19.12.11

Coreia do Norte, comunismo de opereta




O anúncio da morte do ditador norte-coreano Kim Jong-Il neste domingo, um dia depois de seu acontecimento, é mais um capítulo na história de um dos países mais, digamos, exóticos do planeta. A Coreia do Norte, duas décadas depois da derrocada do comunismo, ainda sobrevive como o último grande bastião da Guerra Fria, sendo mais realista que o rei em inúmeros momentos (visto que até a China, sua aliada histórica, adota um mercado capitalista mesmo sem abrir mão do regime de partido único).


A República Democrática (sic) e Popular da Coreia surgiu da própria Guerra Fria, como resultado da divisão da Península da Coreia no ano de 1948, pouco tempo depois da Segunda Guerra Mundial e da desocupação do Japão, em que a parte norte ficou sob influência da União Soviética, e a parte sul (República da Coreia, ou simplesmente Coreia do Sul), dos Estados Unidos. Os dois países se enfrentaram na Guerra da Coreia (1950-1953), sem assinar nenhum tratado de paz depois disso. Com o passar dos anos, as diferenças entre os países e suas respectivas filosofias se acentuaram: enquanto a Coreia do Sul avançava e progredia, sendo um dos países mais desenvolvidos do mundo atual (muito em parte devido aos maciços investimentos em tecnologia e educação de qualidade), a Coreia do Norte concentrava seus esforços meramente em autodefesa, tendo um dos maiores exércitos do mundo e uma enorme quantidade de ogivas nucleares, além de ter uma das maiores concentrações de riqueza e um dos mais altos índices de miséria de que se tem notícia.


Não bastasse isso tudo, o regime norte-coreano levanta ao restante do mundo sérias dúvidas acerca da sanidade mental de seus comandantes. Desde a criação do país, a mesma família comanda o governo (o que lembra uma monarquia absolutista), calcado no culto à personalidade, expediente tipicamente comunista levado às últimas consequências. Kim Jong-Il chegou ao poder em 1994, substituindo o seu pai Kim Il-Sung (líder durante 46 anos), falecido naquele mesmo ano. Tudo indica que será sucedido por seu filho caçula Kim Jong-Un, já que os demais não parecem demonstrar interesse em assumir o poder.


Visto sob a ótica dos dias de hoje, o comunismo já não é considerado algo sério. Mas o que ocorre na Coreia do Norte chega a ser surreal. É um comunismo de opereta, uma reles caricatura do que acontecia na antiga União Soviética - principalmente na época de Stálin, falecido no mesmo ano em que a Guerra da Coreia (o mais próximo do que seria um conflito bélico entre norte-americanos e soviéticos, o que só se repetiria em vários conflitos no Oriente Médio nas duas décadas seguintes) se encerrou. O país pertencente aos Kim parece viver nos anos 1950 ou 1960, em pleno início do século XXI. Comparado ao rico vizinho do sul ou a algumas regiões da China, então, chega a dar vergonha.

14.12.11

Qual seria a utilidade de uma divisão estadual?




Neste final de semana, a grande parte da população do estado do Pará votou pela não divisão do território paraense em três (o Pará seria reduzido ao seu nordeste, que concentra a maior parte da população e foi decisivo para o fracasso da proposta de divisão; o sul e o sudeste seriam o estado de Carajás, e todo o oeste seria o estado de Tapajós). O curioso é que, nas regiões citadas, suas populações votaram maciçamente pela divisão, o que denota a necessidade da presença nelas do poder que emana de Belém e mostra a insatisfação do eleitorado com o que consideram seu abandono.


Pelo menos o impedimento da divisão pelo voto popular impediu que o país gastasse ainda mais dinheiro, já que teríamos que bancar os gastos com os salários de mais seis senadores e, pelo menos, dezesseis deputados federais (oito para cada estado que nasceria). Mas ainda há uma infinidade de propostas de divisão de outros estados, como no Maranhão (em que seria criado o Maranhão do Sul, que conta com o previsível apoio da elite política local) e no Piauí (cujo sul seria o estado de Gurgueia). Ou seja, mais uma oportunidade de levar umas bocadas para os afilhados políticos dando a eles novos estados (vários deles nascidos à beira da falência) de presente. E o povo, como sempre, pagando a conta.


Se a intenção de criar um novo estado fosse nobre e tivesse o desejo de desenvolver uma região carente, isso poderia ser bem acolhido pela opinião pública. Mas conhecemos muito bem nossa classe política e sabemos como isso termina. Para que novos estados fossem criados, duas coisas teriam que acontecer aqui no Brasil: os políticos tomarem vergonha na cara e o número de senadores e deputados por estado diminuir. Mas certamente não acontecerá nem uma coisa, nem outra.

5.12.11

A necessidade de deslulização do governo Dilma




Neste domingo, o ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, pediu demissão do cargo após ser denunciado por corrupção e declarar que só sairia abatido a bala. Com isso, já são seis os ministros oriundos do governo Lula que tiveram que sair de seus cargos por motivos nada nobres (ainda teve um sétimo, o ministro da Defesa Nelson Jobim, que se retirou após declarações polêmicas à imprensa). Mais uma prova de fogo para a presidente Dilma Rousseff, que conviveu durante esses primeiros onze meses de governo com um ministério quase todo do governo anterior, o de Lula (2003-2011).


É a grande oportunidade que Dilma tem para mostrar que pode decidir os rumos do país por conta própria. Porém, a relutância da própria presidente em demitir Lupi, depois que isto foi recomendado pela Comissão de Ética (não se sabe se por pura convicção ou por medo de possíveis consequências), nos faz pensar se isso será possível. Isso tudo passa a impressão de que o atual governo depende de denúncias graves veiculadas pela imprensa para decidir se pune ou não os acusados de impor "malfeitos" à sociedade.


Essa situação mostra a necessidade de maior autonomia de Dilma em relação ao ex-presidente, que tem fatos mais urgentes com o que se preocupar. A atual presidente mostra mais fibra do que Lula em momentos distintos, sendo uma grata surpresa em vários aspectos. Mas o grande temor é que isso ainda não seja suficiente para governar o país, tanto que o fisiologismo político permanece, distribuindo cargos de acordo com os interesses partidários, não através da competência que cada ministério exige (o caso do Ministério do Esporte, em que Orlando Silva foi substituído por seu correligionário Aldo Rebelo, é um exemplo claro).


É preciso ter jogo de cintura para conduzir um mandato, e Dilma passa a impressão de ainda estar aprendendo a fazer isso, como se fosse um piloto inexperiente que ganhou um brevê do piloto anterior, mantém a mesma tripulação de qualidade duvidosa e vive trocando de copiloto em pleno voo. Espera-se, ao menos, que o copiloto da vez seja competente e suplante a inexperiência do piloto, ou teremos que depender do piloto automático até o fim.

21.11.11

Um mês se passou, e nada mudou






Sei que ando abusando um bocado dos períodos sabáticos que me imponho aqui neste cantinho. Mas as obrigações profissionais, a falta de inspiração para escrever e o excesso de informações, é necessário admitir, atrapalham um bocado a atualização constante deste blog, o que faz com que eu acabe passando por aqui só de vez em quando. Contudo, o fato é que, ao contrário do que costuma ocorrer no mundo virtual, as coisas nada mudam no mundo real, não importa o tempo que passe, se são duas ou três semanas ou mesmo um mês.

Um exemplo? Simples. A chamada Primavera Árabe, que desde o começo não dava a mim muita confiança de que desse certo, ainda que fosse louvável a tentativa de democratização de sociedades acostumadas a séculos de ditaduras e tiranias de toda espécie. Apenas na Tunísia, a meu ver, é que as coisas parecem estar caminhando - com restrições, que fique bem claro. Na Líbia, desde o assassinato do ex-ditador Muammar Kadafi, não há expectativas de que ocorra uma maior laicidade no processo transitório, o que dá a impressão de que a OTAN, que se esforçou tanto (ou mais) para derrubar o antigo regime líbio quanto para conter o genocídio de kosovares causado pelo iugoslavo Slobodan Milosevic em 1999, comprou gato por lebre desta vez - a morte de Kadafi foi uma boa mostra do que o novo regime líbio promete ser. Na Síria, o regime de Bashar al-Assad não se cansa de tocar o terror em sua própria população. No Barein e no Iêmen, o clima segue tenso, apesar de não terem mais tocado no assunto ultimamente. E no Egito, o "novo" regime - que sucede provisoriamente (pelo menos é o que dizem) o do ex-ditador Hosni Mubarak - parece lembrar bastante o anterior, até mesmo na paranoia e na perseguição a minorias, inclusive cristãos coptas. Se bem que os egípcios desconhecem a democracia desde a época dos faraós...

Enfim, é isso. Até o próximo texto, que pode ser tanto amanhã quanto só no mês que vem. A única coisa certa é que nada vai mudar, só pra variar.

21.10.11

Sobre ministros, partidos políticos e incongruências da democracia


E eis que, depois de quase um mês, estou de volta. Estou em férias do meu trabalho, que se encerram no começo do mês que vem, e busco aproveitar ao máximo o que a vida está a me oferecer no momento (ou seja, descansando ao máximo, já que a rotina foi bem puxada, é preciso admitir). Durante esse tempo, evidentemente, vários fatos dignos de nota por aqui ocorreram, e é preciso ordenar as coisas para ficar com elas em dia.

Entre esses fatos, as cabeludas acusações de corrupção contra o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., e ONGs ligadas ao ministério e também ao partido do ministro, o PCdoB. Não bastassem os problemas ligados ao governo federal em relação à tão criticada organização da Copa do Mundo de 2014, agora vêm essas acusações a piorar as coisas. Mas a questão nem é essa. Há muito tempo eu pergunto (e me espanto que isso raramente seja questionado) por que a democracia latino-americana em geral, e a brasileira em particular, aceita a existência de um partido comunista, mesmo que seja apenas de nome. Afinal, ele faz referência a uma ideologia oriunda de movimentos de esquerda, responsável por alguns dos maiores genocídios do século passado. O nazismo também foi assim e é merecidamente execrado até hoje. Porém, não vejo o comunismo ter o mesmo destino, inexplicavelmente.

