

Como bem disse Raphael Perret em seu Butuca Ligada (www.butuca.blogspot.com), os eleitores estão inexplicavelmente apáticos em relação à política, sem discutir sobre o assunto do jeito que deveriam. Isso provavelmente se devem à decepção dos escândalos que abalam a política desde o ano passado. Em 1992, quando houve uma crise parecida, manifestantes saíram às ruas para pedir o impeachment do então presidente Fernando Collor. O pretexto era de que o "Caçador de Marajás" simbolizava a direita, a última herança do regime militar que dominou o Brasil durante mais de duas décadas. Mas agora, catorze anos depois...
O fato de tais casos de corrupção se derem no governo Lula (alguém em quem grande da população sempre acreditou) foi um verdadeiro baque. Devem estar pensando o seguinte: se até Lula é corrupto, quem não seria? Mas o fato é que ninguém está livre do risco de ser pego com a boca na botija. Muitas denúncias surgem todos os dias, fazendo-nos reparar que o PT não é essa ilha de ética que se apregoou tanto. Aliás, a imprensa brasileira está de parabéns. Não é por acaso que o governo vem batendo tanto nela.
O pior é que ainda há quem acredite que Lula não sabia de nada - o que ele diz há mais de um ano, desde que a crise estourou. Desse jeito, fica difícil mudar alguma coisa.

A mais recente polêmica envolvendo o Islã e o Ocidente se deve à má interpretação de uma declaração do Papa Bento XVI, que citou uma frase de um imperador bizantino, que criticava o profeta Maomé acusando-o de impor sua fé através da violência. Pronto: apesar de ser apenas uma citação, a grita islâmica foi geral, numa reação que lembrou (em grau pouco menor) àquela às charges de Maomé publicadas num jornal dinamarquês no ano passado (o detalhe é que as tais reações se dariam meses depois).
Isso tudo mostra como está o mundo pós-11 de Setembro: dividido ao meio. De um lado, muçulmanos (auxiliados por governantes de esquerda - dizendo ser "solidários com os mais pobres e oprimidos pelo imperialismo", imagine! - ou partidários islâmicos que patrocinam o terror) irados com o que consideram uma perseguição imposta pelo Ocidente, uma "conspiração judaico-cristã mundial para destruir o Islã"; do outro, governantes poderosos ávidos por poder com o pretexto de "espalhar a democracia". No meio disso, vítimas inocentes dos radicais dos dois lados. Todo o diálogo do mundo não parece ser suficiente para aplacar a fúria. E essa situação toda só tende a piorar.
Sem o auxílio da diplomacia, todos os esforços para evitar um iminente conflito de civilizações serão um estrondoso fiasco. E o pior é que há quem quer que isso ocorra.

Mais um escândalo atinge o governo Lula e a população parece não estar nem aí. Contentando-se com as migalhas que o governo dá à população (o que lembra as ascensões de Brizola e Garotinho, entre outros menos votados), os eleitores reelegeriam o presidente em primeiro turno. Seria falta de opção? Medo de perder os benefícios? Medo da volta da "direita" ao poder? Ou alienação, mesmo?
Os assessores do PT que tentaram vender uma matéria para atacar candidatos tucanos certamente têm algo mais a dizer, pelo fato de não terem conseguido convencer a todos. Se isso vai se confirmar, só o futuro dirá. Enquanto isso, vamo-nos preparando para mais quatro anos de polêmicas e escândalos.
Hoje, faz cinco anos que foi cometido o maior atentado terrorista da História, com o choque de dois aviões nas torres do World Trade Center, em Nova Iorque, e de mais um no Pentágono. Nos dias de hoje, uma conclusão pode ser tirada: o mundo piorou. Nenhuma surpresa. Mas ninguém esperava que o planeta fosse ficar tão inseguro, com o aprimoramento da estratégia de terror psicológico perpetrado pelos malfeitores.
Dentre outras bizarrices ocorridas neste cinco anos (além da motivação religiosa, que passou a ser motivação principal - ou mero pretexto, dá no mesmo - da grande maioria dos atentados, independentemente de seu tamanho ou de seu impacto), houve o (tímido, mas providencial) apoio de setores de esquerda aos terroristas, políticos apoiadores do terror ascendendo ao poder (como no Irã e nos territórios palestinos), tresloucadas respostas a atos terroristas (como na insana invasão ao Iraque, realizada com a desculpa de tentar encontrar armas de destruição em massa)...
Enquanto a questão não for tratada com o devido equilíbrio, não haverá como sairmos desse atoleiro sem sofremos conseqüências.
Vejam como no mundo da política se faz de tudo para se livrar da responsabilidade. O candidato do PDT ao governo do estado do Rio, Carlos Lupi (que também é o presidente nacional do partido), disse em seu programa eleitoral que não deseja que o povo dê "mais quatro anos para o PMDB de Sérgio Cabral" depois de "oito anos de PMDB, quatro de Garotinho, quatro de Rosinha". Ora, primeiramente, Benedita da Silva, do PT, governou durante oito meses em 2002, quando Garotinho renunciou para concorrer à Presidência naquele ano. E, principalmente, Rosinha foi eleita em 2002 pelo PSB. E Garotinho foi eleito em 1998 pelo... PDT.
Começou o Horário Eleitoral Gratuito, o programa de TV que todo brasileiro deveria assistir. Não estou brincando, não! Além de ajudar a escolher seu candidato, é uma excelente oportunidade de dar boas risadas. Principalmente ao ler as legendas...
A quantidade de erros de português nestas legendas ("perceguido", "pesso seu voto", "fraldulentamente", "falças pesquisas", entre outras pérolas) chega a ser assustadora. As letrinhas miúdas de algumas delas também não ajudam na tentativa de inclusão social. Mas o pior é ter que aturar candidato à Presidência tropeçando no português (a "hetacombe" do Bivar é a campeã).
Isto posto, vamos declarar: quem cometer erros crassos de português durante o horário político, não merecerá o nosso voto! Palavra de professor formando...
P.S.: Que a Rede Gospel e a TV Aparecida exibam aqui no Rio o horário eleitoral de São Paulo, até dá pra entender. Mas por que diabos a TV Canção Nova exibe aqui o horário eleitoral de Sergipe??? :-P
O Brasil vive um caos institucional poucas vezes visto em sua História. Denúncias de corrupção infestam o noticiário, dia após dia. O populismo do atual governo é evidente. E, mesmo assim, seus índices de aprovação vêm subindo.
Pode-se culpar a larga tendência de baixo nível da campanha eleitoral pela consolidação iminente de Lula para sua reeleição. Pode-se culpar a falta de melhores opções dos eleitores na campanha presidencial. Mas não se justifica o crescimento do nome do candidato à reeleição nas pesquisas de opinião para as eleições de outubro. Era para ser bem mais equilibrado.
E o estado de espírito de Lula não ajuda. Na entrevista de ontem na TV, o presidente cometeu diversas gafes, que poderiam derrubá-lo já, não tivesse o povo brasileiro memória curta e larga "identificação" com o presidente. Há o risco de se repetir aqui o que ocorre nos Estados Unidos (e ocorreu no Brasil, de 1999 a 2003): um desgaste inevitável que um governante reeleito tem sobre o país, o que propicia crise política e financeira. Aguardemos os próximos capítulos. Mas ainda há tempo de mudar.