4.10.10

O grande duelo político brasileiro começa agora

O segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), pode ser entendido como um sinal de que parte do eleitorado brasileiro dá importância à experiência administrativa de cada candidato, enquanto outra parte está agradecida pelas conquistas sociais do governo Lula - tanto que deu ao atual governo grande parte do Congresso Nacional. Ou seja, Dilma certamente contará com a maioria caso eleita, enquanto Serra terá que negociar - se bem que, no caso do PMDB, isso não deverá ser muito difícil. A tendência, apesar da boa vantagem da candidata da situação, é de forte equilíbrio, visto que a candidatura de Marina Silva (PV) cresceu muito na reta final e, com isso, a candidata verde passa a ter seu apoio cobiçado pelos dois finalistas, pois ele pode ser decisivo.

Muitos estados corroboraram o atual governo, como Pernambuco (que reelegeu, com larga margem de votos, o governador Eduardo Campos, do PSB, com 82,84%, e ainda elegeu dois senadores governistas: Armando Monteiro, do PTB, e Humberto Costa, do PT, desbancando Marco Maciel, do DEM) e Bahia (o mesmo em relação a Jaques Wagner, do PT, que teve 63,83%, ajudando a eleger senadores Walter Pinheiro, também do PT, e Lídice da Mata, do PSB).

Mas os dois maiores colégios eleitorais do país reafirmaram suas opiniões, na contramão do governo federal. Em São Paulo, Geraldo Alckmin foi eleito governador pela segunda vez, com pouco mais da metade dos votos válidos (50,63%), recuperando-se de fracassos eleitorais recentes; além disso, o também tucano Aloysio Nunes surpreendeu gratamente na corrida pelo Senado, obtendo o maior número de votos, desbancando o então favorito Netinho de Paula, do PCdoB (a outra senadora eleita, de forma até esperada, é a petista Marta Suplicy; aliás, são prometidas fortes emoções no Senado Federal a partir do ano que vem, já que um dos colegas de Marta é seu ex-marido Eduardo Suplicy). Em Minas Gerais, graças a um crescimento avassalador, o governador Antônio Anastasia, também do PSDB, foi reeleito também no primeiro turno, com 62,72% (com forte apoio do correligionário Aécio Neves, eleito senador e que faz um nome forte para 2014, caso Dilma confirme o favoritismo na eleição presidencial; o outro senador eleito é o ex-presidente Itamar Franco, do PPS).

Além disso, vários outros estados elegeram governadores de oposição no primeiro turno, como Paraná (Beto Richa, do PSDB, com 52,44%, apesar de os senadores eleitos serem de partidos governistas: Gleisi Hoffmann, do PT, e Roberto Requião, do PMDB), Rio Grande do Norte (Rosalba Ciarlini, do DEM, com 52,46%; o estado reelegeu como senadores Garibaldi Alves Filho, do PMDB, e José Agripino, também do DEM) e Santa Catarina (o senador Raimundo Colombo, do DEM, foi eleito com 52,72%; outro estado em que a oposição fez barba, cabelo e bigode, elegendo os senadores Luiz Henrique da Silveira, do PMDB, e Paulo Bauer, do PSDB).

No estado do Rio, foi a vez da afirmação do governo. O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), como era de se esperar, foi reeleito com folga no primeiro turno, com 66,08% dos votos válidos (batendo os 61% da vitória de Leonel Brizola em 1990), tornando-se o primeiro governador reeleito da história do estado (também tinha se tornado o primeiro governador fluminense a tentar a reeleição). Além disso, Lindberg Farias (PT), ex-prefeito de Nova Iguaçu, se elegeu senador, com outro governista (Marcelo Crivella, do PRB) sendo reeleito para o cargo, numa disputa empolgante com outro pró-Lula, Jorge Picciani (PMDB). O destaque negativo foi a pífia votação dada ao ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), evidenciando a má fase de seu partido no estado - o Democratas elegeu apenas dois deputados federais (Arolde de Oliveira e o presidente nacional do partido, Rodrigo Maia) e uma deputada estadual (Graça Pereira).

No Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) foi eleito com 54,35%; no Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) se consagrou com 82,30%. Ou seja: pela primeira vez, todos os estados das regiões Sul e Sudeste elegeram seus governadores no primeiro turno.

Nos próximos dias, mais comentários sobre as eleições de 2010.

