15.4.09

OS MAIS NOVOS "HERÓIS" DO NOVO-MUNDO-POSSÍVEL



Há tempos, navios que passam pelo Golfo de Áden, no chamado Chifre da África, vêm sendo atacados por piratas oriundos da Somália - país que vive forte crise política há décadas, falido e em guerra. Estados Unidos e França reagiram, pelo menos em tese, e estão na mira dos piratas somális. Coisa que parece ser seguida pelos mesmos de sempre: os defensores de um-novo-mundo-possível.

Há quem defenda os atos de pirataria como uma resposta à "intervenção das potências ocidentais" ou coisa que o valha. Nenhuma surpresa: os ditos "progressistas" sempre tiveram a estranha tendência a defender todo tipo de gente causadora de problemas - contanto que esteja combatendo os inimgos. É a velha tática dos fins que justificam os meios, como já disse tantas vezes aqui.

O pior é que, com sua hesitação, o atual governo dos Estados Unidos dá a impressão de que anda amolecendo demais a mão. O blogueiro Mr. X escreve sobre esse assunto, em texto que vale a pena ser lido.

AH, SE FOSSE O BUSH...



O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, se meteu numa tremenda sinuca de bico: ele assumiu a paternidade de um menino que fará dois anos no mês que vem. Até aí, nada demais. O problema é que a criança foi concebida quando o atual presidente ainda era bispo da Igreja Católica - que pediu perdão a seus fiéis por causa disso, embora sem citar diretamente o caso.

Fico eu pensando o que iria acontecer se o presidente paraguaio não pertencesse a uma corrente dita "progressista": o pessoal iria cair de pau. Lembro-me na época do escândalo sexual envolvendo o então presidente norte-americano Bill Clinton, que era democrata, há cerca de uma década: ele chegou a sofrer um processo de impeachment que acabou não indo pra frente. Clinton fazia um bom governo naquela ocasião, mas demorou muito para se recuperar do baque - porém, permaneceu no cargo até o fim.

Fosse George W. Bush ou qualquer outro político republicano envolvido no escândalo, ocorreria no mínimo uma rebelião ou uma renúncia, como a feita por Richard Nixon em 1974, por causa do escândalo Watergate. Falando nisso, é impressionante como as bobagens cometidas por democratas (como a dita por Barack Obama a respeito de seu mau desempenho no boliche) são minimizadas e as cometidas por republicanos são superlativizadas. Pelo visto, indignação seletiva não é exclusividade dos brasileiros...

10.4.09

NA CONTRAMÃO DA MAIORIA, E COM ORGULHO DISSO

A decisão do atacante Adriano, da Internazionale (ITA), de interromper a carreira profissional por tempo indeterminado, por não se sentir feliz na vida, causa polêmica e faz pensar. Pelo simples fato de ser incomum a atitude do artilheiro, saído de um lugar pobre ao estrelato - conquistado graças a seu talento - em pouquíssimo tempo.

Neste caso, pode ter faltado apoio psicológico para o jogador, o que serve de alerta a qualquer atleta jovem que deixe o país e ganhe somas vultuosas de dinheiro no exterior. No fundo, ele não deixou de ser aquele jovem simples que vivia numa favela e era feliz mesmo assim, deixando de sê-lo ao fazer fortuna. Não deixa de ser lamentável, todavia, que trata-se de alguém que teve uma grande oportunidade e não quis aproveitá-la.

Mas não importam os motivos pelos quais Adriano decidiu se afastar dos gramados. O que interessa é que o ser humano deve ter sua vontade respeitada. Nada de fofocas, intrigas e notícias plantadas para vender jornal: a responsabilidade e o respeito devem vir em primeiro lugar.

O MORRO JÁ TEVE VEZES DEMAIS


Aos poucos, volta a ser discutido um assunto que vinha sendo demonizado por muita gente: a remoção de favelas no Rio de Janeiro. Este texto de Ali Kamel, publicado na edição de terça-feira passada do jornal O Globo, é um bom exemplo do que pode ser dito sobre o assunto.