Na Europa, muitos sofreram com o comunismo e, por isso, as agremiações ultraesquerdistas são geralmente malvistas. Porém, muitos latino-americanos parecem parados nos anos 1960 e ainda nutrem admiração por Cuba - alguns deles, por sinal, estão no governo brasileiro. Tanto no mundo real quanto no virtual, vejo muitos cidadãos chocados com o fato de um partido com a trajetória do PCdoB estar envolvido em casos como esse. Na minha visão, o "Outro Partidão" (o original é o PCB, felizmente apenas uma sigla irrelevante) está apenas mostrando sua verdadeira cara - a de um partido como outro qualquer, só que com a máscara arrancada de forma vexatória, diante da opinião pública.

Voltando ao assunto: mesmo que tais acusações não sejam provadas - as tais provas ainda não surgiram - é inquestionável que o ministro deverá sair desgastado do episódio (isso se não for demitido ainda nesta sexta-feira). Ao contrário do seu partido, que a presidente Dilma Rousseff (sua parceira desde a época do regime militar, quando queria implantar ditadura à cubana com o pretexto de combater os ditadores de então) quer ver continuar no governo, ao assegurar que continuará com a pasta. Espera-se, portanto, que o próximo ministro do Esporte seja menos incompetente que o atual. E que, principalmente, roube bem menos.

22.9.11

Sigam tentando, palestinos


Está em curso mais uma Assembleia da ONU, em Nova Iorque, e a grande questão é a criação ou não de um Estado palestino independente. Escora-se em parte na chamada Primavera Árabe, que derrubou ditaduras na Tunísia e no Egito e quer fazer o mesmo na Líbia, na Síria e no Iêmen, mas ainda não mostrou a que veio no que se refere a convivência com países e povos não muçulmanos. O Egito é uma prova disso, com o esfriamento de suas relações com Israel e a crescente perseguição a cristãos em seu território, fatos intensificados depois da renúncia do ditador Hosni Mubarak.

Já foi mostrado aqui, inúmeras vezes, que os palestinos têm que se preparar para conseguir sua independência com muitas negociações com os vizinhos israelenses - que também têm que fazer sua parte, na questão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Da forma unilateral que os palestinos querem sua autonomia plena, levando à votação na ONU, certamente não irá funcionar, já que isso terá que ser levado ao Conselho de Segurança, que não pode ter nenhum veto - e a tendência é que os Estados Unidos, aliados históricos de Israel, acabem vetando a independência palestina.

O que é perfeitamente compreensível, já que ainda há muito a ser negociado. Por exemplo: o status de Jerusalém, cuja parte oriental os palestinos querem como a capital de seu futuro Estado, mas que os israelenses consideram eternamente indivisível desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967 (antes dela, a parte oriental da cidade era controlada pela Jordânia, e os judeus eram proibidos de chegar ao Muro das Lamentações, local sagrado); os refugiados palestinos; os próprios assentamentos judaicos na Cisjordânia; os foguetes enviados de Gaza pelo grupo terrorista Hamas, que não aceita negociação de forma alguma. Ou seja: mesmo depois de tanto tempo, ainda é cedo para os palestinos reivindicarem independência. Depois de 63 anos, seguem colhendo o que plantaram, já que recusaram a partilha feita pela ONU e levada em prática em 1948, tentando impedir a independência de Israel, sem sucesso. Mas ainda há a esperança de que, um dia, eles tomem jeito. De uma maneira ou outra, eles aprendem.

13.9.11

Chega de igualdade!

Do Blog do Mr. X:

O grande mal da era moderna é com certeza o igualitarismo. Liberdade e fraternidade, tudo bem. Agora, igualdade é uma quimera. Salvo a igualdade perante a lei, essa sim imprescindível, e uma relativa igualdade de oportunidades, o resto é impossível de obter. Não somos todos iguais, nem tudo é igual a tudo. E por que deveria ser?

Se todas as religiões são iguais, por que alguns fanáticos religiosos se explodem frequentemente e outros não? Se todas as etnias/povos são iguais, por que se notam tantas diferenças práticas entre os grupos humanos? Se todas as culturas são iguais, para que precisamos de "multiculturalismo"? Se todas as formas de relacionamento sexual são iguais, por que alguns conseguem se reproduzir biologicamente e outros não?

Mas nem importa que as pessoas sejam diferentes se forem tratadas de forma igual, mas não é isso o que acontece. O que se quer é alavancar uns e bloquear outros de modo a que o resultado entre eles seja igual. A "igualdade" de que falo aqui é a que quer impor cotas raciais ou estabelecer territórios para grupos étnicos específicos; é a que julga que criminosos devem ter mais direitos do que vítimas de crimes; a que quer que todos ganhem o mesmo independentemente do seu esforço ou talento; e assim por diante.


Leia o texto completo aqui.

8.9.11

Ausências que preenchem lacunas





Ontem, feriado da Independência, vários protestos contra uma praga endêmica, que devasta o Brasil há séculos, tiveram lugar em várias cidades do país. Diversos cidadãos brasileiros se encarregaram de dar seu basta à corrupção, que toma conta de nossas instituições e macula a democracia. Só que algumas ausências foram marcantes, apesar de, a essa altura do campeonato, terem sido até esperadas.

Refiro-me àqueles movimentos ditos sociais, às organizações estudantis e aos grupos que costumavam aparecer em tudo que era tipo de protesto anticorrupção até 2002. Só que, desta vez, eles estavam ocupados - como estão desde 2003, ressalte-se. Depois de gritar durante 18 anos (cinco de Sarney, cinco de Collor-Itamar e oito de FHC), esses grupos se beneficiam das benesses dadas pelo governo Lula (2003-2011) e não querem largar o osso durante o mandato de Dilma - haja vista a quantidade de ministros demitidos por envolvimentos escusos durante esses nove primeiros meses de governo.

Ou seja: a corrupção grassa da mesma forma do que em todos os governos anteriores ao de Lula (talvez até mais!) e os tais movimentos, nem aí. É como se fosse um universo paralelo o que separa os governistas dos que apenas querem uma vida mais digna. UNE, CUT, MST e quejandos não deram as caras nos protestos de ontem pelo simples fato destes não despertarem neles o mínimo interesse. Afinal, não receberiam quaisquer benefício$ em troca. Ou seja: segundo a ótica deles, corrupção só se for a cometida pelos outros. Pra eles, seria uma espécie de "pagamento de dívidas históricas".

Mas a esperança de tempos melhores está nas mãos daqueles cidadãos comuns, bem esclarecidos, que estão cansados de presenciar atos desonestos a olhos vistos e resolveram arregaçar as mangas e trabalhar por conta própria, sem depender de líderes ou políticos aproveitadores. Está com esses abnegados o futuro do Brasil.

2.9.11

Se a Turquia não sabe brincar, que não desça pro play



Relatório da ONU sobre o ataque da Marinha de Israel ao barco turco Mavi Marmara, divulgado nesta semana, relatou que a ação israelense foi excessiva para tentar conter a embarcação que, supostamente, levava ajuda humanitária da Turquia à Faixa de Gaza. Apesar disso, o relatório não apontou quaisquer falhas no que se referia à defesa israelense em águas territoriais, e que o bloqueio a Gaza está dentro das normas internacionais.


Entretanto, apesar das restrições do relatório da ONU à ação israelense, a Turquia não está satisfeita. Em protesto contra o que considera uma pena branda demais (o documento exorta Israel a declarar seu pesar pela ação e a pagar indenizações às famílias dos mortos), o governo turco decidiu expulsar de Ancara os diplomatas israelenses acima do nível de segundo secretário. Algo que muitos poderiam classificar de protesto diplomático, mas prefiro qualificar como pura e simples pirraça, mesmo.


É até compreensível que a Turquia (oficialmente laica) se sinta atingida em seus sentimentos - primeiramente com o caso da flotilha "humanitária", e agora com esse relatório com ares de derrota judicial. Mas ninguém mandou radicalizar o discurso, praticamente abandonando sua histórica laicidade política e adotando um discurso religioso. O atual primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, é de um partido islamista e tem fama de ser mais linha-dura que qualquer um que tenha passado pelo cargo nas últimas décadas. Mas parece que os altos índices de popularidade o fizeram imaginar que poderia alcançar qualquer coisa que estivesse ou não em suas mãos. Comportamento, por sinal, muito parecido com o de um certo ex-presidente de um país da América do Sul...


O governo turco exige um pedido formal de desculpas por parte de Israel. Os governantes israelenses, obviamente, sequer cogitam essa hipótese. Além do mais, antes de exigirem que outro país peça perdão, os turcos deveriam primeiramente olhar para o próprio rabo. Nem falo sobre o genocídio armênio do começo do século passado, pois pra eles isso nem existiu - guardadas todas as devidas proporções, seria o mesmo que a Alemanha negar o Holocausto nazista. Mas houve algo bem recente e posterior a qualquer problema que Israel tenha tido com os palestinos: o bombardeio da Turquia a curdos no norte do Iraque. Algo que não está sendo divulgado como deveria, diga-se de passagem. Mas se fosse uma ação israelense contra habitantes de Gaza, da Cisjordânia ou mesmo do sul do Líbano, certamente seria bem diferente.


24.8.11

"Mas que diabo há com os jornalistas, que se mostram incapazes de dizer a verdade sobre a Líbia?"

Do Blog de Reinaldo Azevedo:

O fato de Kadafi ser um vagabundo desprezível não nos deve impedir de ver os fatos e de reconhecer que se está promovendo o baguncismo na ONU. E seu grande promotor, no momento, chama-se Barack Obama — sem querer deixar chocado o Arnaldo Jabor, claro! —, que, de resto, empreendeu uma guerra contra o então governo reconhecido da Líbia sem autorização do Congresso. George W. Bush, a besta de plantão dos politicamente corretos, não teria chegado tão longe.