2.10.10

Declaração de voto

Pois bem: não sou muito de expor minhas intimidades rede mundial de computadores afora, pois adoto um estilo discreto. Mas neste caso abrirei uma exceção, mesmo porque é preciso ser franco num momento decisivo como esse. É necessário haver quem defenda suas convicções, e ter o direito de fazer isso. Refiro-me às escolhas que farei na urna eletrônica, neste domingo. Uma oportunidade de exercer o dever democrático, que deveria ser no máximo um direito. De todo modo, apesar de o modelo lulista, alimentado por bolsas-qualquer-coisa e quejandos, praticamente ser consagrado nas urnas, aqui estão os votos que darei na eleição de 3 de outubro, seguidos pelos motivos:

  • Deputado estadual: Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB, 45678) - O deputado estadual e ex-vice-governador Luiz Paulo tem experiência no ramo de transportes (é defensor da transformação dos trens em metrô de superfície) e defende a diminuição da carga tributária. Além disso, é notório fiscalizador dos gastos do Poder Executivo do estado. Está em seu segundo mandato seguido e é atuante na Assembleia Legislativa.
  • Deputado federal: Otávio Leite (PSDB, 4555) - O ex-vice-prefeito do Rio é dos mais atuantes deputados fluminenses na Câmara. Também defende a redução da carga tributária, e quer que a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 resultem em benefícios para o turismo no Rio, melhorando a estrutura aeroportuária da cidade.
  • Senadores: Cesar Maia (DEM, 251) e Marcelo Cerqueira (PPS, 233) - Sim, o terceiro mandato de Maia como prefeito do Rio foi ruim, todos sabemos disso. Mesmo assim, vejo nele mais prós do que contras na hora de votar para senador. Creio que, se ele for eleito, defenderá mais o estado do que Crivella ou Lindberg certamente defenderão um eventual governo Dilma, por mais prejudicial que isso seja para os interesses fluminenses. Já o voto em Cerqueira é mais como um protesto, pois não gosto de anular votos e esta disputa para senador pelo Rio, convenhamos, é bem fraquinha.
  • Governador: Fernando Gabeira (PV, 43) - É certo que Sérgio Cabral Filho será reeleito já neste domingo. Mas sua exagerada subserviência ao presidente Lula, desde sempre, me faz ficar com um pé atrás com ele, por mais que tenha sido um bom governador, o melhor desde a fusão - se bem que isso não era tão difícil de acontecer, visto que entre seus antecessores estavam Brizola, Marcello Alencar e o casal Garotinho. Por isso, decidi votar em Gabeira, por simbolizar a ética na política e pelas propostas mais convincentes e realistas, por menos chances de segundo turno que haja nesta eleição.
  • Presidente: Marina Silva (PV, 43) - Na boa? Não ando aguentando mais essa pseudobipolaridade toda entre PT e PSDB. Nenhum dos programas de Dilma e Serra me convence! Eu já tinha vontade de votar em um candidato nanico qualquer (tipo Eymael ou Levy Fidélix) só pra aumentar um pouco a possibilidade de segundo turno - como eu disse, anular o voto nem pensar. Mas decidi pela candidata do Partido Verde - mesmo discordando de muitas coisas do que ela diz, como a ênfase no tema ecológico, só pra dar um exemplo - pra dar aquele impacto no processo eleitoral. Esquerda por esquerda, que pelo menos assuma a Presidência uma esquerda coerente, não radical e que pensa um pouquinho a mais que o normal.

1.10.10

2006: O medo venceu a razão... e a omissão

As eleições de 2006 poderiam ter começado a ser decididas em 2005, quando o então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou um esquema de corrupção dentro do governo Lula. O chamado mensalão consistia em pagamento mensal a deputados para votar a favor dos interesses do governo. Vários integrantes do governo federal caíram (como o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, braço direito de Lula e muito cotado na época como seu sucessor), dissidentes do PT formaram um novo partido (o PSOL)... Apenas a oposição não parece ter aproveitado o embalo. O preço seria pago no ano seguinte.

Oito candidatos à Presidência entraram em campanha, entre eles o presidente Lula, que tentava a reeleição - o PT contava com o apoio do recém-fundado PRB (partido do vice José Alencar e pertencente à Igreja Universal) e do PCdoB (o único partido, além do próprio PT, a apoiar Lula em todas as eleições presidenciais). Seus principais adversários eram o ex-governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB/PFL), a senadora alagoana Heloísa Helena (do PSOL, que conseguiu com que o radical PSTU participasse de uma coligação pela primeira vez em sua história; além disso, contou com o apoio do PCB, o que fez com que houvesse pela única vez até hoje uma frente ultraesquerdista numa eleição presidencial) e o senador brasiliense Cristóvam Buarque (PDT).

Entre os nanicos, a curiosidade estava com a candidata do PRP, Ana Maria Rangel: o TSE aprovou sua candidatura, mas ela se lançou candidata... contra a vontade do próprio partido! Depois, houve acusações de parte a parte: o partido pediu a exclusão da candidatura e chegou a ameaçar expulsá-la do partido, enquanto a candidata acusou o presidente do partido de pedir dinheiro a ela para que se candidatasse. Seu programa entrou no ar quando a campanha estava quase no meio e limitou-se a apresentar a candidata e sua família. Mesmo assim, Ana Maria Rangel conseguiu um surpreendente quinto lugar, com 126.404 votos (0,13%), mais do que José Maria Eymael (PSDC) e Luciano Bivar (PSL) juntos. O outro candidato, Rui Costa Pimenta (PCO), foi punido pelo TSE com a anulação de todos os votos a ele dados por irregularidades na prestação de contas na eleição anterior.

