Tempo de Copa do Mundo, tempo de recesso por aqui. Sobre a maior competição do futebol mundial, estou falando no Golblog FC, ali ao lado. Mas, fora das quatro linhas, as coisas andam quentes. Delas falarei nos próximos dias. Aguardem.
30.6.10
2.6.10
DOIS TEXTOS ALTAMENTE EXPLICATIVOS

Na blogosfera, dois textos que merecem a sua atenção e explicam muito a situação do Oriente Médio - e que ainda há muita coisa escondida a respeito da "frota humanitária" que ia a Gaza. Aqui, do Blog do Mr. X, a constatação de que o ódio anti-israelense irá continuar, por mais concessões que o Estado judeu faça - e que, por isso, Israel terá que continuar se defendendo. E aqui, um texto de Reinaldo Azevedo - meio longo, mas que vale a pena ser lido.
31.5.10
SEJA UMA VÍTIMA VOCÊ TAMBÉM!

O ataque do Exército israelense a um navio de uma ONG turca que supostamente levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza levanta uma questão interessante: o conflito israelo-palestino é uma coisa absolutamente previsível. Afinal, pra ser vitimado e posar de mártir pro mundo inteiro é simples: basta tentar desafiar (com direito a furar um bloqueio marítimo) um país bom de defesa, mas péssimo em autopropaganda. Daí em diante, é só deixar rolar.
Como se esperava, protestos contra a defesa de Israel rolaram mundo afora. Um desavisado qualquer poderia facilmente culpar a "reação desproporcional" dos israelenses - mas o fato é que muita coisa precisa ser percebida para que não tiremos conclusões precipitadas. A tal ONG (sobre a qual pairam suspeitas de aliança com o Hamas e até com a Al-Qaeda) dizia querer levar ajuda humanitária a Gaza, mas estavam prontos para combater os soldados que certamente bloqueariam o navio, com algumas armas, digamos, "amadoras" - além disso, os ongueiros resistiram ao máximo ao bloqueio, chegando a agir com violência em vários momentos. Evidentemente, os soldados reagiram ao ataque - estima-se que dez integrantes do navio tenham morrido na ação.
Pelas circunstâncias da ação, é evidente que os integrantes do navio queriam ser vistos como vítimas: seria muito mais fácil chegar a Gaza pela fronteira com o Egito, e à luz do dia. O pior de tudo é que a ajuda pode ter sido desnecessária: Israel diz que distribui diariamente mantimentos ao território palestino, por ele deixado em 2005 e usado pelos terroristas do Hamas desde então para atirar foguetes ao sul do país vizinho. Mas, como disse no início deste texto, Israel é um país bom em se defender, mas péssimo em fazer propaganda de si mesmo.
16.5.10
UMA LONGA AUSÊNCIA, MAS EU EXPLICO
Tá, eu não gosto de ficar assim tanto tempo sem escrever por aqui, mesmo com tanto assunto pelo mundo. É que estou com vários problemas para atualizar este blog: muito trabalho, falta de inspiração, outras prioridades que podem influenciar no meu futuro. Afinal de contas, anda difícil arranjar emprego hoje em dia e falta dedicar meus pensamentos no que gostaria de escrever por aqui. Aos meus poucos leitores, peço a compreensão.
4.5.10
E ALGUÉM ACHAVA QUE SERIA DIFERENTE?!

Faltando exatos 1.501 dias para o início da Copa do Mundo de 2014 (levando-se em consideração que o Mundial ocorrerá de 13 de junho a 13 de julho), está aceso o sinal de alerta nas relações entre a FIFA e o Comitê Organizador chefiado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira. O secretário-geral da instância máxima do futebol mundial, Jérôme Valcke, demonstrou estar começando a perder a paciência com a demora no início das obras de infraestrutura para o megaevento, que atrasaram duas vezes e não têm previsão de início. Apenas metade das 12 cidades-sede escolhidas pela FIFA começou tais obras, e mesmo assim em ritmo lento e discreto. Teme-se que tais atrasos acabem influenciando no futuro.
Penso da seguinte forma: alguém duvidava que seria diferente? Afinal de contas, estamos no Brasil, onde tudo parece permitido. Pelo visto, nós não aprendemos com a experiência dos Jogos Pan-Americanos de 2007, quando os locais de prova foram concluídos na correria e com acusações de superfaturamento. Na mesma época, o Brasil foi escolhido sede do Mundial e nada de relevante foi feito até hoje, apesar de todos os avisos emitidos pela imprensa desde então. É só pegarmos tudo o que passamos há três anos, multiplicar por doze e teremos uma vaga ideia do que nos espera em 2014.
Isso, claro, se a FIFA tiver mais paciência do que já está tendo e não tirar do Brasil o direito de sediar o Mundial, como ocorreu com a Colômbia, que perdeu para o México a sede de 1986 por problemas financeiros e de segurança. Quem sabe, assim, não tomamos jeito, por mais difícil que isso venha a acontecer...
(Publicado originalmente no Golblog Futebol Clube)
24.4.10
UMA MÃO LAVA A OUTRA... COM ÁGUA BENTA