E este é o outro elemento de fundo a ser considerado nessa história toda: tirem Obama do comando de uma guerra — que será usada na eleição do ano que vem — e coloquem lá um republicano qualquer, e a grita estaria organizada em escala mundial: “Unilateralista! Autoritário! Imperialista!”. Como é Obama, então não se protesta. O princípio é o seguinte: certas ações são aceitáveis ou inaceitáveis a depender de quem as pratique; alguns teriam licença para violar resoluções da ONU; outros não!

Não, senhores! A minha opinião não é a mesma dos celerados que têm tomado conta do Itamaraty nos últimos anos. Eu não acho que, em nome da autodeterminação dos povos, deve-se permitir que facínoras tiranizem o povo, sem qualquer protesto ou reação. O que acho é que uma resolução das Nações Unidas tem de ser cumprida pelas potências. Afinal, Kadafi está indo para a lata de lixo porque incapaz de viver num mundo civilizado.

Leia o texto completo aqui.

22.8.11

Mudarão apenas as moscas?




Parece cada vez mais iminente a queda do ditador líbio Muammar Kadafi, após os rebeldes que lutam há meses contra o regime se aproximar da capital Trípoli, com a ajuda das tropas da OTAN. Com isso, 42 anos de uma das mais sanguinárias ditaduras do norte africano estão próximos do fim. Mas uma pergunta se faz necessária: o que será da Líbia depois de Kadafi?


Afinal, muita gente está escaldada com os inúmeros acontecimentos que costuma haver em momentos como este, tanto entre os árabes quanto entre os próprios africanos. O temor é que haja apenas a troca de uma ditadura antiocidental por outra, pró-Ocidente (como ocorreu várias vezes ao contrário, como em Cuba e no Irã, que não pertencem a nenhum dos dois mundos citados). Os fatos recentes no próprio mundo árabe, quando as ditaduras do Egito e da Tunísia caíram sem que ainda houvesse planejamento de transição para um regime democrático, apenas corroboram esse medo geral; em diversos outros países árabes, como Barein, Iêmen e Síria, que vêm sofrendo convulsões populares e até mesmo massacres de civis, também existe o medo de que as revoltas populares não deem em nada, no final das contas.


Para falar a verdade, poucos ocidentais acreditam que saia algum regime democrático e que respeite as individualidades e as liberdades civis na Líbia, assim que a queda de Kadafi for consumada. Ninguém por lá conhece algo que se aproxime de uma democracia, e décadas serão necessárias até que os cidadãos líbios comecem a se acostumar. No Iraque, quando Saddam Hussein caiu, a balbúrdia tomou conta das ruas do país e até hoje existe certa apreensão, apesar da relativa calma. Porém, do jeito que inexiste uma cultura libertária em território líbio, o mais provável é que as moscas apenas mudem, mas por lá ficará tudo a mesma coisa.

19.8.11

Se os palestinos querem terra, que deem a paz primeiro



Os ataques perpetrados por terroristas palestinos de Gaza ao sul de Israel, nesta quinta-feira, mostram que ainda há muito a fazer se eles quiserem ser reconhecidos a pleno como independentes no mês que vem, na Assembleia Geral da ONU. Basicamente é assim: se querem a soberania, que se responsabilizem por qualquer ato de seus cidadãos. Não haverá - e isso Israel deixa bem claro - qualquer negociação enquanto atentados contra civis estiverem em curso.


Mas como querer que os palestinos se entendam com os israelenses se não conseguem se entender nem entre eles próprios? O ditador sírio Bashar al-Assad, por exemplo, segue massacrando indiscriminadamente a parcela da população que protesta contra seu governo, segundo relatos. Entre as vítimas, vários de origem palestina, massacrados em Latakia. Enquanto o moderado Fatah, que controla a Cisjordânia, condena o regime sírio qualificando os ataques de crime contra a Humanidade, o radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza e cujo líder mora em Damasco, diz desconhecer o fato.


Os atentados mostraram também a incapacidade da junta militar que governa o Egito de cuidar das fronteiras da Península do Sinai com Israel, já que há indícios de que os terroristas saíram de Gaza cruzando o norte do Sinai até chegar ao sul israelense - o que causa temores de uma deterioração nas relações entre israelenses e egípcios, 32 anos depois da assinatura do acordo de paz entre os dois países. O ex-ditador Hosni Mubarak, mal ou bem, fazia o acordo funcionar depois que Anwar Sadat foi assassinado, em 1981, dois anos após o acordo. Compreensivelmente o Egito quer uma democracia (algo que, a bem da verdade, nunca conheceu e desconhece até hoje), mas que corre sérios riscos de morrer no nascedouro, no que depender nos inúmeros grupos que estão de olho, como a Irmandade Muçulmana. Esses fatos, combinados à fraca diplomacia ocidental presente, dão a impressão cada vez mais real de que o imenso barril de pólvora chamado Oriente Médio está para explodir de vez a qualquer momento.

10.8.11

Santiago, Londres

Do Blog de Reinaldo Azevedo:

Chile e Grã-Bretanha são democracias representativas sólidas. As instituições funcionam. O sistema oferece os canais para a intervenção da população nos destinos do país. Ocorre que há certa esfera de especulação contra a ordem democrática mundo afora - e a imprensa ocidental, o que é patético, tem tratado com indiscreta simpatia esses "movimentos" porque vê neles um suposto frescor juvenil, oposto às instituições que estariam carcomidas pelo velho jogo de interesses da política tradicional.

Ocorre que é justamente a "velha ordem democrática" que guarda os fundamentos dos direitos individuais, da liberdade de expressão, do respeito ao outro, das garantias contra o arbítrio do Estado. Autoritários de diversos matizes - fascistas de esquerda ou de direita - sabem que esse regime é seu pior inimigo. Ora, se são obrigados a se organizar, a dizer com clareza o que pretendem, a ter o aval de milhares ou de milhões de pessoas para que possam ver aprovada a sua agenda, o mais provável é que sejam derrotados pela maioria. Então tentam se impor pela violência. E tratam governos eleitos democraticamente como se fossem uma ditadura de Mubarak ou de Bashar al-Assad.


Leia o texto completo aqui.

9.8.11

Cada época tem os "rebeldes" que merece

Os atos de vandalismo que tomam as ruas de Londres há quase uma semana fazem pensar numa coisa: os jovens de hoje andam meio mimadinhos ultimamente, ou será que estou errado?

Afinal de contas, parece-me mais um mero pretexto para fazer vandalismo e saquear lojas e depósitos de fábricas, roubando o que veem pela frente e que tenham o maior valor possível, do que um simples protesto. Muito diferente de protestos contra violência policial em tempos idos, como os ocorridos na própria capital britânica três décadas atrás. O que é altamente representativo dos tempos atuais, em que a ostentação e o complexo de novo-rico andam prevalecendo.

Os atos de selvageria (certamente feitos por descendentes de imigrantes africanos e de países de maioria muçulmana que se beneficiaram dos tempos politicamente corretos do governo britânico) são fonte de preocupação, já que Londres receberá os Jogos Olímpicos daqui a menos de um ano. Certamente os londrinos tomarão providências quanto à segurança para receber o mundo inteiro em julho de 2012. Mas já pensou se fosse no Rio em 2015? Certamente questionariam nossa capacidade, ao contrário do que fazem agora em relação aos ingleses.

28.7.11

É isso a direita?

do Blog de Marcos Guterman:

A direita europeia tem crescido de maneira exponencial. Seu mantra é a crítica à fraqueza do mundo político ante os imigrantes, à venalidade do Parlamento e à inação em relação à crise econômica. Embora seu discurso não poupe virulência contra muçulmanos, imigrantes e esquerdistas, a maioria dos direitistas da Europa não prega a eliminação física dos seus desafetos nem sai explodindo bombas por aí. Mas isso é irrelevante: para comentaristas de esquerda, Breivik representa o "clima pesado" que a direita "semeou" na Europa. Houve até quem classificasse Breivik como "a cara do terror cristão".

Leia mais aqui.

27.7.11

O terrorismo é um mal, não importa de onde venha




Responda: o que leva um sujeito bem nascido e criado em um dos países mais pacíficos e desenvolvidos do planeta a cometer um ato insano de tal forma que traumatize esse país? Não consigo pensar em outra coisa senão pura e simples sociopatia, ou o terrorismo cometido pelo norueguês Anders Behring Breivik na região de Oslo, semana passada, não teria qualquer outra explicação convincente.


O maior atentado cometido na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial fere toda a calmaria que existe no país escandinavo - para se ter uma ideia, praticamente não existem leis mais severas contra crimes comuns, e a pena máxima para delitos graves costuma ser de 21 anos de prisão, nove anos a menos que a do Brasil, que já tem uma legislação considerada branda demais.


Manifestos escritos pelo ultradireitista Breivik revelam o combate a políticas de imigração e ao crescimento do islamismo na região, considerando-se que estes eram incentivados pelo atual governo, de centro-esquerda. Tudo leva a crer que Breivik planejou e agiu sozinho, visto que ainda não há provas de seu envolvimento com movimentos de extrema-direita. De todo modo, não deixa de ser terrível que todo um país acabe sacudido por um demente que resolve destruir vidas inocentes, aparentemente sem motivo algum, ameaçadoramente ferindo a sólida democracia norueguesa.

18.7.11

O preço injusto pago pela incompetência alheia



Na semana passada, um episódio passado no interior de Goiás, perto do Distrito Federal, mostra como o Brasil é o país em que as coisas se invertem e poucos acham absurdo. Cansado de ter sua casa constantemente invadida pelo mesmo bandido enquanto estava viajando, um cidadão decidiu construir uma armadilha, à base de pólvora, utilizando canos e uma ratoeira. O artefato funcionou quando o assaltante novamente invadiu a residência, matando-o em seguida. Eis, contudo, que o dono da casa pode ser condenado por homicídio doloso, correndo o risco de pegar até 30 anos de cadeia. Leia mais aqui.


