13.1.09

É PRECISO SER "ANTIPÁTICO" PARA GARANTIR A DEMOCRACIA?

Às vezes, sim.

Foi o que fez o Comitê Central Eleitoral de Israel, ao vetar a participação de dois partidos políticos árabes nas eleições que serão realizadas no mês que vem. Eles são acusados de apoiar o terrorismo e de negar ao próprio país o direito de existir.

Em Israel, a minoria árabe (cerca de 20% da população do país) tem direito a votar e a ser votada - inclusive, há sete árabes no Knesset, o Parlamento israelense (algo inimaginável em relação a políticos judeus nos países vizinhos, mas isso é outra história). Porém, como em qualquer regime democrático, cada cidadão tem que seguir as leis - o que as duas agremiações que foram proibidas de participar das eleições parecem não ter feito. Seus integrantes são acusados de dar apoio ao Hamas na incursão israelense em Gaza, que já dura mais de duas semanas, e de ter viajado a países que estão tecnicamente em guerra com o Estado judeu, como Líbano e Síria.

A pergunta do título deste texto pode parecer estranha, mas faz sentido. Algumas vezes, temos que tomar atitudes que pareçam antipáticas e pouco ortodoxas para que a democracia não seja ameaçada. Um exemplo remete à fundação do próprio Estado de Israel, em 1948: o caso do navio Altalena, repleto de integrantes do grupo terrorista judaico Irgun, que foi bombardeado na costa de Tel Aviv por militares do próprio país, recém-fundado na ocasião - a embarcação estava cheia de armas (o grupo terrorista havia praticado atentados contra membros da Coroa britânica, nas batalhas pré-independência) que seriam desembarcadas pelos próprios terroristas, capitaneados pelo futuro primeiro-ministro Menachem Begin (que, três décadas depois, faria um histórico acordo de paz com o vizinho Egito). Leia mais aqui.

A atitude foi tomada pelo primeiro chefe de Governo do país, David Ben-Gurion. Se havia a intenção de fundar uma Nação democrática, diferenciada das demais, isso certamente acarretaria a tomada de atitudes radicais, no bom sentido. E foi o que Israel fez, nos primeiros momentos de sua existência. Teria que haver regras bem claras para que as leis possam ser respeitadas. E isso se estende até os dias de hoje.

3 comentários:

João disse...

Caro Daniel, não consigo entender é a piedade que a maioria governista do congresso colombiano ainda tem daquela Piedad Córdoba, sempre tão íntima do inimigo - no caso, das Farc.

Daniel F. Silva disse...

É difícil, mesmo. De fato, é piedade demais...

patricia m. disse...

Concordo, concordo e concordo!!!