Todos devem saber do megaculto da Igreja Universal do Reino de Deus que parou (literalmente) o Rio no feriado de quarta-feira passada. Foi realizado na Enseada de Botafogo, ponto altamente estratégico para causar um nó no trânsito da cidade, como foi demonstrado várias vezes em eventos similares. Ninguém entendeu direito, desta vez, porque a prefeitura do Rio liberou um evento como esse, em local público, sem um esquema de trânsito convincente. Até que começamos a ter uma vaga ideia do motivo - lamentável sempre, mas nunca surpreendente.
Reportagem da edição de ontem do Jornal do Brasil levantou uma grave suspeita: a de que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, teria liberado o evento como forma de retribuição e apoio - pelos votos de evangélicos que o ajudaram a se eleger em 2008, e para ajudar o senador fluminense Marcelo Crivella (PRB), pastor licenciado da Igreja Universal e sobrinho de Edir Macedo, a se reeleger nas eleições de outubro próximo. Vale lembrar que o prefeito e o senador têm em comum o fato de fazerem parte da base do governo Lula e apoiarem a candidatura de Dilma Rousseff (PT) à presidência da República.
Faço questão de deixar bem claro: na política do Rio, essa troca de favores é muito comum, o que é mais repulsivo ainda, visto que isso se entranhou no cotidiano carioca e fluminense. Esse fato é agora mais grave, já que se trata de uma mistura de política e religião, lembrando as eleições fluminenses de 2002 (ainda falarei disso por aqui). Evoluindo de tal forma, não demorará muito para que, num daqueles programas religiosos da madrugada, o pastor mande colocar aquele copo d'água em cima do seu televisor e, logo depois, mande lavar as mãos com ele... de forma simbólica, obviamente.
23.4.10
INDEPENDE DE FÉ. DEPENDE, SIM, DE HUMANIDADE

- Filme: Chico Xavier (Brasil, 2010)
- Direção: Daniel Filho
- Elenco: Nelson Xavier, Ângelo Antônio, Matheus Costa, Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Luís Melo, Pedro Paulo Rangel, Giovanna Antonelli, André Dias, Paulo Goulart
O grande sucesso do cinema nacional na temporada (mais de dois milhões de ingressos vendidos em cerca de três semanas, ou seja, tudo o que Lula, o Filho do Brasil quis mas não conseguiu ser) é o que é por retratar um personagem que sempre foi admirado, independentemente de religião ou filosofia de vida. Depende, sim, do grau de humanidade que cada um tem.
O maior médium brasileiro, Chico Xavier (1910-2002), é entrevistado num popular programa de TV, no início dos anos 1970. Enquanto conta sua trajetória de vida aos entrevistadores, o espectador tem a ideia do que o protagonista tem, de forma até isenta: com muitas contestações contra seu trabalho, é verdade, mas contando com muita compreensão também. Logo percebe-se que trata-se de um predestinado, aprecie-se ou não o seu caminho.
Durante a entrevista, começa-se a desenhar um destino que apenas a mediunidade, neste caso, seria capaz de fazer, como ficaria claro da metade do filme em diante. Verdade? Mentira? Cabe ao espectador decidir.
10.4.10
O "SOCIALISMO MORENO", ENFIM, MOSTRA A SUA CARA

A tragédia que se abateu sobre a cidade de Niterói, governada pelo mesmo grupo político (chefiado pelo atual prefeito, Jorge Roberto Silveira, que está em seu quarto mandato) desde 1989, escancarou algo que atinge há décadas a cidade vizinha, o Rio de Janeiro, e mostra a cara agora na antiga capital fluminense: o famigerado populismo que é aceito passivamente por grande parte do eleitorado do estado do Rio.
Desde a época de Chagas Freitas (1979-1983), segundo governador fluminense após a fusão (tinha sido governador da Guanabara entre 1971 e 1975), há fortes tendências populistas passando pelo Palácio Guanabara - mas foi com o nada saudoso Leonel Brizola (1983-1987 e 1991-1994) que isso ficou ainda mais evidente. Durante os governos do líder pedetista, a favelização (que já era um problema no Rio) se espalhou ainda mais pela Região Metropolitana. Aliás, os políticos encontraram um filão inestimável através das favelas, com a grande possibilidade de angariar mais votos. E isso veio através do "socialismo moreno" tão propalado por Brizola e seu vice no primeiro mandato, Darcy Ribeiro.
Vários políticos da região beberam na fonte do brizolismo para se dar bem na política fluminense - entre eles, os ex-governadores (e ex-prefeito da capital entre 1989 e 1993) Marcello Alencar (PSDB, 1995-1999), Anthony Garotinho (PDT/PSB, 1999-2002) e Rosinha Matheus (PSB/PMDB, 2003-2007), e o ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (PMDB/PFL, 1993-1997 e PTB/PFL-DEM, 2001-2009). Coincidência ou não, o problema da favelização ficou ainda pior com os filhotes do brizolismo no poder. É isso que acontece em Niterói, com o grupo de Jorge Roberto Silveira (1989-1993, 1997-2002 e desde 2009), com a ajuda do também pedetista João Sampaio (1993-1997) e, mesmo tendo se desentendido no meio do mandato, o petista Godofredo Pinto (2002-2009). Durante esses mandatos todos, foram feitas melhorias (saberia-se depois, de fachada) no Morro do Bumba, onde até 30 anos atrás estava um imenso depósito de lixo... Deu no que deu, como pudemos perceber, da pior maneira possível, nesta semana.
Que a tragédia (mais uma!) fique na memória dos eleitores fluminenses para a eleição de outubro. Se bem que, considerando-se o retrospecto do eleitorado do estado do Rio, acho muito difícil isso acontecer.
7.4.10
SEMPRE PODE PIORAR