O caso mostra como é absurda a inversão de valores que querem impor a nossa sociedade, assim como o preço que os cidadãos de bem acabam pagando por causa da incompetência daqueles que deveriam nos proteger - isso quando estes não resolvem defender os bandidos, como acontece constantemente aqui no Brasil, e está ocorrendo nesta ocasião. Invasão de domicílio é crime, e o remédio para aqueles que se sentem desamparados pelo poder público é a autodefesa. Senão, a bandidagem acaba fazendo a festa.


O mais absurdo disso tudo (como se isso tudo já não fosse absurdo o suficiente) é o fato de o dono da casa ser acusado de porte ilegal de arma. Como, se foi ele próprio que construiu a arma? Seria um caso inédito no mundo: o de porte ilegal de algo construído pelo próprio acusado. Algo completamente sem sentido. Porém, mais comum do que se imagina neste país chamado Brasil...

11.7.11

Você odeia o Chico Buarque?

De Walter Carrilho: Jornalismo Boçal:

As pessoas não odeiam Chico. Nem eu. Pelo contrário, gosto de sua obra. Mas para mim, não existem vacas sagradas. Só que por aqui achamos que celebridades devem ser idolatradas sem restrição. E elas se assustam quando encontram alguém que não concorde com elas.

Talvez, se não houvesse essa divisão entre "eles" e "nós" o povo não mostrasse "seu ódio". Estamos apenas fartos de tanta lambeção de saco. Não só no Chico. Mas em todos os ídolos intocáveis que são aplaudidos até quando arrotam.


Leia o texto completo aqui.

8.7.11

Vai sonhando, Marina!



A ex-senadora e candidata à presidência da República no ano passado, Marina Silva, anunciou ontem sua saída do PV, sob a argumentação de que encontrou no referido partido o mesmo pensamento fisiológico que havia encontrado no PT, de onde saíra em 2009. No seu ato de desfiliação, Marina afirmou que não é hora de ser pragmático em relação à política, mas "sonhático" - referindo-se a um pensamento seu sobre o futuro, ou seja, a possibilidade de se candidatar novamente à Presidência, em 2014.


Ora, bolas: fisiologismo existe em todo lugar e em todo partido político, não tem jeito. Como todo cidadão, eu também gostaria de ter à minha escolha partidos que fossem coerentes o tempo todo. Mas isso não existe. Se Marina se filiar, por exemplo, ao PSOL, certamente encontrará lá o mesmo fisiologismo que viu no PT e no PV. Se ela conseguir fundar um novo partido, será questão de tempo para que a agremiação sofra disso também. Isso não é bom por dar brecha a interesses escusos, mas acabou sendo comum na política brasileira.


Grande parte disso é culpa de própria lei eleitoral brasileira, que obriga os candidatos a serem filiados a partidos políticos pelo menos um ano antes da eleição. A liberação de candidaturas independentes, sem interferência ou influência direta dos partidos, seria o ideal. Assim, o eleitor teria mais e, quem sabe, melhores opções para fazer suas escolhas. Mas, enquanto isso não acontece, ficamos dependentes da cultura partidária. A políticos como Marina Silva, que buscam um mundo perfeito e sem males enquanto se consagram basicamente entre votos de protesto e que buscam um terceira via (como foi o meu caso), então, só restará... sonhar.

5.7.11

A morte de Itamar Franco e a questão da suplência




Sábado passado, morreu de complicações causadas por uma pneumonia (no meio de um tratamento de leucemia) o senador (PPS-MG) e ex-presidente da República (1992-1995) Itamar Franco, chefe máximo da nação quando da implantação do Plano Real, em 1994. Itamar, também ex-governador de Minas Gerais (1999-2003), estava no seu terceiro mandato no Senado (1975-1983 e 1983-1989 - saiu para concorrer à vice-presidência da República, na chapa de Fernando Collor, do PRN). É reconhecido que, durante seu curto mandato, o país tenha vivido um grande período de prosperidade e defesa da ética na política.


O terceiro mandato de senador de Itamar Franco durou apenas cinco meses, o que traz à tona uma questão sobre algo existente apenas em território brasileiro: o cargo de suplente de senador. Pouco antes da campanha eleitoral, constatava-se que a coligação de apoio à reeleição do governador mineiro Antônio Anastasia (PSDB) era ampla, com muitos partidos. Os candidatos ao Senado, que acabariam eleitos, eram Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco (PPS). Cada candidato a senador tem que inscrever dois suplentes (o que às vezes serve para contemplar o maior número possível de partidos em uma coligação), evidente absurdo para o eleitorado, visto que dá margem a aventureiros no Senado Federal, já que as únicas exigências para ocupação do cargo são o fato de o candidato ter pelo menos 35 anos de idade e ser filiado a um partido político no mínimo um ano antes do pleito. Resultado: quando um senador morre (caso de Itamar) ou se afasta para ocupar outro cargo (como a atual ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann [PT-PR], substituída por Sérgio Souza, do PMDB), é o suplente que ocupa seu lugar. Em suma: um senador sem voto.


Os próprios mineiros têm exemplos recentes, como Wellington Salgado de Oliveira (PMDB), que - mesmo sem ter recebido um voto sequer - ocupou durante anos o cargo de senador (ele era suplente de Hélio Costa, que saiu para ser ministro das Telecomunicações), ou Clésio Andrade (PR), suplente de Eliseu Resende (DEM), também falecido este ano - o que faz de Aécio Neves o único senador mineiro a estar lá pelo voto. Aqui no Rio de Janeiro, tivemos o caso de um segundo suplente que assumiu o cargo - Paulo Duque (PMDB), já que Sérgio Cabral Filho (eleito senador em 2002) elegeu-se governador em 2006 e nomeou o primeiro suplente, Régis Fichtner, como seu secretário da Casa Civil.


O primeiro suplente de Itamar Franco é o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella (PDT), sobre quem pairam suspeitas de atos ilícitos na função de dirigente. Com a imunidade parlamentar normalmente dada a um senador da República, Perrella certamente terá poderes inimagináveis, como o de fazer o Mineirão sediar a abertura da Copa do Mundo de 2014 - mesmo sem a cidade de Belo Horizonte ter rede hoteleira suficiente. De todo modo, sete anos e sete meses são muito tempo para um senador que está lá apenas por ter sido eleito suplente e por ser alguém de muita sorte - ainda que não precisasse sequer ser um político...


Está em discussão a reforma política. A questão dos suplentes de senadores precisa ser discutida. Não importa que o cargo vago tenha que ser ocupado pelo candidato colocado logo abaixo ou uma nova eleição tenha que ser realizada - mas o fato é que, do jeito que está, não pode continuar. Outra saída seria a diminuição do número de senadores, de 81 para 54 (dois para cada Unidade da Federação), o que daria um senhor alívio a nossas finanças. Mas isso parece que não será discutido por nossos representantes, por motivos mais do que óbvios.

30.6.11

Sim, respeito às diferenças é essencial. Mas cadê a contrapartida?




Bem, como os poucos leitores que tenho devem ter notado, já faz algum tempo que não passo por aqui. Não é culpa minha, juro. É pura falta de tempo, mesmo. Além disso, faltavam-me assunto e inspiração suficientes para atualizar este blog do jeito que gostaria. Todavia, fatos recentes me fizeram voltar a este espaço.


Como todos sabemos, realizou-se em São Paulo a Parada do Orgulho Gay (que, disposta a agradar a todas as correntes do chamado sexo alternativo, quer ser agora chamado de LGBTTT, que é pra ninguém se sentir excluído, ainda que seja por uma sigla que ninguém consiga falar direito). Todos sabemos que é de bom grado respeitar todas as diferenças, nunca discriminando indivíduos por suas escolhas - incluídas aí as de caráter sexual. Pena que, pelo que se vê, a recíproca não seja verdadeira.


Vários cartazes adornavam a marcha realizada na Avenida Paulista, que hoje abriga aquela que é considerada a maior Parada Gay do planeta. Entre eles, alguns de campanha pelo uso da camisinha. Até aí, nada demais. Só que eles eram protagonizados por musculosos modelos em poses homoeróticas, reproduzindo imagens de... santos. O pretexto era de que "nem santo o protegia" o suficiente para fazer sexo sem proteção.


Olha, eu não sou exatamente um cara religioso, apenas acredito na existência de Deus. Mas mesmo assim senti-me ofendido com tamanha audácia. Na hora em que vi, pensei o seguinte: qual será o limite disso tudo? Será que, um dia, isso irá extrapolar os limites da crítica ao cristianismo? Será que um dia os gays irão, sei lá, reproduzir um Maomé musculoso pra tentar mexer com os muçulmanos? Se isso acontecer, não é por nada não, mas será questão de tempo para o mundo acabar...


Sei que respeito às diferenças é necessário, mas é preciso haver uma contrapartida de quem é respeitado. Essa onda gayzista que varre o país parece disposta a testar todos os limites de nossa paciência. Do jeito que a coisa anda, os homossexuais no Brasil só faltarão ser considerados inimputáveis perante a lei, como o são os indígenas (outra coisa que, por sinal, também considero absurda).

17.6.11

Oficializaram o superfaturamento!

Claro, não era nenhuma surpresa – mesmo assim, é inaceitável que a Câmara dos Deputados aprove a lei que facilite o superfaturamento nas obras de construção de arenas esportivas e manutenção e aprimoramento de infraestrutura na Copa do Mundo de 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016. A tal lei aprovada flexibiliza licitações e dificulta a fiscalização do processo de construção.

O pior é que tudo leva a crer que tenha sido proposital a demora de várias obras, porque muita gente sabia que, mais cedo ou mais tarde, isso iria acontecer. Nossos governantes não são conhecidos exatamente pela lisura, convenhamos. Já tivemos uma mostra disso que poderá acontecer daqui a três anos há quatro, nos Jogos Pan-Americanos do Rio, quando os gastos extrapolaram os limites do aceitável por causa da demora em fazer tais obras. Agora com a chancela dos deputados federais, tudo indica que o filme se repetirá, com final nada feliz para os contribuintes.

