...ninguém pode deixar de perder.
Mas podem chamar de "encontro de quem não tem nada a fazer, ou convenção de lançamento da pré-candidatura de Dilma Rousseff".
...ninguém pode deixar de perder.
Mas podem chamar de "encontro de quem não tem nada a fazer, ou convenção de lançamento da pré-candidatura de Dilma Rousseff".

Como já escrevi aqui algumas vezes, nada entendo de economia. Porém, nem é preciso entender pra constatar que o atual governo criou fama e deitou na cama em sua política econômica, idêntica à do governo anterior. A crise mundial, que Lula afirmou que chegaria aqui como uma "marolinha", já começa a surgir, no mínimo, em forma de ressaca marítima.
Várias medidas são anunciadas com frequência para tentar conter a crise. Empresas anunciam demissões em massa, há meses. Ou seja, conclui-se que o governo menosprezou os impactos que a crise mundial poderia ter sobre a nossa economia.
Pelo visto, os nossos economistas oficiais acordaram muito tarde pra constatar que a crise tá aí, formando uma gigantesca tsunami pra nos atingir. E terão que fazer o possível para que os danos sejam os menores possíveis.

Como já estava previsto, o presidente norte-americano Barack Obama já toma suas primeiras providências nos primeiros dias de seu mandato. Começou cumprindo uma promessa de campanha: fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba, no prazo de um ano. Na prisão (assim como em Abu Ghraib, no Iraque), o método de tortura era usado de forma oficial para arrancar confissões dos prisioneiros, como foi admitido recentemente.
Desta forma, Obama segue a regra que eu havia comentado aqui: a de um governante recém-empossado, substituindo um governo impopular, assinar medidas que sejam populares aos olhos dos eleitores (tanto os que votaram nele quanto os da oposição). Além de anunciar o fechamento de Guantánamo, Obama anunciou que mandará enviados ao Oriente Médio (para tentar um acordo de paz entre israelenses e palestinos) e à Ásia Central (região de Afeganistão, onde os americanos ainda estão em guerra, e Paquistão). Mais uma vez, resta saber se isso perdurará até o fim do mandato - com a diferença é que, desta vez, o buraco é bem mais embaixo.
Barack Obama tomará posse como o 44º presidente dos Estados Unidos nesta terça-feira. Junto com o novo cargo, o novo presidente ganhará uma coleção de desafios que ele terá a responsabilidade de enfrentar.
A recente guerra entre Israel e Hamas, na Faixa de Gaza, deixou evidente que a questão do Oriente Médio é um desses problemas, embora seja apenas um deles. Intimamente ligado a essa questão, o problema do terrorismo talvez seja o maior de todos. Mesmo com o fim da Era Bush (tida pelos islamistas como a mais hostil aos muçulmanos - independentemente de serem terroristas ou não), os fundamentalistas islâmicos mostraram não se intimidar com a transição de cargo na Casa Branca. Ainda há as permanências do Exército do país no Iraque (uma constante tensão, embora menor que antes) e no Afeganistão (onde os talibãs começam a ressurgir com força). Aliado a isso, há o crônico problema do Irã e suas intenções nucleares. Internamente, a crise financeira mundial (que fechou vários bancos e companhias, além de levar outras empresas à bancarrota, na maior economia do planeta) é o grande desafio do novo presidente norte-americano.
O governo Bush deixou muitos problemas de herança, e grande parte do mundo deposita em Obama as esperanças de um planeta melhor, talvez ignorando que ele tenha sido eleito presidente... dos Estados Unidos. Ou seja, o risco de decepção mundial é grande. Resta saber se Obama e sua equipe irão aguentar o tranco - e torcer para que sim.
Marcos Guterman informa: às vésperas de deixar o poder (depois de amanhã), o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, proclamou o dia de hoje, 18 de janeiro, como o Dia Mundial da Santidade da Vida Humana - seja lá o que isso signifique.
Entendeu? Pois é, nem eu. De todo modo, feliz Dia Mundial da Santidade da Vida Humana para todos.

