorte sem reclamar.
Assim como o direito de viver dignamente, todo brasileiro honesto, não importa se rico ou pobre, deve ter o direito de viver em segurança - e o poder público tem o dever de propiciar segurança à população, pois foi eleito para isso. Ao contrário do que muitos interpretaram, Huck não reclamava do roubo de um Rolex - afinal de contas, poderia perfeitamente comprar outro -, mas reclamava como cidadão pagador de impostos, assim como o fazia por aqueles que não tinham condições de se defender. E a sua menção ao filme Tropa de Elite - o mais novo alvo do esquerdismo à Robin Hood - apenas colaborou para aumentar o massacre ao missivista.
Mas o buraco é muito mais embaixo. O que há no Brasil da Era Lula é a satanização das elites, do enriquecimento através do esforço honesto. É a glorificação do pobrismo, ou seja, do orgulho de ser pobre, que é muito diferente de não sentir vergonha de sua pobreza. Criou-se a idéia de que todo rico é corrupto e todo pobre é uma vítima do "injusto sistema capitalista". Ou seja, ser rico parece ter virado um crime inafiançável no Brasil. Aconteceu com o movimento Cansei, capitaneado pelo empresário Dória Jr., que clama por um país mais honesto e ético, mas é interpretado como golpista pelos movimentos de esquerda pró-governistas. E está acontecendo agora com Luciano Huck.
O Banco Santander anunciou recentemente a compra do ABN-Amro, que é dono do Banco Real no Brasil. E isso certamente afetará a publicidade do Real, que é vista como aquela que mais aproxima a instituição de seus clientes. Entre suas bandeiras, estão a sustentabilidade e a responsabilidade social, além da atenção à natureza, tão em voga nos dias de hoje. Há o temor entre os seguidores dessa filosofia que isso desapareça, com a aquisição pelo Santander, que com a compra se tornou o segundo maior banco privado do país.
Claro, alguns concorrentes (espertos ou oportunistas, vai saber...) estão de olho neste filão. O HSBC lançou uma campanha de conscientização ecológica. Não sei se ela surgiu antes ou depois da compra do ABN (e, por tabela, do Real) pelo Santander, mas o fato é que se trata de uma oportuna campanha de marketing para os clientes preocupados com a poluição e o aquecimento global...
O comercial (não achei nenhum link para ilustrar) é que não é lá essas coisas. Uma mulher se aproxima de seu carro estacionado diante de uma calçada. Ao mesmo tempo, no meio de uma floresta, dois lenhadores começam a cortar uma árvore. A motorista abre a porta do carro e um dos lenhadores, como se fosse um boneco de vodu, abre os braços de forma, digamos, bem esquisita. A motorista liga o carro e o rádio, que toca uma canção disco, muito presente em paradas do Orgulho Gay... Claro, o lenhador solta a franga, rebolando pra frente e pra trás simultaneamente à saída do carro de onde estava estacionado. E começa a caminhar dançando, atrás de seu apavorado colega.
Publicitário fosse, eu faria melhor. O tal carro, depois de sair do estacionamento, receberia uma violenta colisão por trás. Aí, quem ficaria apavorado seria o alegre lenhador. A patrulha do politicamente correto certamente iria chiar. Mas o comercial, certamente, faria muito sucesso, ganharia vários prêmios internacionais de publicidade e estaria consagrado como uma grandiosa e bem-humorada campanha de uma instituição financeira. Ou não.

Nesta quinta, o presidente do Senado, Renan Calheiros, decidiu se licenciar do cargo, dizendo que pretende "preservar a imagem da casa". Concordo. Só não conseguiu esconder que fez isso porque o governo o deixou ao Deus-dará, ao perceber que se afundaria cada vez mais. Tanto que, dias antes, o senador petista Aloísio Mercadante se desentendeu com Calheiros, que o deixou falando sozinho no plenário. Logo Mercadante, que dera uma prova de lealdade ao governo quando se absteve de votar no processo de cassação de Calheiros, naquele infame 12 de setembro em que 46 (40 que votaram contra a cassação mais os seis que se abstiveram) senadores decidiram que Calheiros iria continuar na presidência do Senado.
Se querem saber a minha opinião sobre isso tudo, não me senti surpreso - apesar da teimosia de Calheiros em continuar no cargo, pelo menos até ontem. É que os governistas do PT não são honestos, mas também não são burros. Eles perceberam que, ao apoiar Renan, iriam afundar em credibilidade junto com ele. Por isso, o deixaram na mão.
Onildo me recomendou seguir esta corrente internética que vocês verão aqui. Achei interessante e resolvi dividi-la com vocês.
Essas são as instruções:
1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs
A frase resultante é esta:
"Foi uma suposição tão nítida, tão convincente, que ela a identificou como um presságio."
(MÁRQUEZ, Gabriel García. Cem Anos de Solidão. Tradução de Eliane Zagury. Rio de Janeiro, O Globo; São Paulo, Folha de S. Paulo, 2003)
Recomendo para os seguintes blogs (só segue quem quiser, claro):