Como sabemos, o Rio de Janeiro sofre as mais intensas chuvas em 44 anos. Em dois dias de temporais, já são mais de 100 mortos e milhares de desabrigados. A população, como sempre ocorre em fatos como esse, cobra das autoridades estaduais e municipais providências para conter a tragédia, que fez com que o Rio parecesse ter sido atingido por uma tsunami. É uma prova de fogo para o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), que tentará a reeleição e é apontado como o grande favorito - ainda mais com a crise na aliança que pretende apoiar o deputado federal Fernando Gabeira (PV), que se recusa a ter na coligação o ex-prefeito carioca Cesar Maia (DEM), pré-candidato ao Senado; muitos condicionam a aliança nacional do antigo PFL com o PSDB e o PPS, no apoio ao pré-candidato José Serra à presidência da República, à aliança fluminense.
O atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), vem demonstrando maior preocupação, considerando-se as seguidas declarações à imprensa acerca da catástrofe. O governador parece mais passivo, assim como o prefeito da cidade com o maior número de vítimas fatais, o niteroiense Jorge Roberto Silveira (PDT). Sabe-se que Cabral aparenta querer fazer sua campanha quase que no piloto automático, mas não é bom ele se descuidar - afinal, há populistas (tipo político à solta no estado do Rio, desde sempre) à espreita. Além do próprio Cabral, deverá declarar apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) à presidência da República o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Se Cabral não se cuidar e Gabeira não crescer, periga Garotinho acabar voltando ao Palácio Guanabara. Basta lembrar do que acontecia na época em que ele (1999-2002) e sua esposa Rosinha (2003-2007) mandavam e desmandavam por lá - populismo desenfreado, qualquer coisa a um real, semiproselitismo religioso, falta de segurança crônica nas ruas... Agora, imaginem isso tudo com Dilma na presidência. Seria o pior dos mundos, tanto nacionalmente quanto estadualmente.
A situação atual é difícil. Mas lembrem-se, eleitores brasileiros e, em particular, fluminenses: sempre pode piorar.
30.3.10
E AGORA?

Pelo menos 39 pessoas morreram em atentados ocorridos ontem no metrô de Moscou, um dos mais movimentados do planeta. Supõe-se que os atos terroristas tenham sido perpetrados por chechenos, que lutam pela independência de sua região, de maioria muçulmana, no sul do país - a Chechênia foi anexada ao então Império Russo há mais de 150 anos. Os entreveros entre russos e chechenos existem, em maior ou menor grau, desde então, mas se intensificaram depois do fim da União Soviética, no início dos anos 1990.
O presidente russo Dmitri Medvedev pediu leis melhores para punir os terroristas e o ex-presidente e atual primeiro-ministro Vladimir Putin prometeu retaliar os atentados, dizendo ser questão de honra achar os mentores. Não será nada fácil, pois os russos levantaram suspeitas de que os terroristas chechenos tenham ligações com a Al-Qaeda, de Osama bin Laden, embora isso seja contestado por muitos.
Como percebemos, terroristas oriundos de uma região predominantemente muçulmana matam dezenas em um meio de transporte público, as vítimas prometem represálias e, no Ocidente, fala-se nada ou lamenta-se a sorte russa. O mesmo ocorre quando a China reage a protestos de muçulmanos uigures, como ocorreu no ano passado. Fico imaginando o que aconteceria se fosse um alvo norte-americano, britânico ou israelense o atingido: o que haveria de gente condenando as vítimas e as reações que viriam não seria brincadeira. É algo com o qual não deveríamos estar acostumados, como parecemos todos estar.