Não me refiro, evidentemente, à eliminação de Última Parada 174, de Bruno Barreto, da corrida pelo prêmio de melhor filme em língua estrangeira - compartilho da opinião de que haveria mais chances se Estômago, de Marcos Jorge, fosse o escolhido para representar o Brasil. Falo de outras coisas: a imprevisibilidade sobre quem ganhará o prêmio máximo do cinema mundial e a cada vez maior demora para filmes mais fortes estrearem por aqui - aliada às antecipações da cerimônia da estatueta dourada (a cerimônia deste ano será em pleno domingo de Carnaval).
Pela primeira vez em muito tempo, não há um favorito destacado para ganhar o Oscar de melhor filme. Nem mesmo aqueles "filmes com cara de Oscar" (histórias arrebatadoras, verdadeiras superproduções, ou cinema de resultados mesmo) têm aquela cara de que vão arrebentar no Teatro Kodak. Nem mesmo os prêmios pré-Oscar têm servido de parâmetro: o Globo de Ouro, oferecido pelos correspondentes internacionais em Hollywood, premiou o semi-independente (e elogiado) Slumdog Millionaire (ainda sem título em português), de Danny Boyle, como o melhor filme dramático (a melhor comédia ficou para Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen). Mas, mesmo sendo um filme que conta a história de alguém que supera desafios e é ambientado na Índia (a Academia, às vezes, se amarra em produções exóticas), não acredito que seja um filme de chegada (tanto que só estreará por aqui em março, bem depois do Oscar). Talvez o israelense Valsa com Bashir, de Ari Folman (ganhador do prêmio de filme estrangeiro), seja um diferencial (está cotado a ser indicado ao Oscar não só de filme estrangeiro, mas também de longa de animação e documentário em longa-metragem) e uma atração, principalmente para os dias de hoje (é baseado nas memórias do cineasta, quando era militar do seu país na Guerra do Líbano, em 1982).
Só nos resta conferir os filmes com mais potencial. Um deles estreou hoje: O Curioso Caso de Benjamin Button (foto acima), de David Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett, que conta a história de alguém que nasce velho e vai ficando com a aparência mais jovem à medida que ganha idade. Alguns outros estrearão nas próximas semanas: Milk, a Voz da Igualdade, de Gus van Sant, sobre um político e ativista gay dos anos 70, vivido por Sean Penn; O Lutador, de Darren Aronofsky, sobre um atleta da luta-livre (Mickey Rourke) que vive seu ostracismo; além de Frost/Nixon, de Ron Howard, que reproduz a entrevista do ex-presidente norte-americano Richard Nixon (Frank Langella) ao jornalista britânico David Frost (Michael Sheen). Antes mesmo das indicações (que serão divulgadas no próximo dia 22, quinta-feira, exatamente um mês antes da cerimônia), já há especulações de que Pitt, Penn, Rourke e Langella serão indicados ao Oscar de melhor ator - Rourke largaria com certa vantagem, já que ganhou o Globo de Ouro de melhor ator dramático. São muitos filmes para assistir em tão pouco tempo - o que é a causa de um problema, que é o segundo tema deste texto.
Os filmes mais fortes vêm demorando cada vez mais para ter suas estreias aqui. A marcação da data da entrega do Oscar para o domingo de Carnaval piorou ainda mais as coisas, porque fica muito apertado. Antes, a cerimônia era no meio de março ou início de abril, mas a vontade da Academia em impor uma maior independência do Oscar em relação aos demais prêmios a fez marcá-lo sempre para o último domingo de fevereiro. Ou seja, pela primeira vez, haverá Oscar e Carnaval numa mesma semana - o que prejudica muitos cinéfilos, e também a este que vos escreve, tendo que se dividir entre dois assuntos que lhe são caros... Bem, espero dar meu jeito.
À medida que o tempo passa, o PT mostra cada vez mais a sua cara. Depois de defender as FARC, o bolivarianismo e a "causa palestina" depois dos ataques israelenses a Gaza, agora resolve conceder status de refugiado político ao italiano Cesare Battisti, ex-militante de extrema-esquerda e condenado por atos de terrorismo em seu país. Ele foi condenado, pela Justiça italiana, à prisão perpétua em 1993 por quatro assassinatos cometidos quando ele era integrante do grupo ultraesquerdista Proletários Armados pelo Comunismo (PAC - mera coincidência?), ligado às Brigadas Vermelhas, que aterrorizaram a Itália nos anos 70.