Essa medida provisória ainda poderá ser barrada pelo Senado, mas terá que haver muito clamor popular e muita pressão da sociedade e da imprensa para que isso ocorra. Enquanto isso, preparemos nossos bolsos, porque as consequências desses fatos nos deverão ser os mais nefastos possíveis.

16.6.11

A natureza da "solidariedade" aos palestinos

Do Blog de Marcos Guterman:

Como explicar tamanha insensibilidade de gente que se posiciona à “esquerda” e que, portanto, deveria ter como valor primordial a solidariedade aos oprimidos – qualquer oprimido?

Essa “esquerda” tornou-se cinicamente seletiva a partir de Stálin e nunca mais se recuperou. Como se sabe, o antissemitismo travestido de “antissionismo” é invenção stalinista, depois que ficou claro que o Estado de Israel não se alinharia a Moscou, mas aos EUA, apesar dos sionistas socialistas. Stálin, que sempre foi antipático aos judeus e queria aproveitar para fazer mais um de seus expurgos, deflagrou campanha contra o “cosmopolitismo” judaico, inimigo do Estado, o que resultou em prisões em massa e falsos julgamentos. Graças à subserviência de intelectuais esquerdistas de vários países europeus e latino-americanos a tudo o que vinha da URSS, resultou também na disseminação da ideia de que o Estado de Israel era parte de um plano global de dominação capitalista no Oriente Médio. A propaganda soviética afirmava ainda que o sionismo e o nazismo se equivaliam, que os sionistas detinham o poder econômico e midiático internacional e, enfim, que conspiravam secretamente para destruir a liberdade dos povos. Como se vê, todos os elementos do antissemitismo clássico dos séculos 19 e 20 estão presentes no “antissionismo” soviético, alegremente adotado como discurso pela militância esquerdista do século 21.


Texto completo aqui.

14.6.11

Tão perto da Terra Santa, e tão longe de Deus




Não é novidade nenhuma o que está acontecendo na Síria, no rastro das inúmeras manifestações por abertura democrática que varrem o mundo árabe desde a virada do ano. Mas o que acontece no país governado pelo ditador Bashar al-Assad (que lidera o país há onze anos, tendo herdado o poder do pai, que governou por cerca de três décadas), segundo relatos, é assustador e nos faz pensar o quão baixo o ser humano pode ser.


Porém, sempre pode piorar. O regime sírio, apesar de conflitos diplomáticos de décadas com Israel, entre outros motivos, por causa das Colinas de Golã, é historicamente mais próximo do Ocidente do que o líbio, por exemplo. Mantém relações estreitas com o Irã e a Turquia, esta ainda mais próxima dos ocidentais que os sírios e eterna candidata a entrar na União Europeia. E muitos dos que estão fugindo do regime sírio estão se refugiando em território turco.


Talvez por haver menor interesse em correr o risco de melindrar alguém tão próximo do Ocidente, não há disposição aparente em intervenção militar em território sírio da mesma forma que ocorre na Líbia, por exemplo. Contudo, certamente isso faria o Oriente Médio pegar fogo, já que ainda há tropas ocidentais no Iraque, ali perto, e o Irã iria interferir em favor dos sírios, com resultados imprevisíveis. Some-se a isso a proximidade geográfica com a própria Turquia e Israel.


Isto posto, pode-se dizer que os cidadãos sírios cansados de décadas de ditadura, ao mesmo tempo que estão perto da Terra Santa, estão bem longe de Deus...

13.6.11

Brasil, refúgio da escória do mundo



Ademais, basta usar a lógica para refutar a tese de crime político, como já feito pelo próprio STF: o assassino de Martin Luther King Jr. cometeu um crime político? Ele deveria ter recebido refúgio em algum outro país? Ora, claro que não! E o fazendeiro Bida, que ordenou a morte de Dorothy Stang? Não terá sido aquele um crime político? Se foi, então ele deve ser protegido pelo STF e colocado na rua, não é mesmo? Afinal, é impossível negar que entre as vítimas e seus algozes havia enormes diferenças político-ideológicas, não é mesmo? Seria isso bastante para caracterizar os crimes como tendo sido políticos?

Ora, claro que não! Luther King Jr. e Stang foram vítimas de criminosos comuns, que devem ser tratados como aquilo que são: assassinos vagabundos! Por que com Battisti deveria ser diferente? Notem que pretendo ser bem objetivo, para que não haja dúvida: dependesse de mim, todos os assassinos dessa espécie iriam pra cadeia! É no mundo do progressismo brasileiro que um assassino merece a liberdade, só porque beijou a cruz do esquerdismo.


Texto completo aqui.

10.6.11

"Eu quero ser de esquerda!"

do Blog do Mr. X


Eu queria acreditar que um outro mundo é possível! Que a burguesia é malvada e os pobres são puros de coração. Só que não acredito, não adianta. A infância passou.

Ser de esquerda é ser eternamente criança, viver em um mundo de fantasia. Curiosamente, a esquerda nos EUA costuma se autointitular
"the reality-based community", um título bem bizarro para quem costuma acreditar em unicórnios e paz mundial. A esquerda é incapaz de reconhecer os problemas mais óbvios que a sociedade enfrenta. Por exemplo, como explicar os problemas financeiros da Califórnia sem mencionar as massas de imigração ilegal mexicana? Como não relacionar o consumo de drogas com o crime? A esquerda consegue.

Fui levado à direita pela via do realismo, como aqueles que foram "assaltados pela realidade", por assim dizer. Mas acho que ainda preferia não ter sido assaltado...


Leia o texto completo aqui.

9.6.11

O Brasil é o paraíso... do terror




Sim, era esperado que isso acontecesse. Mas não deixa de ser revoltante a libertação do terrorista italiano Cesare Battisti, confirmada pelo STF na noite de ontem. Isso constata que o Brasil é o país em que bandidos de todo o planeta buscam guarida após cometerem seus crimes. Não sei se os que leem essas linhas pensam o mesmo, mas acho que isso acontece porque no Brasil não há lei específica para crimes de terrorismo. Se houvesse, ninguém estaria discutindo essas coisas e Battisti estaria sendo levado de volta à Itália.


Aliás, já passou da hora de a nossa opinião pública, sempre tão chegada a futilidades, começar a discutir sobre isso: não seria questão de tempo, depois de tamanho comodismo com a ilusão de que o Brasil é o país onde todos se dão bem e não há preconceitos ou intolerância (quando todos sabemos que a coisa não é bem assim), que também o Brasil começasse a sofrer ataques terroristas, como vários países vizinhos nossos sofreram? Afinal, o perigo está a nossa espreita, e não é de hoje.


Oportunidades não faltarão para pessoas de má índole (para dizer o mínimo) cometerem atos criminosos. A Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, por exemplo. A segurança certamente será reforçada para estes dois eventos, mas as atitudes não podem ficar só nisso. Teremos que discutir amplamente essa situação nos próximos meses, para não ficarmos ainda mais para trás em matéria de segurança. Isso também deveria ser feito pelas esferas de poder. Mas, por motivos óbvios, elas nem querem entrar em discussão a respeito disso. Por mais óbvio que pareça dizer o que direi agora, isso não vai acabar nada bem.

5.6.11

E a história se repete... na vizinhança




Será realizado neste domingo o segundo turno das eleições presidenciais peruanas. Pode parecer algo banal, mas não é. Na verdade, é um demonstrativo de como a escolha popular nem sempre é indício de sensatez coletiva.


O Peru é um dos países que mais crescem economicamente na América Latina. Mesmo assim, o eleitorado do país mostra ser latino-americano até a alma - gosta muito de um populismo, para dizer o mínimo. É verdade que a eleição, analisando-se cada candidato, não tem um nível dos mais altos. Mesmo assim, os eleitores peruanos dispensaram candidatos que poderiam, caso eleitos, ter um mandato seguro e de continuidade como o ex-presidente Alejandro Toledo e o economista e ex-primeiro-ministro Pedro Pablo Kuczynski para colocar, no segundo turno, os candidatos Ollanta Humala e Keiko Fujimori.


Humala é um militar ultranacionalista e aliado do presidente venezuelano Hugo Chávez. Só ali dá pra ver o naipe da criatura. Como seu amigo de Caracas, liderou sem sucesso uma tentativa de golpe, em 2000. E como o ex-presidente brasileiro Lula, tem chances reais de ser eleito presidente graças a uma amenizada nas suas posições radicais do passado diante das câmeras de TV durante a campanha presidencial. Já Keiko é filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que está preso por corrupção e violação de direitos humanos durante o exercício do poder, apesar de ter acabado com o terrorismo que amedrontou o país durante décadas. Ou seja, uma eleição digna de fazer os eleitores peruanos mais esclarecidos taparem o nariz diante da urna antes de votar - como o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, um liberal que anunciou voto em Humala por total falta de opção.


A situação ora vivida pelos peruanos me faz lembrar o segundo turno da eleição presidencial brasileira no ano passado, entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Até a questão religiosa está presente. Mas os dois candidatos estão tecnicamente empatados, e a eleição está absolutamente indefinida e ainda mais dramática que a daqui. Seja quem for o eleito, porém, estão previstos tempos bicudos para os peruanos - mas que ninguém culpe o acaso.

2.6.11

O dom de "reescrever" a História



Todos estamos vendo os esforços do governo federal em colocar nas nossas cabeças que o Brasil nasceu em 2003, assim que Lula colocou a faixa presidencial no peito, não 503 anos antes, com a chegada de Cabral a Porto Seguro. Isso passa pelo veto do ex-presidente da República (1985-1990) e atual presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), às referências ao impeachment do também ex-presidente (1990-1992) e atual senador Fernando Collor (PTB-AL) em uma exposição permanente nos corredores do Senado. Quando indagado sobre o fato, Sarney disse que a saída de Collor naquela ocasião, após grande clamor popular que tomou as ruas durante meses e resultante de graves (além de devidamente comprovadas e documentadas) denúncias de corrupção, foi "um acidente" e que "não deveria ter acontecido". A referência ao impeachment seria recolocada na tal exposição, mas o estrago perante a opinião pública mais esclarecida já estava feito.