À medida em que a campanha avançava, ficava claro que o carisma de Lula era mais forte do que quaisquer escândalos que atingissem seu governo. Não importa o tamanho do problema: o presidente sempre tem um eleitorado cativo. Talvez seja creditado à ausência de Lula dos debates da TV e ao escândalo dos dossiês antitucanos o fato de ter havido segundo turno: o presidente conseguiu na primeira votação 46.662.365 votos (48,61% dos votos válidos), enquanto Alckmin teve 39.968.369 votos (41,64%). Heloísa Helena teve 6.575.393 (6,85%), e Buarque, 2.538.844 (2,64%).

O segundo turno foi, digamos, desigual: um governo que impôs o medo de que os adversários privatizassem as estatais caso eleitos, com uma oposição que parecia envergonhada com as conquistas do mandato anterior, aceitava o jogo da situação e praticamente entregou a eleição de mão beijada ao governo. O ápice foi a imagem de Alckmin quase fantasiado de garoto-propaganda do Banco do Brasil. Claro que não poderia mesmo ter dado certo: o ex-governador de São Paulo conseguiu menos votos no segundo turno que no primeiro (37.543.178, 39,17% dos votos válidos). Lula acabou reeleito com 58.295.042 votos (60,83%).

No estado do Rio, onze candidatos a governador tentaram o Palácio Guanabara. Desgastada com um governo muito criticado (talvez o pior desde a fusão de 1975), Rosinha Matheus decidiu não tentar a reeleição. Assim, lembrando a eleição presidencial de 1989, todos os candidatos se declararam oposição - inclusive o do próprio partido (PMDB), o senador Sérgio Cabral Filho (apoiado por PP, PTB e várias pequenas agremiações). Entre os principais adversários do favorito candidato, estavam o senador Marcelo Crivella (PRB), o veterano político (e rejeitado pelo próprio partido, que decidiu apoiar Garotinho, em 1998) Vladimir Palmeira (PT), o deputado federal (e então crítico de Lula) Eduardo Paes (PSDB), o futuro ministro (e presidente nacional de seu partido na época) Carlos Lupi (PDT) e o jornalista Milton Temer (PSOL, que repetiu a coligação nacional com PSTU e PCB). Mas uma surpresa cresceu na reta final e chegou ao segundo turno: a juíza e deputada federal Denise Frossard (PPS, apoiada por PFL e PV), cotada para se candidatar a prefeita do Rio dois anos antes e rejeitada pelo seu partido na época, o PSDB, que preferiu apoiar a reeleição de Cesar Maia (PFL). Frossard acabou em segundo lugar com 1.965.003 votos (23,8%), enquanto Cabral foi o primeiro colocado com 3.422.528 votos (41,4%). No Senado, Francisco Dornelles (PP), da coligação de Cabral, foi eleito, derrotando a favorita Jandira Feghali (PCdoB).

Começou a campanha do segundo turno e também a formação daquilo que conhecemos na política fluminense nos dias de hoje. Primeiramente, Cabral (que até então estava neutro na eleição presidencial) declarou seu apoio a Lula no segundo turno. Depois, o tucano Eduardo Paes, contrariando recomendação do seu partido na época (que apoiou Frossard), declarou apoio a Cabral, dizendo recusar-se a apoiar uma candidata apoiada pelo PFL, partido de seu ex-aliado e desafeto Cesar Maia. Isso tudo, combinado a uma declaração infeliz da candidata Frossard, de que votaria nulo na eleição presidencial depois de ver Alckmin (apoiado informalmente pelo PPS) recebendo o apoio de Anthony Garotinho e família, foi fatal para as pretensões da juíza. No segundo turno, Cabral foi eleito com 5.129.064 votos (68%), enquanto Frossard conseguiu 2.413.546 (32%).

30.9.10

2002: A esperança venceu o medo. Ou não?

As eleições de 2002, as primeiras do novo milênio, eram mais uma prova de fogo para a democracia brasileira. Afinal, havia a certeza de um novo presidente, já que Fernando Henrique Cardoso terminava seu segundo mandato. No menor número de candidatos à Presidência desde a redemocratização, houve seis postulantes ao Palácio do Planalto.

Pela quarta vez seguida, Luiz Inácio Lula da Silva se candidatou pelo PT, contando com o apoio de PL (que lançou o vice, o senador mineiro José Alencar), PCdoB, PMN e PCB. Seu principal adversário era o candidato do governo, o ex-ministro da Saúde, José Serra (PSDB), que contava com o apoio do PMDB (que lançou a vice, Rita Camata). Outros candidatos com chances eram o ex-governador cearense Ciro Gomes (PPS), candidato pela segunda vez consecutiva (coligado com PDT e PTB), e o ex-governador fluminense Anthony Garotinho (PSB), que nem completou seu primeiro e único mandato no Palácio Guanabara, indo diretamente para uma candidatura à presidência da República (com o apoio do PTC e do extinto PGT). Os demais candidatos eram da extrema-esquerda: José Maria de Almeida (PSTU) e o estreante Rui Costa Pimenta (PCO).