Hoje, tive a oportunidade de assistir ao filme Tropa de Elite, de José Padilha (o ingresso está ao lado). E afirmo uma coisa: o filme é um belíssimo soco no estômago da hipocrisia nacional.
O filme conta a história de um chefe do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) que, demonstrando claros sinais de desgaste psicológico e estresse, além de estar interessado em dar mais atenção à família, procura um substituto. Já aposentado, ele narra o enredo que é muito bem desenvolvido, da maneira crua como o problema da violência raramente é enfrentado e mostrado para o público.
Ao mesmo tempo, através da visão do então chefe do Batalhão, é contado como há a incoerência entre o pensar e o agir - uma ONG que depende de bandidos para funcionar dentro de uma favela; uma passeata contra a violência, depois da morte de duas pessoas que cavaram suas próprias sepulturas, organizada por amigos, dentre os quais os consumidores de drogas que acabam alimentando o tráfico; o sucateamento da polícia, enquanto alguns dos oficiais de alta patente são cúmplices de atos ilícitos... Está tudo lá. E isso vai, no mínimo, demorar décadas para ser consertado.
Ao olhar a reação de alguns que se postaram contra o que o filme, embora indiretamente, propôs escancarando esses problemas, faço uma reflexão: por que será que esses críticos querem que tudo permaneça como está, impedindo que tais problemas comecem a ser resolvidos? Por que será que existe a cultura do pobrismo tão forte? Perguntas que eu gostaria de verem respondidas um dia.

Sempre vi com certo ceticismo o endeusamento de Ernesto "Che" Guevara pelas esquerdas de todo o mundo. Todo aquele que é visto como intocável, em minha opinião, deve ser visto com ressalvas - afinal de contas, ninguém na História atingiu a perfeição absoluta. E Guevara era visto como aquele que queria alcançar o impossível, que desafiou todas as dificuldades, que personifica o sonho que deve ser realizado, aquelas bobagens todas.
Na próxima semana, fará 40 anos de sua morte - o movimento MR-8, aquele do Hora do Povo, tem esse nome exatamente para homenageá-lo (Movimento Revolucionário 8 de Outubro, referência à suposta data da morte do guerrilheiro argentino). Nesta semana, a revista Veja publicou matéria de capa desconstruindo o mito guevariano. Despindo-se de quaisquer barreiras ideológicas (o que, nos movimentos de esquerda, é difícil de acontecer), o leitor poderá comprovar que o homem não é tão santo assim. Muito pelo contrário. A leitura valerá a pena. Logo no início da matéria, uma frase que teria sido dita por Guevara, momentos antes de sua morte, é bem significativa de sua visão de heroísmo: "Não atirem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto".
Ao ler sobre a matéria, muita gente que venera o companheiro do hoje decrépito Fidel Castro (como bem diz o final da reportagem, a grande sorte de Guevara foi ter morrido ainda jovem, pois não teve tempo de assistir à derrocada do comunismo) poderia perfeita e definitivamente vê-lo com outros olhos. Infelizmente, isso não acontecerá. Seus eternos seguidores preferirão continuar acreditando no Papai Noel de Sierra Maestra.

Criado como uma alternativa democrática ao regime militar que vigorava no Brasil, o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) sempre foi admirado por ser um partido aberto a várias correntes ideológicas (mesmo porque não havia outra opção na oposição na década de 70). Nos anos 80, ganhou a palavra "Partido" em seu nome, perdeu vários quadros para novas agremiações que surgiam no rastro da abertura política nacional (como o PT em 1980 e o PSDB em 1988, para citar os dois maiores exemplos), mas continuou sendo o maior partido do país durante certo tempo. Porém, sua alta "flexibilidade" política causa alguns constrangimentos.
Nos últimos anos, o PMDB se notorizou como um partido altamente volúvel e, não raro, chapa-branca, que mudava de opinião ao sabor dos acontecimentos (certo dia, Reinaldo Azevedo se referiu a ele como "partido de programa"). Não tem candidato próprio à presidência desde 1994 (com Orestes Quércia). Aproveitando-se dessa falta de personalidade própria, apóia o governo (não importa qual seja) em seus piores momentos. O caso do presidente do Senado Renan Calheiros, filiado ao partido, é bem significativo.
Aqui no estado do Rio, essa divisão é ainda mais acentuada. O casal ex-governador Anthony Garotinho (presidente regional do partido) e Rosinha Matheus anda às turras com o correligionário e atual ocupante do Palácio Guanabara, Sérgio Cabral Filho. Numa das alianças mais bizarras dos últimos tempos (embora até esperada - ambos têm em comum a oposição ao governo federal -, mesmo que prime pela total incoerência), Garotinho fez um acordo com o atual prefeito do Rio e inimigo declarado, Cesar Maia (DEM), que promete uma coligação para as eleições municipais do próximo ano, em que o antigo PFL faria a cabeça da chapa na capital fluminense. Evidentemente, o atual governador ficou tiririca com o ex-aliado. Convidou o seu secretário de Esportes e Turismo, Eduardo Paes, a trocar o PSDB (partido pelo qual foi deputado federal e se candidatou ao governo do estado) pelo PMDB, visando a concorrer à prefeitura. Como já era esperado, a cerimônia de filiação foi um tumulto só, com as claques dos dois lados só faltando se digladiar. É uma batalha de final imprevisível. E o temor é que ele não seja nada feliz para os cariocas e fluminenses.

Uma excelente notícia pra quem é carioca ou paulistano e não está se agüentando de ansiedade pra assistir ao filme Tropa de Elite como deve ser, na tela grande. Os produtores resolveram antecipar a estréia do filme, que seria em 12 de outubro, para a próxima sexta-feira, dia 5 - mas somente para as regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo.
Tomara que o filme estréie no UCI Kinoplex do NorteShopping, que fica a apenas meia hora de onde moro, a pé. Na semana passada, fui assistir a Cidade dos Homens e ganhei o direito de assistir a outro filme, com 50% de desconto, se voltar dentro de dez dias. Ou seja, juntarei o útil ao agradável na próxima sexta. :-)