Ao menos o presidente da casa deixou às claras, sem esconder de ninguém, a nada convincente aliança entre ele, Collor e Lula, provando que os interesses políticos (algo que vem de décadas, senão séculos, em nosso país) estão acima de qualquer coerência - e que a população não se importa em nada com isso, a não ser que comece a faltar dinheiro no bolso e comida na mesa, como acontecia há 19 anos. Assim, fica fácil reescrever a História do país a seu bel prazer, ignorando - quando não negando, mesmo - fatos históricos (ainda que bem recentes e ocorridos em plena era da Internet, como o mensalão).


Dessa forma, Lula começa a pavimentar seu caminho para se candidatar novamente à Presidência já em 2014 - principalmente se a inflação voltar a bater em nossas portas e o desgaste do governo Dilma Rousseff se intensificar, sobretudo com o PMDB, como ocorreu no caso entre o ministro Antônio Palocci e o vice-presidente Michel Temer. Mas que Lula tome muito cuidado: o efeito do Plano Real, depois de 20 anos, já pode ter passado - e sua aura de santidade pode se esvair de vez.

27.5.11

A vergonha da Operação Abafa pró-Palocci



Face às graves denúncias ao ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, de enriquecimento ilícito por meio de sua empresa de consultoria, o governo federal deveria dar ao menos uma explicação convincente e afastar o ministro enquanto investigações fossem feitas. Mas o próprio governo parece zombar dessa possibilidade e nada acontece, enquanto a sensação de impunidade toma conta.


Reduzir as denúncias a choradeira de oposição (como se ela fosse ao menos ativa, o que está muito longe de acontecer nos dias de hoje) não ajuda o governo a limpar seu nome perante a sociedade. O pior é que isso ainda dá margem a tentações totalitárias como a frase do líder governista na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), de que o Congresso corre riscos toda vez que o governo é derrotado, durante a votação do Código Florestal.


Aliás, é impressionante como qualquer coisa é útil ao governo para desviar a atenção das denúncias sobre Palocci, ocupante de um cargo ultimamente conhecido por ter sido ocupado por pessoas de alta suspeição, como José Dirceu e Erenice Guerra - que sucedeu a atual presidente da República, Dilma Rousseff. O veto de Dilma ao chamado Kit Anti-Homofobia, por exemplo. Pelo conteúdo, já se imaginava que seria um trololó bem com a cara desses tempos tão politicamente corretos - o respeito à diversidade sexual deve partir das pessoas e das famílias, não do Estado, que tem outras prioridades. Portanto, a minha opinião é de que a presidente fez bem em vetar, ainda que pressionada por grupos religiosos. O problema é que ela, espertamente e de maneira bem política, usou esse fato para cobrir o caso Palocci, juntamente com o Código Florestal. Ainda por cima, lamentavelmente, a imprensa acabou embarcando nessa onda.

20.5.11

Excesso de confiança, muita ingenuidade ou ambos, mesmo?




A declaração de Barack Obama de que apoia a declaração de um Estado palestino de acordo com as fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967, poderia ser um bom indício de que a paz entre israelenses e palestinos estaria, enfim, bem próxima. Poderia, se a situação não fosse tão complexa e o presidente norte-americano não demonstrasse, depois da operação que resultou na morte de Bin Laden, uma autoconfiança tamanha que poderá ser prejudicial.


Como devemos saber, a coisa não é tão fácil assim como Obama quer fazer entender. Primeiramente, há a questão do status de Jerusalém, cidade sagrada que os israelenses consideram indivisível depois da conquista de sua parte oriental (que os palestinos querem como capital de seu futuro Estado) há 44 anos. Sustenta-se que a troca de terras por paz poderá ser um desastre para o Estado judaico, visto que duas retiradas dos militares israelenses - a do sul do Líbano e a da Faixa de Gaza - não resultaram em benefícios, pelo contrário: respectivamente, os grupos terroristas Hezbollah e Hamas usam esses territórios para atacar Israel com seus foguetes. Como notamos, a paz não virá de uma hora para outra. Há grupos que não reconhecem a existência de Israel e querem destruir o país a todo custo. E ainda há a questão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, cuja expansão é incentivada pelo governo israelense.


Naturalmente, o discurso de Obama foi rejeitado tanto pelo governo israelense quanto pelo Hamas, que controla Gaza. O grupo palestino disse que o presidente americano poderia ser mais incisivo que qualquer outro em relação à "ocupação". O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que se encontra com Obama nesta sexta-feira dia 20, considera inviável a proposta do presidente por não considerar a questão dos assentamentos. Desse jeito, o excesso de confiança do presidente Obama poderá pôr tudo a perder algo que já ninguém tinha a ganhar.

16.5.11

A conçagrassão da burriçe nassionau



Não sei se sabem a respeito de um livro de Português, liberado pelo Ministério da Educação, que faz a defesa de um uso popular da língua portuguesa, ainda que tenha erros de grafia e concordância. Segundo o livro, distribuído a alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, recomenda a tolerância àqueles que cometem esses tipos de incorreção, para que não haja qualquer "preconceito linguístico".


Agora é oficial: o pensamento politicamente correto tomou conta do Brasil.


Todos sabemos que existem regionalismos, costumes, hábitos, condições de aprendizagem. Assim como há os que têm estas últimas - sejam elas cognitivas ou financeiras, entre vários outros fatores - mais do que outros. Mas com essa atitude de liberar uma obra que apologiza o "falar do povo" em detrimento de uma melhor qualificação do ensino do que é certo, o Ministério da Educação oficializa o baixo nível técnico daquilo de que deveria cuidar, assumindo de vez sua completa incompetência em tomar conta do que realmente importa.


Sabemos que o governo quer que mais pessoas subam na escala social e vençam na vida. Iniciativa, por si só, extremamente louvável. Mas que, acima de tudo, ele incentive a população a se preparar melhor para encarar os desafios que essa nova vida certamente irá impor a ela. E não é com esses tipos de ajuda que o governo federal vai conseguir fazer o povo brasileiro evoluir com dignidade. Pelo contrário: ele será, cada vez mais, uma presa fácil de quaisquer adversidades.

8.5.11

O mais "republicano" de todos os democratas




Veja o que o poder é capaz de fazer com as pessoas. Quando foi eleito presidente dos Estados Unidos em 2008, Barack Obama era visto como a então perfeita antítese do então governante George W. Bush, ou seja, a semirreencarnação do Messias que resolveria todos os problemas do planeta num só estalar de dedos assim que tomasse posse. Durante a campanha, Obama prometeu retirar gradativamente as tropas do Afeganistão e do Iraque e fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba. Como percebemos, nada disso aconteceu. Pelo contrário: ficou ainda mais intenso depois que Obama tomou posse. Mas sobre isso ninguém fala. Por muito menos que Obama faz atualmente, Bush (2001-2009) se tornou o mais impopular presidente da história norte-americana, batendo de longe os governos de Richard Nixon (1969-1974) e Jimmy Carter (1977-1981).


Em 2003, ano da invasão anglo-americana ao Iraque, a maior parte da população mundial achava um absurdo a reeleição de Bush, um ano mais tarde. Mas ela aconteceu, e até com certa folga. Agora, um ano antes de nova eleição presidencial nos Estados Unidos, acham até natural que Obama seja reeleito - principalmente devido à morte de Osama bin Laden. Fico me perguntando: fosse Obama o típico WASP, seria esse assunto sendo discutido a pleno?


O fato mostra também como certos assuntos andam sendo encarados como demonstrativos de correção política. Poucos discutem que, fora o sucesso da operação que resultou na morte de Bin Laden, o governo Obama está sendo um fracasso em todos os aspectos. A falta de discussão sobre isso pode ser um temor de acusações de racismo por parte dos críticos de Obama. Há também teorias que dão conta de que Obama teria dado a ordem para matar Bin Laden para desviar as atenções sobre suspeitas de que não teria nascido em território norte-americano. Outras dizem que é proposital a pouca quantidade de informações sobre a morte do líder terrorista: elas seriam reveladas de forma gradual, à medida que as eleições de 2012 vão se aproximando. Enfim, político é político em qualquer lugar do planeta.

2.5.11

Osama, Obama e as contradições




O anúncio, pelo governo dos Estados Unidos, da morte do líder do grupo terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, causou uma sensação geral de alívio momentâneo e várias comemorações pelo território norte-americano - principalmente na cidade de Nova Iorque, a mais atingida pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Mas há que se convir que demorou um bocado de tempo, gastou-se muito dinheiro e muitas vidas foram perdidas para que essa missão fosse cumprida pelas Forças Armadas norte-americanas. O cumprimento dessa missão tem um valor mais simbólico do que qualquer outra coisa, já que Bin Laden já não tinha mais a força intimidatória que exibia há dez anos. Além do mais, o terrorismo não morreu com Bin Laden. Pelo contrário: ele segue mais assustador do que nunca.


O curioso é constatar o que ando lendo por aí: o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi eleito em 2008 com a intenção de diminuir o ritmo das guerras em que o país anda envolvido há quase uma década. Isso não só não aconteceu como se intensificou: ao Afeganistão e ao Iraque, juntou-se a Líbia ao conjunto de fronts de batalha, e a prisão de Guantánamo (de onde saem várias acusações de violações aos direitos humanos) segue funcionando a todo vapor. Fosse o presidente um republicano qualquer, haveria protestos violentos mundo afora. Como é o democrata Obama, sua reeleição está praticamente garantida um ano e meio antes do pleito. Vá entender.


Além disso tudo, há uma história mal contada a respeito da morte de Bin Laden: a falta de imagens que comprovem a materialidade do ato. Assim como seu suposto funeral, com seu corpo jogado ao mar depois de "tratado de acordo com as práticas islâmicas". Que o governo norte-americano pise em ovos, é até compreensível. Mas não precisava passar essa imagem de frouxidão para o mundo inteiro ao dar um funeral digno ao terrorista-mor. O que o atirador de Realengo queria, ironicamente, Bin Laden acabou conseguindo.

