28.6.07

QUEM SABE, AGORA...



A mega-operação da polícia no Complexo do Alemão é, a meu ver, uma acertada tentativa de impor a ordem nesse velho pedaço de encrenca existente na Zona Norte carioca. Há cerca de dois meses, os policiais ocupam esse que é um dos setores mais violentos do Rio, onde a bandidagem domina. E a polícia diz que não há previsão de saída. No que está certa.

Há tempos, vários habitantes de favelas (nada de eufemismos como "comunidades carentes" ou que tais), em sua maioria gente honesta e trabalhadora, têm nos bandidos o seu caminho mais curto para a sua sobrevivência, através do assistencialismo que estes implementaram. Isso decorre da falência do poder público, sem competência para assistir a todos - se bem que muitos habitantes esperam o peixe ser servido, ao invés de aprenderem a pescar. Juntamente com a imagem do "bandido-herói", vem a aversão aos policiais - tanto que alguns protestos dos moradores do Complexo do Alemão foram realizados, exigindo o fim das operações. E isso é um problema.

Em quase seis meses de governo de Sérgio Cabral Filho, houve um acréscimo da violência em relação aos últimos meses do governo Rosinha - no que interpreto como uma conseqüência do governo anterior (esse tempo todo da família dos pequenos meninos no poder não se corrige de uma hora pra outra) e de alguns erros da atual política de segurança. Por isso, a operação desta quarta-feira pode ser vista como um grande acerto e uma vitória (estima-se que 19 bandidos tenham sido mortos e uma quantidade considerável de armamento pesado foi apreendida), por ser um sinal de que, depois de oito anos de desgoverno do clã Garotinho, a lei ainda está viva no estado do Rio de Janeiro - apesar de ainda respirar por aparelhos. Aguardemos as conseqüências.

3 comentários:

PATRICIA M. disse...

Olha, se esta servindo de escudo a bandido, problema seu. Vai tomar chumbo grosso. Nao quero nem saber de comunidade carente ou coisa que o valha. O negocio eh respeitar a ordem e a lei. Quem da cobertura a bandido eh bandido do mesmo jeito. E essa tal de comunidade carente esta cheio de brasileiro "ixperto", galera que so quer ganhar Bolsa Esmola e trabalhar que eh bom, oh, neca neca...

Mesmo conceito vale para terrorista do Hamas e o Exercito Israelense. Oh, atingiu civil? So sorry, mas quem mandou virar escudo de bandido?

Zeus disse...

Perfil do direitista tupiniquim, em dez traços

10. Ao contrário dos direitistas gringos, europeus ou mesmo mexicanos – virulentamente patrióticos ao ponto da xenofobia – o direitista brasileiro odeia o Brasil. É curioso, porque nenhuma direita traz tantas marcas do seu lugar de origem como a brasileira. Até quando fala de Chesterton.

9. O direitista brazuca sofre de profunda nostalgia. Entende-se: ele um dia teve Carlos Lacerda e Paulo Francis. Hoje deve contentar-se com Diogo Mainardi e outros funcionários da Veja. Ou seja, já completa uma geração em total orfandade de gurus. Andam tão carentes que seu mais novo mestre é um auto-intitulado "filósofo" de cujo trabalho nenhum profissional de filosofia jamais ouviu falar.

8. Os direitistas tupiniquins em geral se dividem em dois grupos: os raivosos e os blasé. Aqueles vociferam em blogs, lançam insultos, ordenam que os adversários se mudem para Cuba. Reagem histericamente à própria infelicidade. Os blasé, em busca de uma elegância copiada de algum filme gringo, intercalam em suas frases expressões inglesas já completamente fora de uso. Reagem esquizofrenicamente à sua infelicidade, à sua incapacidade de reconciliarem-se com o que são.

7. O direitismo brasileiro costuma ser um grande clube do Bolinha. Tem verdadeiro pânico das mulheres, especialmente das mulheres fortes, seguras, profissionalmente bem-sucedidas. Estas últimas costumam ter o poder de fazer até mesmo do blasé um raivoso.

6. O direitista tupiniquim adora lamber as botas de Bush. Numa época em que até vozes do conservadorismo tradicional norte-americano reconhecem o caráter da mentirada (link via Smart) sobre a qual se sustenta Bush, o direitista daqui ainda defende o genocídio praticado pelos EUA no Iraque.

5. Por alguma razão, o direitista brasileiro sente-se profundamente incomodado com o cinema iraniano. Talvez, se a história do menino que perdeu um sapato fosse contada em inglês, com um orçamento milionário, dois personagens maniqueistamente representando o bem e o mal, algumas explosões e um final bem moralista, o direitista tupiniquim o saudaria como uma pérola.

4. O direitista brazuca adora declarar-se “liberal”. Sonha com o capitalismo preconizado por Adam Smith, quem sabe nalguma ilha onde ainda exista “livre competição pelo mercado”. Afinal de contas, no capitalismo realmente existente o que vemos são quatro megaconglomerados controlando toda a indústria musical do mundo, ricos impondo barreiras e tarifas aos produtos dos pobres, oligopólios praticando dumping, guerras de rapinha para saquear petróleo dos outros. Ao ser confrontado com esses fatos, o máximo que o direitista aceitará é que no “verdadeiro” liberalismo essas coisas deverão ser “corrigidas”. Talvez no dia em que o direitista consiga impor seu modelo de capitalismo à ilha de Robinson Crusoé.

3. O direitista tupiniquim tem pânico de discutir questões relacionadas a raça e etnia. Quando aflora qualquer conversa sobre a discriminação racial ou sobre o lugar subordinado do negro na sociedade, ele raivosamente acusa os interlocutores de estarem acusando-o de racista. Para essa “vestida de carapuça” Freud inventou um nome: denegação. É a atitude preferida do direitista quando o tema é relações raciais.

2. O direitista tem verdadeiro ódio da MPB. Vocifera, por exemplo, contra o silêncio de Chico Buarque sobre o caixa dois do PT, ao mesmo tempo em que idolatra pop stars americanos que silenciam sobre o genocídio no Iraque. Faz sentido: as áreas nas quais, em quantidade e em qualidade, o Brasil tem a mais respeitável produção do mundo desmentem a ficção auto-depreciatória com que o direitista tupiniquim transfere para o país o seu incômodo consigo mesmo.

1. O direitista brasileiro louva e idolatra o mercado, mas curiosamente pouquíssimos espécimes dessa turma se estabeleceram no mercado com o próprio trabalho. É mais comum que herdem um negócio do pai, recebam via jabaculê o emprego que terão pelo resto da vida ou, mais comum ainda, que concluam a quarta década de vida morando com a mãe e tomando todinho.

PATRICIA M. disse...

Esse cara deve ser acessor de deputado, alem de ganhar o bolsa esmola dele... Ah, e deve fazer negocio com gado tambem, ou ser socio do Lullinha. Ou seja, eh um exemplo de etica e trabalho...