Olha que poderia haver mais candidatos: a então governadora maranhense Roseana Sarney (PFL), filha do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), era muito cotada para uma candidatura presidencial no início do 2002. Estava até empatada com Lula nas pesquisas pré-eleitorais. Mas uma operação da Polícia Federal no Maranhão acusou esquemas de corrupção ligando o governo estadual a empresas do marido da governadora. Com isso, Roseana desistiu da candidatura e, como todo o clã Sarney, passou a apoiar Lula - ao contrário das cúpulas pefelista e peemedebista, que apoiaram Serra, ainda que informalmente por parte do atual DEM. Além disso, outro ex-eterno candidato à Presidência, Enéas Carneiro (PRONA), também desistiu para tentar ser deputado federal por São Paulo (tinha se candidatado à prefeitura da capital paulista em 2000). Não só foi eleito como se tornou o deputado mais votado da história do país, praticamente enchendo a Câmara de pronistas - entre eles, Vanderlei Assis, também eleito deputado federal por São Paulo, apesar de nunca ter saído do Rio de Janeiro. Era o primeiro grande fenômeno bizarro do eleitorado paulista para a Câmara dos Deputados - "honrosamente" sucedido por Clodovil Hernandez (PTC) em 2006 e, provavelmente, por Tiririca (PR, coincidentemente resultado da fusão do próprio PRONA com o PL) este ano.

De fato, Lula estava em estado de graça naquela eleição. Mesmo assim, houve segundo turno: o candidato do PT obteve 39.455.233 votos (46,44% dos votos válidos), e o do PSDB, 19.705.455 (23,19%). Surpreendentemente, o discurso messiânico de Garotinho o levou à terceira colocação, com 15.180.097 votos (17,86%), enquanto Ciro, que ocupou-se de ser metralhadora giratória durante a campanha, conseguiu 10.170.882 votos (11,97%). Os demais candidatos, juntos, obtiveram 0,51% dos votos válidos.

Bem que o PSDB tentou no segundo turno, mas o fato é que poucos estavam satisfeitos com o governo FHC naquele ano. Nem o discurso do medo adiantou muito, mesmo porque o sentimento naquele ano (inclusive de minha parte) era de que deveria haver mudanças. Além disso, Lula parecia ter um discurso de austeridade política, amadurecido pelas seguidas derrotas eleitorais. Portanto, a eleição era apenas questão de tempo. E ela veio, graças a 52.793.364 votos (61,27%), a maior votação dada a um candidato a presidente na história do Brasil. José Serra teve 33.370.739 votos (38,72%).

No estado do Rio, o chamado "voto evangélico" estava em seu auge. E os candidatos que seguiam essa tendência se aproveitaram bastante disso. Garotinho, ex-governador, foi o candidato à Presidência mais votado no estado no primeiro turno, derrotando o fenômeno Lula. Entre os nove candidatos ao governo do estado, havia nomes experientes como a então governadora em exercício Benedita da Silva (PT, apoiada por PCdoB, PMN e PCB) e o eterno prefeito niteroiense Jorge Roberto Silveira (PDT, apoiado por PPS, PTB e outros partidos menores), além de uma ex-secretária de Cesar Maia, Solange Amaral (PFL, apoiada por PSDB e PMDB). Mas foi uma candidata inimaginável a vedete das eleições fluminenses: a ex-primeira-dama do estado, Rosinha Matheus, cuja única experiência política havia sido a Secretaria Estadual de Ação Social. Com o mesmo discurso populista de sempre, a candidata do PSB (apoiada pelos mesmos PTC e PGT, além de PPB, PSC e PRP, e dos extintos PSD e PST) conseguiu se eleger no primeiro turno, com 4.101.423 votos (51,3%) - apenas Leonel Brizola tinha conseguido isso, em 1990, e provavelmente Sérgio Cabral Filho o fará neste ano. Benedita acabou em segundo, com 1.954.379 votos (24,4%).

Seguindo a tendência do voto evangélico no auge naquele ano, o cantor e pastor da Igreja Universal, Marcelo Crivella (PL), sobrinho de Edir Macedo e então um antilulista (tanto que se recusou a participar da mesma coligação que apoiava Lula e apoiaria Benedita; hoje, é um dos mais ardorosos defensores do governo Lula, sendo o "candidato do coração" do presidente em qualquer eleição), acabou em segundo lugar na corrida para o Senado (o atual governador Sérgio Cabral, do PMDB, foi o outro eleito). A maior surpresa, contudo, ficou na terceira colocação: o pastor Manoel Ferreira (PPB, atual PP), chefe da Assembleia de Deus e apoiado por Rosinha, e que estava pouco cotado, inclusive pelas pesquisas de opinião. Ficou na frente de antes favoritos como o então senador Artur da Távola (PSDB), que tentava a reeleição; o vereador Edson Santos (PT), que se elegeria deputado federal quatro anos mais tarde e se tornaria ministro do governo Lula; e o ex-governador Leonel Brizola (PDT), sexto colocado na última eleição de sua vida - morreria dois anos mais tarde.