Mais do que um ato de irresponsabilidade, a atitude do ministro da Justiça, Tarso Genro, provoca uma tensão diplomática entre os dois países. Além disso, isso tudo deverá prejudicar mais ainda a nossa imagem, que já não é das melhores. Com essa recusa em entregá-lo aos italianos, o governo brasileiro fica cada vez mais comprometido em defender tudo o que há de pior e mais rasteiro na Humanidade.
Aqui, um editorial demolidor e definitivo do jornal O Estado de S. Paulo sobre essa indecência. Dica do Noblat.

Depois de renunciar à chefia de Estado e de Governo de Cuba em agosto de 2006, o ex-ditador Fidel Castro continuava tendo textos publicados na imprensa oficial (redundância, é verdade...) do país. Mas, há quase um mês, isso não ocorre - à exceção de um curto texto publicado na virada do ano, por ocasião dos cinquenta anos da Revolução Cubana.
Agora, há rumores a respeito do atual estado de saúde do ex-líder cubano. Seu maior aliado, o presidente venezuelano Hugo Chavez, declarou que Castro não mais aparecerá em público. Vários líderes da esquerda (principalmente a latino-americana) também manifestaram preocupação com a situação.
Confirmando-se o que muitos pensam, é a constatação de que querem "eternizar" determinadas figuras, ao mitificar a imagem do ex-ditador - embora a imortalidade seja impossível. A não ser que resolvam fazer o que fizeram com Lenin e embalsamem o cadáver de Fidel Castro. Só faltam fazer isso e ainda cobrar pela visita. Daí pra venderem lembrancinhas da ditadura cubana (como fazem há anos na China e na antiga Alemanha Oriental), será um pulo. Aí, seria a constatação de que o comunismo cubano morreu junto com Fidel...
Está na rede: "Ataque das FARC mata três crianças na Colômbia."
Querem apostar quanto que isso passará em brancas nuvens?
Às vezes, sim.
Foi o que fez o Comitê Central Eleitoral de Israel, ao vetar a participação de dois partidos políticos árabes nas eleições que serão realizadas no mês que vem. Eles são acusados de apoiar o terrorismo e de negar ao próprio país o direito de existir.
Em Israel, a minoria árabe (cerca de 20% da população do país) tem direito a votar e a ser votada - inclusive, há sete árabes no Knesset, o Parlamento israelense (algo inimaginável em relação a políticos judeus nos países vizinhos, mas isso é outra história). Porém, como em qualquer regime democrático, cada cidadão tem que seguir as leis - o que as duas agremiações que foram proibidas de participar das eleições parecem não ter feito. Seus integrantes são acusados de dar apoio ao Hamas na incursão israelense em Gaza, que já dura mais de duas semanas, e de ter viajado a países que estão tecnicamente em guerra com o Estado judeu, como Líbano e Síria.
A pergunta do título deste texto pode parecer estranha, mas faz sentido. Algumas vezes, temos que tomar atitudes que pareçam antipáticas e pouco ortodoxas para que a democracia não seja ameaçada. Um exemplo remete à fundação do próprio Estado de Israel, em 1948: o caso do navio Altalena, repleto de integrantes do grupo terrorista judaico Irgun, que foi bombardeado na costa de Tel Aviv por militares do próprio país, recém-fundado na ocasião - a embarcação estava cheia de armas (o grupo terrorista havia praticado atentados contra membros da Coroa britânica, nas batalhas pré-independência) que seriam desembarcadas pelos próprios terroristas, capitaneados pelo futuro primeiro-ministro Menachem Begin (que, três décadas depois, faria um histórico acordo de paz com o vizinho Egito). Leia mais aqui.
A atitude foi tomada pelo primeiro chefe de Governo do país, David Ben-Gurion. Se havia a intenção de fundar uma Nação democrática, diferenciada das demais, isso certamente acarretaria a tomada de atitudes radicais, no bom sentido. E foi o que Israel fez, nos primeiros momentos de sua existência. Teria que haver regras bem claras para que as leis possam ser respeitadas. E isso se estende até os dias de hoje.