18.4.11

Uma declaração de amor



  • Filme: Rio (Rio, Estados Unidos, 2011)

  • Direção: Carlos Saldanha


  • Com as vozes de: Anne Hathaway, Jesse Eisenberg, Leslie Mann, Rodrigo Santoro, Will.I.Am, Jamie Foxx

A animação dirigida pelo carioca Carlos Saldanha cumpre bem a função de homenagear a terra natal, com todas as suas qualidades e defeitos. E o faz homenageando, pelo que parece, um estilo clássico do cinema brasileiro, a chanchada: do começo ao fim, tudo faz lembrar os maiores sucessos da Atlântida, que lotaram cinemas daqui nos anos 50 e 60, dos números musicais ao desenvolvimento do enredo. Esses elementos fazem a produção ser um filme agradabilíssimo de ser visto e que merece o sucesso que vem fazendo no começo de sua caminhada nas salas de cinema.


Nem tanto por tratar de um assunto tão em evidência, pois seria chover no molhado - mas Rio deve ser saudado como um sinal de que ainda há originalidade na seara cinematográfica infantojuvenil (não apenas no ramo da animação), mesmo porque ela anda cheia demais de continuações e roteiros baseados em elementos já existentes como os quadrinhos. Um roteiro original, preferentemente feito com paixão, sempre faz bem para um público tão exigente. E Rio cumpre esse papel com sobras.

13.4.11

Falar sobre coisa séria ninguém quer, né?


Pronto: como eu disse no texto anterior, foi só acontecer um fato trágico para os aproveitadores que estavam à espreita começarem a arregaçar as mangas. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - sempre ele, por sinal -, propôs um novo referendo sobre a proibição de armas de fogo e munição para este ano. Seis anos depois de levarem uma senhora surra nas urnas, os desarmamentistas voltam à cena dispostos a, mais uma vez, não propor soluções objetivas para os problemas nacionais de segurança e culpar os elementos errados pela violência reinante no país. No que contam, diga-se, com a ajudinha do Congresso.


É impressionante como os nossos representantes da classe política parecem funcionar à base de choque ou impacto, e mesmo assim não do jeito que deveriam. Fossem mais funcionais, discutiriam assuntos mais úteis como a redução da maioridade penal ou punições mais severas para crimes hediondos, como a adoção da prisão perpétua, até para desencorajar os criminosos. Mas isso deve dar muito trabalho e ser "impopular", pensam.


Nunca pensei e nem penso em ter armas de fogo em casa, mas não me agrada nem um pouco a possibilidade de ter tolhido meu direito de fazer o que quer que seja. O massacre de Realengo pode ressuscitar a intenção de desarmar a população civil sem desarmar a bandidagem, ignorando que as armas usadas na chacina foram ilegalmente adquiridas. Mais uma vez, os políticos brasileiros optam pelo caminho mais fácil, porém mais preguiçoso, para tentar resolver os problemas que dificilmente irão ser resolvidos.

8.4.11

Anatomia de uma tragédia


A tragédia que ocorreu nesta quinta-feira numa escola no bairro carioca de Realengo, quando um ex-aluno entrou na instituição e atirou em vários alunos, matando dezenas deles (principalmente meninas), cometendo suicídio logo em seguida, num crime sem precedentes no Brasil, nos faz pensar em muita coisa. Por exemplo: a vítima de bullying de hoje, por mais "banana" que possa parecer, pode muito bem ser o assassino em massa de amanhã. É fato: de perto, ninguém é normal. Por isso, nunca é bom humilhar seu semelhante, ou outras pessoas podem pagar um preço muito injusto.


Outro fato: independentemente de ser retraído, esquisito e sofrer bullying na escola, o rapaz não batia mesmo bem da cabeça. A carta que deixou antes de cometer a barbárie não fazia o menor nexo, cheio de exigências funerárias e demonstrações de fundamentalismo religioso. Dezenas de famílias destroçadas por nada, é o que se conclui a respeito desse fato.


Outra coisa ruim que se tira dessa chacina é o cabedal de aproveitadores que chegam para aparecer no momento de dor. Entre eles, os partidários do desarmamento, seis anos depois da derrota no referendo. Ignoram que as armas usadas pelo assassino foram obtidas ilegalmente - uma delas, roubada, segundo o filho do suposto dono, já falecido - e não compradas dentro dos rigores da lei. Há gente que não admite derrota de jeito nenhum, e os partidários do desarmamento se enquadram nesse quesito.

6.4.11

Não ser contrário a Israel não vende jornal


Há pouco mais de dois anos, entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, as forças armadas de Israel atacaram a Faixa de Gaza, em resposta a ataques do grupo terrorista Hamas, que bombardeava o sul israelense com foguetes lançados do enclave palestino. Cerca de nove meses depois, foi publicado pela ONU o Relatório Goldstone, escrito pelo juiz sul-africano de origem judaica Richard Goldstone, que condenava os dois lados, mas espinafrava muito mais Israel do que o Hamas. Falando a verdade, o documento praticamente livrava a cara dos palestinos, enquanto os israelenses ficavam com a maior parte das acusações contrárias. Alguém com o mínimo de bom senso certamente diria que desproporcional não foi a guerra, mas o relatório...


Pois bem. Semana passada, o próprio Goldstone publicou um artigo no jornal norte-americano The Washington Post dizendo que certamente escreveria um relatório diferente se tivesse se baseado também em provas concretas, não apenas em relatos, como admitiu ter feito na época. Iniciativa louvável, no meu entender. Mas uma coisa me fez ficar intrigado: por que será que os jornais em geral deram pouco, pra não dizer nenhum, destaque ao fato?


Minha visão é de que ocorre exatamente o contrário que militantes de esquerda apregoam todo santo dia, quando ocorre conflito no Oriente Médio: de que a imprensa (ou "mídia", como eles adoram dizer) é descaradamente pró-Israel. Mas se os jornalistas fossem tão a favor dos israelenses, certamente dariam destaque à mudança de ideia do juiz sul-africano. Acontece, porém, que notícias favoráveis a Israel, como avanços científicos e tecnológicos, não vendem jornal. Notícias de guerras, sim. Quando se trata de falar sobre Israel, o bem não lhes interessa.

3.4.11

Com uma "direita" como essa, quem precisa de esquerdistas?


Como digo aqui já faz algum tempo, o Brasil parece ser um caso único de país sem direita - condição herdada dos anos pós-regime militar que esta reportagem exemplifica muito bem. Os, digamos, mais relevantes representantes mais à direita da classe política brasileira parecem não querer colaborar muito para a boa imagem da corrente.


Na edição da segunda-feira passada do programa CQC, da Bandeirantes, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), militar reformado conhecido por defender com veemência (que constantemente chegam à grosseria) suas posições polêmicas como a defesa do próprio regime militar e a oposição aos direitos de minorias como os homossexuais, aprontou mais uma das suas. Em um quadro em que o entrevistado da vez responde a perguntas de anônimos e famosos chamado "O Povo Quer Saber", ele estava particularmente, digamos, inspirado. Como de hábito, detonou os gays, a presidente Dilma Rousseff e os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso. A última pergunta, da cantora Preta Gil, parece ter sido mal compreendida - mas nada justifica o destempero do deputado ao respondê-la. O vídeo pode ser visto aqui.


Minha opinião? Sim, há muito vitimismo por parte dos militantes do movimento gay, que parecem querer um mundo só pra eles. Sim, Bolsonaro é um dos maiores trogloditas que a política nacional já conheceu. E, sim, ditadura é ditadura, não importa se de direita ou de esquerda - deve-se detonar Fidel Castro e Josef Stalin da mesma forma que deve-se detonar Pinochet, Videla ou Médici, por tratarem-se todos de inimigos mortais da democracia. Mas não lembro de ter havido tanta celeuma quando, lá pelo fim dos anos 90, o próprio Bolsonaro disse que o então presidente FHC deveria ser fuzilado por causa da privatização da Vale do Rio Doce. Deve ser porque o governo de então não gozava de tanta popularidade quanto o de Lula teria em seguida. Ou porque o país anda mais politicamente correto do que nunca. De todo modo, todos estão errados: o deputado em baixar o nível do diálogo e os militantes em se fazerem de eternas vítimas, quando na verdade querem ser os algozes.

25.3.11

O STF não errou. Quem errou foi o eleitorado



Nesta semana, com o voto-desempate do recém-empossado juiz Luiz Fux, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei da Ficha Limpa (aprovada menos de um ano antes das eleições de 2010) passaria a valer apenas a partir das eleições municipais de 2012. Muitos setores da nossa sociedade, compreensivelmente, ficaram contrariados com a decisão, mesmo porque dá direito a senadores eleitos no ano passado, mas que estavam barrados, como Jader Barbalho (PMDB-PA) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), de tomarem posse assim que isso for oficializado. Mas uma coisa é fato: se alguém errou, não foi o STF.

A instância máxima do Poder Judiciário brasileiro apenas cumpriu a lei, que estabelece que cada eleição deve ter suas regras estabelecidas (no que se refere a candidatos e partidos) até um ano antes do pleito - nesse caso específico, até 3 de outubro de 2009. Sabe-se que certos candidatos não são conhecidos por ter lisura, tanto que foram condenados por base da Lei da Ficha Limpa. Mas seus eleitores, os que neles votaram e os colocaram novamente no poder, que são os maiores culpados. Se a sociedade quer e precisa cobrar de alguém, é dos milhares de cidadãos que ainda acreditam nesses candidatos que não são bem vistos pelos olhos da Justiça e que perpetuam a má fama do eleitorado brasileiro. Por isso, a consciência eleitoral brasileira segue tendo tão grande importância. Quem sabe, assim, a população aprende a ter maior maturidade política.