28.9.10

1998: Minha estreia presidencial

Dois anos depois do primeiro pleito de que participei (as eleições municipais de 1996), votei pela primeira vez em uma eleição nacional. Daquele momento em diante, participaria das eleições para presidente, governador, senador e deputados. Estava animado até certo ponto pela possibilidade de votar pela primeira vez para presidente da República, mas um tanto decepcionado pelos acontecimentos do ano anterior: a compra de votos pelo então governo para a aprovação da emenda que possibilitava aos membros do Executivo concorrerem à reeleição, que entraria em vigor naquele ano de 1998. Outra modificação era relativa às datas das votações: até então, o primeiro turno era sempre em 3 de outubro e o segundo, em 15 de novembro. Daquela eleição em diante, a primeira votação seria sempre no primeiro domingo, e a segunda, no último domingo de outubro.

Até aí, nada demais. Mas as eleições presidenciais, à medida que a campanha avançava, não me empolgaram nem um pouco. Como o esperado, o então presidente Fernando Henrique Cardoso tentou a reeleição juntamente com o vice Marco Maciel, numa coligação de seis partidos (PSDB, PFL, PPB, PTB, PSL e PSD). Sua mais forte concorrente era considerada a "chapa dos sonhos" da esquerda brasileira, composta por Luiz Inácio Lula da Silva (candidato pela terceira vez) e seu vice, o ex-governador gaúcho e fluminense Leonel Brizola, que havia sido candidato duas vezes ao Planalto. A coligação era, digamos, a nata do esquerdismo nacional na época (PT, PDT, PSB, PCdoB e PCB). Correndo por fora, o ex-governador cearense Ciro Gomes (ex-ministro da Fazenda), tendo como vice Roberto Freire, na coligação liderada pelo PPS e formada pelos hoje extintos PL e PAN.

Além destes três, mais nove candidatos tentaram a Presidência. Entre eles, Enéas Carneiro (PRONA), candidato pela terceira vez, assim como Lula. O ano marcou a primeira candidatura dos hoje xarás veteranos José Maria de Almeida (PSTU) e José Maria Eymael (PSDC), além da única candidatura de Alfredo Sirkis (PV) à Presidência - acabou em sexto com pouco mais de 210 mil votos, mas não ficou de mãos vazias: um vereador carioca foi eleito deputado e, como Sirkis era suplente, tomou posse em seu lugar. Além disso, uma dos candidatos era mulher, pela segunda vez: Thereza Ruiz (PTN), que ocupou grande parte de seu tempo no horário político a criticar o candidato do PPB ao governo paulista, Paulo Maluf.

Eu não estava satisfeito com o governo FHC, e temia votar em Lula por causa de Brizola e seus governos no estado do Rio, cujas consequências se fazem sentir até hoje (aliás, muitos acreditam até hoje que a simples presença de Brizola na chapa foi determinante para a derrota de Lula em 1998). Por outro lado, o programa de Ciro Gomes me era o mais convincente, o que me fez lhe dar o voto. Mas Fernando Henrique Cardoso acabou reeleito no primeiro turno (assim como havia feito em 1994), com 35.936.540 votos (53,06% dos votos válidos), com Lula em segundo (21.475.218 votos, 31,71%) e Ciro em terceiro (7.426.190 votos, 10,97%). FHC foi o vitorioso no Distrito Federal e em quase todos os estados, exceto Ceará (onde Ciro chegou na frente), Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (onde Lula obteve mais votos).

A vitória de Lula no Rio se deve, em grande parte, à aliança nacional forçada pelo diretório nacional petista, chefiado entre outros por José Dirceu - inicialmente, o candidato do PT ao governo do estado seria Vladimir Palmeira (que o seria, sem a mesma força política de então, oito anos mais tarde), mas a direção nacional praticamente obrigou o partido a se coligar com o PDT de Brizola, que lançou pela segunda vez seguida a candidatura de Anthony Garotinho ao governo. Os petistas indicaram a senadora Benedita da Silva como vice de Garotinho, e o PSB indicou o ex-prefeito carioca e então vereador Roberto Saturnino Braga como candidato da coligação (que também contava com PCdoB e PCB, ou seja, os mesmos cinco partidos da chapa nacional) ao Senado.