Realmente nossos políticos, de olho nos votos futuros que os habitantes de favelas acarretam, atuam ineficazmente nessas comunidades. Muita maquiagem, muita obra de fachada, Favela-Bairro, Cimento Social, PAC e nada de resultados efetivos. Ao mesmo tempo, um batalhão de obras superfaturadas e, na maioria das vezes, inúteis gasta o dinheiro que deveria ser utilizado em coisas mais urgentes.

O primeiro governo Brizola (1983-1987) pode ser considerado o marco inicial desse estado de coisas. A favelização da cidade já existia antes disso, óbvio, mas foi com o chamado "socialismo moreno" que ele se consolidou para nunca mais se encerrar. Os governos seguintes embarcaram na onda, assim como as prefeituras da capital fluminense desde então. O resultado é exatamente o que os cariocas veem nos dias de hoje: favelas tomando a mata nativa e o consequente aumento da sensação de insegurança.

Mas algo começa a surgir, depois de décadas: a discussão sobre a remoção de favelas (algo satanizado por movimentos sociais) e a possibilidade de construção de casas populares de baixo custo, como feito na época em que Carlos Lacerda governava o antigo estado da Guanabara - com a diferença de que, desta vez, o programa de habitação possa funcionar com força. Mas os populistas tempos atuais impedem que isso seja discutido sem mexer com as sensibilidades ditas "progressistas".

Essa mania de correção política tem que ser superada. O morro já teve vezes demais. É impossível urbanizar favelas situadas em lugares suspensos. Ou nossas autoridades abrem os olhos sobre esse assunto, ou será questão de tempo para a cidade do Rio de Janeiro acabar de vez.

9.4.09

SUPEROBAMA CONTRA... O QUÊ, MESMO?



Já se imaginava que o messianismo em torno do nome do presidente norte-americano Barack Obama chegaria a níveis inacreditáveis. Só não se sabia que iria a tanto, chegando a beirar o ridículo. Foi divulgado o lançamento de uma série de histórias em quadrinhos em que o presidente será uma espécie de herói bárbaro, enfrentando inimigos claramente inspirados no governo anterior.

Leia mais aqui, para ter uma simples ideia do que está por vir. Só quero saber se os quadrinistas farão seus heróis enfrentarem adversários mais factíveis como a crise mundial, os terroristas, os ditadores atômicos... Não o governo anterior, que se encerrou há mais de três meses. Eu sei que a Era Bush deixou traumas no mundo inteiro. Mas, a essa altura do campeonato, chutar cachorro morto é fácil.

QUANTA DIFERENÇA...

Do Blog de Marcos Guterman:

O presidente Obama goza de boa popularidade, mas há alguns americanos bastante insatisfeitos com ele. São os humoristas.

Depois de oito anos de bushismos, está faltando material para fazer humor com o sujeito que mora na Casa Branca. Como diz o humorista político Daniel Kurtzman: “Podemos dizer seguramente que Obama jamais será páreo para o legado de Bush”.

Compreensível. Ninguém (a não ser os esquerdistas latino-americanos) gosta de humor a favor...

Em compensação, aqui no Brasil, a presidência da República é um prato cheio para os humoristas. E vem mais por aí: ganhe Dilma ou Serra no ano que vem, o repertório de piadas estará garantido por, pelo menos, mais quatro anos.

PROTÓGENES QUEIROZ, SIM, É QUE É "O CARA"



Em mais um confuso depoimento, o delegado Protógenes Queiroz (aquele da Satiagraha) afirmou não ter espionado o filho do presidente Lula, Fábio Luiz Lula da Silva, e a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata petista à presidência da República, Dilma Rousseff - ao contrário do que ele próprio parece ter espalhado aos quatro ventos não faz muito tempo atrás. De resto, ele preferiu exercer o direito de permanecer calado, sem contribuir em nada para a CPI dos Grampos. É mais um capítulo da fastigante egotrip protogenesiana, alçada como heroica por muitos que sonham com o fim da corrupção no Brasil, mas que, reafirmo, sempre acham que os fins justificam os meios.