20.3.11

Negócios no lado de cá, guerra no lado de lá



A primeira visita do presidente norte-americano Barack Obama ao Brasil tem a intenção de reaproximar os dois países mais avançados do continente, levando-se em consideração o que eles alcançaram nas últimas décadas, depois de oito anos de relacionamentos tumultuados - muito em parte por causa da diplomacia brasileira durante o governo Lula, que era conduzida mais por viés ideológico do que por qualquer outra coisa.

O ponto alto da visita deverá ser o discurso de Obama no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, neste domingo. Esse discurso chegou a ser marcado para ali em frente, na Cinelândia, mas foi cancelado dois dias antes - talvez por precaução devido ao clima quente na Líbia, onde a situação está cada vez pior e mais perigosa.

Dois textos abaixo, escrevi que fatos anteriores poderiam depor contra um ataque de forças ocidentais ao território líbio visando a derrubar o ditador Muammar Kadafi. Por mais que a intenção de depor um dos maiores tiranos de todos os tempos seja nobre, não é certo que a democracia e a normalidade irão se instalar no país norte-africano. Basta vermos a encrenca que tropas estão passando no Afeganistão e no Iraque há quase uma década. Além disso, há quase o consenso que não fazem o mesmo no Barein (onde uma monarquia sunita é acusada de oprimir a maioria xiita) o que fazem na Líbia (o que ainda é certo, para que o ditador se sinta pressionado ao máximo), por pura falta de interesse no assunto ou algo que ainda não foi de todo esclarecido. De todo modo, é torcer para que essa situação se resolva rapidamente (embora seja mais provável que isso não aconteça) e que a população civil sofra o menos possível.

18.3.11

Pelo fim do preconceito contra a direita

por Yashá Gallazzi, no blog Perspectiva Política:


O partido Democratas, numa convenção interna que mais parecia um velório, elegeu o senador José Agripino Maia como seu novo presidente. Agripino veio para ocupar o lugar que foi de Rodrigo Maia.

Em seu primeiro pronunciamento como presidente do DEM, Agripino rejeitou enfaticamente a “pecha de direita”. Coitada da direita… Nada sofre mais preconceito no Brasil do que ela. Negros, índios, mulheres, homossexuais, corintianos e anões canhotos: todos possuem uma ONG para chamar de sua. Todos contam com alguém interessado em lhes representar os interesses. Já a direita, tadinha, está abandonada.

A fala de Agripino vem confirmar algo que sempre falei: não existe uma direita politicamente organizada e eleitoralmente viável no Brasil. Isso acaba por revelar uma das maiores mentiras da história política nacional: PSDB e DEM (ou PFL, como queiram) nunca foram neoliberais. Aliás, nunca foram sequer liberais, quanto mais “neo”… Isso nunca passou de retórica torta, criada pelas esquerdas para aproveitar o –
voilá! – preconceito que existe contra a direita no país.


Texto completo aqui.

Um momento decisivo (e perigoso) na Líbia


Com o avanço das tropas lideradas pelo ditador líbio Muammar Kadafi contra os rebeldes do país rumo à cidade de Benghazi, a ONU aprovou ontem uma resolução que impõe uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia. Isso exclui todos os voos sobre o país, exceto os de ações humanitárias. A medida visa a proibir bombardeios das forças leais a Kadafi sobre civis, mas também serve para que, finalmente, o ditador possa ser derrubado por uma coalizão de forças armadas europeias com a ajuda dos Estados Unidos.

É algo considerado arriscado, considerando-se eventos anteriores como a Guerra do Iraque, iniciada em 2003 graças a falsos rumores de existência de armas de destruição em massa em posse do então ditador Saddam Hussein. Nem é preciso ir tão longe para achar um precedente parecido: os ataques de forças da OTAN à Iugoslávia de Slobodan Milosevic, em 1999, para tentar interromper o massacre de civis de origem albanesa na região de Kosovo. Vários erros foram cometidos pelas forças ocidentais nessas duas guerras, apesar das intenções, e nada que sejam cometidas agora em território líbio, mesmo que seja para derrubar uma ditadura longeva como a de Kadafi.

O que chama a atenção, contudo, é a forma com que essa notícia vem sendo recebida pela opinião pública internacional. Fosse um republicano como o ex-presidente George W. Bush a liderar os norte-americanos, certamente haveria um quebra-pau generalizado no mundo inteiro. Como é o democrata Barack Obama, tem gente que acha a normalidade que não acharia se fosse John McCain o presidente. Outra coisa também chama a atenção: perceberam como Kadafi ficou calminho ao saber da notícia da zona de exclusão aérea sobre o seu país?

17.3.11

Qual é o sentido de um programa nuclear?


Antes de mais nada, quero deixar bem claro que minha opinião é de um leigo no assunto - ou seja, de quem pouco entende de suprir as necessidades de energia de cada localidade. Mas não deixa de ser contraditório um país que sofreu dois ataques nucleares ao fim da Segunda Guerra Mundial investir tanto em energia atômica, ainda mais em uma região conhecida por ter grande quantidade de terremotos. Sessenta e seis anos depois dos ataques a Hiroshima e Nagasaki, que desencadearam a rendição nipônica aos Aliados (embora fossem, no fundo, um recado à União Soviética), o Japão sofre com a perspectiva de sofrer mais um trauma atômico - desta vez com a usina de Fukushima, a mais atingida pelo mais intenso terremoto registrado em território japonês, de 8,9 graus na escala Richter, sexta-feira passada.

Que não tenha sido por falta de aviso: a Agência Internacional de Energia Atômica havia advertido os japoneses sobre falhas na manutenção do programa nuclear, há três anos. Pelo visto, nada foi feito, e as consequências se fazem sentir agora. A situação caminha a passos largos para se tornar o pior acidente nuclear em 25 anos, desde a tragédia de Chernobyl, na então república soviética da Ucrânia, em 1986. Colabora para isso a postura quase passiva dos governantes japoneses, que segundo relatos não vêm dizendo tudo o que deveriam sobre o assunto, deixando autoridades internacionais ainda mais apreensivas.

Agora, eu me pergunto: qual é o sentido de um programa nuclear, considerando-se que é o mais perigoso, o mais caro e, segundo dizem, o menos eficiente de todos?

9.3.11

Campeã justa, porém esquisita



Que ninguém diga, assim como em 2007 e 2008, que o título conquistado pela Beija-Flor (o 12º da história da escola) não foi justo. Mas que ficou estranha a diferença de pontos para a vice-campeã Unidos da Tijuca (1,4 ponto), ficou. Ainda mais quando a agremiação de Nilópolis ganhava notas 10 a torto e a direito, mesmo em quesitos em que ela não mereceu tanto, como a comissão de frente.

De todo modo, valeu pelo espetáculo e pelo tributo a Roberto Carlos, que fará 70 anos de idade em 2011. A lamentar somente o fato de União da Ilha e Grande Rio não terem concorrido. E o fato de o atrapalhado desfile do Salgueiro ter impedido de haver uma maior emoção na apuração (tanto que, mesmo com um ponto a menos, a alvirrubra tijucana acabou em quinto lugar - não fosse a punição, poderia ter terminado em terceiro, podendo brigar até mesmo pelo título por causa das notas de evolução).

8.3.11

Um Carnaval japonês



Depois do incêndio que atingiu barracões de três escolas de samba, há pouco mais de um mês, na Cidade do Samba, esperava-se que as escolas se esmerassem mais nos esforços em fazer desfiles bons e surpreendentes. Mas o que se viu na Marquês de Sapucaí, no domingo e na segunda-feira, foi uma sucessão de apresentações previsíveis no Grupo Especial. Ou seja: não há uma favorita destacada entre as nove escolas que disputam o título deste ano. Entre as três que não serão julgadas por terem sido atingidas pelo incêndio, porém, apenas a Portela destoou ao evidenciar a crise que a escola atravessa. União da Ilha e Grande Rio fizeram apresentações emocionantes e mostraram que deveriam, sim, concorrer ao título.

Mesmo a Unidos da Tijuca, atual campeã, pareceu uma mera repetição do desfile da Viradouro em 2008, também conduzido por Paulo Barros. O medo no cinema, que em tese deveria ser explorado, teoricamente pouco apareceu. Mesmo assim, está entre as favoritas por falta de concorrentes. Talvez a Mangueira se inclua nelas por causa da emoção imposta por sua apresentação em homenagem a Nelson Cavaquinho. Ou a Vila Isabel, de uma renovada Rosa Magalhães, no seu desfile sobre o cabelo.

No segundo dia, Ilha e Grande Rio à parte, o panorama pouco mudou. O Salgueiro vinha fazendo a melhor apresentação do Grupo Especial quando sucumbiu ao gigantismo das alegorias sobre o Rio no cinema, atrasando o fim do desfile em dez minutos. A Beija-Flor, quase sem falhas, homenageou Roberto Carlos e promete brigar pelo imprevisível título.

2.3.11

O ridículo da República Islâmica não conhece limites



Eu já havia escrito aqui sobre a estranheza que o logotipo dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres, causou em muitas pessoas na época de sua divulgação. Muita gente acusou a logomarca de reproduzir uma cena de sexo oral; outros, viram nele uma suástica deformada. Mas o prêmio de originalidade paranoica vai, mais uma vez, para a República Islâmica do Irã, esse antro de... como dizer... "humanistas".

Quatro anos depois de terem visto no filme 300 "um complô que faz parte da guerra empreendida pelo inimigo", seja lá o que isso for, os iranianos acusaram o símbolo a ser usado nas Olimpíadas do ano que vem (e que foi divulgado em 2007) de ser, vejam só, uma homenagem a Israel. O Comitê Olímpico do país, numa ótica deformada, leu a palavra "Zion" (Sião, em inglês) onde se lê "2012" (de maneira meio exageradamente pop art, mas perfeitamente compreensível). Não bastasse isso, os iranianos ameaçaram boicotar os Jogos por verem nisso "um ato racista anti-islâmico". Obviamente, o Comitê Olímpico Internacional deu de ombros para a reclamação iraniana e tocou a vida.

O retrospecto do regime dos aiatolás nos faz pensar, porém, que talvez eles não tivessem se importado tanto se a logomarca reproduzisse uma cruz suástica...