O então governador, o tucano Marcello Alencar, estava politicamente desgastado, num governo cheio de acusações de corrupção, e decidiu não tentar a reeleição, indicando seu vice, o colega de partido Luiz Paulo Corrêa da Rocha (apoiado por PMDB, PL e PSD); o candidato da coligação a senador era o ex-governador Moreira Franco (PMDB). Mas o candidato mais disposto a derrotar o favorito Garotinho era o ex-prefeito carioca Cesar Maia, que tinha encerrado o mandato elegendo seu sucessor, Luiz Paulo Conde, e tinha altas taxas de aprovação na capital fluminense. Ele era o candidato do então PFL (atual DEM), apoiado por PPB (atual PP) - que lançou o veterano político Roberto Campos como candidato ao Senado - e PTB. Treze candidatos se prontificaram a chegar ao Palácio Guanabara, recorde até hoje no estado do Rio após a fusão.

Como o esperado, Garotinho e Cesar chegaram ao segundo turno com certa facilidade: o candidato do PDT obteve 3.083.441 votos (46,9%), e o do PFL conseguiu 2.256.815 (34,3%), entre eles o meu. Também votei em Roberto Campos para senador, mas o eleito foi Saturnino Braga - que, no meio do mandato, se envolveria em uma polêmica com um ex-partido seu, o PDT (pelo qual foi eleito prefeito em 1985): foi acusado por um suplente, Carlos Lupi (atual ministro do Trabalho), de não ter cumprido um acordo na época da eleição, de dar o cargo a ele na metade do mandato. Saturnino admitiu a existência de tal acordo, mas se recusou a cumpri-lo, dizendo-se arrependido. Em 2006, foi impedido pelo PT (ao qual já estava filiado depois de sair do PSB) de tentar a reeleição - o partido preferiu apoiar Jandira Feghali, do PCdoB.

Voltemos a 1998. De pouco adiantou a fama de eficiente do candidato Cesar Maia: os votos do interior e a força pedetista ainda existente na época falaram mais alto. Garotinho foi eleito com 4.259.344 votos (58%), enquanto Cesar ficou com 3.087.117 (42%). Era o canto do cisne do PDT no estado do Rio e o início da Era Garotinho, tão nefasta quanto (ou ainda mais que) a Era Brizola foi (e, de certa forma, continua sendo) para a população fluminense.

25.9.10

Uma eleição real. Em todos os sentidos



As eleições de 1994 se realizaram e eu quase participei - fiquei por um ano, pois tinha 15 na época, e a idade mínima para um eleitor brasileiro é de 16. Ainda que sem poder votar, mais uma vez acompanhei o processo eleitoral. Pela primeira vez, os eleitores poderiam eleger presidente e governador no mesmo ano. Além disso, cada um poderia votar também em dois candidatos ao Senado, num deputado federal e num deputado estadual.

Dois anos depois da queda de Collor, o governo Itamar Franco lançou, através do ministro da Economia, um plano para conter a inflação e revitalizar a economia brasileira. Esse plano previa a troca da moeda (a quinta em oito anos), mas desta vez essa unidade monetária se mostraria mais forte e resistente. O plano deu certo e esse ministro se prontificou a candidatar-se à presidência da República. Ele era Fernando Henrique Cardoso, candidato pelo PSDB.

Ao contrário do exagero de 22 candidatos das eleições de 1989, em 1994 apenas oito candidatos se prontificaram a disputar a cadeira presidencial. Antes da campanha de fato começar, o favorito era o segundo colocado da eleição anterior, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas o sucesso do Plano Real, alavancado por uma onda de euforia que varria o país na época (o Brasil tinha sido campeão mundial de futebol depois de 24 anos, além de ser campeão mundial feminino de basquete), ajudou a campanha de Cardoso, eleito no primeiro turno com 34.364.961 votos (54,27% dos votos válidos), com Lula em segundo, com 17.122.127 votos (27,04%). Uma surpresa apareceu na terceira posição: Enéas Carneiro, do PRONA, conseguiu 4.671.457 votos (7,38%), na frente de nomes conhecidos da política brasileira, como os ex-governadores de São Paulo, Orestes Quércia (PMDB); do Rio, Leonel Brizola (PDT); e de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPR, atual PP). Os demais candidatos eram Carlos Antônio Gomes (PRN, atual PTC) e Hernâni Fortuna (PSC).

A consagração tucana na eleição presidencial se refletiu em grande parte da eleição para governador nos estados: vários importantes elegeram governadores do PSDB (como Mário Covas em São Paulo, Eduardo Azeredo em Minas, Marcello Alencar no Rio e Tasso Jereissati no Ceará) ou aliados (como o baiano Paulo Souto e a maranhense Roseana Sarney, pelo PFL). No Rio, oito candidatos disputaram o governo do estado, como o ator Milton Gonçalves, candidato pelo PMDB, e o general Newton Cruz, do extinto PSD. O segundo turno foi entre o candidato da situação, Anthony Garotinho (PDT), ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, e o apoiado pelo governo federal, Marcello Alencar (PSDB), ex-prefeito do Rio e primeiro colocado no primeiro turno com 37,2% dos votos válidos (Garotinho teve 30,4%). No segundo turno, Alencar obteve 3.537.866 votos (56,1%), e Garotinho recebeu 2.771.074 votos (43,9%). No estado, os senadores eleitos foram Artur da Távola (PSDB) e Benedita da Silva (PT).