Na hora do vamos-ver, o delegado tirou o corpo fora, sem detalhar em nada o suposto envolvimento de importantes figurões do governo na formação da BrOi (a fusão da Oi, da qual o filho de Lula é importante figura, com a Brasil Telecom) ou os jornalistas que apoiam o empresário Daniel Dantas, denunciado por ele na Operação Satiagraha. Ou seja, um fiasco que denuncia que o delegado, no mínimo, não está batendo muito bem da cabeça.

Não sei se vocês se lembram da carta que o delegado teria mandado ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Nela, ele acusa Lula de receber dinheiro de Dantas. Tenho a ligeira impressão de que, se Obama tivesse se dado o trabalho de ler a missiva (tenho certeza de que ele não o fez), num exercício de faz de conta daqueles bem forçados, o presidente norte-americano não consideraria seu colega brasileiro "o cara", como ele afirmou em Londres, no encontro do G-20. Esse epíteto iria para o nobre delegado Protógenes Queiroz...

6.4.09

O QUE A CRISE POLÍTICA NÃO FAZ...



A crise política que o Brasil passa é capaz de nos impor fatos surpreendentes. Vejam, por exemplo, o caso do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ele sugeriu, nesta segunda-feira, um plebiscito no qual o eleitorado pode decidir sobre... o fechamento do Congresso Nacional. Leia mais aqui.

O fato é que, por mais bem intencionada (sic!) que seja, a ideia do senador não poderia ser mais estapafúrdia. Isso remete a períodos nada edificantes de nossa História, como o ano de 1968, por exemplo - naquela ocasião, o Congresso Nacional foi fechado pelo regime militar vigente, que endureceu de vez com a promulgação do Ato Institucional Número 5. Bem antes disso, em 1937, Getúlio Vargas fez a mesma coisa para instalar o Estado Novo - outra ditadura que, sabe-se lá o porquê, conta com a simpatia de "setores progressistas" da nossa sociedade. Ainda hoje, em países vizinhos como a Venezuela, isso é assunto polêmico.

Por mais que nossa população esteja revoltada com nossos políticos, isso não é motivo para algo tão radical - ainda que o próprio senador tenha dito que seria contra o fechamento se tal ideia fosse levada em frente. Isso faz concluir que a experiência em partidos como PT e PDT fez o senador ter seus miolos derretidos e ter essas ideias de jerico, vai saber.

Ele quer que o Congresso melhore e passe a ser motivo de orgulho? Ano que vem tem eleição. Quem sabe, ele e os políticos íntegros deste país (eles são raros, mas existem!) não fazem esse tipo de campanha para limpar o Congresso. Se bem que houve uma chacoalhada em 2005 (a crise do mensalão) e de nada adiantou. Mas sempre há uma esperança!

3.4.09

"LULA IS MY MAN" (BARACK OBAMA)


Como diria o falecido Clodovil: boi preto (ou, neste caso específico, "afro-americano") conhece boi preto.

1.4.09

O FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO



Recentemente, a atual detentora do posto de Miss Universo, a venezuelana Dayana Mendoza, visitou o presídio de Guantánamo, base norte-americana em Cuba. É uma visita promovida por uma organização que presta auxílio às tropas dos Estados Unidos.

Há anos, o presídio é criticado por organizações de direitos humanos, que o acusam de promover torturas a seus detentos - nos últimos anos, terroristas envolvidos nos atentados de 11 de setembro de 2001 e nas guerras do Iraque e do Afeganistão. Pois bem: a Miss Universo certamente não compartilha dessas críticas. Que o digam os elogios por ela proferidos depois da visita.

Certamente o presidente venezuelano Hugo Chavez não vai concordar nem um pouco com a opinião da mais bela filha de sua terra - ainda mais em um país em que seus habitantes acompanham o concurso de Miss Universo como se fossem brasileiros assistindo uma partida da Seleção numa Copa do Mundo. Mas ele não deixa de ter uma certa dose de culpa nisso.

A Miss tem 22 anos (fará 23 em junho). Quando Chavez subiu ao poder, ela tinha 12. Imagine o quanto a pobrezinha deve ter sofrido de lavagem cerebral, assim como os jovens de seu país que certamente devem ter perdido o senso crítico. Ou seja, ela passou a acreditar em qualquer coisa que vê, sendo altamente influenciável. De certa forma, o feitiço virou contra o feiticeiro.