24.9.10

A corda, Brasil!



Sabe o interminável (e intragável) Joaquim Roriz, candidato do PSC ao governo do Distrito Federal? Ele estava sendo julgado com base na Lei da Ficha Limpa. Da aprovação dessa lei (lançada menos de um ano da eleição) depende a candidatura dele e de mais um monte de gente (como o candidato a deputado federal pelo PR-RJ, Anthony Garotinho, só pra citar um exemplo clássico). Pois bem: o julgamento no STF está empatado em 5 a 5. Diante de uma derrota (nem que seja "apenas" moral), Roriz decidiu inovar (ou não): anunciou sua renúncia à candidatura ao governo do DF e nomeou sua mulher, Weslian Roriz (também filiada ao PSC) no seu lugar...

Pelo visto, Lula e o próprio Garotinho (este, oito anos atrás) fizeram escola ao colocarem alguém que certamente nada entende de política e que só ganhará votos por ser do sexo feminino. Não que eu seja avesso a mulheres se candidatando, pelo contrário. Acho que Marina Silva, por exemplo, é uma candidata à Presidência muito mais digna que Dilma Rousseff. É que isso tudo me dá uma sensação de laranjice explícita, de cheque em branco, de governar pelo celular... Chamem do que quiserem.

Olha, eu não gostaria de estar na pele de um eleitor brasiliense qualquer. São oito candidatos ao governo do DF, que teve entre seus antecessores o próprio Roriz e José Roberto Arruda, que dispensa comentários. O concorrente mais próximo de Roriz (que liderava as pesquisas) é Agnelo Queiroz, do PT - conhecido por ser um dos piores ministros dos Esportes de todos os tempos. Os outros seis são completos desconhecidos. Não dá nem pra tapar o nariz diante da urna eletrônica, pelo visto. Desse jeito, só pedindo uma corda para se enforcar.

A tentação totalitária lulopetista



À medida em que mais denúncias de corrupção no governo vêm à tona pelos jornais e pela TV, cresce a certeza de que o que o PT menos preza é a liberdade de imprensa. Minto: só preza essa liberdade quando é para denunciar os outros, como houve no caso que levou ao impeachment de Collor, em 1992, ou nas notícias sobre a compra de votos que levou à aprovação da emenda da reeleição durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, em 1997.

Desde 2005, a imprensa cumpre o papel que é dado ao denunciar os inúmeros casos de corrupção do governo Lula (mensalão do José Dirceu, quebra de sigilo pelo Palocci, dólares na cueca de um assessor do Genoino, mais quebras de sigilo bancário, favorecimento pela Erenice Guerra...) e os governistas, aqueles que simpatizavam com a imprensa quando das denúncias contra governos anteriores, gritam "Golpismo!" da mesma forma que gritavam "Fora Sarney!", "Fora Collor!" e "Fora FHC!". O curioso é dois desses ex-presidentes, hoje, são aliados do atual governo.

O próprio presidente Lula contribui para esse estado de coisas, escorado pelos índices recordes de popularidade. Para usar uma frase famosa dele, nunca antes na história deste país um presidente foi tão intrometido no que se refere a eleger seu sucessor. Em 1994, Fernando Henrique teve o apoio do então presidente Itamar Franco, que teve papel discreto na sucessão - o mesmo se aplica ao próprio FHC na eleição de 2002, em que o candidato governista era o mesmo José Serra de hoje. Não se sabe se Serra teria mais chances de ser eleito há oito anos se Cardoso tivesse se empenhado mais na campanha, mas não podemos negar que o então presidente teve o papel digno que Lula não está tendo hoje.

21.9.10

Recordações de 1989



Em 1984, a população brasileira sonhava em voltar a eleger diretamente o presidente da República. Naquele ano, o movimento das Diretas Já tomou de assalto o país, com manifestações gigantescas nas maiores cidades brasileiras. Mas a emenda não passou, e o eleitorado teve que esperar cinco anos para fazer valer sua vontade. De certa forma, a espera valeu a pena.

As eleições presidenciais de 1989 foram as primeiras pós-redemocratização, e as primeiras depois de 29 anos - em 1960, Jânio Quadros foi eleito com votação massiva para renunciar ao cargo depois de apenas sete meses na Presidência. As eleições de 1989 registraram um recorde de candidatos, imbatível até hoje - nada menos do que 22 postulantes ao cargo, onde havia desde nomes conhecidos como Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (PSDB), Paulo Maluf (PDS) e Ulysses Guimarães (PMDB); passando por famosos alternativos como Guilherme Afif Domingos (PL), Roberto Freire (PCB), Aureliano Chaves (PFL), Ronaldo Caiado (PSD) e Fernando Gabeira (PV); até bizarrices como José Alcides Marronzinho (PSP), Enéas Carneiro (PRONA) e Lívia Maria de Abreu (PN) - por sinal, a primeira mulher a concorrer à presidência da República. Nenhum dos candidatos - nem mesmo o do PMDB - queria atrelar seu nome ao do então presidente José Sarney (que assumiu o cargo em 1985, como vice de Tancredo Neves, impossibilitado de tomar posse por problemas de saúde; foi efetivado com a morte do eleito), com a popularidade em baixa. Mas um ex-governador de Alagoas, que tinha a alcunha de "caçador de marajás", e um deputado federal, conhecido líder sindical, foram as grandes estrelas daquelas eleições.

Fernando Collor (PRN) começou de forma discreta, com poucas intenções de voto - nos primeiros meses de campanha, Brizola, Covas e Ulysses eram vistos como favoritos. Mas a ostensiva campanha, focada no combate à corrupção quando governador alagoano (daí o apelido), somada ao apoio (declarado ou não) de gente graúda no mundo político e midiático, fez Collor subir nas pesquisas. Ao mesmo tempo, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhava simpatia de grande parte da classe artística, fazendo que ela também crescesse no conceito popular. Mesmo assim, teve que lutar com Brizola para ir ao segundo turno - tanto que teve menos de 500 mil votos a mais que o pedetista no primeiro turno, realizado no dia 15 de novembro, dia que marcou o centenário da Proclamação da República. Brizola teve 11.168.228 votos; Lula, 11.622.673. Já Collor se garantiu no segundo turno com tranquilidade, com 22.611.011 votos.

O segundo turno conflagrou uma das maiores efervescências políticas da história brasileira. Ressalte-se que, naquela época, o mundo vivia grandes transformações. Naquele mês de novembro, ruiu o Muro de Berlim, contribuindo para a queda do império soviético, que liderava o bloco da Europa Oriental. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, houve quem relacionasse a candidatura de Lula com algo decadente como o comunismo. Além disso, a polarização então existente considerava que a eleição era um confronto de racionais contra meros sonhadores. Ainda houve a questão dos ataques pessoais dos dois lados, sendo que o mais famoso foi o uso por Collor, em seu programa eleitoral, da ex-mulher de Lula, que o acusou de querer abortar uma filha do casal. Isso tudo, somado à inexperiência e às convicções políticas de Lula (que realmente causavam medo a muitas pessoas), deram a vitória a Collor, em 17 de dezembro de 1989 - com 35.089.998 votos, contra 31.076.364 dados a Lula.

Collor assumiu o cargo em 15 de março de 1990. Foi um mandato polêmico, cheio de autopropaganda com demonstrações de vitalidade que acabariam se mostrando infrutíferas. O confisco da poupança dos brasileiros, logo nos primeiros dias de governo, como estratégia de combate à inflação, era uma amostra do que estava por vir. Em 1992, um irmão do presidente deu entrevista acusando-o de atos ilícitos, junto com o empresário Paulo César Farias. Paralelamente a isso, comprovações de corrupção surgiam por todos os lados. A situação do presidente ficou insustentável e, com isso, Collor sofreu processo de impeachment, o que causou seu afastamento do poder em 2 de outubro de 1992. Sucedido por Itamar Franco, renunciou a qualquer tentativa de voltar ao poder em 29 de dezembro daquele mesmo ano. Foi julgado e suspenso da política por oito anos.

Muitos dizem que a nossa primeira incursão presidencial depois de quase três décadas foi um fracasso. Contudo, isso tudo serviu para nosso amadurecimento político - que, segundo vejo, porém, foi meramente fugaz. Pelo que percebo, infelizmente, a população brasileira parece fazer questão de querer depender dos bolsas-qualquer-coisa da vida.

20.9.10

Uma campanha chocha



Alguém ainda tem dúvida de que a campanha presidencial deste ano é a mais chata e previsível desde a redemocratização? Ela beira o politicamente correto de tão irritantemente "amiguinha" dos candidatos entre si. São poucas as críticas contundentes, além das propostas possíveis. Dilma Rousseff, pelo visto, não deixará escapar a eleição já em 3 de outubro nem com um desastre eleitoral de mastodônticas proporções. José Serra e Marina Silva parecem não ter forças sequer para reagir.

Nada disso lembra as primeiras campanhas pós-redemocratização, como a de 1989, com as polêmicas do segundo turno entre Collor e Lula, ou mesmo a de 1994, quando Fernando Henrique Cardoso se elegeu com as mesmas condições de Dilma (apesar de não ter experiência administrativa, estava escorado em um governo popular, como era o de Itamar Franco naquela época, e em um eficiente programa econômico, o Plano Real, criado pelo próprio quando Ministro da Fazenda), embora com mais chão. Escreverei sobre isso nos próximos dias, para recordar as eleições anteriores e ativar um pouco mais isso aqui (ando sem tempo para atualizar, reconheço).